Telecinesia
A idéia da telecinese, vista pelos TKs, é de que tudo no mundo é feito da mesma coisa, energia. Os átomos são feitos de energia, consequentemente nós somos energia. Por isso podemos controlar objetos pela livre vontade, temos que interagir com a energia do meio ao nosso redor, interagir com a energia que o objeto possui. Muitos grupos antigos como os Monges dominam essa pratica, mas mesmo os melhores, com anos, décadas de treinos, dificilmente conseguem fazer o que aparece em filmes e livros.
A história do mundo de Kinesis
Existem diversas dimensões, o plano existencial se trata de uma espiral unidimensional com várias dimensões em sua extensão, em cada uma dessas dimensões, existem dois universos, na terceira dimensão, onde vivemos, há o universo conhecido (o nosso) e o universo desconhecido, também habitado por seres tridimensionais e liderado por humanos. Porém neste universo paralelo, os humanos são mais evoluídos, sendo capazes de manipular energia com mais habilidade que os de nosso universo, mas assim como em nosso mundo, eles não souberam usar suas habilidades para o bem, e na maioria das vezes, os poderes mentais de seus habitantes são usados para a guerra. Mesmo assim, é necessário muito treino para alcançar um bom nível mental e por causa dessas habilidades poderem ser usadas para fins militares, não foi necessária a criação de armas de fogo.
Há 4500 anos atrás, foi criada no norte das terras que futuramente formariam o
continente de Umi, a primeira cidade da civilização, a cidade de Espoon, ela ficava no
litoral e tinha este nome por causa da espuma que se formava no mar em volta, pertencendo a um país homônimo. A partir desta cidade, foram fundadas várias outras cidades e após 500 anos, existiam vários países rivalizando entre si, sendo o país de Espoon o mais poderoso deles. A política desses países era simples, havia o grande governante que era chamado de general, cada cidade funcionava com um general, cada cidade era como um país independente.
Quanto maior o poder militar de uma cidade, mais temida ele era, até a época só se usavam armas de lâmina e de arco, mas o general de Espoon, Hiroshi Richter, procurando uma maneira de tornar seu país o mais poderoso de todos, fez pesquisas por anos e descobriu algo revolucionário sobre a energia do mundo.
Ele criou uma teoria de que existe energia em todas as coisas, e controlando esta energia, poderia se fazer várias coisas que não se poderia fazer sem ela, ao controle da energia ele deu o nome de telecinesia, ela foi comprovada e ele ficou conhecido como Hiroshi o Criador. Apesar do poder que seu país obteve com descoberta da telecinesia, ele fez um reinado pacífico, nunca ameaçando as outras cidades. Um dia, 50 moradores do país da Espoon emigraram para outro continente em busca de riquezas, já que não havia ouro no seu país natal, o continente de Tsuchin era famoso por ter grandes reservas minerais. Com a chegada desses conhecedores de telecinesia em outro país, ela foi divulgada em todas as partes do mundo e acabou se tornando a base para a sustentação da economia e da força militar de todo o mundo, o único local que não foi influenciado foi o continente de Raigeki, que já conhecia telecinese desde tempos primordiais desconhecidos.
Após muitos séculos, surgiu na cidade de Hitohell, em Umi, próxima a Tsuchin, um homem que matou o general, e tomou o controle da capital, este homem tinha uma terrível ganância, massacrando milhares de pessoas, e destruindo países inteiros com seu poderoso exército e suas habilidades de controlar energia, seu nome era Harudo, após dominar parte de Tsuchin, ele encontrou a mais poderosa cidade de Tsuchin em seu caminho, a cidade Ferrópolis, controlada por uma família que desenvolveu a mais fantástica telecinesia da época,o hiper magnetismo telecinético,que permitia que os usuários controlassem ferro livremente a um raio de
Claro que o espírito de Harudo não era como os demais, afinal ele possuía o poder de controlar os espíritos, apesar de ter morrido pela primeira vez, eles já sabia como funcionava o mundo dos mortos, quando alguém morre a mente dessa pessoa se torna energia pura, sem consciência ou qualquer pensamento, se tornando apenas um objeto extracorpóreo sem vida. É claro que essas regras podiam ser quebradas, Harudo conseguia continuar tendo consciência, mesmo após morto, podia ver os outros espíritos, mas eles não podiam vê-lo,ele podia também fazer os outros espíritos sem vida conseguirem “vida” e consciência. Por instinto, ele criou uma lâmina com a energia que ainda restava e que ele absorvera dos espíritos enquanto vivo (energia espiritual) e destruiu os espíritos dos soldados do país inimigo, à medida que ele os atravessava com sua foice espiritual, ele absorvia a energia espiritual das almas destruídas, Harudo sempre foi radicalista, ele acreditava que como um espírito ele poderia obter mais poder do que quando era vivo e poderia limpar o mundo de energia desnecessária, então ele destruiu os “espíritos” dos seus próprios soldados deixando apenas nove a quem ele deu consciência, ele permitiu que esses espíritos o vissem, ele deu a cada um dos espíritos remanescentes a tarefa de exterminar qualquer outro espírito que encontrassem que não fosse um dos 10, mas sempre dando consciência a esses espíritos, para que pudessem se defender e provar seu valor, os seguidores do general contratariam qualquer espírito que resistisse ao golpe fatal deles e que tivesse uma alma poderosa, Harudo usando a energia das almas destruídas deu a cada um do seu grupo uma foice espiritual, uma roupa negra feita de energia que só deixava as mãos de fora e poder para se comunicarem à distância, esse grupo de espíritos ceifadores ficou conhecido como “Os Tenshikyus”.
Após esta guerra, os países se unificaram, deixando cada continente sobre o comando de um general. O países se unificaram, deixando cada continente sobre o comando de um único general, já os delegados cuidavam das cidades, como chefes de polícia, que era outro nome dado aos militares quando não estavam em guerra, esses delegados seriam equivalentes a prefeitos do mundo normal.
Drachen foi um grande TK de Umi, filho do general da época. O continente era totalmente controlado por uma religião, o Kinezismo, que era seguida com fidelidade pelos moradores que adoravam o Deus Kinesis, o chefe dos Tenshikyu, o mesmo general que foi morto em combate. Drachen não gostava da maneira como o Kinezismo pedia sacrifícios humanos semanais, ele estudou com os melhores TKs da época, se tornou, aos 10 anos, o melhor TK de todo continente. Revoltado com as mortes causadas pelo cruel Kinezismo, Drachen tomou o trono de seu pai usando sua telecinese exclusiva, uma mistura de geocinese com biocinese que permitiria que ele fizesse modificações no cérebro do alvo, fazendo com que eles pensassem exatamente o que ele desejasse. Com isso, ele hipnotizou grande quantidade de pessoas perto da capital Hitohell, e aboliu o Kinezismo. Deus não gostou disso, usando um general de Tsuchin, da cidade de Ferrópolis, como mediador, declarou guerra contra Umi, o resultado foi a dominação do outro continente, o que tornou o Kinezismo ainda menos popular. Porém, membros poderosos da igreja Kinezista conseguiram armar uma cilada e matar Drachen, que havia conseguido dominar Tsuchin na guerra, mas era tarde, o Kinezismo havia sumido do continente, em seu lugar surgiu o Drachenismo, dos seguidores de Drachen. O novo general de Tsuchin transferiu a capital Ferrópolis para Umi, que era um continente mais rico em ferro. A famosa cidade de Ferrópolis passou a ser localizada em Umi, Hitohell deixou de existir e a capital de Tsuchin passou a ser Hirópolis, onde um amigo do ex-general passou a mandar.
Netrom Daemon foi o primeiro Psyvamp da história, uma espécie de pessoa que drena a energia alheia. Ele foi um grande general que Drachen havia deixado para cuidar de Tsuchin, e também, um dos envolvidos na morte de Drachen. Bastante justo, mas muito violento, foi deposto por uma revolta popular, então fugiu para Magnekure, onde deu início a uma linhagem de psyvamps, ou como ele mesmo costumava dizer, TKs ao contrário, os psyvamps passaram ser vistos como uma raça maldita, odiada por todos, perseguida principalmente pelos Kinezistas que ainda seguiam a antiga religião, e pelos Drachenistas,
Anos depois, os países se unificaram,deixando cada continente sobre o comando de um único general. Já os delegados cuidavam das cidades, como chefes de polícia, que era outro nome dado aos militares quando não estavam em guerra, esses delegados seriam equivalentes a prefeitos do mundo normal.
Drachen foi um grande TK de Umi, filho do general da época. O continente era totalmente controlado por uma religião, o Kinezismo, que era seguida com fidelidade pelos moradores que adoravam o Deus Kinesis, o chefe dos Tenshikyu, o mesmo general que foi morto em combate. Drachen não gostava da maneira como o Kinezismo pedia sacrifícios humanos semanais, ele estudou com os melhores TKs da época, se tornou, aos 10 anos, o melhor TK de todo continente. Revoltado com as mortes causadas pelo cruel Kinezismo, Drachen tomou o trono de seu pai usando sua telecinese exclusiva, uma mistura de geocinese com biocinese que permitiria que ele fizesse modificações no cérebro do alvo, fazendo eles pensarem exatamente o que ele desejasse. Com isso, ele hipnotizou grande quantidade de pessoas perto da capital Hitohell, e aboliu o Kinezismo. Deus não gostou disso, usando um general de Tsuchin, da cidade de Ferrópolis, como mediador, declarou guerra contra Umi, o resultado foi a dominação do outro continente, o que tornou o Kinezismo ainda menos popular. Porém, membros poderosos a igreja Kinezista conseguiram armar uma cilada e matar Drachen, mas era tarde, o Kinezismo havia sumido do continente, em seu lugar surgiu o Drachenismo, dos seguidores de Drachen. O novo general de Tsuchin transferiu a capital Ferrópolis para Umi, que era um continente mais rico em ferro. A famosa cidade de Ferrópolis passou a ser localizada em Umi, Hitohell deixou de existir e a capital de Tsuchin passou a ser Hirópolis, onde um amigo do ex-general passou a mandar.
Netrom Daemon foi o primeiro Psyvamp da história, uma espécie de pessoa que drena a energia alheia. Ele foi um grande general que Drachen havia deixado para cuidar de Tsuchin, e também, um dos envolvidos na morte de Drachen. Bastante justo, mas muito violento, foi deposto por uma revolta popular, então fugiu para Magnekure, onde deu início a uma linhagem de psyvamps, ou como ele mesmo costumava dizer, TKs ao contrário, os psyvamps passaram ser vistos como uma raça maldita, odiada por todos, perseguida principalmente pelos Kinezistas que ainda seguiam a antiga religião, e pelos Drachenistas,
O livro dos Tenshikyus foi um livro deixado por um ser imortal, que conseguiu materializá-lo instantes antes de ser destruído. Nesse livro, estão contidas todas as informações sobre a história de Dante Hamachi, poderoso TK que lutou com o apoio dos Tenshikyus para combater Arius Drachen, o pior homem que já pisou no mundo. Depois da leitura desse livro, o desenvolvimento da maior parte do mundo foi acelerado de maneira quase que inacreditavelmente rápida, por conter uma grande quantidade de conhecimentos que era guardada em segredo.
Continentes de Kinesis
Tsuchin : (continente mais desigual e rico do mundo, desenvolveu telecinesia avançada com pesquisas que sacrificaram centenas de inocentes)
1,2 bilhão de habitantes
Geografia: Planaltos e áreas montanhosas, é um continente muito frio, neva no Inverno e fica um pouco mais ameno no verão, a população fica concentrada em áreas de grande população, com florestas temperadas em volta, mas com animais extintos por causa da caça em excesso no passado.
Capital: Megami
Umi : (continente que deu origem a telecinesia, influencia todo o mundo com sua cultura marcante e dominou várias áreas em Houkaiser e Sogen e posteriormente foi dominado também, tem moradores conservadores que resolvem seus problemas na base da violência)
1,5 bilhões de habitantes
Geografia: Planícies e campos, é um local de relevo muito regular e ótimo para o cultivo de vegetais, o clima é ameno na maior parte do ano do ano, exceto no Inverno, quando fica muito frio, mas não neva. Quase não tem vegetação nativa, apenas plantações e cidades de função militar e alimentícia.
Capital: ex-Ferrópolis, atualmente, Cidade do Cobre.
Houkaiser: (continente pacífico que não se preocupa com relações externas e guerra, a população não desenvolveu telecinesia de ponta e vive em pequenas cidades)
900 milhões de habitantes
Geografia: Longas áreas de desertos e planícies, um continente quente durante todo o ano e com chuvas escassas.
Capital: Helkaiser
Sogen : (Continente extremamente desenvolvido no Sul, ultrapassando Tsuchin em algumas áreas e extremamente subdesenvolvido no norte)
600 milhões de habitantes
Geografia: Parecida com Tsuchin no Norte e parecida com Umi no Sul, o centro é como Houkaiser.
Capital: Amestris
Magnekure : (continente desconhecido,onde ninguém nunca conseguiu entrar por causa de um grande campo magnetico que protege o continente,mas há rumores de ser um continente perigoso)
Geografia: Sabe-se que é um continente polar.
Capital: Carpathia
Raigeki: (continente primitivo e isolado, um local extremamente pacífico onde grandes TKs reinam em paz)
1 Bilhão de habitantes
Geografia: Cheia de desertos, vulcões e montanhas, terreno muito irregular e desastres naturais frequentes.
Capital: Kazan
Kinesis II:O Legado de Arius
Prólogo, A terrível história de Arius Drachen:
Filho de uma prostituta e de um cafetão descendente do clã Drachen chamado Varg Drachen, pai violento que nem mesmo conhecia a herança mental dos Drachen, o garoto tinha como herança genética os cabelos brancos e olhos cinzentos que todo Drachen tinha, desde a infância, mas o pai Varg só pensava em sexo e dinheiro. Perdeu a mãe aos 2 anos, assassinada pelo pai, nasceu em Ferrópolis, em uma época em que a telecinesia já era matéria obrigatória nas escolas, ele era o mais genial dos alunos de sua escola, com 6 anos conseguia levitar cadeiras e com 9 já era muito mais habilidoso que quase todos os professores do continente. Seu pai era bastante desagradável, mas não era cruel com o filho, mas apenas porque o garoto nunca cometia erros e era um filho praticamente perfeito. O pequeno podia até ser um filho exemplar, mas ele odiava o pai, Arius não suportava o fato de seu pai ser um cafetão que nem mesmo sabia telecinesia e ainda o usava como garçom noturno no bordel, o considerava indigno e planejava matá-lo algum dia, mas ele o odiava principalmente pelo fato dele ter matado sua mãe, ele nunca falou sobre isso, mas o garoto já sabia ler mentes desde os 7 anos. Arius era extremamente arrogante, na escola, ele humilhava seus colegas e fazia com que muitos sofressem bullying por não serem gênios como ele, transformava a vidas de vários colegas em verdadeiros infernos só por ser superior, as garotas o veneravam, e ele acreditava ser destinado a ser o maior e mais importante ser humano na história.
Um dia, teve um torneio para mostrar o mais habilidoso TK mirim da cidade, mas quando foi sua vez de mostrar sua telecinesia, algo estranho ocorreu. Todos diziam seu nome, como fãs tolos, o garoto sentiu uma violenta dor de cabeça e viu cenas sem sentido surgirem diante de seus olhos, desmaiou e teve pesadelos bizarros. Quando acordou, percebeu que todos os presentes haviam morrido, teve que fugir para não ser culpado, se tornou um fugitivo, mas antes passou em casa. Na noite anterior havia passado por uma experiência bastante estranho durante seu sono, um sonho medonho.
As verdadeiras habilidades de Arius haviam sido liberadas ao pronunciarem seu nome, as pessoas criavam uma conexão psíquica com ele permitindo, que o garoto de cabelos brancos entrasse e destruísse a mente delas, mas ele não sabia controlar seu poder, só sabia que tinha descoberto coisas que não teria como saber.
- Estão todos mortos. O que eu fiz? Agora a polícia virá atrás de mim, não tem como simplesmente aparecer do nada e falar que todos os presentes menos eu morreram. – Ele pensava enquanto corria para sua casa e via aquelas imagens estranhas na sua mente.
- Pai, aconteceu algo terrível! – Ele entrou desesperado, mas já tinha um plano.
- O que é, Arius? – Resmungou o seu pai, com uma prostituta no colo, um excelente exemplo de decência para o filho.
- Eu matei sem querer todos as pessoas que estavam lá na escola.
- Arius se isso não for verdade vou te dar uma surra por falar idiotices, mas se for verdade vaza daqui e não volta mais. – O pai dele não aceitaria um primeiro erro, ele não gostava do filho e só o mantinha pra fazê-lo trabalhar no bordel. Varg disse o nome do filho, o garoto sentiu uma sensação parecida com a que sentiu no concurso de telecinesia onde matara dezenas, só que mais leve, então ele entendeu o que ele poderia fazer, e como. Logo estava dentro da mente do pai.
- O que é isso, Arius? – Gritou Varg, preso dentro da própria mente, controlada pelo garoto.
- Eu não sei muito bem, mas eu irei saber. – Arius fez alguma coisa, tudo escureceu cobrindo a mente do pai dele, logo, os dois voltaram ao mundo real, o pai estava bem, mas o garoto estava sem mente, já que havia destruído a mente do pai, e tomado seu corpo. O corpo do menino caiu sem vida, ele sentiu um medo doentio naquele momento, se vendo no pai e vendo o próprio corpo morto, mas logo essa sensação foi substituída, o menino começou a rir feliz, confuso e alegre com a morte do odiado pai e a situação “engraçada” em que se encontrava, mas logo ele parou, a prostituta estava amedrontada, vestia suas roupas para tentar fugir, pensava que Varg tinha matado o filho com o pensamento.
- Espere, cadela. – As pupilas negras de Arius, no corpo do pai, encolheram e ficaram cinzas, os pensamentos confusos dele começaram a se ordenar, era como se todo o conhecimento que ele obteve durante a vida passasse por ele de maneira clara e compreensível, seus sentimentos que já é eram poucos desapareceram como uma gota no mar, esses sentimentos foram sumindo até ele não sentir mais nada além de um incrível prazer sádico, ainda maior que o de antes. O pensamento lhe revelara toda a verdade sobre a mente humana e sobre a própria mente dele, ele estava sentindo o prazer da iluminação mental.
- Sim, senhor Varg. – A prostituta respondeu prontamente.
- Eu quero um serviço completo agora. – Arius foi até a prostituta, que o “atendeu”, dando-lhe prazer por duas longas horas, foi a primeira vez que ele fez aquilo, ele gostou, mas não foi tão bom quanto seu pai dizia que era.
No final, enquanto a prostituta se vestia, ele explodiu a cabeça dela com uma mão de energia concentrada feita por telecinesia, um talento mal usado.
- Odeio mulheres vulgares. – Ele voltou a rir como um louco, os pensamentos estranhos o mostravam que as únicas coisas que valiam a pena na vida eram os prazeres, alimentar o ego e obter poder e conhecimento, com isso, Arius decidiu que queria ser mais do que um humano poderoso, queria ser um deus onipotente e impiedoso, ser adorado por toda a humanidade, confirmando sua arrogância doentia desde infância, não havia dúvidas de que era louco.
- Ora então é isso que eu posso fazer? Parece que eles têm que pronunciar meu adorável nome para isso, ótimo papai, você sempre foi tão chato e eu ainda tinha que trabalhar tanto como um mero garçom de puteiro. Novos tempos virão, só não sei para onde eu vou agora, já que não quero ser um cafetão idiota. – Ria muito, saindo do bordel e andando pela rua, no corpo do pai, mas logo ele voltou, mudou de idéia quanto a não querer ser um cafetão idiota. 1 ano depois, Arius estava em um esconderijo subterrâneo onde se escondiam os rebeldes que detestavam o governo de Ferrópolis, ainda no corpo do pai, ele conseguiu uma vaga como “revolucionário”. Antes dele ir pra esse esconderijo, ele viveu como cafetão no bordel do falecido pai, bastou botar fogo no seu corpo original, para evitar problemas com a justiça. Mesmo odiando aquela vida, ele a usou para conhecer melhor seus poderes, em segurança, já que aquele bordel era o local mais seguro para um homem como “Varg Drachen”. Alguns policiais foram lá, tentar entender o que acontecera com Arius Drachen, na escola onde todos morreram, mas “Varg” conseguiu provar que Arius havia fugido e morrido em algum lugar, apesar de ter usado um pouco de persuasão pra isso, persuasão baseada em lavagem cerebral à base de invasão mental.
- Arius, se você quiser continuar vivendo aqui, preciso que você traga mais comida, o bastante para uma semana. – Dizia o irritante líder dos rebeldes, rebeldes sem causa, já que o governo de Henrique era muito justo, o líder se chamava Hugo.
- Ora Hugo, eu sempre trago a maldita comida! – Arius saiu em busca de comida. O garoto em corpo de homem andava na rua vestido com lençóis sobre o corpo, deixando apenas as mãos, parte do rosto e os pés descobertos. Neste dia, ele andou na cidade calmamente e se dirigiu até um conjunto de barracas de comida.
- Merda, você de novo! – Gritou uma mulher que vendia bananas.
- Não vai roubar minha carne seca novamente, ladrão duma figa! – Gritou um vendedor de carne.
- Ah se acalmem, é só me entregarem tudo que eu não faço nada contra vocês. – O ladrão respondeu tranquilamente enquanto olhava para os vendedores furiosos.
- Daremos um jeito em você! – Um vendedor de peixes gritou, pegando um taco e correndo para cima de Arius, ele tentou acertar ao meliante diagonalmente, o “garoto” deslizou e desviou, pegou o peixeiro pelo braço, pisou no corpo dele e o quebrou, junto de algumas costelas, fazendo o homem cair inconsciente, pois já era velho e não aguentava tanta dor.
- Vamos pegá-lo! –A vendedora de bananas estava furiosa, pois já era a terceira vez que Arius roubava em suas barracas, se levantou junto com os outros 10 vendedores, correndo para cima do ladrão de bananas, todos juntos, cada um segurando os mais diversos objetos: facões, peixes, ossos e varas, antes de o alcançarem, o homem de cabelo branco retirou um cano de debaixo do lençol, ao invés de atacar os seus oponentes, ele passou direto por eles, fazendo uma espécie de salto com vara. Então correu para as barracas, passou a mão em 5 peixes, uma peça de carne, dez bananas, oito tomates, cinco maçãs, e duas mandiocas, pôs tudo rapidamente em um saco debaixo de seus lençóis,voou para o teto de uma casa com telecinesia e saiu pulando de teto em teto, as vítimas do roubo tentaram ir atrás. A telecinesia dele o ajudava a carregar os alimentos e correr.
- Volta aqui, seu filho duma roquifuça! – Eles gritavam, mas apareceu um monte de pivetes para roubar o que sobrou nas barracas, então eles tiveram que ir atrás deles, na realidade, Arius estava controlando a mente de todos os pivetes para distraí-los. Logo depois, ele estava no esconderijo com a comida.
- Pronto Hugo, aí está o que eu consegui pegar com este saquinho. – Ele pôs os alimentos em cima da mesa, era o quinto dia dele naquele esconderijo.
- Ora Arius, isso não dá para uma semana, da próxima vez se não trouxer mais do que isso, eu vou mandar você de novo! – Hugo era muito mal-educado.
- Chega Hugo, estou cheio de suas malditas ordens, se não acha o bastante o que eu trouxe, então vá você pegar a maldita comida! – Ele gritou, muito irritado, mostrando o dedo médio enquanto gritava.
- Como ousa gritar comigo, Arius, seu idiota, vou te expulsar daqui e você vai ter que comer o que as pessoas deixarem cair no chão, agora saia da minha frente! – Hugo ficou nervoso. Ele sentiu algo estranho e quando percebeu estava preso dentro da própria mente com o homem de cabelo branco.
- Arius o que você fez?
- Hugo, você já me maltratou o bastante, mas agora vai ser o contrário, adeus, seu preguiçoso arrogante. – Ele falava feliz enquanto fios de aço cheios de espinhos saiam do chão e enrolavam o corpo de Hugo, o esmagando e logo destruindo sua mente. Quando ele voltou ao mundo real, lá estava Hugo de pé com os olhos brancos e sem movimento, então ele deu um peteleco nele, fazendo-o cair.
- Quando os outros voltarem, matarei eles também. – O prodígio foi preparar sua refeição.
- Chegamos! – Disse um grupo de pessoas, os outros membros do grupo rebelde, Jade, Geni, Godofredo, Luigi e Lauro, uma hora após o assassinato do líder deles. Eles pararam com o tom animado quando encontraram o corpo de Hugo assado sobre a mesa de jantar, todo espetado com garfos, com uma maçã na boca e Arius sentado atrás comendo pedaços do corpo do homem, que ele havia assado.
- O que é isso? – Jade deixou o coelho morto que ela estava segurando cair.
- É o jantar. – Ele comia um pedaço da perna do ex-chefe.
- Arius, saia daqui agora, você não está com sua mente funcionando corretamente! – Gritou Luigi, o mais pacífico do grupo, tentando tirá-lo de lá sem um combate.
- Nunca funcionou tão bem . – O telepata se levantou, a porta bateu com um vento e se trancou sozinha, enquanto as facas que estavam em volta do corpo de Hugo começaram a voar em volta do aparente canibal. O grupo desistiu de conversar e começou a tentar destrancar e arrombar a porta, para fugir, mas antes que conseguissem as facas foram lançadas, mas como eram apenas quatro facas, só atingiram as cabeças de Geni, Godofredo, Luigi e Lauro, que ficaram como quadros pendurados na porta.
- Por favor. Arius, me diga o que nós fizemos para você? – Jade, desesperada, caiu de joelhos, chorando.
- Jade, você é a escolhida para acolher minha alma. – Ele disse, já dentro da mente dela.
- Que lugar é esse? Por favor, me diga! – Jade era a irmã mais velha de Hugo, só estava no grupo de rebeldes sem causa para protegê-lo, mas agora era tarde. Ela foi coberta por dezenas fios de ferro.
- O que é isso? – Ela tremia.
Havia molotovs em volta dos fios,
- Não. – Ela gemeu.
- Finalmente um corpo novo. – Ele riu.
Chamas atingiram o interior das garrafas.
- Arius? – Foi a última palavra que a pobre adolescente disse, as garrafas explodiram, destruindo todo o corpo (mente) de Jade. Logo depois, Arius voltou para o mundo real, já no corpo dela.
- Ah, o corpo da Jade era lindo, será ótimo usá-lo para que não reconheçam o velho ladrão de verduras, isso me faz lembrar da primeira vez que troquei de corpo, o meu corpo original foi encontrado e o Arius que causou problemas na escola de telecinesia foi dado como morto. Quando troco de corpo, absorvo as habilidades e informações do hospedeiro, mas perco parte das habilidades anteriores exceto as minhas originais, embora preserve as informações. – Saiu andando para fora do esconderijo, ele tinha um plano extremamente ganancioso em sua mente. Podia fazer pouco tempo que ele tinha tomado controle de seus poderes, mas ele agia como se os usasse desde bebê, totalmente familiarizado. Ele não era canibal, mas estava comendo o ex-líder por pura diversão, levando em conta o seu sadismo doentio, ele acharia hilário quando entrassem na sala e encontrassem aquela horrenda cena, uma espécie de espetáculo de horror.
- Ei moço, tem namorada? – “Jade” perguntou para um rapaz que passava na rua.
- Não, mas se você quiser pode ser a minha. – O rapaz respondeu asanhadamente, já que a mulher era linda. Arius tinha levado uma das facas de cozinha com ele, ele a tirou do bolso da calça e
enfiou-a no coração do rapaz, no meio da rua, para que todos vissem. O coitado caiu no chão agonizando de dor.
- Morra, seu tarado, eu não te quero!
- Uma assassina, chamem os militares. – Uma mulher que viu o crime gritou, todos no local saíram correndo com medo da psicopata, em Ferrópolis, criminosos de alto nível (assassinato pra cima) eram condenados à morte pelo próprio general, por causa disso, ninguém jamais cometia crimes do tipo, quando Arius roubava vegetais ele só não era pego pois o general só entrava em ação em casos mais graves. Logo, um mensageiro já havia chegado para comunicar o todo poderoso general Henrique.
- Senhor, ocorreu um assassinato na rua 3 agora mesmo, a criminosa nem tentou se esconder, ela é extremamente perigosa.
- Então eu devo ir matá-la, minha cidade não pode ter assassinos. – Henrique ficou furioso com a notícia. O general pulou pela janela, a cidade de Ferrópolis era toda feita de vigas de ferro, ao pular pela janela, Henrique atraiu uma forte força magnética para ele. Fez uma viga ficar debaixo dele e a usou como uma espécie de prancha voadora sustentada pela poderosíssima telecinesia magnética que sua família desenvolvia há anos.
Logo ele estava na rua onde a assassina também estava, junto com vários corpos espalhados no chão, Henrique saltou da viga caindo em pé a lançou contra Arius, com uma enorme força.
- Não esperava que uma mulher pudesse fazer isso. – Henrique ficou impressionado com o fato da viga não ter atingido a garota, que foi desviada e acertou bem longe da criminosa.
- Tudo isso só por que não me acertou? Fique tranqüilo. Logo, logo você estará morto como sua doce filha Nani. – Arius sorria, lia os pensamentos e navegava nas memórias de Henrique, ele podia ser um pré-adolescente, mas era mais inteligente que a maioria das pessoas de 40, na verdade, que todas elas. Nani era a filha do general que morreu por causa da peste, ele ficava descontrolado quando tocavam nesse assunto.
- O que você disse? Como você sabe disso? – Henrique começou a gritar, atraindo as vigas de uma casa inteira para em volta dele, fazendo-as rodarem como um escudo gigante e depois atirando todas na forma de uma violenta chuva de vigas. As pessoas que moravam na casa desfeita ficaram sem teto, mas sabiam que quando Henrique acabasse de matar sua oponente, ele reconstruíria a casa.
Arius teria sido despedaçado, mas ele realmente não era uma pessoa comum, segurou as vigas com uma força telecinética poderosa o bastante para segurar o poder de controle do ferro do Henrique.
- Meu nome é Arius, e esse corpo não é meu, mas normalmente mato antes que idiotas como você pronunciem meu nome, ele não é pra perdedores.
- Então morra, Arius! – Henrique gritou para contrariar as falsas palavras de seu inimigo, que havia citado o nome de sua falecida filha, o deixando irado. Henrique se esforçou mais e conseguiu apertar Arius entres as vigas, quase o bastante para matá-lo, mas logo:
- Bem vindo ao meu mundo. – Ele cobriu Henrique dentro da própria mente do general, usando cipós cheios de espinhos.
- Invadindo minha mente, não sei como alguém pode fazer isso, mas não te darei o controle da situação. – Um homem de mente forte como o general não teria a mente destruída tão facilmente. Surgiram várias espadas gigantes que o libertaram dos cipós e foram em direção de Arius, que foi protegido por uma barreira de ossos extremamente resistentes.
- Você é tão poderoso que pode se defender até quando está no meu mundo, mas não pode ser o bastante. - Empurrou a barreira com toda sua força contra Henrique para esmagá-lo. O general se esforçou muito, mas não conseguiu segurar o contra-ataque, sendo totalmente esmagado pelos ossos.
- É aliviador dizer que você é meu. – Arius falou, dando um suspiro de cansaço, aparentemente a raiva que Henrique sentia o atrapalhava. A barreira de ossos foi quebrada por Henrique que saiu de trás com o rosto esmagado e irreconhecível, mas ainda vivo.
- É apenas questão de tempo. – Ele tinha certeza de que venceria, mas antes que ele fizesse qualquer coisa, vários bolas de canhão saíram da boca de Henrique em direção a ele. O assassino fez aparecer uma grande rede de borracha, que ricocheteou as bolas ,e com a cara esmagada Henrique não podia ver nada, sendo finalmente, destruído por duas das bolas.
- A mente dele já era, agora o corpo é meu. Arius voltou ao mundo real, quando abriu os olhos se viu no corpo de Henrique, caído no chão, rodeado de cidadãos da cidade, o corpo de Jade já havia sido destruído pelos homens e mulheres que ali estavam.
- Senhor, você está bem, conseguimos matar a mulher para o senhor para que não tivesse trabalho. – Um homem ajudou o telepata em seu novo corpo a se levantar.
- Meu povo, agora que a malfeitora está morta, peço para fazer uma declaração pública. Meu povo, chamem suas famílias e amigos para este local, para que todos os habitantes dessa cidade possam ouvir o que eu falarei.
- Senhor é algo tão importante? – O mesmo homem que havia ajudado Arius perguntou.
- Sim é, todos devem estar aqui em no máximo uma hora.
Todas as pessoas presentes, foram em busca de mais pessoas para se reunirem para ouvir Henrique Ruschi, todos confiavam no general. Enquanto os ingênuos habitantes de Ferrópolis procuravam levar todos para o local onde Arius faria algo que aquela cidade nunca iria esquecer, ele fez uma das vigas de ferro suspendê-lo até o topo de uma casa, após ter encarnado no corpo de Henrique, ele absorveu as habilidades, conhecimentos e memórias do mesmo, mas sem perder as próprias. Arius ficou testando a telecinesia magnética de Henrique, ele podia transformar a energia de movimento em campos magnéticos com muita facilidade, e também criar polaridades em objetos metálicos e no ar, o que permitia lançar ferros gigantes com facilidade através de repulsão magnética. Ele tinha estranhado o fato de ter conseguido destruir a mente de Henrique tão facilmente, mas agora percebia que Henrique só era extremamente poderoso por causa do seu corpo, os Ruschi costumavam ter corpos mais evoluídos, que auxiliavam na telecinese magnética, como se fosse uma mutação.
- Maravilhoso, simplesmente sublime. – Pensava, movendo moedas que o general levava no bolso, sem tocá-las. Em minutos, as pessoas começaram a chegar, e em 57 minutos, as ruas já estavam lotadas e sem espaço de tanta gente na rua.
- Bem meu povo, agora que estão todos reunidos eu farei a declaração do século, isso mudará a vida de todos para melhor, mas antes, quero que repitam comigo um juramento de fidelidade a esta cidade.
- Sim senhor. – O povo respondeu em coro, diante do líder de toda a nação.
- Repitam comigo, pela sabedoria de Hiroshi, pelo poder de Napoleão.
O povo repetiu.
- Por Kinesis, por Arius.
O povo continuou repetindo, mesmo sem ninguém da multidão fazer idéia de quem era Arius ou Kinesis, mas se o senhor deles estava falando eles, com certeza acreditariam que eram pessoas importantes. Centenas de pessoas pronunciando o nome de Arius não levou a um resultado muito bom, aconteceu o mesmo que havia acontecido na escola, dias atrás, exatamente como ele havia planejado, ele concentrou-se e entrou na mente de todas as pessoas ao mesmo tempo, ele teve uma visão única de um ângulo infinito
inexplicável com palavras, ele destruiu todas as pessoas mentamelnte ao mesmo tempo, sem nenhum tipo de reação, quanto mais pessoas falassem o nome dele, mais fácil era a invasão mental de cada uma delas. Quando voltou para o mundo real, ele caiu sem conseguir se mexer, mas consciente, exausto por causa da energia que teve que gastar para invadir tantas mentes, em compensação, havia centenas de corpos em volta dele, coisa com a qual ele estava começando a se acostumar. O fato dele poder matar centenas de pessoas de uma vez poderia ser ótimo para os Tenshikyus, mas acabava sendo péssimo, pois as pessoa que ele matava mentalmente tinham a mente totalmente destruída e absorvida por ele, então não sobrava nem uma raspa para os ceifadores imortais.
"Eu, posso fazer o que quiser, mas não é de graça, toda ação necessita de uma certa quantidade de energia para ser feita, quanto mais fantásticas as atividades, mais fantástica será a quantidade de energia necessária, talvez eu acabe morrendo com isso, eu poderia mudar novamente de corpo, mas de jeito nenhum eu abriria mão deste corpo de general." – Pensou Arius, tentando mover um dedo, mas tudo que ele conseguia era continuar com sua funções vitais como respiração e batimentos do coração.
"Existia uma maneira de obter energia facilmente, mas não consigo me lembrar de jeito nenhum qual era, tenho que me esforçar afinal, caso eu falhe, todo meu esforço será em vão." – Enquanto ele pensava, formigas começavam a subir sem seu corpo, e morderem sua carne, o que ainda atrapalhou na concentração, com dores constantes.
Ele pensou, pensou, já que era a única coisa que ele conseguia, ele acabou se lembrando após quase 40 minutos de concentração, na escola de telecinesia onde ele estudava, ele havia aprendido a absorver a energia alheia através de concentração e pensamentos. Ele pôs a prática em prática, concentrando-se em absorver energia de todos os corpos presentes, que apesar de mortos, ainda continham uma grande quantidade de energia. À medida que drenava a energia, Arius se sentia fortalecido, logo conseguia mover os dedos com algum esforço, após vinte minutos ele conseguia levantar um braço, e com uma hora de drenagem, já podia se levantar. Um Drachen praticando vampirismo psíquico, a última coisa que uma pessoa em sã consciência diria ser possível acontecer, mas aconteceu, e foi isso que impediu a morte do homem.
- Exaustivo, isso é para eu aprender a não usar toda minha energia de uma vez, senão terei que ficar 2 horas deitado sobre um teto, com sol e formigas. – Arius se levantou, matando as formigas que estavam dentro de sua roupa. Ele saltou do teto, sobre a pilha dos corpos, passou a procurar dinheiro nas roupas das suas vítimas, sempre se coçando por causa das mordidas das formigas, o sol quente e as formigas fizeram um verdadeiro estrago em sua pele. O novo general não mexeu em todos os corpos, mas em pelo menos 300, a quantidade de mortos era muito grande para que ele checasse todos, mas mesmo assim conseguiu 280000 kimes em dinheiro.
- É muito dinheiro, mas vai ser difícil eu aguentar andar até outra cidade, e com certeza, logo alguém vai perceber que esta cidade tem algo de errado e virão atrás de mim. Certamente não é problema, desde que eu esteja com a telecinesia magnética, mas ainda assim, isso não está em meus planos. – Ele tinha um único objetivo, durante o período que havia passado no subsolo, planejara várias ações para que pudesse obter acesso a todas as mentes do mundo, tendo conhecimento infinito e controle sobre qualquer pessoa existente, fazendo sua própria religião. A primeira parte do plano seria matar pessoas o bastante para causar terror a qualquer pessoa que soubesse do acontecimento e em seguida espalhar a notícia, depois ele tomaria todo o continente com caos e terror, não como um falso general, mas como um deus imortal. Mas ele tinha outro motivo adicional para matar uma grande quantidade de pessoas, cada pessoa que ele assassinava mentalmente tinha seus conhecimentos absorvidos, quanto mais pessoas matasse, mais conhecimento teria, e conhecimento é poder, o que poderia levá-lo ao dom divino da onisciência, sem citar que ele era sádico o bastante pra se divertir causando mortes.
- Com certeza não tem ninguém vivo por aqui, talvez eu deva esperar alguém chegar na cidade. – Arius era muito bem-humorado. A cidade de Ferrópolis, apesar de ser a capital do continente de Umi, ficava no meio de uma pequena área deserta, sendo de difícil acesso para pessoas de fora. Ele subiu em uma viga e a levou para o alto da cidade, depois foi em direção ao extremo norte do local, não havia ninguém vivo por perto, então foi voando sobre a viga em direção ao norte, desejando encontrar algum local cheio de pessoas.
- Se eu convencer todos que aquele massacre ocorreu por uma causa desconhecida, já conseguirei espalhar um pouco de terror.
Horas depois, chegou em uma cidade grande do continente, rica em comércio e população, a Cidade do Cobre. A cidade se concentrava na metalurgia e nos centros militares, era lá que era feito o melhor treinamento para policial em todo o continente de Umi, e também era um ótimo lugar para se comer miojo.
- Veja, meu filho, o senhor Henrique está vindo para nossa humilde cidade. – Disse uma mãe a seu filho, assistindo de longe a chegada do adorado general. O general com nova mente pousou logo entre as primeiras casas da cidade, em frente à mulher.
- Senhora, a cidade de Ferrópolis teve toda sua população massacrada por uma força desconhecida. – Arius falou para a senhora, como se ela fosse uma autoridade. A mulher ficou sem palavras, enquanto isso, uma pequena multidão se reunia em volta dele, todos pensavam que era o querido governante de todo aquele continente.
- Pessoas, a população da cidade de Ferrópolis foi massacrada por uma força desconhecida, preciso que todos os habitantes desse continente tenham o dobro de cuidado, também declaro que eu irei assumir o controle da delegacia desta cidade.
As pessoas escutaram atentas as palavras do líder, pareciam estar assustadas com as palavras dele, mas não desesperadas.
- Alguém poderia me dizer onde fica a delegacia? – O falso general perguntou para um garoto pobre que andava na rua.
- Eu poderia, mas custará 5 kimes. – O garoto interesseiro respondeu.
- Me leve até lá. – O general tinha pressa.
- Sim senhor. – Disse o garotinho, pegando na mão de Arius e puxando, ele o fez andar por quase 1 hora, chegando na porta da delegacia, aquela cidade era grande.
- Meu pagamento, senhor. – O garoto era esperto e não queria levar calote.
- Aqui está. – Deixou uma moeda sobre a mão do garoto.
- Obrigado senhor. – Disse o garoto, que logo em seguida, saiu correndo.
- Que garoto mal-educado, onde já se viu cobrar para ajudar o homem que faz com que todos vivam bem? – Entrou na delegacia, havia quatro militares e três portas na sala principal, uma levava aos
banheiros, outra à sala do delegado e outra às celas dos presos.
- Senhor Henrique, é uma honra te ter aqui, o que lhe traz aqui. – Disse um oficial ao vê-lo.
- Todos os habitantes de Ferrópolis foram mortos por uma força desconhecida, menos eu, agora desejo assumir o comando dessa delegacia onde começarei a investigar o crime.
- A porta do delegado é essa do meio à minha esquerda. – O soldado foi útil para seu general.
- Oh sim, obrigado. – Arius era educado. O general foi até a porta, a abriu e entrou, fazendo o delegado se assustar.
- Senhor Henrique, o que faz aqui? – Estranhou ver o general na sua sala.
- Todos os habitantes de Ferrópolis foram mortos por uma força desconhecida, menos eu, agora desejo assumir o comando dessa delegacia onde começarei a investigar o crime. Qual é seu nome, delegado?
- Então eu estou despedido? Meu nome é Felipe Frujeri.
- Não despedido, mas agora você será o investigador auxiliar e eu o delegado.
- Sim senhor! – Frujeri ficou feliz por continuar com um bom cargo, mas chocado com o massacre.
- Está dispensado por hoje, volte amanhã para começarmos a investigar o caso.
- O senhor poderia me explicar melhor o caso antes?
- Não há muito o que se explicar, eu estava fazendo um discurso para todo o povo e repente todos morreram.
- E sobre o que era o discurso? – Felipe perguntava muito, era natural, ele era delegado e interrogador.
- Sobre a escolha de um delegado para a cidade, que como todos sabem, era controlada por mim, mas não sou delegado, sou general.
- Então vou embora senhor. – O delegado bateu continência e deixou o estabelecimento.
Arius se sentou sobre a cadeira de delegado e começou a escrever em folhas brancas que havia sobre a mesa.
"Hoje descobri que posso invadir dezenas de mentes ao mesmo tempo, mas que quanto mais mentes eu invado mais energia eu gasto, isso poderá me matar caso eu use energia demais e acabe fraco demais até para exercer minhas funções vitais.” Ele escreveu isso, dobrou o papel e guardou no bolso.
O delegado general passou o resto dia exercendo as funções de seu novo cargo, ele atendia as pessoas que iam fazer denúncias e mandava seus subordinados irem atender as ocorrências. Ele se esforçava muito para atender todas, na maioria das vezes, os criminosos eram levados até ele em pouco tempo após as denúncias. Arius tinha que escrever a ficha criminosa do bandido caso não fosse a primeira passagem na prisão e escolhia um número de cela para prendê-lo. O primeiro dia foi assim, ele mandou 2 criminosos para a cela 4, os policiais da cidade eram bastante competentes, por isso tudo ocorria rapidamente. Mas como ele ainda era general, ele também tinha que fazer decisões maiores, os problemas eram comunicados por um aparelho precursor do Telepager, a “máquina de digitar”, parecida com um fax, com essa máquina ele dava diversas ordens sobre o que fazer com revoltas, com que gastar os impostos, e até ordenava que fizessem novas escolas de telecinesia, esses deveres e privilégios de general foram aproveitados por todo o período em que exerceu o cargo, obviamente. À meia-noite, ainda estava na delegacia.
- Soldado, que hora é minha dispensa? – Arius perguntou pra um soldado.
- À meia-noite e meia seu substituto chega pra fazer o turno de madrugada.
- Está certo, qual é o nome do meu substituto?
- O nome dele é Eduardo.
- Ah, então me retirarei agora mesmo, quando ele chegar diga que fui dormir.
- Mas senhor, isso é contra as regras, ainda faltam 30 minutoa.
- Eu sou a autoridade máxima deste continente, não tem risco de acontecer algo em meia hora. – O general se levantou, saiu pela porta e foi embora, ele caminhou pelas ruas vazias da cidade, as únicas luzes ligadas ainda eram as da delegacia e do hospital que ficava logo em frente.
O general pensou:
"Eu não tenho casa, o que estou fazendo procurando uma? Tenho que escolher qualquer e tomar para mim“.
Ele passou pelo hospital em linha reta e virou na primeira esquina à direita, as casas da rua eram bem bonitas, também tinha mercearias e butiques. Havia uma casa bastante diferente das demais nessa rua, grande, toda feita em madeira, com três andares, o primeiro andar era o maior e o tamanho de cada andar diminuía no segundo e mais ainda no terceiro. Tinha grandes telhas de formato triângular na parte superior de cada andar, o que dava um estilo bastante chamativo à casa.
"É muito bonita, espaçosa e certamente confortável, acho que não custaria nada ficar com ela" Pensava enquanto se encaminhava para a porta da casa.
"Toc toc ", esse foi o barulho das batidas de Arius naquela porta.
Ninguém respondeu, ele bateu novamente e nada, então na terceira vez ele bateu com muito mais força: "TOC TOC".
Podia se ouvir o barulho de alguém descendo as escadas, dava pra perceber que era alguém usando chinelo, pois não fazia barulho de sapato batendo na madeira.
Quando a porta se abriu, uma mulher de olhos puxados e de uma certa idade, cabelo com rabo de cavalo para cima e duas mechas de cabelo caindo na frente do rosto presas com fitas surgiu com uma cara péssima.
- O que alguém pode querer à meia noite em um dojô? – Perguntou a mulher esfregando os olhos.
- Oh senhora, eu sou A...Henrique, general do continente Umi, estou sem lugar para ficar nesta cidade e gostaria de me hospedar nesse dojô.
"Um dojô? Talvez eu nem tenha que matar ela "Pensou Arius, após ler a mente da mulher.
- E como saberei se você não é um mendigo se fingindo de general?
Uma moeda voou do bolso de Arius para a cabeça da mulher, que segurou-a com reflexos fantásticos.
- Mendigos não fazer isso. – “Henrique” achava que aquilo era uma boa prova.
- Lançar uma moeda sem tocar não é tão interessante, se o senhor é mesmo Henrique, puxe aquelas espadas. – A mulher apontou para dentro da casa, onde havia três katanas presas à parede por um suporte de marfim.
- Como a senhora desejar. – Arius concentrou o magnetismo em frente a ele mesmo, isso puxou as espadas que foram voando com as pontas contra a mulher, que segurou as três com as mãos e os dentes.
- Agora acredito que você seja Henrique, sou Júlia Ching. – A mulher deixou as espadas caírem.
- É uma honra, seus reflexos são surpreendentes, também posso entrar?
- Sim, é sempre bom para as alunas que tenha um TK de nível máximo por perto, aqui elas aprendem artes marciais e telecinesia para se tornarem guardiãs telecinéticas, é uma classe de TKs treinadas para combate que protegem uma certa pessoa que paga uma certa quantia semanalmente, seguranças particulares de elite.
- Sim, e eles ainda têm grandes chances de ser tornarem militares com boa patente, por causa dos altos níveis de combate e telecinesia. – Disse, entrando no local e lembrando de seu cargo militar.
- Bem, te levarei a seu quarto, amanhã te apresentarei às alunas, você deve imaginar que está tarde demais para elas estarem acordadas.
- Desculpe. – Ele se desculpou pelo horário, sendo levado até o quarto que ficava no terceiro andar, antes de subir, Júlia fechou, trancou a porta do estabelecimento e colocou as espadas no lugar.
- Mas vamos falar do aluguel. – A mulher tocou no assunto que a interessava.
- Aluguel?
- Não espera ficar aqui de graça, espera?
- Quanto a senhora prentede cobrar?
- Veja, uns 500 kimes por mês são o bastante.
- Não fique muito feliz. – O general colocou o dinheiro nas mãos da anfitriã, contrariado.
- É aí, senhor Henrique, tenha uma boa noite. – A mulher desejou com sinceridade para seu general, guardando o dinheiro e se retirando. Após as palavras de Júlia em frente ao quarto de Arius, ele entrou no quarto e fechou a porta. Era um quarto normal, exceto pelo fato de não ter cama, mas um tatame para que ele se deitasse.
"Que insanidade, esse povo dorme em tapetes? Mas do jeito que estou cansado, até isso serve. "Pensava, se deitando e dormindo em pouco tempo, na verdade ele não se importaria muito, já que dormia no chão frio quando morava com seu pai.
No dia seguinte, o TK acordou com Julia apontando uma espada para seu rosto.
- Acorde, já chamei as alunas para te conhecerem.
- Sim, irei descer imediatamente sem nem mesmo me trocar, aliás, onde estão as alunas?
- Venha comigo. – Disse Júlia saindo do quarto, o telepata seguiu a mulher, eles desceram as escadas e entraram pela terceira porta à direita, era uma arena de treino, havia um grande tatame sobre o chão e 15 garotas entre 6 e 14 anos sentadas sobre ele, pareciam estar admiradas em ver Henrique.
- Olá aprendizas, este é Henrique, nosso grande general Henrique escolheu nosso modesto dojô para viver enquanto estiver nessa cidade, ele irá ensinar um pouco da melhor telecinesia do mundo para vocês. – Júlia se sentia privilegiada. As alunas olhavam fixamente para “Henrique”, que começou a falar.
- Bem, como a senhorita Júlia disse, eu sou o general Henrique e estou aqui para lhes ensinar um pouco de telecinese da minha família, se trata de controle sobre as força de repulsão e atração nos materiais metálicos, eu posso mudar suas polaridades transformando minha energia em forças atrativas ou repulsivas, e dependendo do local onde deixo essa força, os metais podem ser lançados ou puxados de lá ou pra lá. – Ele ainda esqueceu de citar que essa telecinese só funcionava com ferro, que era o único metal compatível com o tipo de magnetismo dos Ruschi, felizmente, era o metal mais comum em todo o mundo, usado pra fazer desde moedas até construções.
Uma menina levantou a mão.
- Pode perguntar. – Arius estava disposto a se fazer de general bonzinho.
- O senhor poderia nos mostrar? – A garota desejava muito ver a famosa telecinesia magnética.
- Era exatamente o que eu ia fazer, mas não esperem aprender isso, normalmente a telecinesia magnética necessita de extra-sensitismo de alto nível. A telecinesia magnética do clã Ruschi é facilitada por um gene específico que só nós temos. – Após suas palavras, concentrou sua energia em um ponto perto da garota que havia feito a pergunta, converteu em força magnética e fez com quem todas as espadas nas paredes da sala fossem na direção dela, quando estavam quase acertando-a, ele mudou a polaridade das espadas, fazendo elas serem repelidas e caírem no chão sem tocar em ninguém.
- Incrível, como o senhor faz isso? – A garota ficou impressionada, embora aquilo fosse algo muito simples para um general.
- Eu acabei de explicar, mas vamos aprofundar mais, o local para onde as espadas foram lançadas foi carregado de carga magnética, mas quando as espadas estavam chegando, elas foram carregadas com a carga a mesma carga, fazendo elas serem totalmente repelidas, pois todos sabemos que cargas iguais se repelem.
- Nós, alunas sem talentos fora do comum também podemos fazer isso? – Outra garota perguntou, tinha achado incrível.
"Não posso deixar que alguém além de mim saiba essa telecinesia, mas mesmo com todo esforço do mundo elas não podem conseguir se não foram com um Ruschi, mas não é bom arriscar" Pensou Arius, pensando também em uma maneira de enganar as alunas.
- Certamente não, mas se desejarem, pratiquem com pequenos objetos de ferro.
Ele enrolou as alunas por meia hora e as deixou para que praticassem, inutilmente, telecinese.
"Bem, parece que serei o professor dessas crianças enquanto eu estiver nessa cidade." Continuou pensando enquanto ia em direção à porta do dojô.
- Onde você vai, Henrique? – Júlia viu o general tentar sair sem avisar.
- Vou trabalhar, tenho que ir, agora eu sou delegado dessa cidade e eu já devo estar atrasado.
- São 5:45 da manhã. – A mulher apontou para um relógio de parede.
- Tenho que estar lá às 6, no máximo.
- Bom trabalho então. - Disse Júlia, se retirando para a arena. O general saiu, fechou a porta e foi direto para a delegacia.
- Bem vindo general. – Um soldado cumprimentou.
- Olá soldado Peixoto, Felipe já chegou? – Ele já sabia o nome do subordinado.
- Ainda não.
- Ok. – O general foi pra sua sala.
Duas horas depois, Felipe entrou na sala de Arius.
- Senhor, iremos começar as investigações hoje? – O ex-delegado bateu continência ao dizer isso.
- Sim.
Durante 2 meses, Arius viveu como se fosse Henrique, todos os dias ele e Felipe ficavam na mesma sala recebendo e anotando queixas de crimes, escolhendo os policiais para cada caso, a cela para cada bandido e resolvendo todos os mistérios policias com facilidade. Felipe se tornou amigo próximo de “Henrique”, os dois trabalhavam perfeitamente juntos e se davam bem, mas as verdadeiras intenções do general eram se livrar do posto de general para evitar trabalho e se concentrar em atividades mais importantes, para que depois que tivesse resolvido tudo, voltasse como um general verdadeiro, sem ter que fingir ser outra pessoa.
Um dia no fim do segundo mês:
- Felipe, já resolveu o caso do ladrão de espadas?
- Sim, senhor Henrique, na cena do último crime dele haviam manchas de tinta azul, o que levava deixava claro que era o dono da tinturaria que fica a um quarteirão do local, foram encontradas várias espadas no subsolo da loja dele. Só o caso Das Extremer está sem solução. – Felipe se referia às mortes ocorridas em Ferrópolis, Henrique havia sugerido o nome para o caso. Felipe havia ido a Ferrópolis duas vezes para investigar, mas não conseguiu absolutamente nada. O caso Das Extremer assombrava a mente do ex-delegado, ele não podia entender como uma população inteira poderia morrer de uma única vez, mas uma certeza ele tinha, alguém havia feito aquilo, e o general não estava livre de suspeitas, na verdade, assombrava toda a nação.
- Bem, Felipe, tenho algo mais importante do que o caso do ladrão de armas para lhe falar.
- O que, senhor?
- Você tem sido muito eficiente, eu ando bastante cansado e gostaria que você fosse o novo general desse continente.
- Se-senhor, está falando sério?
- Sim e não haveria por que eu brincar.
- Mas será que sou poderoso o bastante para ser general? O senhor nunca viu minha telecinesia.
- É, realmente, me mostre ela então.
- Sim senhor, mas não seria bom eu fazer isso aqui dentro.
- Então vamos para fora. – Arius se levantou, os dois foram para o meio da rua.
- Mostre agora mesmo. – “Henrique” estava ansioso.
Com as ordens do general, Rafael começou a se concentrar em um ponto um pouco na frente dele, controlando a energia e distorcendo o espaço envolvido por ela, a energia girava como um vórtex estranho e liberava ondas que tornavam a percepção de tempo em volta, mais lenta.
- Cooooooomoooo iiiissooo fuuuncioooonaaa? – Perguntou Arius, afetado pelas ondas.
- Minha telecinesia se trata de mudar a realidade, o tempo e o espaço. – Respondeu Felipe, cessando o movimento de energia.
- Não há dúvidas de que você deve ser o novo general deste país, Felipe, te declaro o novo general de Umi. – Ele acabava de perder seu cargo, mas poderia recuperar facilmente, ele tirou a medalha de general de seu peito e colou no de Felipe. Ele usava seu uniforme de general durante todo o dia e colocava uma muda de roupa à noite, antes de dormir, costumava lavar o uniforme, sem acordar os outros do dojô, ele só não havia feito isso durante os dois primeiros dias lá, pois ainda não tinha comprados seu pijama, mas era difícil a roupa ficar fedorenta. Às vezes, também levava livros da biblioteca de sua anfitriã para a delegacia, e os lia nos momentos vagos,
As pessoas que passavam ouviram e começaram a se aproximar para ver o novo general.
- Delegado Felipe é o novo general? – Perguntou uma velhinha que estava por perto.
- Sim minha senhora, agora ele é o general Felipe.
- Obrigado senhor. – O novo general agradeceu a Arius, batendo continência.
- Vou embora dessa cidade, general, te desejo sorte. – Virou-se e foi em direção ao dojô.
- Adeus meu senhor! – O novo general estava emocionado com seu cargo.
O ex-general entrou no dojô e foi direto para a sala de Júlia Ching.
- Henrique, o que deseja?
- Vim apenas me despedir, estou indo embora da cidade.
- Até nunca Henrique, certamente seu aluguel fará falta. – Ela era direta, mas não deixou de adicionar um comentário sobre a renda extra que ele trazia. Júlia era velha e viúva, pretendia se casar no ano seguinte, tinha uma filha que estava treinando lá em seu dojô, mas ela não era nada talentosa, e a mulher queria outra, mais habilidosa.
- Até! – Henrique se virou e foi para seu quarto, pegar as mudas de roupa que tinha conseguido, depois foi embora. Arius andou pela cidade, carregando apenas dinheiro e roupas, ele estava andando em direção ao noroeste.
"Quando eu não tinha nenhum caso para trabalhar, dediquei meu tempo à leitura dos livros da biblioteca de Júlia, e descobri sobre a existência de uma telecinese misteriosa chamada procinese, ela foi descoberta há centenas de anos atrás e gerou grande prosperidade a uma cidade, mas quando ela caiu nas mãos erradas, trouxe uma grande quantidade de desgraças para o local, causando a ruína total da cidade e a morte de todos os seus habitantes, o homem que causou toda essa destruição escreveu tudo que sabia sobre procinese em um livro e o enterrou em algum lugar da cidade. Essa cidade ficava ao noroeste daqui, mas isso nunca foi comprovado, eu irei achar este livro e me tornar mais poderoso." Pensava enquanto caminhava, ele ainda teria dias de caminhada e ia ter muito tempo para pensar sobre a lendária procinese, mas preferiu viajar voando em uma viga de metal controla por telecinese magnética, ao invés de caminhar.
Após muitos meses procurando, ele encontrou a famosa cidade antiga de Chaópolis, eram ruínas isoladas em um vale de pedras na fronteira com Tsuchin, além dos Montes Hirotanos, cadeia de montanhas extremamente geladas e difíceis de atravessar, com vários vilarejos bem organizados em algumas áreas, por onde o general havia passaod. No caminho, ele tinha a mania de fazer lavagem cerebral em pessoas que diziam seu nome verdadeiro, e deixá-las como seus servos locais em cada cidade ou vilarejo.
- Que lugar fascinante, parece que ninguém vem aqui há anos, é uma pena que praticamente ninguém consiga achá-lo. – O general começou a rir, ele estava a um passo de ser o maior TK do mundo, isso se ele já não fosse, era incrível que ele tivesse encontrado aquele lugar extremamente isolado e difícil de se achar, mas ele achou, sem nem mesmo saber como.
Arius entrou nas ruínas, as antigas construções de lama endurecida haviam todas se tornado grandes amontoados de pedras quebradas, ele começou a procurar entre as pedras por qualquer vestígio das lendárias escrituras sobre procinese, ele achou após 8 horas de procura, a cidade não era grande apesar de tudo e ele tinha uma capacidade incrível para achar coisas, dom de nascença.
- Absorvendo energia das pedras enquanto procuro eu fico menos cansado, mas mesmo assim, isso foi extremamente exaustivo, mas não importa já que agora estou com o livro mais importante de todos os tempos.
Começou a ler o livro ali mesmo, era de autoria de um homem chamado Eric Lionel, dizia sobre como controlar o futuro, o presente, a sorte e o destino com energia. As coisas escritas naquele livro iam contra qualquer idéia que Arius tivesse aprendido anteriormente, com os ensinamentos dele, poderia controlar qualquer coisa ou pessoa, além disso, o livro falava da maneira miserável como o autor destruiu a cidade e contava a história do general Kinesis, embora ela não fosse comprovada. Quando terminou de ler, colocou o livro dentro de sua roupa.
- Esse Eric era bem esperto, destruir uma cidade, escrevendo acontecimentos aleatórios que poderiam gerar problemas maiores e até mesmo uma grande guerra, eu deveria tentar fazer algo parecido. – Ele falou sozinho, após ler o livro inteiro, mas de fato, era uma obra de ficção inspirada em fatos reais.
Viajou de volta, mas ao invés de ir para a Cidade do Cobre foi para Cidade do Mercúrio, mais ao norte. Ele se hospedou em uma pensão e passou a trabalhar na polícia da cidade onde fazia um ótimo trabalho como detetive chefe, recebendo também um belo salário. Arius começou a pôr seu plano em prática após 2 meses na cidade, ele fazia com que os prisioneiros pronunciassem o nome dele. Controlava seus corpos para que se matassem brutalmente, após 3 incidentes assim, o delegado Jeremias decidiu fazer algo a respeito, chamando todos os membros da polícia para uma reunião.
- Como todos aqui sabem, os prisioneiros da nossa prisão se mataram brutalmente, mas sabemos também que da maneira como aconteceu, isso não pode ter ocorrido naturalmente, suspeitamos que alguém está controlando eles antes de suas mortes. – O delegado Jeremias tinha certeza do que falava, e estava certo.
Arius ficou surpreendido por ele ter descoberto o que acontecia na primeira suposição.
- Isso parece ridículo. – Disse uma das pessoas na mesa, um detetive de segunda linha.
- Você acha que sim, mas tenho provas de que isso é verdade.
- Quais?
- Primeiro, todos nós sabemos que os bandidos mais perigosos são mortos ao invés de presos, todos os bandidos presos nessa prisão eram criminosos especializados em roubos ou criminosos pouco perigosos, nenhum estava acostumado a matar. Além disso, as mortes ocorreram exatamente da mesma maneira durante cada um dos 3 dias em que ocorreram, isso nos levaria a pensar que foram planejadas. Ninguém seria idiota o bastante para planejar a própria morte, e se foi planejada sem que os bandidos concordassem, só haveria uma explicação: Controle mental. E como isso ocorreu apenas nessa delegacia, eu poderia
dizer que o criminoso é um dos membros da polícia da Cidade do Mercúrio.
- E qual membro da polícia é o criminoso? – Perguntou Arius, segurando pra não rir, mas fingindo estar muito nervoso, ele ainda estava no corpo de Henrique.
- É muito fácil descobrir.
- Isso é obra de Arius! – Gritou o próprio Arius, tentando impedir Jeremias de terminar a frase, já que ele sabia o que ele ia dizer, ia declarar que os assassinatos foram feitos pela última pessoa que entrou na polícia, Henrique (Arius). Sabia porque podia ler a mente do detetive.
- Quem é Arius? – Jeremias perguntou antes de dizer quem era o assassino.
O próprio tomou controle da mente de Jeremias.
- Fui eu. – Disse Jeremias dominado.
- O que? – Todos na mesa perguntaram chocados, incluindo Henrique, falsamente.
- Matei eles sim, e vocês não farão nada para me impedir, eles eram criminosos e não eram necessários para esse mundo. – Dizia Jeremias, sendo controlado.
- Ele deve estar sendo controlado pela mesma pessoa que matou os criminosos. Quem é Arius, Henrique? – O detetive de segunda linha perguntou.
"Maldição, assim vão acabar me descobrindo, vão acabar percebendo que sou eu que estou o controlando, só tenho uma saída" Pensava Arius enquanto anotava coisas em um papel.
- É como se fosse alguma espécie de espírito maligno. – Henrique respondeu.
- Henrique, não fale besteira, fale quem é Ariu? – Retrucou um dos policiais. Enquanto ele perguntava, Jeremias se suicidou com pyrocinese, botou fogo no próprio pescoço.
- Por Hiroshi! Jeremias se matou. – Gritou de novo, fingindo surpresa.
Todos começaram a fazer comentários de choque sobre o acontecimento, mas após muita discussão outro policial voltou a perguntar.
- Henrique, quem é Arius?
- Quando eu estava investigando os acontecimentos que ocorreram em Ferrópolis, eu acabei descobrindo que havia uma força sobrenatural que pode invadir a mente das pessoas e controlá-las, com uma condição, mas ainda não descobri que condição é essa.
- Uma condição,o que aconteceu em comum com todas as vítimas? – Um policial esperava que alguém soubesse a resposta.
Ninguém soube responder.
- Vamos começar a investigar, Henrique, como você era general você irá ser o novo delegado. – O mesmo policial deu a idéia.
- Certo. – Concordou.
A reunião terminou sem resultados e cada policial voltou para casa, Jeremias já havia sido enviado para uma autópsia. O falso ex general voltou para sua pensão e, dentro do seu quarto, começou a armar seus novos planos.
"A verdade é que sem o controle mental e o magnetismo, eu sou apenas um humano comum com excelente psicocinese. Não posso permitir que as mortes que ocorrerão durante os próximos meses sejam atribuídas a mim, para isso eu preciso colocar a culpa em outra pessoa, ou até mesmo em um ser lendário. Primeiro para que as pessoas se tornem vulneráveis a mim elas terão que falar meu nome, para isso irei fazer com que todo a população dessa cidade fique sabendo da investigação de uma força chamada Arius, darei total ênfase ao nome, assim as pessoas pronunciarão constantemente o nome e poderão espalhá-lo por toda parte, além disso, poderei controlar suas ações fazendo com que tudo se torne ainda mais fácil para mim. Porém não devo matar todas as pessoas da polícia, já que se todos morrerem e eu continuar vivo, vai estar claro de que sou o verdadeiro culpado. De qualquer jeito, isso vai começar amanhã.
No dia seguinte na delegacia:
- Pessoal, acho que devemos revelar os acontecimentos para a população. – O novo delgado explicava aos outros oficiais, na mesma mesa onde havia ocorrido a reunião do dia anterior, agora apenas os policiais de patente mais alta estavam reunidos.
- Concordo com o delegado. – Disse um deles, todos os outros concordaram também.
- Ótimo, então quero que alguém se disponha a espalhar isso para a população.
- Eu! – O detetive de segunda linha presente no local se disponibilizou.
- Então vá imediatamente, se certifique de que todos saibam o nome da ameaça: Arius.
- Sim senhor. Mas de onde você tirou esse nome?
- Ele me atacou mentalmente e me disse o nome dele, eu consegui sobreviver, mas foi terrível, ainda bem que sou um poderoso TK. – O telepata inventou uma desculpa quase convincente.
Sim senhor. – O homem foi embora espalhar as novas para todos.
A reunião continuou, Conseguiu fazer com que ninguém descobrisse nada sem ser suspeito até o final. 5 horas depois o policial voltou, dizendo que já havia dito para pessoas o bastante e que a informação iria continua a ser espalhada. Após isso, a reunião terminou e todos foram exercer seus cargos normais, no final do dia, voltou para seu quarto na pensão.
"Eu posso sentir centenas de pessoas à minha mercê, nessa noite, Arius vai ter seu verdadeiro reconhecimento"
Começou a invadir a mente das pessoas adormecidas e a fazer elas matarem todas as pessoas a quem tinham acesso, fazendo elas irem dormir depois, ele fez isso com dezenas de pessoas em dezenas de casas, incluindo na própria pensão onde estava, ele usou a dona da pensão que tinha as chaves de todos os quartos para matar todas as pessoas na pensão, mas quando ela foi matá-lo,ele atravessou o corpo dela com sua espada de policial e ainda fez vários cortes no próprio corpo para simular uma briga. No dia seguinte, na delegacia, houve uma reunião de emergência.
- Ontem à noite, como todos sabem, Arius controlou e matou dezenas de pessoas. Há muitas testemunhas que dizem ter leves lembranças de seus atos brutais sobre controle da criatura e eu mesmo sou testemunha, já que a dona da pensão onde moro tentou me matar. – “Henrique” parecia ter lutado com um leão, de tão machucado.
- Henrique, isso é extremamente grave, temos que descobrir o motivo disso estar acontecendo. – Disse o novo detetive chefe, que havia assumido quando Arius se tornou delegado.
Havia dezenas de pessoas se queixando aos outros policiais fora da sala.
- Sim, mas nós já estamos há um certo tempo tentando isso! Teremos que nos esforçar muito mais. – Arius explicava, fingindo preocupação, ele fingia bem, o que era excelente para ele.
A sala foi invadida por uma multidão desesperada, faziam tantas queixas ao mesmo tempo que não se podia ouvir nenhuma corretamente.
- Por favor, se acalmem. – Alguns soldados tentavam controlar a situação, mas sem sucesso.
“Henrique” decidiu fazer algo para parar com o tumulto, logo todo o povo estava com espadas flutuando perto de seus pescoços, com isso ficaram quietos.
- Então delegado, vai nos matar para nos silenciar? – Perguntou uma das pessoas, revoltada e gritando.
- Não, apenas quero que vocês conversem com calma, nós já sabemos do acontecido e já estamos providenciando algo para resolver o problema. – Arius explicou firmemente.
- Enquanto vocês providenciam, nós estamos morrendo!
- Eu entendo como vocês se sentem, mas nós, militares, estamos correndo o mesmo risco que vocês, há alguém que pode matar as pessoas à distância e todos estamos à mercê dele.
- Vocês precisam fazer algo agora, não sairemos daqui enquanto o culpado não estiver morto.
Quando o homem disse isso, os membros da polícia da sala, excluindo “Henrique”, ficaram cheios de medo.
- Não tem como pegarmos ele tão rápido.
"Se eu entregasse um dos policiais como se fosse Arius, os outros iriam suspeitar mais de alguém na delegacia, a menos que acreditem que faça isso apenas para evitar uma tragédia maior. Mas mesmo que eu fizesse isso eu não poderia mais matar ninguém, senão as pessoas voltariam. A melhor opção seria controlar o corpo de alguém para que esse alguém se entregasse, estaria claro que ele estaria sendo manipulado, mas os outros não diriam nada, pois saberiam que seria ainda seria melhor do que o povo revoltado nos atacar. Nesse caso, uma das pessoas da polícia será com certeza a culpada e irão suspeitar principalmente de mim que sou o chefe, mas se eu mudar de corpo para o corpo de Jetro, um dos detetives, e controlar o corpo de Henrique para que se entregue, ficarei livre"
- Pois vão ter que fazer, mesmo sendo impossível. – O povo estava insano.
- Jetro, por favor me dê alguma idéia sobre como descobrir quem é Arius, estou desesperado. – O assassino simulou tontura por nervosismo.
- Me perdoe, senhor Henrique, mas acho que o senhor é Arius, o Das Extremer. – Jetro tinha essa suspeita e Arius já previa que ele diria algo assim.
Ele invadiu a mente de Jetro, tomando controle de seu corpo. O corpo de Henrique caiu no chão como se desmaiasse e logo se levantou, agora controlado mentalmente por Jetro (Arius ), aquele não era mais o seu corpo principal. Naquela época, ele podia controlar vários corpos ao mesmo tempo, mas só poderia estar em um.
- Senhor, me perdoe, eu não queria que isso acontecesse. – Jetro se desculpou para o patrão que havia caído.
- Tudo bem Jetro, eu admito, eu sou Das Extremer. Mas antes de me entregar vou matar todos vocês. – Henrique disse a primeira frase calmamente e a segunda gritando, mas o próprio Jetro atravessou seu coração antes que pudesse fazer qualquer coisa.
- Oh, ele morreu, está tudo bem então, iremos embora e só voltaremos se as mortes voltarem a ocorrer. – O cidadãos acreditaram no que viram, então foram embora.
- Henrique realmente era Arius, que trágico. – Disse Jetro com um olhar decepcionado, ele estava furioso por ter tido que perder seu corpo perfeito.
- Um ex-general que mata o próprio povo, isso sem dúvidas é uma das piores coisas imagináveis para um país.
- Ele havia voltado de Ferrópolis dizendo que alguém havia matado todos os moradores e logo em seguida abdicou do cargo de general, sumindo por meses fora dos antigos domínios. Certamente estava procurando alguma coisa muito importante, possivelmente uma fonte de poder, após encontrar, ele voltou e obteve um trabalho aqui na polícia, onde ele poderia testar as habilidades que obteve durante sua busca. Durante o tempo que ele passou na cidade do Cobre, ele teve uma vida estável, conseguia aprisionar bandidos com facilidade e precisão, ele sumiu após alguns meses no Cobre e depois veio para cá. – Um dos detetives, James, explicou com precisão.
- Quem será o novo delegado? – Perguntou Merry, que era o melhor detetive do local.
- Devemos fazer uma votação. – Disse outro policial, R, ele tinha esse pseudônimo, pois seu nome original era Richarlison e ele não gostava.
- Eu voto no Merry, quem concorda? – Disse James.
Todos os policias levantaram a mão.
- Mas parceiros, eu não daria conta de um cargo tão importante.
- Há 2 anos atrás você resolveu 20 casos em 2 semanas , você tem totais condições de ser o delegado.
- Não fui capaz de descobrir que Henrique era Das Extremer, além disso, faz tempo que ocorreu o estranho massacre em Ferrópolis em que apenas Henrique sobreviveu, a partir do momento em que ficamos sabemos do acontecimento, 10 dias após o ocorrido, deveríamos ter começado a investigar. Mas todos receberam ordens para deixar isso nas mãos da polícia do Cobre. Apesar de ser difícil para nós que somos de longe investigarmos algo que ocorreu na Ferrópolis, que agora é uma cidade fantasma, se nós tivéssemos começado a investigar desde cedo, poderíamos ter descoberto e evitado as mortes de ontem. – Merry explicou tristemente.
- Não importa, nós te escolhemos como novo delegado e não há como você recusar. – Advertiu James, apoiado pelos outros.
- Realmente, então já que sou o novo delegado, prometo que irei dar meu melhor e impedir a criminalidade por aqui.
A partir desse dia, Merry passou a ser delegado do Mercúrio. Arius passou a viver a vida de Jetro, às vezes ele induzia pessoas a matar as outras, mas disfarçava tão bem que a polícia nem chegava a pensar que era Arius. Apenas Merry, o mais inteligente de todos, suspeitava que Arius/Henrique ainda estivesse vivo e que ele controlava os criminosos, mas as suspeitas eram fracas, ele havia visto o homem morrer diante de seus olhos, mas julgando que ele tinha a capacidade de entrar em mentes, não seria difícil pensar que ele estaria em outro corpo, nesse casso, alguém próximo.
“Jetro” fazia com que as pessoas pronunciassem seu nome por meio de superstições, ele convencia pessoas de mente fraca de que dizer a frase: “Nactu Arius No Link Kine“, poderia melhorar sua telecinesia. Após eles dizerem o nome, tinham as memórias sobre o acontecimento (a conversa com Jetro) apagadas e eram forçadas a cometer crimes a qualquer hora que ele desejasse. Levando em conta que o “policial” tinha vários amigos que confiavam nele, era fácil convencê-los a acreditar nessas tolices e a se condenarem,
Um dia, após 2 anos vivendo na cidade do Mercúrio, Arius viu um rosto familiar entrar pela delegacia.
- Sou o general Felipe, prazer em conhecê-lo, delegado Merry.
- O prazer é todo meu, general.
- A traição de Henrique foi um fato devastador para toda a nação, mas eu andei investigando e cheguei a uma simples conclusão de que o verdadeiro culpado não está morto e nem era Henrique. – Felipe mostrava ter certeza. Jetro não estava na sala.
- Você quer dizer que Arius não morreu?
- Ele está vivo, Suira ao contrário é um humano extra-sensitivo que tem a capacidade de entrar na mente das pessoas que pronunciam seu nome, ele, de alguma maneira, conseguiu confrontar Henrique e tomar seu corpo. Além de conseguir o corpo, ele conseguiu as habilidades de Henrique e matou toda a população de Ferrópolis, indo para o Cobre em seguida e me passando o cargo de general para ter mais tempo para suas atividades. Quando Henrique foi descoberto, um policial o matou, como ele pode mudar de corpo, tenho certeza de que Jetro é o novo corpo de Suira, pois apenas ele saberia a hora certa para matar Henrique. – Felipe terminou de explicar, ele já havia pedido informações sobre a delegacia da Cidade do Mercúrio, à distância, e já sabia que quem matou o ex-general foi Jetro, o que garantia a conclusão de sua investigação.
- Jetro, Jetro é o criminoso? – O delegado perguntou em voz baixa, agora sabia por que Felipe havia pedido informações detalhadas sobre os policiais e o acontecimento que ocasionou na morte de Henrique.
O assassino ouviu de fora da sala e tentou fugir, os outros policiais tentaram detê-lo, mas foram nocauteados à socos de psicocinese, que o criminoso sabia de maneira anormal. Já não era tão fácil para Arius, não sem o corpo incrível de Henrique.
Ouvindo a barulheira, Felipe e Merry correram para fora da sala, só viram Jetro fugindo, perseguido por 3 policias. Os 2 foram atrás deles, percebendo que os subordinados não seriam capazes de pegá-lo.
- Eu posso pegá-lo com facilidade! – Afirmou Felipe enquanto corria.
- Então faça isso. – Merry confiou no general.
Felipe parou de correr e criou um portão de teletransporte no tempo-espaço para poder se mover instantaneamente, ele entrou e saiu, foi transportado para frente de Jetro, dando um soco
diretamente em seu rosto, fazendo ele cair no chão.
- Merda, Felipe, por que tem que ser tão incômodo?
- Está preso, Suira, por mais de quinhentos assassinatos em série. – Felipe tentou enfiar uma espada na cabeça de Arius. Mas Arius fez a espada voar para longe com a telecinese.
- Você ainda tem o magnetismo?
- Sim. – Ele mentiu.
- Os 3 outros policiais e Merry tentaram agarrar Arius, e conseguiram, deixando ele imobilizado.
- Sua vida de crimes acaba aqui. – Felipe disse enquanto esmagava o inimigo com uma grande quantidade de energia, mas a espada que havia sido lançada penetrou em seu corpo e ele caiu no chão inconsciente antes que Arius morresse, embora ele já estivesse agonizando em um estado irrevesível, já que a energia de Felipe era muito poderosa.
- Ele matou o general, temos que matá-lo o mais rápido possível. – Merry disse, desesperado, enfiando a espada no peito de Arius, para matá-lo.
A espada voou do corpo de Felipe e atacou todos os outros policiais no local, exceto Merry, antes que pudessem matar o general, eram bons policiais, conseguiram permanecer sem danos e conseguiram destuir o corpo do criminoso.
- Maldito, o que está fazendo? – Merry estava preso dentro da própria mente com Arius, mas não pôde falar mais nada, pois foi morto por uma pedra gigantesca.
- Todos mortos, preciso ir embora desse país o mais cedo possível. – Merry pensou, enquanto todos os outros policiais morreram, destruídos mentalmente, afinal, já tinha falado o nome “Arius” dezenas de vezes. Arius já estava em seu corpo a essa altura, ele foi embora, sumindo pelo mundo pelos anos seguintes, conseguiu vários seguidores pelos locais por onde passava e continuou conseguindo matar várias pessoas mentalmente. Felipe morreu, teria dedicado sua vida a caçar o criminoso, mas deixou o fardo para seu filho, Rafael, que conseguiu ser general do outro continente, anos após a morte do pai. Arius ficou intercontinentalmente conhecido como o Das Extremer, que em uma língua antiga de Umi, significava "O pior", originalmente esse nome só era usado por alguns policiais, mas após descobrirem o efeito de pronunciar seu nome, só poderiam se referir a ele assim.
Deu problemas em quase todo o mundo, engravidou uma terrível mafiosa de Sogen para que desse a luz a uma criança superior e cruel, matou o general de Houkaiser e deixou o continente nas mãos de um homem de sua confiança, encontrou parentes que também fossem do clã Drachen, conseguiu invadir a barreira em Magnekure e erguer um membro do clã Drachen lá, além de ter controlado dezenas de escolas e laboratórios por todo o mundo e ter criado uma legião de criminosos de elite em Tsuchin. Após a derrota de Felipe.
Sem dúvidas, o maior feito de Arius foi quando obteve a capacidade de ler os pensamentos dos Tenshikyus, foi a partir desse momento que ele decidiu que iria evoluir até ter a capacidade de matar todos eles e tomar o lugar de Kinesis, o lugar de um deus, reinando soberano sobre toda a humanidade mortal.
Kinesis conseguiu bloquear as mentes dos Tenshikyus, impedindo que Arius continuasse as lendo, mas a essa altura o inimigo já sabia demais e seria a maior ameaça para o legado dos “anjos” ceifadores. O líder dos Tenshikyus decidiu que iria escolher uma pessoa, treiná-la e ajudá-la, para matar Arius, essa pessoa precisaria ser alguém de grande talento, que receberia habilidades que só os Tenshikyus tinham, e assim, poderia matar o “Das Extremer”.
A procinese foi aplicada por ele para controlar todas as suas “finanças” pelo mundo, ele passou um longo tempo pesquisando sobre a origem do mundo, e acabou comprovando a autenticidade de um antigo mito que explicava a origem da humanidade e do clã Drachen. Geralmente, não matava pessoas mentalmente rapidamente, as torturava bastante antes, era um homem muito mau, não sendo um bom exemplo para as crianças. Seus seguidores estavam reunidos principalmente em Houkaiser, onde ele conseguiu possuir o general, e após uma selvagem luta mental, ele tomou o controle do homem e o fez passar o trono para um de seus seguidores mais fiéis, e para alguém que pode ler mentes, não é difícil saber quem é fiel. Ele escreveu um livro anti-religioso apócrifo que foi publicado por outro de seus seguidores infiltrados nas forças armadas de Tsuchin, que passou a ser seu continente favorito, pois a polícia de lá não era tão eficiente quanto a de Umi, coisa que Rafael Frujeri explicava em sua auto-biografia:
“Se a polícia de Tsuchin está ineficaz do modo que está, a culpa é do antigo General Jason Kraken, que trouxe para as nossas queridas forças armadas centenas de pessoas despraparadas e sem treino que estão aí até hoje. A constituição impede que eu despeça essa legião de incapazes que contaminam nossa segurança, coisa que nem eu posso fazer, uma vez que esteja nas 3 leis imutáveis de Tsuchin, que estão lá e não podem ser mudadas sob nenhuma condição. Isso nos obriga a contratar novos TKs militares que sejam melhores, mas isso faz com que haja muitos policiais se somarmos os novos com os antigos da época de Jason, assim, temos que diminuir o salário deles, pois não temos condições de pagar todos bem, e esse é o grande problema. Com salários baixos em uma profissão tão perigosa, os TKs realmente capacitados não estão mais querendo ser policiais, e preferem seguir outras profissões, como professores ou cientistas, e se os bons TKs não querem ser policiais, não temos condições de conseguir bons policiais, só restando treinar os oficiais sem talento que temos e os poucos realmente bons.”
Arius morreu tentando tomar o corpo de Dante Hamachi, o homem que queimou cidades inteiras com seus habitantes, protegido pelos Tenshikyus, considerado o segundo maior assassino da história, atrás apenas do próprio Das Extremer, a quem matou, sacrificando a própria vida. Essa história é bem explicada no “Livro dos Tenshikyus”, contada por Catarina, a tenshikyu que foi amante de Dante por toda a vida. Dante foi escolhido pelos seres milenares para matar Das Extremer, uma espécie de soldado divino, e recebeu muito poder deles para conseguir isso mais facilmente, Das Extremer descobriu e tentou possuir seu corpo, para obter as habilidades dos Tenshikyus e vencer o General Kinesis naquela guerra incomum, mas acabou que o soldado dos Deuses conseguiu cumprir sua missão, mesmo tendo morrido para isso.
Mas o livro de Arius era uma obra bastante interessante, que tanto Dante (o homem que o matou), quanto Rafael (o grande general que o caçou durante toda a vida)leram, apesar de não ter sido um livro bem difundido. Era uma espécie de obra de ódio e discriminação, essa obra citava os Kinezistas, seguidores do Kinezismo, a religião que adorava Harudo Kinesis, como vermes que precisavam ser eliminados. Ele contava a história do General Kinesis, e explicava porque aquele homem havia sido um grande problema para a humanidade, relacionando o Kinezismo ao extermínio dos povos, e exaltando Drachen como um messias que salvou o mundo daquela religião suja, cruel e idólatra. Levando em conta que os Kinezistas procuraram preservar sua religião, Arius, sob o pseudônimo de “Servo de Drachen”, incitou em seu livro que todos exterminassem aquela praga Kinezista, que traria o mundo de volta à ignorância e selvageria, como na época brutal do general Kinesis. Sem falar que negava com força a lenda dos Tenshikyus, que, embora pouco conhecida, era acreditada por várias pessoas em várias partes do mundo.
Muitas pessoas queriam segui-lo sem ter que levar lavagem cerebral, suas idéias eram brilhantes, ele podia persuadir pessoas com extrema facilidade, havia uma pequena seita chamada Igreja Ariana, formada por seus principais seguidores e fãs, havia apenas 10 membros nessa igreja, já que Arius não permitia que qualquer um entrasse no grupo, que era reservado para a “elite”. Victor foi o último principal membro da seita, já que muitos líderes morreram com o cargo, que os obrigava a fazer muitas coisas perigosas. O líder era responsável pelas reuniões, que geralmente eram feitas por projeção astral, Arius conseguia fazer as pessoas com mente sob seu controle usarem projeção astral, dom que ele podia dar de presente, embora nessas projeções, elas não pudessem fazer nada além de ouvir, falar e ver. Mas à medida que os anos passaram, essa seita foi ficando cada vez maior, chegando às centenas de membros, sem levar mais em conta a “reserva para a elite”.
“- Vocês, Tenshikyus, pensam que são deuses, mas diante de mim, vocês não seriam nada além de fantasmas condenados, diante do poder infinito que um Drachen carrega.“
Essas foram as últimas palavras de Arius Drachen para os Tenshikyus, pelo menos, espera-se que tenha sido.
Alguns anos passados após Arius Drachen realizar sua tentativa de se tornar deus, um golpe militar realizado no continente Sogen Sul, liderado pelo coronel Hank Crocker, que derrubou o general com apoio do parlamento, tomando o poder no continente. Hank instituiu que a telecinésia deveria ser restrita somente ao exército e às forças policiais, para eliminar as chances de ser tirado do poder. Nesse contexto,surge um homem chamado Lance de Assis,poderoso TK atmocinético. Lance, após se formar na academia da telecinésia,só queria uma vida fácil,por isso se tornou um mercenário, realizando qualquer tipo de serviço à qualquer um que lhe pagasse bem,seus serviços variavam de assassinatos a até ser contratado pela polícia para matar bandidos perigosos,Lance gastava quase tudo em prostitutas e bens de consumo. Em alguns anos, Lance se tornou o homem mais temido do continente. Com toda essa “fama”, Lance se tornou o primeiro na Lista de procurados do Ditador Hank, fazendo sua cabeça valer até 50 milhões de kimes.
Ao se sentir ameaçado, o matador procurou por TKs sobreviventes à ditadura para formar uma resistência, aos poucos a resistência foi crescendo, chegando até a oferecer ensino de telecinésia a crianças abandonadas para fortalecer cada vez mais a resistência. Após um tempo, Lance resolveu dar um nome a resistência, chamando-a de Kin Nesis Clan,que significa “clã da telecinese”, no antigo idioma falado em Sogen. Após 20 anos de guerra civil, a KNC finalmente consegue enfraquecer o exercito e Lance prender Hank Crocker e todo o parlamento, dando fim à ditadura. O ataque
Depois dessa guerra civil, Sogen Sul estava quase que completamente destruída, por isso o continente necessitava um novo general, como antigo general deposto já havia falecido no presídio, Lance tomou esse cargo e a KNC se tornou a força policial e militar do continente.
No meio das ruínas das cidades após a guerra civil, alguns membros da KNC encontraram um bebê de olhos castanhos, ainda vivo e o levaram à sede. Ao ver um bebê sobrevivente à guerra civil, Lance ficou impressionado pela sorte da criança ao sobreviver e adotou-a. A criança recebeu o nome William de Assis, ou simplesmente, Will.”
William
Lance, aos 65 anos, foi para Amestris, capital de Sogen Sul, já havia reconstruído toda Sogen, o poderoso continente que havia parado de prosperar logo recuperou seu ritmo, rivalizando com Tsuchin o título de maior potência mundial. A telecinésia já era ensinada em todas as cidades, a pobreza era praticamente inexistente, além de começar as grandes pesquisas cientificas.
Aos 4 anos,Will gastava a maior parte do tempo lendo qualquer coisa que encontrava na biblioteca da cidade, como tinha uma mente muito desenvolvida aprendia tudo com grande facilidade. Mas desde essa idade, usava óculos escuros, que Lance o obrigava a usar para que seus olhos cinzas não fossem vistos, pois significavam algo que não deveriam saber, seus olhos passaram de castanho para cinza aos 3 anos, por algum motivo que ninguém conhecia. Aos 5 Lance, o mandou para a academia da telecinésia, onde mostrou um desenvolvimento extremamente rápido, enquanto a maioria da sala ainda estava na psy-wheel, Will já levitava e movia objetos de até 10 Kg, o que tornou Will muito popular na sua classe, mas acima de tudo, muito invejado.Will sempre esteve muito aplicado no seu treinamento, por isso não fez muitos amigos.
Um ano se passou e todos já haviam concluído o treinamento básico de telecinésia, agora seria realizado o teste de aptidão que definiria a classe específica da kinesis para a qual cada aluno seria levado, apesar do teste revelar os maiores talentos de cada pessoa, muitos não gostavam de estudar somente a kinesis que mais lhes convinha, por isso, foram criados cursos extra-curriculares para os que desejavam um conhecimento mais amplo.
Após o teste, dos 200 alunos da classe, 34 foram para a classe de pyrocinese, 30 para a classe de hydrocinese, 26 para a classe de cryocinese, 23 para a classe de geocinese, 19 para a classe de eletrocinese, 19 para a sala de aerocinese, 17 para a sala de luminocinese, 16 para a sala de umbrocinese, 15 para a sala de sonocinese e apenas 1 para a sala de biocinese.
Will havia sido o único escolhido para a sala de biocinese, TKs atmocinéticos, chronocinéticos e biocinéticos eram extremamente raros em Sogen Sul.
No dia seguinte Will foi para a sua sala onde conheceu seu tutor
- Oi,meu nome é Bruno,serei o seu professor de biocinese!
- Meu nome é William, mas me chame de Will.
- Will? Você é o filho do general Lance?
- Sou sim.
- Não acredito, meu primeiro aluno é o filho do general!
- Eu sou o seu primeiro aluno?
- TKs biocinéticos são extremamente raros no continente.
- Mas, e você?
- Eu sou formado em cryocinese, mas fiz curso extra-curricular de biocinese. Mudando de assunto, vamos começar a aula. Você tem algum machucado? – O professor já pensava em como faria sua aula.
- Eu cortei minha mão com uma faca enquanto treinava telecinésia.
- Você já deve ter aprendido no ensino básico a concentrar energia nas partes do seu corpo, você sabe o que é mitose?
- Sei, é a reprodução assexuada de seres unicelulares.
- Ótimo, assim não vou ter que explicar, eu quero que você concentre sua energia na área do machucado para estimular a mitose das células.
- Assim? – O ferimento de Will se fechou em poucos segundos.
- E-eu, estou sem palavras! Quando eu comecei, levei dias! – Ele ficou surpreso, demonstrou isso em suas palavras, mas não na voz, era uma pessoa controlada, como qualquer professor normal, mas de fato se sentia um perdedor em ver um garoto tão mais talentoso que ele com aquela idade, se lembrava do quanto que se matou de treinar na época que começou seu treinamento, só pra regenerar um corte ainda menor que o do aluno.
Bruno passou o resto do dia ensinando o básico da biocinese para Will, e se espantava cada vez mais com as habilidades dele, até que ficou tarde e teve que ir para a casa. Dois dias após começar o treinamento, Will conseguiu um nível anormal para a sua idade, já conseguia fazer plantas crescerem e controlar pequenos animais.
Naquela noite, logo após a sétima aula de Will, o general encontrou um pedaço de papel em cima da mesa da sala, e nela estava escrita:
“Veja bem, meu nome é Arius, e sou bem famoso nesse continente e em todos os outros, você sabe, todos me conhecem. Estarei de volta, espero que não se importe, general Lance.”
O coração dele gelou nessa hora, não era possível ele ter recebido uma carta de Arius Drachen, e muito menos alguém poderia deixar aquele papel em sua mesa, mas se fosse verdade, significaria o fim das esperanças de qualquer tipo de paz naquele continente, no mundo todo. Pensou, pensou, e chegou na única conclusão que poderia ter: Will era Arius, mas apesar de ser a única possibilidade pensável, não ousou fazer nada, por que não queria acreditar naquilo, ele era seu filho, e logo tirou a idéia da cabeça, se ele realmente fosse Arius Drachen, não perderia tempo tendo aulas básicas de telecinese e já teria o matado para tomar o seu lugar, ou coisa pior, podia-se esperar qualquer tipo de barbaridade daquele homem, ou melhor dizendo, demônio.
Um dia, estava sendo levado para casa após a aula pelo carro de seu pai, quando 5 homens pararam o veículo com pyrocinese, mataram o homem que puxava a carruagem com fogo e seqüestraram o pequeno, que desmaiou quando o carro virou, batendo a cabeça, carros eram raros em todo o mundo, por serem uma novidade, mas homens muito ricos os tinham, por serem muito úteis para o transporte rápido, embora outros tivessem condicionamento físico tão bom que preferisse ir correndo. Em seguida, o garoto foi levado para um apartamento e os homens o prenderam num quarto pequeno e sujo, cheio de ratos, quando ele acordou, começo a bater na porta do seu cativeiro e gritar.
- Me soltem agora! Eu sou filho do general!
- Cala boca, pirralho, a gente vai tirar uma boa grana de você! – Um dos bandido gritou do outro lado da porta e dando alguns chutes nela, como forma de desrepeitar o refém, a noite seria longa para Will, mas até que para alguém em cativeiro, ele não estava tão assustado, embora seu coração batesse forte e ele sentisse um forte frio por dentro, um arrepio de medo.
Já era tarde, Lance achou estranho o filho ainda não ter voltado e ligou para a academia, a secretária ligou para a portaria e disse que o garoto saiu na hora de sempre e foi levado pelo carro, como sempre. Mais tarde, ele ficou sabendo que o homem que levava Will para casa foi morto e que o garoto estava desaparecido.
A raiva que o general sentia se manifestou na sua atmocinese, deixando o céu escuro e nublado, o poder daquele homem era realmente impressionante, na época da guerra civil contra Hank, ele só venceu por causa da sua genial estratégia de guerra, que chamava de “Chuva de Destruição”, inspirada na estratégia de guerra de um dos homens mais famosos da história, o tirano Netrom Daemon, Netrom utilizava ataques aéreos de pyrocinese e aerocinese, já o general atual utilizava um exército carregado de especialistas em hidrocinese e eletrocinese, que faziam uma chuva elétrica totalmente devastadora, propiciada pela sua incomum atmocinese, a combinação de todas as telecines que podem se relacionar ao clima, hidrocinese, aerocinese e eletrocinese. Lance mandou seus homens da KNC procurarem por toda parte, até que recebeu um telefonema na sua casa:
- Alô, quem fala?
- É o general, o que deseja?
- Eu quero 1.200.000 kimes se você quiser o seu filho vivo.
- Desgraçado! Deixe eu falar com o meu filho!
- Claro que pode! Fala aí moleque! – O seqüestrador deixou o garoto pegar no telefone.
- Papai! Me tira daqui por favor! – Will falou no telefone.
- Onde você está?
Nesse momento o homem apontou uma faca para o pescoço de Will, que se segurou para não tremer de medo, mas não conseguiu:
- Eu não posso falar, papai! – Teve o telefone tirado das mãos, falou o máximo que pôde, embora morresse de medo.
- E agora, vai colaborar? – O bandido retomou o telefone, sempre no viva-voz.
- Eu encontro vocês antes, miseráveis! Se tocarem nele, eu descubro, e se eu os achar, os matarei tão lentamente, que pedirão para serem lançados no Inferno de uma vez. - Lance bateu o telefone na base, ele estava tão descontrolado que começou uma pequena tempestade em cima de sua casa, e que ia se expandindo, a atmocinese de Lance funcionava através. Enquanto isso, os homens abriam uma garrafa de cerveja, o garoto olhava para a janela e via a tempestade que se formava:
- O papai não está feliz, essa tempestade só começa quando ele fica irritado. – Ele conhecia o temperamento do pai, e sabia o que acontecia quando ele estava bravo.
- Se ele demorar muito, a gente corta sua orelha e manda pro seu papai, pra ele ver que é sério, um dos seqüestradores deu dois tapas na cara da criança, amedrontada, e jogo ele de volta no quarto, trancando e rindo alto.
No quarto onde Will ficou preso, havia muitos buracos nas paredes, enquanto meditava, pelos buracos saíam e entravam ratos a todo momento, que eram a única companhia que tinha, ratos sujos e com cheiro de bosta. O garoto os controlou usando sua biocinese cerebral, mais ou menos o tipo de poder que Alexiel Dracole Drachen tinha, a capacidade manipular cérebros com biocinese, um talento raríssimo que corria em seu sangue, tentava fazê-los pegar a chave do quarto, mas sempre que mandava, os ratos só traziam lixo e sujeira, porém, no meio do lixo, encontrou a única coisa que precisava pra fugir: uma semente. Will já havia aprendido a manipular o crescimento das plantas, por isso não precisava de mais nada para derrubar a porta, porém, ele sempre ouviu os homens conversando do lado de fora do quarto e sabia que estavam vigiando-o. Ao invés de derrubar a porta, ele colocou a semente no chão e começou a fazê-la crescer no chão do quarto, que era de terra batida, já que o cativeiro era bem miserável e não tinha nem azulejo, usou os nutrientes da terra para fazer a planta crescer, o princípio da biocinese era a transformação, se ele quisesse fazer uma planta crescer, ele primeiro deveria fazê-la absorver o material necessário para permitir seu crescimento, o material a ser transformado em mais matéria orgânica. Suas raízes furavam cada vez mais profundamente a terra, até sair pelo lado de fora na forma de grandes espinhos, furando os corpos dos homens que ali estavam, pegos de surpresa e por baixo, na sala pouco espaçosa, praticamente sem chances de fugir, deu para ouvir muitos gritos, certamente ser empalado por espinho doía bastante. Em seguida ele derrubou a porta e saiu do quarto, um dos homens que ainda não havia morrido, que apenas estava no chão todo furado, segurou Will pela perna e começou a queimá-la com pyrocinese, causando queimaduras superficiais com logo cresceriam:
- Você não vai fugir assim, eu ainda não tirei aquela grana preta do seu pai! – Ele derrubou o garoto no chão, soltando fogo nas duas pernas do garoto, sem arrancá-las, e principalmente, sem matá-lo, não queria perder o resgate, ainda tinha esperança de que pudesse manter o seqüestro.
- Cala boca e vai para o inferno. – Will, caído no chão e sem conseguir se levantar, chamou os ratos que começaram a morder o corpo do homem, que o largou e tratou de lutar contra eles, enquanto isso, o garoto fez sua planta espinhenta matar o homem por trás de um modo bem indiscreto. Resumindo: Os gentis e inocentes sequestradores, que só queriam alimentar sua família e supri-las com suas drogas, foi cruelmente morto por este garoto, depois que eles apenas o pegaram, humildemente deram uns tapas na cara e ameaçaram arrancar sua orelha para mandá-la pelo correio. Depois se arrastou até o telefone, e com muito esforço, se levantou, para pegá-lo chamar seu pai, estava sentindo muita dor:
- Alô, quem fala?
- William Assis. Recém liberado do seqüestro. – Seu tom estava bem feliz nessa hora, orgulhoso de si mesmo por ter saído dali, embora ao mesmo tempo fosse cansado e sofredor, suas pernas queimadas realmente doíam muito, ele podia curá-las, mas demoraria um pouco, tinha que se concentrar em chamar o resgate, a essa altura, seu medo já havia passado.
- Filho! Onde você está?
- Deixa eu ver. – Foi até a janela. - Eu estou numa casinha de barro de dois andares em frente a uma carpintaria na rua Rafael Frujeri 11 de setembro.
- Já estou indo te buscar, me espere!
Lance e a policia chegaram lá em pouco tempo, quando avistou seu filho, a forte tempestade que castigava a capital parou. Ele o abraçou ternamente, uma cena bastante tocante:
- Que bom que te encontrei filho, vamos pra casa. – Ele sorria tão grande que seu sorriso nem poderia caber no rosto, estava feliz demais por ter encontrado o filho em segurança.
- Não vai nem recolher os corpos? – O menino fez uma cara estranha, olhando de lado, curou as próprias pernas logo após o telefonema, não era difícil para um gênio da biocinese curar algumas queimaduras pouco graves.
- Que corpos? – Lance ficou surpreso, os olhos expressavam espanto.
- Você acha que eu escapei como? – Ele sorriu com ironia.
- Você... matou os homens? – A essa altura, o general já estava chocado, não deveria, já que ele mesmo matou demais em sua vida, mas alguns outros pensamentos e possibilidade assustavam sua mente.
- Eles não eram grande coisa mesmo, tinham mais é que morrer pelo que me fizeram! – Will se orgulhava de ter matado aqueles maus elementos, sorrindo orgulhosamente, um justiceiro à moda antiga.
Ao ouvir isso, Lance sentiu um frio na espinha, acabava de descobrir que tinha um filho que podia ser um verdadeiro perigo, ele sabia que todos os famosos assassinos da história começavam assim, matando alguém para a própria salvação, e sentindo prazer nisso, foi assim com Arius, foi assim com Kinesis, com Dante, e poderia ser assim com Will também, sendo que além de tudo, todos também tinha uma grande aptidão para a telecinésia, e seu filho também se encaixava nisso, se se tornasse um assassino, seria um dos piores. Ele pediu para recolherem os corpos e levou a criança para casa, o menino estava realmente muito orgulhoso por ter conseguido escapar:
- Ei papai, não quer saber como eu dei um fim naqueles caras?
- Eu prefiro não saber, mas ouça, matar não é motivo de orgulho, você nunca ouviu falar no assassino em série Dante Hamachi? – Parecia preocupado.
- Já li sobre ele na escola, um verdadeiro monstro, destruiu cidades inteiras por diversão, queimando centenas de pessoas inocentes.
- Pois é, se você fizer disso um hábito, vai ficar como ele. Quando ele começou, não tinha menos do que a sua idade.
- Eu vou virar um anão? – O garoto lembrou da baixa estatura do TK famoso, que apesar de pequeno, fora capaz de marcar a história do século e ser lembrado como o segundo maior assassino da história, e imitado por muitos bandidos de baixo nível que eram facilmente presos ou mortos, diferentes do seu exemplo, um gênio do crime, capaz de matar qualquer um em um piscar de olhos, literalmente.
- Não foi isso que eu quis dizer, eu quis dizer que você vai ser um bandido, e eu mesmo terei que prendê-lo. Prometa que nunca mais vai matar ninguém. – Ele estava muito sério.
- Nem por legítima defesa? – Will precisava barganhar
- Tudo bem, assim pode.
- Eu prometo. – Ele cruzou os dedos, mas o pai nem viu, muitos planos permeavam sua mente, planos para um futuro brilhante, ou dependendo do ponto de vista, sombrio.
Apesar de não demonstrar, o garoto acabava de passar pelo maior trauma de sua vida, que mudou completamente a sua personalidade e forma de pensar, tinha crescido com a experiência, para alguém que tinha sido seqüestrado e matado duas pessoas, até que estava ótimo, mas mesmo assim não estava intacto, mas sim abalado. Ele foi para cama e dormiu profundamente, o pai foi vê-lo e ficou aterrorizado com o que viu, um homem de roupas cinzas e uma longa cabeleira branca. Ele estava diante de uma criatura superior, que passava a mão na cabeça de Will dormindo, quando viu que estava sendo observado se virou para o general que olhava amedrontado, ainda se lembrando da carta que teria recebido daquele homem:
- Cuide bem do meu filho. – Olhou para o general, com olhos cinzas e frios, então ele desapareceu no ar, evaporando como fumaça que se dissipa no vento.
Lance reconheceu a aparência da criatura, cabelos brancos, olhos cinzas, aparência velha e um sorriso de mau gosto, era Arius Drachen, que todos achavam estar morto. O general nunca ficou tão aterrorizado na vida, acabava de descobrir que a criança que criava como filho era, na verdade, a cria do maior demônio da história, e depois de ver do que Will era capaz, Lance ficou com medo de estar criando um monstro adormecido, como Arius havia sido, suas veias gelaram, o sangue correu mais rápido, e sentiu as pernas bambas, pensamentos horríveis haviam sido despertados dentro de sua mente, e um estranho sentimento que não poderia descrever com outra palavra além de “péssimo”.
Aos 10 anos, o menino se tornou bastante próximo de seu professor Bruno, sendo este o único amigo dele, com ele, o jovem gênio aprendeu tudo sobre biocinese e sobre o corpo humano. Will queria poder usar suas habilidades em prol de uma boa causa, e logo tentou descobrir algum problema que pudesse resolver com seus talentos biocinéticos. Ficou sabendo que vários pescadores que iam para a floresta pescar no riacho contraíam um veneno de uma perigosa serpente chamada cobra-coral, resolveu procurar a serpente e descobrir uma vacina para o veneno. Ele ficou horas procurando a serpente e nada, até que ele finalmente avistou uma cobra subindo em uma árvore, entrando num ninho de pobres aves inocentes, foi quando a capturou com as próprias mãos, a segurando com firmeza e e a prendeu numa caixa de papelão, ele já estava voltando, quando ouviu um pio de um pequeno pássaro vindo do ninho que a cobra em que entrou, ele foi ver, era um filhote de coruja que teve sua mãe devorada pela serpente, o filho do general pegou o pequeno animal e o levou para casa para criá-lo como mascote.
Will improvisou um laboratório no porão de sua grande casa, Lance estava viajando a trabalho para Tsuchin e o menino estava aos cuidados de babás, embora não fosse necessário que cuidassem dele, precisava de alguém para vigiar a criança contra pessoas que quisessem fazer qualquer coisa com ele, um seqüestro por dinheiro, ou até mesmo o primeiro passo para um golpe de estado, suas babás eram 4 sargentos do exército de Sogen, especialistas. O pequeno TK biocinético comprou um microscópio e pegou vários ratos de rua para fazer os experimentos, colocou a pequena coruja num canto e a alimentou com pequenos ratos do porão, pegou um frasco e tirou a peçonha da serpente, em seguida colocou no microscópio, depois disso, usou sua biocinese para alterar a composição da substância, bem, pelo menos tentou fazer isso. Em seguida colocou numa seringa e injetou num rato, depois segurou a cobra para injetar o líquido venenoso no rroedor, com cuidado para não deixar ela devorá-lo, o rato morreu imediatamente. Tudo era feito sobre a supervisão dos 4 TKs, sabiam que o general iria arrancar a pele deles vivos se acontecesse alguma coisa com o menino, mas por algum motivo, achavam que os experimentos dele não dariam errado e nem acabariam em desastre.
- Inferno! – Odiou sua falha, e testou outros métodos em seguida, passando horas e mais horas tentando fazer um antídoto. Acabou matando 60 ratos, mas acabou fazendo um antídoto efetivo quando usou biocinese na cobra, pra ela mesma criar o antídoto, algo bastante avançado pra qualquer pessoa, mas aquele garoto era descendente de Alexiel Dracole Drachen, o homem que havia dividido a história em antes de Drachen e depois de Drachen, então era de se esperar, foi assim que ele descobriu o príncipio.
A vacina estava praticamente completa, mas ainda faltava saber se funcionava em humanos, Will injetou sua vacina em si mesmo e soltou o réptil, apertando a cabeça dela, fazendo-a morder seu braço, depois prendendo de volta. Nem mesmo horas depois, nenhum sintoma se manifestou, apenas ficou roxo, o jovem ficou muito feliz com a sua conquista, mas queria mostrar para seu pai, que, infelizmente, não estava lá para ver, então ele foi mostrar para seu professor Bruno que estava mais acessível, Lance estava em uma “campanha” contra o tráfico de drogas na cidade do lado. Então o pequeno gênio foi para a academia e encontrou seu professor:
- Professor! Professor! – Ele já chegou gritando.
- Will? O que faz aqui? – O professor tomou um susto.
- O senhor sabe que tem vários pescadores morrendo por serem picados pela cobra-coral?
- Sim, por que?
- Eu tenho em minhas mãos a vacina! – Tirou a seringa do bolso da calça, com um orgulhoso sorriso no rosto, estava pronto para mostrar o que era capaz de fazer pelo bem das pessoas.
- Você está falando sério? Você fez isso sozinho? – Bruno não acreditou muito, mesmo conhecendo o talento do garoto.
- Sim e já testei em mim mesmo, pra ser mais específico.
- Como pôde fazer isso? Tem idéia do risco que correu?
- Se eu corri um risco, não importa, o que importa é que eu vou salvar vidas com isso! – Não aceitaria que fosse tratado como uma criança.
- Tem certeza absoluta?
- Eu fui mordido por uma serpente depois de tomar a vacina e não tenho nenhum sintoma! – Estendeu o braço que segurava a seringa, mostrando as marcas da mordida da cobra, dois furos sobre a pele roxa na área.
- Vamos levar a sua vacina para o laboratório de medicina, vamos ver o que eles dizem.
Os dois foram para o laboratório mostrar a vacina, Bruno já trabalhou no laboratório, mas o abandonou para ser professor da academia. Ao chegarem, encontraram Ramon, um antigo amigo de Bruno, que aliás, tinha um penteado que lembrava bastante um punk.
- Ei, Ramon! – Bruno gostou de encontrar o amigo que não via há tempos, acenou feliz da vida.
- Bruno! Há quanto tempo não te vejo! – O outro sorriu de volta, também estava feliz por ver o velho amigo novamente, na época da crise dos feijões no nordeste, conseguiram arranjar uma solução juntas, com pesquisas complexas sobre as pragas que infestavam as plantações..
- Eu vim trazer uma vacina que vai ser de grande ajuda às vitimas da cobra-coral!
- Você que fez?
- Eu não. – Pôs a mão no ombro de Will, piscando.
- Essa criança? – Ele ficou surpreso.
- Filho do general, pra completar, leve uma amostra da vacina pra fazer os testes. – Will completou, estendendo a seringa com a vacina que havia criado.
- Já que é filho do general, então eu verei, voltarei com os resultados em alguns dias. – Ele pegou a seringa e se virou de costas, teria um logo trabalho pela frente, naquele caso, testar a vacina seria ainda mais difícil do que fazer.
Uma semana depois e a vacina de William foi aprovada pelo laboratório e começou a ser distribuída pelos postos médicos da capital e mais tarde pelo continente inteiro. Ele ficou bem conhecido no continente inteiro por ter feito tal descoberta na sua idade, se tornou um verdadeiro exemplo para as crianças da época, tanto que uma expressão muita usada pelas mães para os filhos era “Estude meu filho, e talvez você fique inteligente como William de Assis”.
- Pandora, sua imbecil mental, que tipo de imbecilidade você tava fazendo? – Um homem de máscara e quase dois metros de altura espancava uma pequena menina, que aparentava ter uns 10 anos de idade, ela gritava por piedade, mas ele não parava, uma cena medonha, ele a batia com simples tapas, mas pelo tamanho da mão dele, doíam realmente demais, além de cobrir uma área de contato imensa e fazer extrema pressão na pobre criança..
- Por favor, papai, não fiz de propósito, eu apenas estava dormindo, eu tava muito cansada. – Pandora foi interrompida por um tapa na boca que a fez deslizar pelo chão, caindo a uns 3 metros dali, parecia que as pancadas era feitas para causa dor com o mínimo dano possível.
- Imbecil, nós não temos tempo pra dormir, nós já temos a energia necessária com nossos métodos naturais, apenas fracos comuns dormem, e você, sua imbecil, não é uma fraca comum, você é minha filha! – Aquele homem parecia o demônio, sua voz expressava a crueldade pura em sua natureza mais cruel e seca, como se cada palavra fosse uma facada, a pesença daquele homem mascarado era pesada, como se a atmosfera se tornasse de aço, e esmagasse tudo com gigantesca pressão e força.
- Preferia não ser. – A garota resmungou com o resto de suas forças, com a boca sangrando intensamente e o nariz quebrado, seu corpo tremia e seu coração batia aceleradamente.
- O que você disse? – O homem gritou com a voz de um demônio ainda pior.
- Nada, papai. – Ela tentou recuar, com os olhos totalmente amedrontados, e tremendo mais ainda, como se estivesse diante de seu carrasco
Ouviram-se gritos ainda mais terríveis, e o barulho de pancadas extremamente violentas e coisas sendo quebradas, o medo dentro daquela casa não podia ser explicado com simples palavras.
5/02/1915, Amestris.
- William de Assis, é com orgulho que te promovo a capitão da KNC, por ter feito um ótimo trabalho na equipe e ter desmantelado dois grandes esquemas de corrupção ligados com própria KNC. – Lance promovia Will, entregando-lhe uma medalha, na sede principal da KNC, onde todos os membros estavam reunidos para receber seu novo líder. Ele trabalhou com medicina até seus 17 anos, pesquisando curas, tratando de pessoas feridas e doentes, e fazendo de sua biocinese, uma ferramenta para salvar vidas. Ele foi muito bem sucedido na medicina, mas desistiu da carreira quando ficou sabendo do assassinato em massa em uma cidade afastada de Amestris, aparentemente, um homem coberto de metal havia o cometido, um homem com olhos metálicos, frios e sem emoção, com voz metálica, com tudo metálico, pelo menos de acordo a descrição dos sobreviventes do ataque que causou a morte de 227 pessoas, ele seria um tipo de homem mecânico assassino, mais tarde ficariam sabendo que aquele homem era Archie Brocken, um cientista que estava fazendo pesquisas com novos elementos químicos, o cientista primo do assassino, Cyrus Brocken, seria o responsável por identificá-lo, tendo sido um dos sobreviventes do massacre. Will entrou na KNC, seu principal objetivo era prender o monstro que havia feito aquela chacina, ele descobriu dois esquemas de corrupção nos primeiros dois anos, porém, matou todos os envolvidos. Mesmo assim, foi promovido pela utilidade de seu ato. Ajudou a tornar o continente pacífico, ele ia em missões em todo o continente, tendo o péssimo, porém útil, costume de matar todos os criminosos que entravam em seu caminho. Will matou dezenas de criminosos, seu pai, o general Lance, quando não estava em nenhum bordel se divertindo com as mulheres da vida, ou fazendo decisões importantes para o continente, estava criticando os métodos de seu filho, mas permitia, já que funcionavam melhor que seus métodos de não-violência.
- Obrigado, general Lance, mas tudo que consegui foi devido a duas pessoas muito especiais, o senhor e meu professor Bruno. Sem os senhores, eu não seria nada, e não teria nem chegado a ser aceito na KNC, ou ter aprendido biocinese. – Will agradeceu.
Um dos coronéis presentes observava a cena e não gostava nada do que via, o coronel Morty era um homem alto e forte, pálido com cabelo negros que iam até a altura do pescoço, lisos e soltos.
Avallon, Sogen Sul
- Garçom, quero uma cachaça das boas. – Um homem com o corpo inteiro escondido em uma capa pediu em um bar em Avallon, cidade próxima à Amestris.
- Sim senhor. – O garçom foi buscar o pedido, voltou após dois minutos.
- Filho duma cadela, demorou muito. – O homem pegou o copo de cachaça bruscamente e socou o garçom, que caiu a 1 metro dali, o agressor parecia ter a força de um monstro enfurecido. Todos viram a cena com naturalidade, o garçom estava morto, mas ninguém se preocupou em recolher o corpo. O homem abriu a boca e engoliu o copo de cachaça, mastigou o vidro como se fosse um biscoito, com dentes aparentemente indestrutíveis, de longe, aquilo poderia parecer um hospício para monstros do pior tipo, um lugar bizarro e mal iluminado, com muitas brigas, que eram feitas entre as pessoas por diversão ou por algum motivo, permitidas e incensivadas, e quase sempre acabando em morte.
- Senhor Archie, ligação pro senhor. – Outro garçom se aproximou do homem, amedrontado, mas Archie tomou o celular sem matá-lo ou espancá-lo, o homem de lata era realmente temido naquele local, e em qualquer outro que fosse.
- Mestre Morten, o que quer? – O homem perdeu toda a postura de superior.
- Archie, temos um novo capitão na KNC, o antigo capitão molenga foi morto em ação e o filho do general assumiu, acho que já é hora de dar o golpe, esse imbecil é muito capaz e pode ser um problema para nós. – Morten falava com a voz sombria e amedrontadora, próximo à sede da KNC, após o fim da cerimônia de troca de capitão.
- Senhor, devo ir imediatamente?
- Sim, venha, e mate qualquer um que estiver no seu caminho, independente de quem seja.
- Sim, senhor. – Ele guardou o celular e se retirou do restaurante, sem pagar a conta, já que o restaurante era sua propriedade.
5/05/1915, Amestris.
- Will, caso urgente na loja de colchões Coll, parece que tem um cara feito de ferro que seqüestrou todos os presentes, é Archie Brocken. – Lance telefonou para Will, que fazia uma ronda com sua tropa.
- Sim senhor, irei imediatamente. – O capitão desligou o telefone e foi com sua tropa até o local indicado, tinha ido com total ansiedade, aquele era o bandido que ele procurou por anos, o homem responsável pelo massacre de dezenas de pessoas inocentes, se é que podia-se chamar aquela coisa de homem, em pouco tempo ele estava diante de Archie, que segurava um bebê no colo.
- Fique parado, senão matarei ele e todos os outros. – O bandido gritava como um animal.
- O capitão jogou discretamente uma semente no chão, que cresceu com biocinese, virando uma enorme mão de madeira que atacou o bandido, fazendo-o soltar a criança o bebê voou para os braços de um homem da tropa do capitão, que tentou fazer a mão esmagar Archie como se fosse um inseto, a capacidade de gerar crescimento celular a partir das mais simples partículas vivas de Will era realmente surpreendente, e muito rápida. O homem de “ferro” conseguiu se soltar da mão, a absorvendo, caiu no chão e fez um tremendo estrondo, se levantou e se jogou contra o capitão, que tinha um grande volume na roupa, o que o deixava com aparência de obeso, ele desvio e tirou uma enorme cobra coral de tamanho ainda maior que o de uma sucuri, da sua roupa, era Venom, a mesma cobra que havia dado a ele o antídoto para o veneno mortal das cobra coral, ele havia usado biocinese pra transformá-la em um verdadeiro monstro e domesticá-la. Venom deu uma violenta e rápida caudada no rosto de Archie, que quase caiu. Ele tentou pegar na cobra, mas ela era rápida, desviou e engoliu o homem de ferro inteiro, como se fosse um mero biscoito, rapidamente.
- Muito bem, Venom, por mais forte que ele seja, ele não vai conseguir se mover no líquido do seu estômago. – Ele tinha certeza de que iria acabar, o líquido da barriga de Venom era capaz de impedir qualquer tipo de movimento interior além dos do próprio organismo da serpente.
Ouviram-se gritos vindos da sede da KNC.
- Will, parece que foi uma emboscada, a KNC tá em chamas. – Um dos subordinados gritou, apontando para a sede em chamas.
- Não, não pode ser! Temos que ir lá agora! – Ele saiu correndo, a cobra o seguida, Venom era a única cobra que conseguia andar após comer “um Archie”, mas também, sua massa era tão absurda que nada podia ser mais difícil que carregar que ela mesma, para ficar na roupa do dono, onde ela ficava escondida em algumas missões, ela tinha que ajudá-lo a andar, funcionando com um mega terceiro pé, chegava a ser um visão bizarra..
Quando ele e sua tropa chegou na sede, a porta estava tomada por membros de baixa patente da KNC, que tentaram matá-los, aparentemente, traidores. Will e sua tropa combateu os antigos companheiros, dois subordinados dele morreram durante a batalha, mas todos os traidores foram mortos. O capitão estranhava que eles não dissessem nada e nem gritassem de dor quando tinha os ânus perfurados por estacas gigantes de madeira, o método favorito de assassinato do TK, aquela situação era extremamente preocupante, mas ele teria que ter coragem para lutar, e muita força.
Lance ouviu as batidas na sua porta, estranhou, geralmente não fazia isso, mas a abriu, claro que sem usar as mãos, pois não deveria chegar tão perto, não podia-se saber quando poderia tentar atacá-lo, a segurança de um general era algo totalmente prioritário em qualquer continente, abriu a porta com telecinese, destrancando, o coronel Morty entrou, com uma feição muito séria.
- Senhor. – Falou e interrompeu, parecia preocupado, como se fosse dar uma má notícia, e temesse a reação do seu chefe.
- O que é? Fale logo. – Lance bateu na mesa, odiava quando as pessoas demoravam, enrolavam para fazer algo que poderia ser rápido, olhava com as sobrancelhas erguidas.
- Tenho. – Fingiu que estava preocupado em dizer alguma coisa, o general sentia algo muito estranho na presença daquela pessoa, ficava exausto, até que percebeu o que estava acontecendo, Morty foi brutalmente eletrocutado, e pressionado por uma força pressão de ar, como se estivesse no fundo do mar, seria torrado e esmagado rapidamente, a corrente elétrica causava grandes danos em seu corpo, internamente e externamente, que poderiam matar se fosse constantes, mas parecia que os danos eram logo regenerados, como se uma energia santa o curasse de todas as feridas no corpo, Lance logo caiu no chão, foi um acontecimento de apenas 20 segundos, os relâmpagos começaram mais poderosos, mortais, mas logo foram diminuindo e se tornando mais fáceis de serem regenerados o coronel estava com a pele totalmente torrada, mas vivo, logo as queimaduras mais superficiais também se regeneraram, o general mal conseguia se mover direito, havia sido vítima de algum tipo de ataque imperceptível, ou no mínimo, bastante discreto.
- Eu planejei muito bem para que isso funcionasse, mas não vou te explicar. – Ele disse bem sério, estava usando uma roupa feita de material isolante por baixo das vestes militares, certamente para enfraquecer os choques do general, já que causariam morte instantânea em qualquer um que não estivesse assim prevenido. – Ah, quer saber? Vou me revelar, só pra que tenha certeza de qual é a raça do homem que te matou. Para sobreviver e não ser esmagado pela atmosfera, eu apenas empurro a quantidade absurda de energia que tenho e a que estou roubando de você com vampirismo psíquico, para empurrar pra longe de mim, mas não é nada fácil, devo admitir que você é bom, general. – Deu mais alguns passos em direção a sua vítima, tirou uma máscara bem dobrada dentro do bolso da calça, e colocou no rosto, uma estranha máscara com uma espécie rede dura na parte central.
- O general mascarado! Você é um vampiro psíquico, você acabou comigo. – Lance mal conseguia se mover, só tinha energia para falar, e mesmo assim já estava difícil, seus músculos incomuns e poderes fantásticos haviam sido utilizados, tentava controlar a energia exterior, mas estava tão fraco que não conseguia. O general mascarado, como foi chamado, se aproximou e aproximou sua mão do rosto do general de Sogen Sul, mais precisamente, do olho direito, Lance fechou seus dois olhos, mas logo sentiu o dedo polegar e indicador de Morty apertando de suas pálpebras, sentiu uma dor brutal no momento em que teve o olho arrancado, junto com toda a pele em volta, fechado ou não, a força de seu inimigo era devastadora, talvez maior do que a do próprio Lance, cujo corpo extremamente musculoso impressionava ou assustava todos que o viam. Ele abaixou a máscara e guardou no mesmo bolso de onde tirara, deixando a boca larga com lábios finos de fora, então lambeu o olho arrancado, sujo com sangue dos tecidos arrancados, uma cena grotescamente nojenta, o general nem gritou de dor quando teve o olho arrancado, não tinha forças para gritar, mas ainda estava consciente, embora nem conseguisse mover um músculo a mais, sentia muita dor, e muito medo, o homem que há havia sido uma lenda, um herói nacional, um matador, agora estava impotente nas mãos de um criminoso que ele nem sabia quem era realmente, Morty sorriu após ingerir a pequena quantidade de sangue no pedaço arrancado, como um sádico da pior espécie.
- Você está com medo, não é? Cachorros podem sentir o cheiro do medo, eu posso sentir o gosto, é meio azedo. – Jogou o olho fora, tinha ingerido o sangue apenas para detectar o medo, algum tipo de técnica estranha, ou talvez apenas uma piada de péssimo gosto, logo em seguida, levantou Lance pelo pescoço, olhando o na altura dos olhos, enquanto ele levava a outra mão até o crânio do adversário, apertando com violência para terminar de uma vez por todas com aquilo, sua expressão voltava a ser séria, inexpressiva e vazia, sua presença era dura e pesada, e o medo no coração do velho homem de cara com a morte era forte tão como os seus braços.
- Não é possível, foi lavagem cerebral! Procurem em todos os cantos, eu irei sozinho na sala do general. – O capitão gritou, muito nervoso, e entrou correndo no local, procurando pela sala de Lance, quando ele entrou, encontrou um oficial da KNC esmagando o crânio do pai com a mão, na hora certa, só viu o sangue espirrando com força, aquilo gelou seu coração como nunca havia acontecido antes.
- Pai! – Will se desesperou, a cobra se jogou contra o homem que havia matado o general, ele apenas rebateu usando o braço, como se fosse uma bola de baseball, a criatura quebrou a parede e foi parar no andar de baixo da KNC, causando muita destruição e sujeira.
- Capitão Will, desculpe a falta de educação. Sou conhecido como coronel Morty, mas meu nome real é Morten, general Morten Daemon, acabo de tomar o título de general de seu falecido pai, agora só falta você se curvar para que eu não te mate. – O homem tirou uma máscara de dentro do sobretudo da KNC que ele usava, e a colocou no rosto, tampando a boca e parte nariz, seus olhos eram negros como a noite mais escura, ou o abismo mais profundo.
- Desgraçado! – O filho do falecido usou biocinese em uma árvore que ficava do lado da KNC, acelerando rapidamente o seu crescimento e o controlando, fez um galho entrar pela janela para pegar Morten, que desviou e se jogou contra ele, para socá-lo, mas o policial também desviou, seria a luta mais dura de sua vida.
Morten Daemon
Nascido em Sogen Norte, Morten era filho do casal que era líder da união dos vampiros psíquicos, a União Vampírica. Quando era criança, suas habilidades vampíricas já se desenvolviam, tudo que ele tocava perdia a vida para alimentar sua fome de energia. Desde pequeno, possuía uma personalidade cínica e sádica, matando com prazer os perseguidores dos vampiros psíquicos durante caçadas noturnas que fazia, um predador de homens que sugava toda a vida . Morten acreditava que os vampiros deveriam deixar de se esconder nas sombras dos perseguidores e matar sem piedade qualquer um que entrasse no seu caminho, como essa idéia não era apoiada pelos seus pais que tinham controle da União Vampírica, por essa razão, Morten desenvolveu extremo ódio contra sua família, que preferia se esconder a ir à luta.
Durante um tempo de treinamento, Morten adquiriu um poder assustador para sua idade, já aos 7 anos podia sugar energia alheia à distância e adquirir algumas das habilidades de suas vítimas, com isso ele matou vários TKs para possuir suas habilidades, se tornando um dos serial killer mais jovens da história. Um dia, enquanto sua família se reunia num feriado, o jovem vampiro preparava um massacre para acabar com os seus familiares. Quando todos estavam dormindo, dormindo profundo graças a toda a bebida que beberam durante os festejos, trancou a casa inteira, em seguida, entrou nos quartos onde seus familiares dormiam e começou a matá-los um por um através de um método que ele mesmo chamava de “enxágüe vampírico”, em que drena a energia da pessoa rapidamente até ela morrer, também levava consigo uma faca, para o caso de uma emergência.
Enquanto matava um de seus primos, sua mãe passava pelo corredor para ir ao banheiro, a única dos adultos que não bebeu até cair, e avistou o assassinato que seu filho cometia, chocada, tentou reagir, mas foi esfaqueada pelo filho até a morte, era estranho que uma criança pudesse matar um adulto em uma luta com tanta facilidade, mas toda a energia que ele absorvia podia ser usada à favor de sua força física, que se tornou sobre-humana, ainda mais naquela idade, o bastante para matar a mãe com facilidade, já que ela não drenava até a morte, e não drenava outros vampiros, drenar outro vampiro seria como comer duas vezes, a energia de um ser que comeu vários outros seres, portanto, a energia de todos esses seres juntos, por isso, por vampirizar outros vampiros até a morte, a energia de Morten era absurdamente alta. Após matar sua mãe a força de Morten aumentou consideravelmente, e já julgava pronto para matar seu pai e seus tios, que dormiam profundamente, drenar a energia de quem matava era uma grande vantagem para um psyvamp talentoso. Após matar sem dificuldade seus tios, pegou umas correntes e foi para o quarto de seu pai, que tinha sono muito pesado após beber bastante cachaça, amarrou seus braços e pernas o acordou, que pouco antes de morrer ouviu as últimas palavras de seu filho, que não o matou de uma vez por pura maldade:
- Manda um abraço para a mamãe! – E o garoto cortou a garganta do pobre homem, drenando toda a sua energia em seguida, ele não teria tido a mínima chance de fazer o que fez se tivesse enfrentado seus familiares cara a cara, mas tirando a sua mãe, matou todos enquanto dormiam, covardemente, lembrando também que o pai estava bêbado, e a mãe, a única que foi morta não covardemente, mas nela, ele usou a faca, o que garantiu uma morte certa e rápida na mulher com pouca força física.
O demônio não se conformou em apenas matar todos naquela casa, ele passou querosene e botou fogo, após abandonar a construção, se inspirando em seu ídolo histórico, Dante Hamachi. No dia seguinte, se espalhou a notícia de que a família central do clã Daemon foi exterminada cruelmente por um vampiro de 10 anos. Após o acontecido, os membros da União Vampírica, a organização secreta formada por todos os vampiros psíquicos de Sogen Norte, tiveram que assumir Morten como seu líder mesmo na sua idade. Apesar de ter apenas 10 anos, ele se mostrava um líder nato, após se tornar líder, propôs aumentar ao máximo os membros da União Vampírica recrutando garotos de rua que se tornavam praticantes de vampirismo. Desde o dia em que Morten exterminou sua própria família, ele passou a utilizar uma mascara de couro humano tirado do seu pai, que tampava sua boca e tinha uma espécie de amplificador no centro, feito à partir de linho de ossos, essa máscara distorcia a voz de Morten, que ficava ainda mais demoníaca e intensa.Após a União Vampírica se tornar um grande exército, ele liderou uma ofensiva contra a igreja Drachenista Norte-Sogeniana, cujos membros eram os principais perseguidores dos vampiros, e matou todos os seus membros com massacres muito bem organizados, em seguida, ele instituiu a nova religião que seria seguida pelos vampiros psíquicos, o Daemonismo, se algum quisesse seguir outra religião, em especial o Drachenismo, era executado, tendo a cabeça arrancada, literalmente. O vampiro executou ofensivas similares por todo o continente e começou uma verdadeira guerra civil, após alguns anos de guerra, ele dominou todo o território Norte-Sogeniano e se auto-intitulou general de Sogen Norte, era um líder militar brilhante, especializado em chacinas organizadas rápidas utilizando o enxágüe psíquico, com o qual drenava a energia de cada soldado inimigo em poucos segundos, usando vampirismo psíquico coletivo com todos os seus soldados juntos. O chefe dos vampiros também teve uma filha, Pandora, que ele espancava todos os dias, com o pretexto de que isso a incitaria a não cometer erros, já que ele usava como punição para os mínimos erros da garota, como dormir e deixar comida no prato. Pandora cresceu em meio ao terror, o medo e a violência, cada dia de sua vida era um pesadelo do qual ela queria escapar, ele também teve um filho chamado Kjetil, que ele tratava do mesmo modo. Seus filhos eram impedidos de dormir, e por isso não ficaram altos, embora o pai fosse um homem de 1,90, extremamente forte, moreno, com olhos castanhos, e cabelo negro penteado para trás, cortado à altura dos ombros, era um homem vaidoso, principalmente quanto se tratava de seu cabelo, que ele penteava e passava gel todos os dias para manter bem brilhante.
- Morten, seu desgraçado! – Will havia sido jogado pelo mesmo buraco da parede pelo qual Venom havia sido lançado, só não bateu a cabeça no chão por que a cobra amorteceu a queda.- Necro! – Ele gritou, usando uma técnica vocal com audiocinese que deixou sua voz como um estranho ruído, deixando a palavra dita irreconhecível para qualquer um que não fosse uma coruja. O mascarado fazia uma psy-ball incendiada, que crescia cada vez mais, ele teria assassinado Will, mas uma coruja quatro vezes maior que uma coruja normal acertou a cabeça dele como um se fosse um míssil, Morten caiu do segundo andar da KNC, caiu do lado do policial, em cima de Venom, que era enorme.
- Coruja imbecil, essa imbecilidade doeu! – Morten gritou, enquanto se levantava, começando a ser enrolado pela cobra, que estava machucada.
- Morten, você não vai conseguir. – Will fazia Venom prender o inimigo, a cobra tentava esmagar os ossos do criminoso, mas ela caiu inconsciente, logo em seguida.
- Eu sou Morten, o mestre de todo psyvamp, garoto Will, você não pode evitar que Sogen Sul se ajoelhe diante do clã Daemon, assim como Sogen Norte fez. – Com voz demoníaca, ele apontou a mão para o capitão, começou a absorver a energia dele, com sua devastadora técnica, o Enxágue Vampírico, Will começou a ver tudo escuro em pouco tempo, mas sentiu como se alguém dissesse em seu ouvido o que deveria fazer.
- Filho, entre na mente dele.
Ele tentou fazer o que a voz mandava, mas só viu um homem de cabelo branco saindo seu corpo e indo em direção a Morten. A coisa entrou no vampiro, que começou a correr em zigue-zague, como tivesse um caranguejo no rosto. O capitão tentou aproveitar para usar sua biocinese degenerativa para destruir o corpo do vampiro, Morten sentiu sua pele caindo, como se tivesse lepra, e a coisa que estava dentro da mente dele, o impedia de tentar se defender, ele parecia estar cercado.
- Saia da minha cabeça, demônio! – Morten gritava, mas regenerava os danos causados pela biocinese degenerativa com vampirismo psíquico aplicado no próprio ambiente, drenando energia dos objetos para se curar.
- Assim não dá. – Will fez Necro voar contra o olho de Morten, mas a coruja foi atingida por uma pancada da grande quantidade de energia que o vampiro tinha em volta do corpo.
- Você! Desgraçado, é o demônio lendário! – Ele continuava gritando.
- Não tenho outra escolha. – Will usou biocinese nas próprias mãos para transformá-las em “mãos” de lobo, ele criou enormes garras com a manipulação celular, ficando afiadas e mortais, fez o mesmo com os pés, destruindo o próprio sapato, correu para seu inimigo e acertou suas garras no peito do homem, que teve a carne rasgada, mas atirou o transformado de cima do segundo andar, novamente, fazendo ele cair no hall de entrada, o capitão já estava exausto de apanhar, só não estava morto porque era uma verdadeira “máquina” de resistência e força.
- Eu não tenho todos os meus poderes, mas o que tenho é o bastante para te atrapalhar. – A voz gritava para Morten, mas Will não ouvia. Nesse momento, os policiais fiéis ao capitão chegaram no lugar, o mascarado regenerava todo o dano que havia recebido no peito, com o vampirismo psíquico contra o ambiente.
- Homens, matem Morten, ele é um traidor. – Will ordenou, se levantando. Os homens começaram a lançar vários tipos de ataques beke, desde pyrocinese até eletrocinese, ele saiu correndo, não poderia mais lutar, ele havia perdido, tentaram cercá-lo, mas o ex-capitão corria muito rápido, com suas patas de lobo, fugiu como uma fera que foge do caçador, ele atravessou uma janela de vidro que havia no hall, se cortando todo, mas isso era de menos.
- Imbecis, sigam ele! – Morten se livrou da coisa que havia dentro da sua mente e gritou, ordenando que pegassem o último sobrevivente da KNC. Eles obedeceram, foram atrás de Will, mas ele já estava longe.
Em poucas horas, a cidade inteira havia sido tomada por Morten, que fazia lavagem cerebral com as pessoas que vampirizava até um estado de quase-morte, após deixá-las quase mortas, doava energia controlada para eles, mudando a personalidade e tornando-os seus servos. Ele havia ensinado a técnica a todos os psyvamps que haviam atacado a KNC com ele: Pandora e outros 20 psyvamps de nível avançado, mas não como ele. Eles eram treinados para usar ataques de vampirismo coletivo, dez vampiros atacavam cada vítima de uma só vez, acabando com a energia da coitada, com isso, ele conseguiu fazer lavagem cerebral em todos os membros da KNC, exceto Will e Lance, que precisou ser morto, na verdade não precisou e poderia ser vítima de lavagem cerebral, mas o novo general gostou de matá-lo. Ele também fez a lavagem cerebral em Venom, a cobra que pertencia ao filho de Lance, e tirou Archie de dentro dela sem machucar nenhum dos dois. O terrível vampiro marchava com seu exército, fazendo pessoas se curvarem, e fazendo lavagem cerebral em qualquer um que demonstrasse resistência, auto-intitulado como o novo general de Sogen Sul, Morten espalhou medo naquela cidade. Após dominar tudo, ele fez um discurso, no centro da cidade, do lado de Archie e da estátua de Lance, utilizando sua máscara para espalhar sua voz a quilômetros dali:
- E é com muita honra, que eu, Morten Daemon, o patrono do clã Daemon, me declaro general de Sogen. Eu reinarei nesse continente com justiça e mão de ferro, e como meu primeiro ato, um ato simbólico, derrubarei a estátua do antigo e fraco general. Faça as honras, Archie. – Morten declarou, Archie começou a socar a base da estátua, até ela se quebrar em vários pedaços e cair.
- E no lugar dela, erguerei a estátua de um grande ícone da história mundial, Dante Hamachi! E também gostaria de avisar que um grande perigo está à solta, com certeza todos conhecem a história do homem que ficou conhecido como Das Extremer, o homem mais temido da história. Ele está vivo! Vivo como Will de Assis, ou Will Drachen, se preferirem, todos aqui com certeza sabem o nome desse homem, e sabem que dizer o nome pode causar morte instantânea. Caso não saibam, o nome do lendário Drachen é A-R-I-U-S, e ele poderá invadir sua mente caso o pronunciem. Também gostaria de avisar, que uma recompensa de milhões de kimes será paga para que trouxer para mim ou me levar a uma certa pessoa, Will de Assis, vivo ou morto, é um ex-capitão da ex-KNC, cabelos brancos e médios, costuma usar óculos escuros e sempre anda com uma coruja. – O discurso de Morten demoraria, esse foi só o começo. Naquela noite, o céu estava absolutamente escuro, sem estrelas, e o única luz visível era a luz lunar, que encantaria as visões do povo, se não estivessem sobre a terrível escuridão de Morten, que ofuscava a beleza da luz da Lua, e fazia com que cada pessoa esquecesse de suas alegrias, e sentisse medo naquele momento de vitória da tirania.
- Não, eu falhei, eu fugi, mas ainda bem que eu usei aqueles pêlos de lobo que eu sempre carrego comigo, para copiar o DNA e tomar a forma selvagem. – Will chorava quase morto em uma floresta tropical, próxima à Amestris, ele havia corrido demais, não agüentava mais nada, havia se escondido dentro de um tronco de árvore, onde havia entrado usando biocinese. Estava sem seu sobretudo da KNC, que ele havia jogado em uma rua qualquer de Amestris, ficando apenas com sua camiseta preta da sua banda favorita, Pyrokinesis, de hardcore Amestriniano.
- Filho, eu te ajudei dessa vez, mas não poderei fazer isso sempre. – A voz falou dentro da mente de Will.
- Pai? Lance?
- Não, sou seu verdadeiro pai, Arius Drachen
- Arius Drachen, o demônio Das Extremer? Aquele monstro não é meu pai. – Will sentiu um calafrio, mas nem importava mais.
- Eu sou seu pai, eu engravidei sua mãe, Sharon Shakir, para que ele desse a luz ao homem mais poderoso do mundo, Lance te adotou, e eu coloquei parte de minha existência, dentro de sua mente. Você matou sua mãe recentemente, quando descobriu que ela tinha relação com a máfia, você nem sabia que ela era sua mãe, mas isso não te importaria, já que era uma criminosa.
- E eu deveria te matar, você foi o pior criminoso que já pisou na terra. – Will falava com seu pai verdadeiro, confuso.
- Eu me arrependi de todos os meus crimes, como você sabe, fui morto durante a luta contra o lendário Dante Hamachi, o homem que, depois de mim, foi o pior problema que Tsuchin teve nos últimos séculos. A morte me mostrou que o mal não me levaria a nada, e agora quero redimir meus pecados, e pra isso, irei te ajudar a libertar esse continente das mãos de Morten, aquele homem, é pior que meu antigo eu. E antes de qualquer coisa, apenas pense o que quiser falar, isso é telepatia. – O antigo criminoso falava com a convicção e firmeza que sempre tinha.
Necro chegou voando e pousou em um galho na árvore onde Will estava, parecia que ele tinha ficado pra trás, mas que conseguiu fugir sem ser capturado ou visto.
- Eu não acredito em você! – Will pensou, Arius ouviu, daí em diante eles conversariam sempre por pensamentos.
-Você acha que se não fosse eu que tivesse te gerado você teria o poder que tem?
-Eu me contentaria em não ser seu filho só pra não ter esses olhos ridículos. – Se referia aos olhos que deixaram de ser castanhos e se tornaram cinzas à medida que crescia, algo causado pelo gene de Drachen.
- Mas eu te salvei. Quem você acha que atacou a mente do psyvamp quando ele iria te matar? – Aquele homem gostava de jogar tudo na cara das pessoas, mas realmente havia salvo a vida do filho.
- Você, mas você só quer me usar. – Ele era desconfiado, e tinha razão.
- Mesmo nesse caso, o que você teria a perder? Eu te ajudo, você me ajuda, ficamos quites. – Arius foi sincero e convincente.
- Isso é verdade, mas como poderemos matar Morten se os meus homens se venderam pra ele?
- Ora, eles não se venderam, ele fez lavagem em todos. Mas, Will, agora eu poderei te ajudar a ler a mente das pessoas, serei pra você, o que Catarina foi pra Dante.
- Dante foi um assassino, você só quer me tornar um assassino como ele foi, como você foi, saia daqui, me deixe em paz. – Não poderia confiar no pior homem da história.
- Will, eu posso te matar quando eu quiser, mas eu não quero, agora me escuta: eu vou te ajudar a libertar Sogen, mas a verdade é que a capital já era, e o exército de Morten é muito grande.
- E como você poderia me ajudar contra um exército inteiro?
- Você deveria saber que eu posso tudo, eu sou quase um Deus, e quem tem Deus, tem tudo. – Falou como um padre católico fazendo sermão sobre o amor de Cristo, só que nesse caso, ele era Cristo.
- Eu não acredito em Deus. – Na verdade, poucos sogenianos acreditavam.
- Deveria acreditar, Deus existe, e sou eu. – O velho realmente se achava, tinha um ego ainda maior que a capacidade da própria mente, e ela era grande.
- Ou, pelo menos, foi, se não, não estaria aqui, perdedor. – Will era bom em “tirar” as pessoas, algo que ele aprendeu rindo da cara dos bandidos que matava.
- Que seja, agora sou uma divindade de nível menor, e daí? Você quer ou não, libertar esse continente inferior? – Arius odiou o que ouviu, mas se manteve firme, se referia à sua Umi, continente que apesar de ser menos desenvolvida que Sogen Sul, podia ser considerada o lar dos maiores TKs do mundo, já que foi lá que nasceram Kinesis, Drachen, Daemon e ele mesmo.
- Não tenho escolha, não é? Então tá, pai, nós iremos vencer os psyvamps juntos. E Sogen é muito melhor que Tsuchin em matéria de TKs, os TKs daqui são os mais capazes, mas não somos superiores por isso, não que sejamos todos iguais, mas as pessoas são superiores por suas ações, não pelo seu poder.
- Will, serei sincero, Sogen não é inferior por ter Sogenianos, mas por estar cheio de pessoas que não são do clã Drachen, ou do clã Kinesis, ou de uma das grandes famílias de TKs da história, famílias que tem ótimo controle da telecinese por natureza, a única família que tem por aqui são os porcos Daemon, a escória da telecinese, e mesmo assim, eles são originários de Umi.
- Não existem pessoas inferiores, apenas pessoas que não se esforçam o bastante e as que fazem coisas erradas.
- Will, eu e você conseguimos em um dia, o que pessoas comuns levariam semanas pra conseguir, é estupidez dizer que não somos superiores.
Ele ficou sem resposta, acabou concordando com seu pai, mas não queria admitir, porém, era fácil para o TK ler seus pensamentos e saber o que ele pensava sobre o assunto.
- Que bom que concorda, mas fique tranqüilo, como um ser humano superior, você deverá proteger os fracos e os oprimidos contra outros grandes humanos superiores, como Morten. Não sei você sabe, mas ele é o líder de um antigo e maldito clã de psyvamps, os Daemon, os vermes que apoiaram a queda de Drachen há milhares de anos atrás, eles são a escória da humanidade por serem parasitar idiotas chupadores de restos de energia, mas tenho que admitir que alguns deles são muito poderosos.
- Eu já tive muitas aulas de história, sei a famosa história do Drachenismo, da queda do Kinezismo e do nascimento do clã Daemon. – Lembrava de suas aulas teóricas mais interessantes, e do homem que mais admirava depois de Lance, Alexiel Dracole Drachen, na verdade, praticamente todo a humanidade admirava Drachen, o maior herói da história, que conseguiu a paz absoluta temporariamente no seu continente e libertou o mundo das religiões deístas, pregando humanismo e evolução.
- Mas você não sabia que Morten era do clã Daemon, e muito menos sabia que ele se chamava Morten Daemon, e não Morty Dilan. Eu perdi muito do meu poder quando tive a maior parte da minha mente destruída por Kinesis, mas ainda tenho todas as informações que eu sempre tive, e isso é muito. Morten veio de Sogen Norte com aquele amigo dele, o cara de ferro, eles pretendiam dar um golpe de estado aqui, Archie é apenas um boneco de Morten, já que ele é estúpido e fácil de se manipular, já o psyvamp, é brilhante, ele pretende vingar os séculos de perseguição dos psyvamps, fazendo com que eles sejam os soberanos nesse continente. E aparentemente, também quer espalhar a religião que ele criou, o Daemonismo, por todo o mundo, para eliminar o Drachenismo que tanto despreza. Não sei se estou totalmente certo, mas é basicamente isso.
- Como você sabe de tudo isso?
- Eu leio mentes, li tudo que tinha na mente daquele vampiro idiota. Antigamente eu precisava que falassem meu nome para invadir a mente de alguém, mas agora, como sou parte de você, só preciso que digam seu nome. Tudo, desde o começo foi planejado, como você é meu filho, irei revelar: Eu espalhei pessoas fiéis a mim pela maior parte de nosso mundo, engravidei sua mãe e usei uma técnica criada por mim, para colocar minha mente na célula original do seu corpo, é realmente útil ter o dom da onipresença. Você cresceu, e parte de você, era eu, enquanto isso, o resto de mim procurou ameaçar os Tenshikyu, divindades que já foram extintas, minha ameaça fez com que escolhessem um humano especialmente para me matar, esse humano iria ficar muito, mas muito poderoso, e controlar a mente dele era tudo que eu precisava pra ser como Deus, pois eu teria minhas habilidades naturais, as habilidades dele, e as habilidades de Tenshikyu. Claro que eu levei em conta que as chances de eu falhar eram muito grandes, por isso, havia deixado parte de minha mente em você, ela estava adormecida, mas caso o resto de mim fosse destruído, que foi o que aconteceu, eu despertaria no seu interior, como um Tenshikyu, mas mais profundo, tanto que demorei anos até conseguir me manifestar, eu me alimentei de sua energia, e fui crescendo inconscientemente até tomar consciência, isso ocorreu quando você tinha 4 anos, a partir daí, eu pude começar a te ajudar no treino da telecinese, se você fala com os animas, é porque eu te ajudei a conseguir telepatia com os bichos.
- Então você admite que apenas está me usando. – Will ficou irritado com a falta de vergonha de seu pai.
- Não, estamos fazendo uma troca de favores, lembre-se, o que importa não são as intenções, mas os resultados. E eu te garanto, meu amado filho, os resultados do trabalho de dois Drachens sempre são ótimos. Mas deixe-me terminar, quando eu surgisse em sua mente, eu te ajudaria a reinar no continente com sabedoria e justiça, claro que em troca, eu pediria que você criasse uma nova religião, o Tenshismo, onde eu serei a divindade máxima, com a diferença, de que eu realmente ajudaria o povo.
- Primeiro, não me chame de filho, eu sou filho de Lance de Assis. Segundo, posso pensar no assunto se você parar de achar que é Deus, e não uma mente sem corpo, sem saída, e que ninguém respeita, nem o próprio filho. E terceiro: - Mesmo derrotado,você continua se achando superior, por acaso você já me viu esbanjando superioridade? Mesmo sendo o aluno nº 1 da academia eu sempre fui humilde e não me considerei superior a ninguém, você, por outro lado deve todo seu fracasso à sua soberba, seu bosta. – Ele não suportava a arrogância do pai biológico.
- Você está em uma situação bem melhor, os seus subordinados tentaram te matar e você fugiu como um cachorro, agora vai viver como um fugitivo, um criminoso. Bem melhor, né? – Arius ironizou, com perfeição.
- Vá se ferrar. – Se irritou.
- Você sabe que devemos nos unir, a menos que queira que o Deus de seu povo seja um psyvamp cruel que faz lavagem cerebral em todo mundo e que matou seu pai. – Arius apelou para os sentimentos pessoais do filho.
- Você não fez quase o mesmo?
- Há uma grande diferença quando há um “quase”, mas se quer deixar o continente que Lance tanto lutou para libertar, nas mãos de alguém pior que eu, não há nada que eu possa fazer.
- Vou logo avisar, se tentar tomar meu corpo, me suicidarei antes que consiga.
- Certo, mas me diga aonde iremos agora. – Perguntou como se não soubesse.
- Temos que achar um certo homem.
- Cyrus Brocken? – O velho completou.
- Como sabe?
- Eu conheço a fama continental do homem, ele é o aliado mais óbvio que você poderia procurar. – Mentiu, apenas tinha previsto os pensamentos do filho.
- Sei. – Will sempre desconfiava daquele homem.
- E vamos andando, eu vou ainda vou te dar muita informação, você deve estar bem informado para poder enfrentar seus poderosos inimigos, então agradeça, você tem dentro de sua mente, o maior leitor de mentes que já pisou na terra.
Cyrus Brocken
Cyrus Brocken era filho do renomado cientista Sogeniano Arnold Brocken,sua mãe Cecilia Brocken morreu no seu parto, então ele teve que crescer sozinho com seu pai e seu primo Archie Brocken, que há pouco tempo se tornara órfão e fora morar com ele. Entrou na faculdade muito cedo, então foi mandado para o extremo sul do continente, seus pais achavam que estava novo demais pra ir pra faculdade, lá ele recebeu um treinamento de seu tio, e acabou fazendo várias descobertas e aprendendo muito sobre ciência e mecânica. Ao se formar na academia de telecinésia em eletrocinese e audiocinese, começou seus estudos de engenharia quântica, junto de seu primo Archie e sua esposa Daisy, pois planejava entrar para a melhor equipe de cientistas militares de Sogen, e conseguiu.
Através de testes radioativos, Archie conseguiu criar um elemento químico que o mesmo chamou de Árchio em homenagem à si mesmo, era um elemento extremamente radioativo que possuía a propriedade de se fundir com qualquer matéria emitindo uma onda radioativa que ele denominou de “radiação delta”. Ele tinha um uso bastante incomum planejado para aquele material fantástico, seu objetivo era unir sua mente a um “objeto imortal”, havia lido muitos livros nos últimos dias sobre transferência de mente, estranhos casos em que as pessoas poderiam viver fora de um corpo orgânico, havia a história de uma pessoa que conseguiu transferir sua vida para um boneco de pano, e que conseguia se mover, mas não era imortal, porque seu corpo inorgânico era destrutível. O Árchio seria um material capaz de absorver todo tipo de material, um corpo feito com aquele estranho metal seria impossível de ser destruído, embora ele só pudesse absorver materiais sólidos e não reagisse com água e líquido, ele queria usar a técnica aprendida no raro livro “O Homem do Boneco”, ensinava a técnica para transferir a mente permanentemente para um objeto.
“Realmente as pessoas acreditam que a transferência é uma lenda, o fato é que não é qualquer um que pode fazê-lo. Arius Drachen é o exemplo mais famoso de transferência de mente, todos o conhecem, e ninguém acredita que ele seja uma lenda, a única diferença entre ele e o que estou falando, é que ele só se transferia para outros corpos de gente viva. Mas qual era o príncipio para isso? Como ele podia deixar sua mente em outros lugares além de seu próprio corpo? Tudo é baseado em uma ligação e uma abertura, o que liga Arius às pessoas que ele invade, é seu nome, a pessoa dizendo o seu maldito nome cria uma ligação com sua mente, o que permite a conexão, mas se ele quisesse invadir um objeto? Como faria se eles não dizem seu nome? E mais, se uma pessoa sem o dom de invadir mentes quisesse entrar em outra mente? Como faria? Você teria que abrir uma ligação com ela, por nome ou qualquer coisa, mas a única pessoa da história que foi capaz de criar ligações poderosas o bastante para invadir mentes foi Arius Drachen. Isso faz a invasão mental parecer impossível para outras pessoas? Não é, mas não é isso que queremos mostrar nesse livro, mas sim como criar uma ligação com um objeto para que obtenha a imortalidade, primeiramente, você deve escolher um objeto que seja resistente ou conveniente, e a menos que você seja um TK digno de virar lenda, escolha um objeto que aceite bem a matéria astral, a sua mente, os melhores materiais para isso são metais ou os materiais com grande quantidade de energia, um bom exemplo, é o urânio, que funciona como uma fonte impressionante de energia atômica, e é capaz de se combinar com a mente humana com maior facilidade, tenha consciência que ao fazer a transferência, sua mente e o objeto ou material escolhido serão um só, como se já tivesse nascido lá, e será irreversível...”
O material que ele criou era exatamente perfeito para o que queria, o Árchio tinha a capacidade de absorver totalmente os materiais e sua energia, na verdade, era como se o material conseguisse absorver o corpo e a mente do homem, e fizesse com que sua mente se tornasse seu “processador”, e foi exatamente o que aconteceu, ele entrou na câmara onde ficava o elemento, e foi absorvido, mas não foi como ele planejava, sua mente foi absorvida e fundida ao material, mas ela não ficou no controle como se fosse um corpo, ao contrário, sua informação foi absorvida e deu origem a uma inteligência artificial que controlava o corpo radioativo, qualquer pessoa que fosse absorvida passaria apenas a aumentar o seu banco de dados, e a estranha forma de vida artificial que surgiu era incapaz de ficar mais inteligente ou raciocinar realmente. Basicamente, um computador é formado por software e hardware, a parte dos programas, arquivos, de informações digitais e a parte física, o monitor, fios, etc, são impulsos elétricos na parte física que geram diferentes dados na parte virtual, mas ao mesmo tempo, a parte virtual influencia a parte física, como quando se usa o comando de desligar. Uma pessoa é semelhante, a mente está diretamente ligada ao corpo, e há também a alma, que seria equivalente ao processador, a parte que não tem dados (mente) mas que define a existência da pessoa ou máquina, no caso de Archie, a propriedade do material foi capaz de absorver os dados de sua mente, que foram impregnados no Archio, e ele se tornou uma massa radioativa ambulante com uma mente artificial, mas sem uma alma, a alma foi totalmente perdida com a morte dele. Como um ser sem alma, um monte de massa radiotiva com alguns dados e certa inteligência, ele acabou se tornando um monstro sem sentimentos, mas apenas com algumas funções, do tipo que vemos em programas de inteligência artificial, mas como uma grande facilidade para ser influenciado pelos outros. Com sua inteligência limitada, parecida com uma máquina artificial, seguiu a última função interna que praticou antes de perder sua alma, infelizmente, a primeira função que lembrou de fazer foi a de destruição, já que tinha acabado de matar um rato, antes de entrar na câmara, então, iria matar até esse comando ser expirado, ou até que programassem outra função. Aquele elemento chegava na forma líquida com facilidade, bastava que a inteligência artificial organizasse os átomos dese jeito, o que fazia com a mesma facilidade que se movia, mas geralmente ficava na forma sólida, extremamente dura, tinha que liquidificar partes quando ia absover alguma coisa, pois não é possível dissolver sala em água sólida, e nem pedras em Árchio sólido. O elemento era capaz de capaz de converter a matéria absorvida em energia, e a energia necessária para manter os movimentos do corpo artificial era bastante alta, por isso, ele geralmente não crescia, pois toda a matéria absorvida era gasta para permitir os movimentos da criatura.
A primeira vítima de Archie foi seu tio Arnold, que teve seu corpo completamente dilacerado pelas suas mãos monstruosa, em seguida, absorveu a tia Cecília como se ela fosse suco, depois ele tentou fazer o mesmo com seu primo Cyrus, que conseguiu fugir, mas teve seus membros superiores arrancados e absorvidos, parte do rosto destruída e o corpo danificado, tudo arruinado e absorvido pelo poder absurdo do Árchio, ele só conseguiu fugir por que conseguiu paralisar o primo temporariamente, atraindo-o para a piscina e usando eletrocinese para eletrocutá-lo, água e outros líquidos eram o ponto fraco do elemento. Cyrus se escondeu em lugar onde seu primo não o encontraria, Archie o procurou até desistir e fugiu do local imediatamente, o ponto fraco do Árchio é que ele não funciona com líquidos, e eles suspendem temporariamente suas propriedades. Daisy, a esposa do cientista sobrevivente, encontrou o corpo de dele dentro de um armário, praticamente morto, ela percebeu que ele não iria resistir, pois ele já estava quase sem respirar, inconsciente e com pulso fraco, mas conseguiu falar o nome do assassino: Archie. Então Daisy guardou o corpo do marido em um frigorífico no laboratório, usando como sala de criogenia, ela acabou encontrando também o livro “O Homem do Boneco” do assassino, e acabaria usando o que aprendeu com a leitura dele para salvar a vida de Cyrus futuramente, era criativa o bastante para arranjar uma solução. Mais tarde ela ficaria sabendo que Archie havia se transformado em um monstro, da boca de policiais que presenciaram ao que ele fez na cidade, e sobreviveram, já que ele não parou o massacre após apenas matar os tios e achar que matou o primo, e se tornaria um dos criminosos mais temidos, procurados e perigosos do continente, uma máquina de extermínio sem raciocínio ou piedade.
Ela pediu ao general Lance que usasse as verbas públicas usadas nas pesquisas cientificas para recuperar o cientista com partes mecânicas, Lance não respeitou a intenção da mulher, mas percebia que Cyrus era um mecânico extremamente valioso nas pesquisas do continente, então apoiou a idéia da quase viúva. Muitos meses passados após a tomada da iniciativa, o ciêntista teve seus órgãos internos substituídos por partes mecânicas para executar as mesmas ações de seus órgãos danificados, e seu corpo foi coberto por uma armadura de titânio ligada à uma imensa bateria de uma tonelada e meia. Após ligarem os equipamentos uma onda elétrica atravessou o corpo de Cyrus, seus novos membros começaram a se mover e ele tentou sair da cama onde estava, mas levou um tombo por não estar acostumado a sua nova forma, Daisy o levantou e o abraçou:
- O-o que aconte-te-teceu comi-mi-migo? - Disse Cyrus, ainda não acostumado com os fios que passavam pelo seu corpo.
- Seu corpo estava destruído, eu e a equipe de cientistas militares reconstruímos seu corpo com partes mecânicas. – Ela falou bastante nervosa, mas tentava manter a calma, não era fácil dar uma notícia dessa.
- Que-que co-coisa é essa nas mi-minhas cos-costas? - Ele enquanto puxava os fios que saiam das suas costas que o ligavam à bateria.
- Para você poder funcionar você precisa estar sempre ligado à essa bateria que lhe fornece energia.
- Co-como e-eu v-v-vou po-poder vi-viver assim? – Cyrus estava indignado com a sua situação.
- Você ainda pode continuar sua carreira de cientista e realizar todos os projetos que você planejou!
- E-eu ainda po-posso u-usar te-telecinésia? - Concentrou uma descarga elétrica na sua mão, mas a eletricidade se espalhou por sua armadura, lhe dando um choque que o fez cair do joelhos.
- Cyrus cuidado! – Ela o pegou pelo braço para ajudá-lo a se levantar.
- Vo-você a-acha q-que é fácil a-aceitar essa con-condição?
- Você terá que viver de uma nova forma de agora em diante, mas eu estarei sempre do seu lado, eu juro! – Daisy se emocionava, se segurava para não cair em lágrimas, mas o marido estava pior ainda.
- O-onde e-está meu pai? – Sua voz era totalmente melancólica e deprimida
- Eu não sei como dizer isso, mas ele foi encontrado morto em um estado pior do que o em que você estava.
- O que? Vocês não podiam ter feito com ele o mesmo que fizeram comigo? - Quando entrou num tom de raiva, sua voz conseguiu sair perfeitamente.
- Nos só encontramos o corpo dele bem depois de te encontrarmos, o corpo dele já estava em estado de decomposição e totalmente morto! Você ainda demonstrava sinais de vida.
- E-ele mo-morreu mesmo? – Cyrus voltava a falar gaguejando, enquanto chorava atrás da máscara metálica. - Por favor, me de-deixe sozinho.
- Tudo bem, você tem muito o que refletir. Eu te amo. - Daisy e a equipe de cientistas se retiraram da sala, deixando-o sozinho, o mesmo não podia andar muito longe por estar ligado à bateria. Após alguns dias ele mostrou que havia projetado uma nova armadura para poder se locomover e usar telecinésia com mais facilidade, mas precisava da ajuda dos cientistas. Cyrus, com muito esforço, criou um mini-reator nuclear e o colocou na sua armadura, para substituir a pesada bateria, depois substituiu os fios dentro do seu corpo por fios com partes de borracha para sua eletrocinese não afetar a ele mesmo, o seu reator conseguia usar a eletrocinese para ter a quantidade de energia que seu corpo necessitava, além de armazenar energia para quando precisava liberar, percebeu que sua telecinésia aumentou num nível absurdo, e também que quando concentrava sua eletrocinese somente na armadura, seu corpo agia como um eletro-imã, Cyrus chamou essa habilidade de “telecinésia eletromagnética”, embora o nome usado pelos verdadeiros criadores da técnica fosse “eletrocinese magnética”, além de fazer adaptações na sua garganta para poder falar normalmente sem gaguejar, tudo com a ajuda de uma mega-equipe. Após fazer as alterações necessárias na sua armadura, Cyrus vestiu um grande casaco marrom, enfaixou a cabeça e colocou um chapéu de vaqueiro, pois não podia andar com aparência de máquina em público, a partir desse dia, ele viveu como uma verdadeira máquina, afinal, ele era uma máquina. Passaria a usar aquela roupa sempre, sem lavar, já que nem chegava a suar e não se importava em ter a roupa imunda, de fato ele fedia por causa das roupas imundas, e nos casos extremos, colocava as roupas para lavar, mas raramente.
- Os subordinados do Morten estão lá fora, procurando por você. – Arius podia sentir as mentes que se aproximavam.
- Morten também?
- Não, não sei onde Morten está.
- Será que adianta esperar eles cansarem de procurar?
- Certamente não, mas eu tenho uma idéia, meu filho.
- Qual idéia? Não sou seu filho.
- Mate todos, usando biocinese para controlar a árvore, de dentro!
- Já pensei nisso, mas não quero matar meus homens.
- Will, eles não são mais seus homens, eles vão te matar se te acharem. E eu garanto que aquele vampiro não vai ficar quieto antes de te matar, e principalmente que esses caras estarão melhores mortos do que como zumbis do Morten.
- Lance! – Will gritou e liberou a biocinese, os galhos da árvore se esticaram e atacaram os homens, ele conseguia vê-los através dos olhos de Necro, conseguia entrar na mente de seus animais e se comunicar telepaticamente, algo que ele havia herdado de seu pai verdadeiro, e era assim que ele os controlava. Logo, todos os zumbis do novo ditador estavam mortos, o rebelde saiu da árvore, roubou dinheiro dos mortos, e usou uma biocinese avançadíssima em Necro para fazer seu corpo se dilatar absorvendo partículas na atmosfera, deixando-o grande o bastante para ser usado como montaria aérea.
- Will, por que chamou o falecido? – Arius perguntou enquanto o ex-capitão era pego pelas garras da coruja gigantesca
- Eu fiz aquilo por ele. – O KNC fez Necro levantar vôo, a coruja se levantou como um foguete, e eles voaram jogando enormes massas de ar para atrás, acima das árvores, carregando-o nas garras como se fosse uma presa protegida.
6/05/1915, Amestris.
- Aqueles imbecis se deixaram matar? William já deve estar longe, e com o Das Extremer o ajudando, vai ser muito difícil achá-lo. – Morten gritava com Archie na sala de general, com a já conhecida voz demoníaca e medonha.
- Senhor, não me culpe, o senhor mesmo os mandou.
- Então você irá, vá e não volte a menos que tenha matado o Will, e lembre-se, despedace o corpo dele em pedaços tão pequenos que possam ser usados como carne moída! – O novo general tinha que ter certeza de que o inimigo estaria realmente morto.
- Sim senhor. – Archie se retirou.
- Se voltar sem ele eu te mato! – Morten gritou, mesmo com seu subordinado fora da sala, dava para ouvir facilmente com seus gritos exagerados. Uma cobra entrou na sala enquanto isso, era Venom, ela se enrolou no corpo dele e passou a língua no rosto do vampiro.
- Venom, você voltou, que bom. – Morten sorriu ao ver a cobra de Will, ele havia feito uma lavagem cerebral vampírica nela, assim como havia feito com os membros da KNC, e havia eliminado qualquer ligação que ela pudesse ter com o inimigo, só foi difícil tirar Archie de dentro dela.- Venom, o que você acha da obra que mandei que fizessem? – Olhou pela janela, via a praça principal de longe, onde costumava ficar a estátua de Lance de Assis, o vampiro havia mandado derrubar para que fosse erguida uma estátua em homenagem a Dante Hamachi, um dos maiores seriais killers que o mundo havia visto, mas ao mesmo tempo, o homem quem impediu que um Drachen alcançasse seus objetivos insanos e escravizasse cada pessoa em cada região conhecida.
- Não sei se você sabe, mas Dante Hamachi foi um herói tsuchiano que ficou conhecido por queimar pessoas em nome de Deus, ele lutava por justiça, para destruir o mais poderoso descendente de Drachen, aquele que ficou conhecido como Das Extremer. Tudo isso ficou registrado no livro dos Tenshikyu, que foi encontrado no local onde encontraram o corpo de Das Extremer, de Dante Hamachi e de Ryuken Mengele, o braço direito de Dante. Esse livro era narrado pela Tenshikyu que acompanhou Dante, ele foi o escolhido pelas divindades, então eu posso dizer com toda certeza que ele é o homem mais importante da história recente, e merece ter aquele monumento. – Morten olhava a estátua que era levantada na praça por vários profissionais em pouquíssimo tempo, mas com total perfeição, uma réplica grandiosa feita através de várias fichas policiais e testemunhas.
8/05/1915, Relópolis.
- Nunca pensei que daria tanto trabalho. – Will estava sentado em uma cadeira de uma barraca de cachorro-quente na praça, Necro estava em seu ombro.
- Chegar voando sobre uma coruja gigante em uma cidade, sendo que, com certeza, o inimigo já espalhou por todo o continente a notícia do golpe de estado e que o cara da biocinese e amigo dos animais, Will de Assis é foragido e que se paga uma fortuna por ele, teria sido loucura. Ainda bem que você conseguiu se disfarçar arrancando a própria pele do rosto e se livrando dos óculos escuros, assim, fica irreconhecível e pousou a coruja antes de chegar na cidade, mas perto. – Arius comentava dentro de seu filho.
- Realmente foi bem esperto e doloroso, mas mesmo assim foi difícil voar sem que ninguém visse de longe, ainda bem que Sogen é rica em florestas, deu para voar baixo entre as árvores, mas as batidas nos galhos doíam muito.
- Parece que você está começando a puxar seu pai.
- Já disse dez vezes que você não é meu pai.
- Claro que sou, e sou um pai orgulhoso do filho, tenho único filho que consegue dormir dentro de árvores e se alimentar de frutas que ele mesmo faz crescer nas mesmas.
- Lance é. – Will jamais aceitaria ser filho de um monstro histórico, embora de certo modo, Lance também tivesse sido um homem bem cruel.
- O que você acha ou deixa de pensar não muda os fatos. Mas apresse-se, temos que encontrar logo o cientista Cyrus.
- Espere um pouco, quero comer um pouco, frutas não fazem meu gosto, eu já pedi um X-Tudo completo e não vou procurar Cyrus antes de comê-lo. – Enquanto Will dizia mentalmente, o garçom trazia um sanduíche de 1 kg para satisfazer sua fome.
- O senhor não irá querer beber nada? – O homem perguntou ao deixar o sanduíche na mesa.
- Sim, quero um suco de beterraba de 300 ml, mas manda rápido que eu vou comer esse sanduichinho em dois tempos.
- Sim senhor. - O garçom correu, e voltou com uma lata de suco de beterraba.
- Ótimo. – Will já tinha comido um quarto do sanduíche, então pegou a lata, abriu e bebeu um pouco. Ele comeu sem pressa, mas também, sem degustar lentamente, logo, o sanduíche não existia mais, e muito menos o suco, só a latinha com a marca “Pouca Cola”.
- Obrigado. – Will pagou a conta e foi embora. As ruas de Relópolis eram bem estreitas, já que era uma cidade basicamente comercial e industrial, e lá, espaço era dinheiro. Ele avistou um hotel a uma certa distância, um três estrelas bastante humilde.
- É ali que fica o esconderijo de Cyrus. – Will apontou para o hotel
- Filho, esses seus aliados criam esconderijos cada vez mais originais.
- Não sou seu filho, e sim, o laboratório dele fica bem escondidi. – Will caminhou até chegar no local. Ele entrou na recepção e disse para a recepcionista:
- Olá, quero um quarto no colo de Cyrus. – Falou com tom de voz bastante afrescalhado.
- Você é pederasta? – A recepcionista perguntou rindo.
- Sim. – Ele sorriu, falando bem sério.
- Pode entrar. – A mulher entregou uma chave para Will, que foi até o banheiro da entrada, havia um armário lá, ele abriu o armário e entrou.
- Que raio de contra-senha era essa? – Até Arius se assustou com o código de palavras usado para Will se identificar pra recepcionista, agora os dois estavam em uma escadaria que levaria ao subterrâneo.
- Cyrus criou esse código para que apenas soldados sem orgulho pudessem entrar no laboratório, ele despreza a soberba. – Ele foi descendo as escadas, sempre com sua coruja no ombro, após descer cerca de 200 degraus, ele chegou em um local com vários grandes laboratórios, lá, estavam um homem que parecia um robô e uma mulher negra baixinha, Cyrus e Daisy.
- Cyrus! – Will gritou ao chegar.
- Quem é você? - Cyrus perguntou, ao ver o invasor ou visitante.
- Will de Assis, ex-capitão da KNC, filho de Lance. Preciso da sua ajuda para libertar o continente das mãos de Morten.
- É, eu fiquei sabendo. Ele tomou controle sobre os membros da KNC e Amestris, felizmente ele não descobriu sobre o laboratório escondido debaixo do hotel e ninguém nos dedurou, mas tenho certeza que é questão de tempo até ele descobrir, e nesse caso, teremos que passar pro lado dele, não acho uma boa idéia virar rebelde. – Cyrus explicou a situação, mas não era do tipo que morria por um ideal.
- Quem te contou do acontecido?
- A recepcionista, com a tomada da capital, todo o continente já ficou sabendo da situação através de comunicados feitos pelo novo general, você sabe, quando a capital é tomada, o continente fica à mercê do conquistador.
- Simples. Cyrus, só você e sua esposa podem me ajudar. E eu tenho algo para oferecer a vocês em troca. – Tentaria comprar o cientista, Daisy ficava calada, já que não falava com estranhos a menos que fosse chamada ou tivesse interesse, um típico caso de psicopatia.
- E o que você pode nos oferecer?
- Um corpo novo para você, eu sei biocinese, e posso te curar.
- Um corpo novo? – Cyrus perguntou, era o que ele mais queria.
- Sim, será que é o bastante? Sem falar que irá libertar o continente, o que não é nenhum sacrifício.
- Espere, e o que eu ganharei? – Daisy entrou na conversa, fingindo querer algo mais do que um corpo para seu marido, mas na verdade isso era o bastante pra ela, tudo que ela mais queria era poder fazer sexo com o homem que amava.
- Você não quer ter o seu marido inteiro de novo? – Will estranhou.
- Isso é o que ele vai ganhar, mas eu também quero algo.
- O que você quer?
- Eu quero uma amostra do seu sangue.
- Amostra do meu sangue, para que?
- Você é um mestre da biocinese, não é?
- Sim, eu sou, mas isso não tem nada a ver com sangue.
- Ótimo, quer o sangue agora?
- Sim, nós não sabemos se você vai continuar vivo até o fim das atividades, podemos colocar as amostras no freezer assim, ele ainda vai servir. – Daisy mexia em uma gaveta, tirou uma seringa vazia com bastante espaço interior.
- Seja rápida, nosso tempo está contado. – Ele esticou o braço, para que o sangue fosse tirado logo.
- Cyrus, prepare dois tubos de ensaio tamanho GG e traga para perto, iremos enchê-los. – Ela picou o braço de Will e começou a tirar sangue com a seringa, depois ela deixava o sangue nos tubos que o andróide segurava, ela repetiu o processo até encher ambos, o que demorou um pouco, já que tubos GG comportavam até 500 ml de líquido.
- Já terminou? – Will sentia um leve cansaço, enquanto Daisy guardava os tubos fechados em uma espécie de freezer.
- Sim, já terminamos, podemos ir agora. – Daisy havia terminado.
- Antes, devemos levar qualquer tecnologia que possa ser útil durante nossa guerra contra os vampiros, há algo? – Will fez seu último aviso.
- Sim. – Cyrus mostrou uma mochila.
- O que tem aí dentro? – Will perguntou.
- Muita coisa, depois você saberá, mas carregue, eu já tenho que levar essa armadura. – O homem de armadura jogou a mochila para o novo aliado, que a pegou e colocou nas costas.
- Já vamos, mas afinal, não tem ninguém mais nesse laboratório?
- Sim, tem. – Cyrus apontou para uma porta, em um canto do laboratório.
- Cada grupo tem uma sala?
- Claro, nós trabalhamos independentemente, então nem precisamos avisar de nossa ida, não os importa, agora vamos.
- Vamos. – Will confirmou, seguido por Daisy.
Eles subiram até o hotel, saíram pelo armário do banheiro, trancaram, falaram com a recepcionista e foram embora.
8/05/1915, algum lugar próximo a Amestris.
- Senhor Morten, o que deseja? – Archie atendia o celular com uma mão, enquanto segurava um cara com a outra, o homem tremia de medo e não ousava abrir a boca.
- Eu andei pensando, leve a Venom com você, ela ajudará a farejar Will e matá-lo.
- Aquela cobra? Mas ela me odeia, não me obedeceria, ela já me engoliu.
- Imbecil, eu fiz lavagem cerebral nela, mandei que obedecesse o homem que ela engoliu no dia em que dei o golpe de estado. Fique onde está, mandarei ela aí, ela te achará pelo cheiro, e depois fará o mesmo com Will.
- Sim senhor, ficarei esperando.
- Tente não deixar ela comer ninguém a menos que seja necessário e lembre-se dos representantes locais. – Deixou bem claro que não queria desperdício de sangue.
- Sim senhor.
9/05/1915, algum lugar entre Relópolis e Fotópolis
- Will, pra que você quer ir pra Fotópolis? Nossos inimigos estão em Amestris.
- Cyrus, Notópolis é a cidade mais rica do continente, as pessoas de lá são extremamente ricas.
- E daí?
- Eu mesmo respondo, amor, arranjaremos alguém para encomendar as novas armas que estão sendo criadas em Umi, alguém que tenha muito, mas muito dinheiro, e que não estivesse na mira de Morten, seria necessário. – Daisy completou, ela era bem inteligente também.
- Sim, mas o que daremos pra ele em troca? Afinal, não temos dinheiro pra oferecer pra eles. – Cyrus imaginava a resposta, mas queria ouvi-la.
- É óbvio, amor, oferecemos um bom cargo político para quando conseguirmos tirar Morten do poder. – Ela respondeu, era assim que ela gostava de fazer, ficar calada quando não tem o que falar e falar sem parar quando deve, demonstrando todo o seu conhecimento de modo bem exibido.
- Tá, então vamos logo. – Will completou.
Eles viajavam a pé, Necro não podia carregar mais de uma pessoa e eles tinham que se manter juntos, nada que fosse cansativo demais para aquelas pessoas que tinham alto cargos em seus trabalhos e forte resistência física..
10/05/1915, Fotópolis
Um homem com um terno feito com fios de ouro passava perto deles. O pequeno grupo de rebeldes procurava por alguém com aparência rica e poderosa, então, o líder deles abordou respeitosamente o homem de roupa ostentosa:
- Senhor, onde conseguiu essa roupa de ouro?
- Mandei fazer, ora essa, basta ter dinheiro e ouro. – O homem respondeu com orgulho.
- Poderia nos dizer quem é a pessoa mais rica dessa cidade?
- Sou eu, por que? – O homem estava começando a ficar sem paciência, sempre demonstrando sua arrogância por ser rico.
- Nós temos uma proposta para te fazer.
- Espero que não seja tentativa de seqüestro, eu sei aerocinese, não vai adiantar.
- O que achou do golpe de estado de Morten Daemon?
- Péssimo para mim, estão dizendo que ele vai aumentar os impostos para fazer obras públicas.
- Nós somos da resistência, queremos derrubá-lo. Só falta conseguirmos um patrocinador para comprar os novos armamentos que estão sendo produzidos em Umi.
- Você quer dizer, isso? – O homem retirou uma arma de fogo do bolso da calça.
- Essa mesma, parece que esse novo projeto militar secreto iria ser lançado em breve. Como conseguiu essa? – Will ficou impressionado ao ver a arma.
- Me diga o que promete me dar caso eu os ajude, então, eu talvez os ajude.
- Nós te daremos o cargo de vice-general.
- Vice-general? Isso não existe.
- Não ainda, mas pretendo unificar Sogen Sul e Norte, todos nós sabemos que Sogen Norte era governada por um terrível ditador que usava máscara para esconder a boca e parte do nariz, mas ninguém sabia o nome dele, e como não era nosso problema, nunca interferimos. Mas agora, sabemos que esse homem era Morten, que veio do Norte para dominar, e conseguiu. Então, se libertarmos Sogen Sul, teremos Sogen Norte livre também, e nesse caso, você será o general de Sogen Norte, enquanto eu mandarei em Sogen Sul.
- Olhe, eu não pretendo ser general nem nada, mas eu darei a vocês uma ajuda por um preço bem baixo: vocês irão erguer uma estátua minha nessa cidade, assim que chegarem ao poder. – Podia não querer ser general, mas queria se exibir, mas de qualquer modo, queria Morten fora do poder.
- Está certo. – O KNC concordou.
- É o seguinte: Hannibal é o homem que está patrocinando as pesquisas para criação dessas armas que atiram projéteis automaticamente, ele é de Umi, o homem é tão milionário que comprou o cargo de general do antigo general. Ele mantém uma fachada, fingindo outro homem, o poderoso Ferraço Ferraz, seu braço direito, está no poder, porém, ele é quem manda em tudo. Essas armas que ele está produzindo, ainda não foram lançadas no mercado, pois todos têm certeza de que elas poderão ser muito perigosas para o mundo inteiro, por isso, Hannibal produziu uma quantidade limitada e vendeu para homens em quem confiava, ele fez isso como um teste, para depois saber se essas armas funcionam bem. Ele as lançará no mercado assim que o período de 2 meses de teste passar, e sabe, só faltam 2 semanas. – Ele abriu a boca e falou tudo, havia realmente alguma coisa dentro de sua mente, fazendo-o contar os maiores segredos do general sem perceber que estava fazendo algo que não devia.
- E depois dessas 2 semanas, o mundo inteiro terá essas armas em mão?
- Sim, mas só os ricos, mas eu garanto que Morten será um dos primeiros a obtê-las. Se quiserem impedir, vocês precisarão falar com Hannibal e convencê-lo a não lançá-las tão cedo, e a dá-las para vocês.
- Mas Hannibal está em Umi, não é?
- Exatamente, e não tem como se chegar em Umi em apenas 2 semanas.
- O senhor não tem como se comunicar com ele por telefone?
- Sim, tenho.
- Senhor, o futuro do continente e dos impostos depende dessa ligação.
- Ligarei, e direi sobre sua proposta, mas não agora, ele trabalha das 6 da manhã às 6 da tarde.
- Obrigado senhor, mas acabou que não disse seu nome, qual é? Sou Will, e esses são Cyrus e Daisy.
- Meu nome é Barney, eu darei a vocês o meu endereço, vão lá em casa quando der 6 da tarde. – O homem guardou a arma e pegou um pequeno pedaço de papel no bolso e uma caneta que ficava pendurada em sua camisa. Ele se apoiou na parede de uma construção e escreveu um endereço completo.
- Está aí, Will. – Barney entregou o papel para Will.
- Antes que pense que pense que foi fácil demais, lembre-se que tenho a capacidade de influenciar a mente das pessoas, persuadi-las parcialmente sem a necessidade de uma invasão. – Arius sussurrou para o filho, só pra mostrar o quando era poderoso e necessário, mas não recebeu nenhuma resposta.
- Muito obrigado, Barney. – Will agradeceu e guardou o papel, o homem deus as costas e voltou a andar.
- Não deveríamos duvidar do risco dele ser um traidor. – Cyrus desconfiava.
- Eu sei que ele não é, tenho certeza. – O ex-capitão da KNC tinha motivos para ter certeza, como se uma voz dissesse a ele o que é verdade e o que é mentira, nesse caso, ele não sabia que era o pai que impunha essa certeza. Arius podia influenciar e persuadir a mente de qualquer pessoa, herança de Alexiel Drachen, o primeiro membro da família.
- Como pode ter tanta certeza? – O cientista sempre desconfiava.
- Simplesmente tenho.
Passaram horas sentados na praça, queimando debaixo do sol infeliz que fazia em Sogen Sul, mas quando deram 6 horas no relógio da praça, eles foram até o endereço indicado por Barney. Era uma mansão sublime, toda feita em pedras, como um castelo, tinha muitas janelas que lembravam vidros de igreja, coloridos e com obras de arte, os portões eram de ouro e havia dois pitbulls vigiando no quintal, um local totalmente ostentador. Will foi até o portão, procurou por uma campainha, mas só achou um interfone.
- Alô, aqui é o cara de mais cedo. – Chamou no interfone, Cyrus e Daisy pareciam ansiosos, os cachorros latiam feito loucos.
- Ótimo, irei até aí abrir, sabe, não gosto nem um pouco de seguranças e porteiros, no máximo, mantenho algumas faxineiras e um mordomo. – Barney respondeu pelo interfone e desligou. 5 minutos depois e ele já estava lá, os cachorros ficaram quietinhos quando ele abriu o portão.
- Podem ficar tranquilos, Fifi e Fido não mordem. – Barney saiu, ao invés de pedir que entrassem. – Vou fazer a ligação imediatamente, eu falarei primeiro e darei o telefone para você. – Ele olhava diretamente para o KNC, enquanto tirava seu celular do bolso.
- Sabemos lidar com animais. – Completou, mexendo nos óculos, que não havia jogado fora nos momentos de disfarce, apenas guardado, sendo bem verdade, e Necro no seu ombro era a prova vivo disso, enquanto isso, o milionário discava o número de Hannibal.
- Alô, Hannibal? – O ricaço chamou pelo aparelho.
- Barney? O que você quer? Faz tempo que não liga. – O outro ricaço respondeu do outro lado da linha.
- Você já está sabendo do golpe de estado que ocorreu aqui em Sogen?
- Sim, essas tele-tecnologias são excelentes, podemos falar de qualquer lugar do mundo para qualquer lugar do mundo, transferimos informações em segundos, é quase tão bom quanto telepatia. Então, eu, como general, recebi uma mensagem do seu novo general, Morten, ele fez uma ligação para o primeiro quartel-general secreto de Umi, avisando que Sogen estava sobre nova direção e que ele queria comprar as novas armas produzidas pela Hannibal S.A, que como todos sabem, é ligada ao governo daqui.
- Hannibal, não me diga que aceitou o trato! – Barney falou com medo.
- Isso foi ontem, eu pedi uma semana para pensar no assunto, ele aceitou, e até agora não sei se isso é uma boa idéia.
- Hannibal, eu estou com alguém que quer falar com você aqui, fale com ele, é necessário.
- É melhor que seja mesmo, passe o telefone. – Ele era um homem ocupado.
- Will, convença-o, e seja rápido. - Passou o celular para o filho de Arius.
- Alô, general Hannibal, sou o ex-capitão da KNC, que é a polícia de Sogen.
- Barney contou que sou general? Que desagradável, mas diga o que deseja.
- Eu quero que não venda as armas novas que suas famosas indústrias estão produzindo, para o governo ditatorial de Morten em Sogen.
- Me dê motivos para não vender, quem sabe são bom. – Hannibal não estava convencido.
- Eu sei de algo que vai fazer o senhor pensar duas vezes antes de vender armas para Morten, ele pretende expandir o império dele, preste atenção, ele começou conquistando Sogen Norte, depois, Sogen Sul, ele irá continuar, e eu garanto, Umi estará na mira dele, e com as novas armas, ficará fácil.
- O nome geral das novas armas é arma de fogo. Mas como pode ter tanta certeza disso? – O general se sentiu ameaçado, mas ainda não estava convencido.
- É muito simples, eu li a mente dele, conhece telepatia?
- Sim, eu conheço. Mas fora proteger meu continente, o que ganharei com isso?
- Me diga o que deseja, certamente poderemos te oferecer.
- Eu quero que me cure.
- Curar do que?
- Da minha doença pulmonar que obtive de tanto fumar, o médico disse que só tenho mais 5 meses de vida, mas parece que os médicos de Sogen que são os melhores.
- Senhor Hannibal, temos um trato. Eu mesmo irei te curar, mas para isso, há 2 modos, nós vamos para Umi ou o senhor vem para Sogen, mas a primeira opção é bem melhor, realmente.
- Eu odeio viajar, prefiro que venha para Umi, afinal, como terei que recusar o pedido de Morten, ele irá declarar guerra contra meu continente, acredito eu, pelo menos se o que você disser for verdade, mas para um ditador que conquistou Sogen Norte e logo em seguida Sogen Sul, não duvido muito.
- Ire para Umi, mas tenho dois amigos aqui, Cyrus e Daisy Brocken, e eles devem ir também, eu tenho certeza de que Morten vai declarar guerra, com ou se as armas de fogo, meus amigos são cientistas incríveis, e podem ajudar, eu posso ajudar, nós queremos ajudar Umi nessa guerra contra Morten.
- Excelente então, venham, talvez até possam treinar conosco.
- Sim, nós iremos para Umi, mas sabe, não temos nenhum bom meio de transporte.
- Não conhece os navios de carga da Hannibal S.A?
- Na verdade, não.
- Estará chegando um deles em 2 dias, na cidade litorânea de São Assis.
- Estamos no centro de Sogen Sul, até chegar em São Assis, será pelo menos 1 semana.
- Fiquem tranqüilos, chegará outro em 12 dias, acham que conseguem chegar lá a tempo?
- Sim, conseguiremos.
- Então ótimo, eu ligarei para eles dizendo que caso um homem chamado... qual é seu nome?
- Will, mas sou procurado pela ditadura de Morten, pagam recompensa pela minha cabeça, peço que eu possa me identificar com o apelido de Cipriano Gomes.
- Tá, se um homem chamado Cipriano Gomes tentar entrar no navio, ele poderá.
- Junto com os companheiros.
- Junto com os companheiros, mas quando chegar aqui, me curará, e caso não consiga, mandarei que te matem, ou eu mesmo o farei, eu sou fodão.
- Sim senhor, mas como o encontraremos?
- O navio é meu, eu estarei esperando no porto.
- Entendo, então é só isso, até algumas semanas.
- Até, e não morram no caminho. – Hannibal desligou o celular.
- Obrigado, senhor Barney. – Will se virou para o homem.
- De nada, mas não ouse esquecer de erguer a estátua em minha homenagem, só estou confiando em você porque vi que seus olhos são sinceros. – Havia certo poder persuasivo nos olhos de um Drachen, praticamente hipnótico.
- Não esquecerei, mas o senhor sabe onde podemos encontrar cavalos?
- Aqui eu tenho, mas isso é algo que não posso dar de graça.
- Isso é o bastante? – Will derramou vários kimes na mão do homem.
- Sim, os levarei até o curral. – Ele abriu o portão e guiou o grupo.
15/05/1915, Amestris
- O que você está dizendo? Você vai vender para mim as tais armas de fogo, não ouse desafiar o poder de Morten Daemon. – Morten gritava no telefone.
- Não, eu não pretendo comercializar as armas de fogo, elas são perigosas demais para cair nas mãos de qualquer um, eu, que sou o dono da Hannibal S.A, que está diretamente ligada ao governo de Umi, e o general Ferraço estamos de acordo em não vender. – Hannibal respondia tranquilamente.
- O governo de Sogen não é qualquer um, nós mantemos a paz continental, se recusar a vender esses úteis artefatos a nós é uma prova do seu descompromisso com a paz mundial.
- Paz mundial? Nós sabemos que Sogen estava bem no governo de Lance, golpes de estado não são paz mundial!
- Caso se recuse a vender, nós iremos declarar guerra contra seu continente de quinta categoria. – O vampiro era totalmente explosivo quando realmente se irritava.
- Ah é? E vocês têm armas de fogo? Não! Sabe que não pode vencer uma guerra caso nós de Umi estejamos cheios de armas de fogo, e vocês, de porretes e espadas ridículas. Não me faça rir.
- Nós temos mais soldados, nossos TKs são melhores, nós temos os psyvamps, você irá se arrepender se guerrear contra Sogen.
- Quieto. – Hannibal desligou o telefone na cara de Morten, se sentia muito fraco, havia percebido que tinha sido vampirizado pelo telefone, aquele homem era terrível.
- Imbecil! – Morten despedaçou o telefone com a mão, de tanta raiva. – Pandora! Venha aqui! – Ele gritou tão alto que todo o quarteirão ouviu, ele havia usado uma técnica vocal que ele utilizava com a máscara. Logo, entrou na sala uma “linda” mulher, com olhos negros exaustos e olheiras que pareciam cicatrizes, pele pálida e cabelos negros separados com xuxinhas, caindo para os lados em rabos de cavalo laterais, bonita mas mal cuidada.
- Sim, pai! – Ela ficou à disposição.
- Tenho uma missão pra você, quero se infiltre em Umi.
- Umi? Sim senhor.
- Pode se retirar, caso eu precise falar com você, te ligo. E vá logo, quando estiver em Umi, me ligue, e garanta que ninguém perceba que você é de Sogen ou que você é uma psyvamp. – Ele gritava, mesmo sem necessidade, a mulher se retirou sem dizer uma palavra.
- Kjetil! – Morten gritou novamente, no mesmo tom de antes. Um garoto que parecia ter 25 anos chegou logo em seguida, esse parecia uma versão masculina de pandora, com cabelo curto e olhos cansados, só que bem mais novo.
- Sim, pai. – Parecia que os filhos de Morten eram criados como cachorros, sempre à disposição e com frases prontas.
- Quero que cuide temporariamente do cargo de general, preciso dar uma saída e fazer mais algumas lavagens cerebrais;.
- Sim senhor! – O garoto se aproximou do pai.
- Kjetil Daemon é general temporário enquanto Morten estiver viajando! – Ele se levantou e gritou, concentrando toda sua voz e utilizando sua máscara, para que toda a cidade ouvisse.
21/05/1915, São Assis
- É, Will, amanhã nós estaremos pegando o navio. – Cyrus conversava com seu aliado, haviam vendido o cavalo extremamente forte que carregou os três até lá, logo que chegaram em São Assis e agora estavam em um hotel barato, deitados cada um na sua cama, porém, Daisy não estava com eles.
- Sim, temos que estar prontos, uma grande guerra começará em breve, e nós somos líderes de um dos lados.
- Ei, o que vocês estão falando aí? – Daisy entrou pela porta do quarto, segurava uma lata de suco de cenoura, ouviu alguma coisa lá de fora.
- Apenas comentando, uma guerra irá começar em breve, e nós estaremos bem na frente dela. – O marido não queria ver a mulher boiando na conversa.
- Will, por que não experimenta fazer com que o exército de Morten diga seu nome? – A voz de Arius soou novamente na cabeça do ex-KNC.
- Poderia ser uma boa idéia. – Will respondeu, mentalmente também.
- Ei Will, você não acha estranho que ninguém tenha te denunciado? Você é o procurado número 1, e o único que sempre anda com uma coruja.
- Eu acho que o povo não quer me entregar, ninguém gosta de Morten, quase ninguém quer ele no poder, e acho que, mesmo com a recompensa, não querem me entregar.
- Ou então... – Cyrus iria ser pessimista, enquanto isso, Daisy bebia seu suco, de pé e calada.
- Ou então me denunciaram, mas Morten ainda não nos alcançou, sem falar na possibilidade de terem medo de me enfrentar, afinal, um capitão da KNC não costuma ser mole não – Enquanto dizia isso, a porta do quarto foi arrombada, dois homens entraram atirando fogo com pyrocinese, Necro saiu voando, Daisy, que estava perto da porta, foi atingida pelas chamas, mas arrancou a cabeça de ambos com movimentos muito desenvolvidos de aerocinese, os capangas podiam saber bem pyrocinese, mas enquanto a porta explodia, a mulher atacava, e seus ataques eram sempre fatais, fazendo pressão em seus pescoços, eles morreram imediatamente, depois ela caiu muito machucada, mesmo que não parecesse, ela era muito perigosa. Ela era especialista em aerocinese, se baseava em movimentar o ar em partículas intimamente ligadas, que iam como lâminas afiadas de ar, que com a pressão e força usada, eram capazes de cortar carne e ossos de humano, técnica que ela desenvolveu sozinha durante a infância, e aperfeiçoou depois.
- Daisy! - Cyrus gritou e foi socorrer a mulher.
- Se acalma Cyrus, eu curo ela. Parece que alguém tentou nos pegar. – Will saiu da cama e foi até a cientista, que suspirava de dor por causa das queimaduras. O homem colocou as mãos sobre o corpo dela e concentrou energia para acelerar a regeneração celular da mulher com biocinese, após 2 minutos ela estava nova em folha.
- Obrigada, Will. – Daisy agradeceu, se levantando como se nada tivesse acontecido.
- Eu não sabia que você era boa em telecinese militar. – O ex-KNC comentou, voltando para sua cama.
- Ela é excelente com aerocinese, ela tem uma mira excelente. Daisy sabe aerocinese, o que ajuda a utilizar armas de arremesso com precisão e fatalidade, só que dessa vez ela estava desprevenida, mas ela sabe como fazer o vento ser cortante e mortal sem a necessidade de armas. – Cyrus empurrava as cabeças decepadas com o pé.
- Mudando de assunto, o que acharam das roupas que compramos lá em Xopilândia? – Daisy tentou melhorar o clima de guerra.
- Roupas não fazem muita diferença, mas foram úteis, mudas de roupa, a gente usa uma até não poder mais, troca, lava a outra e repete o processo, e como elas cabem na mochila, não é problema. – O KNC seguiu o assunto.
- Ótimo, era só pra desviar um pouco do assunto preocupante. O dono do hotel deve ter nos entregado, o que acham que deveríamos fazer? – A cientista de Cyrus retomou o clima de guerra, afinal, era guerra.
- Eu ficarei acordado nesta noite, vocês podem dormir, caso alguém tente nos pegar, nos defenderei, e não será difícil, já que esse hotel é feito de madeira e poderá ser manipulado pela minha biocinese.
Os outros dois concordaram e foram dormir, pois já estava tarde, era lua cheia e o céu estava sem estrelas, um lindo céu negro sem nuvens, o mar refletia a luz lunar, as ruas eram atravessadas por mendigos e boêmios, São Assis era conhecida como a cidade da cachaça, pois a cachaça era seu principal produto, e era bebida com total freqüência naquele lugar, mais do que em qualquer outro ponto do continente.
22/05/1915, porto São Assis
- Há quanto tempo estamos esperando? – Daisy estava cansada do sol quente sobre seu rosto, estavam há horas esperando no porto pelo navio de Hannibal.
- 3 horas. – Cyrus olhou no relógio do celular.
- É bastante tempo, mas sei que não vamos levar bolo. – Will olhava para o horizonte.
- Como tem certeza? – O ciborgue nunca entendia a certeza de seu aliado.
- Eu mandei o Necro voar até o horizonte para tentar avistar o navio, e ela já me disse que viu o navio do general de Umi.
- Você fala telepaticamente com animais? – Cyrus ficou impressionado.
- Não, eu consigo entrar na mente deles sem sair da minha, assim, eu os controle e vejo tudo que eles vêem, temporariamente, mas na verdade também falo telepaticamente com eles sim.
- Outra coisa, Cipriano. Você consegue controlar as células visuais dos animais? – Foi Daisy quem perguntou.
- Sim.
- Você também pode fazer isso com você mesmo?
- Não, células humanas são mais complicadas, a única coisa que consigo fazer com meu próprio corpo, usando biocinese, é modificar meus pés e mãos, e mesmo assim, preciso de uma amostra de DNA da criatura cujas células quero produzir.
- Por exemplo?
- Usar um pelo de lobo para transformar meus pés em patas de lobo, como fiz para fugir de Tsuchin.
- Ah, fascinante, mal posso esperar para trabalhar com seu sangue, quando toda essa história acabar. A recepcionista do hotel fachada do laboratório secreto da KNC é a única do estabelecimento que sabe do segredo, ela nunca nos trairia, aquele laboratório ficará escondido até que nós voltemos. Mas só pra saber, não há lobos em Sogen, por que se transformou nisso? – A cientista fingia estar sem jeito para falar, falando bem devagar, como se pensasse demais antes.
- Ah, quando eu era menor, meu pai tinha um lobo de guarda lá em casa, quando ele morreu, dissequei o corpo e guardei para pesquisas futuras, e foi com ele que aprendi a biocinese para transformação de células humanas em células humanas.
- Cipriano, o que acha de criarmos um nome para nossa organização? – Cyrus sugeriu, embora não fizesse diferença.
- É uma boa idéia. Já sei até como nos chamaremos: Neo KNC, os membros são Cipriano, Cyrus, Daisy, e futuramente, Hannibal.
- Gostei do nome. – O homem cheio de metal riscava a madeira do piso do porto.
- Eu também. – Daisy fazia o mesmo.
O navio com o logotipo da Hannibal S.A já se aproximava do porto, muitas pessoas carregavam grandes volumes enquanto os três esperavam, com os pés para o mar. Alguns minutos depois e o navio ancorou, vários homens desceram, e Will cumprimentou o que parecia ser o capitão:
- Olá, eu sou Cipriano Gomes, Hannibal deve ter falado sobre mim. – Foi bem simpático.
- Sim, ele falou, ele quer que levemos você e seus companheiros para Umi, ele disse que é algo importante para a segurança do continente, disse que você vai ajudar na guerra. – O capitão saiu da fila de homens que saíam, e foi com Will até o local onde Cyrus e Daisy estavam sentados.
- Quando nós partiremos? – O líder da Neo-KNC estava ansioso para a viagem, a um lugar novo onde nunca estiveram antes, totalmente diferente de Sogen.
- Nós temos uma pausa de 6 horas, depois iremos sair em direção a Umi, mas antes faremos paradas em Houkaiser e Tsuchin, para entregar algumas mercadorias. – O capitão explicava, enquanto os homens levavam as caixas para o porto. - Mas tem uma coisa, enquanto estiverem no navio, vocês deverão ajudar, sei que estão com muita pressa, e a ajuda de vocês irá acelerar a viagem.
- E como podemos ajudar? – Dessa vez, Cyrus perguntou.
- Comecem ajudando a levar as caixas do navio para o porto. – Apontou para uma grande quantidade de grandes caixas no navio, cheias de mercadorias e etc.
- Sim senhor. – Cipriano concordou e esperou pelas instruções do capitão.
A Neo KNC passou duas horas carregando caixas, porém, nenhum dos três ficou muito cansado, tanto Will quanto os Brocken eram muito fortes. Carregaram muitas caixas do navio para o porto, e principalmente, muitas caixas de mercadorias Sogenianas do porto para o navio. Depois, toda a tripulação teve um descanso e um banquete em um grande restaurante próximo ao porto, por conta dos próprios tripulante, é claro. Duas de descanso e voltaram a carregar caixas, mas dessa vez só levaram 1 hora e meia para terminarem o serviço, depois preparam o navio e deixaram o porto, com o barco carregado. Apesar da guerra já ter sido declarada, os generais não cancelaram as trocas comerciais, o que permitia que navios Uminianos como os da Hannibal S.A deixassem tranquilamente suas mercadorias, recebesse seus pagamentos e comprasse as mercadorias que quisesse à vontade em Sogen sem serem atacados, o mesmo com os navios Sogenianos em Umi, os generais evitariam um conflito intermediário, a guerra só aconteceria no campo de batalha, como uma guerra de verdade e direta, sem pequenos saques antes disso.
A viagem até Houkaiser foi extremamente tranqüila, a parada antes de Umi, a Neo KNC trabalhou como todos os outros 9 tripulantes, tirando o capitão, que ficava no timão. Para garantir a alimentação, havia muitas caixas com mantimentos, mas a ração diária era bastante limitada. Também havia uma rede de pesca, e uma vez por dia, os tripulantes a atiravam para tentar pegar alguns peixes. O navio era muito rápido, usava uma nova tecnologia que fazia mais pressão com as turbinas, o que fazia com que ele se movesse muito mais rapidamente, movendo massas de água muito maiores.
27/05/1915, São Assis
- Morten irá me matar quando descobrir. – Archie olhava para o extenso mar, estava com a gigantesca Venom do seu lado, ele tinha certeza de que Will já estava longe do continente, e se ele voltasse sem ele seria destroçado em mil pedaços, com a inteligência que tinha, basicamente só tinha duas opções, se auto-destruir ou ir atrás do inimigo, procurando até achar, mesmo que nunca achasse, o cérebro fez com que escolhesse a segunda opção, a opção de auto-destruição sempre era última, ele era realmente um computador ambulante.
- Você disse Morten? – Pandora estava atrás de Archie, ele olhou para trás e viu a filha do patrão.
- Pandora, o que está fazendo aqui? Mestre Morten te enviou para me acompanhar?
- Não, eu fui mandada para Umi, estou esperando meu barco, que atracará em 2 horas. – Pandora mostrou sua passagem.
- Vim com a Venom, farejando Will, só falta matá-lo para que tenhamos um reino perfeito. A guerra contra Umi já foi declarada, e certamente as fronteiras do continente estão sendo muito bem guardadas, mas com certeza não terá ninguém páreo param mim.
- Não será tão difícil se nos infiltrarmos entre eles. Com guerra declarada, não está tendo nenhum comércio entre Umi e Sogen, mas o barco que virá me buscar é de Tsuchin, aliado de Sogen desde que o general Chester assumiu por lá, e como o covarde adora ter paz, manteve a aliança mesmo após meu pai assumir.
- Como nos infiltraremos?
- Simples, você matará toda a tripulação e nós arranjaremos pessoas dessa cidade para substituí-las. Com essa falsa tripulação, penetraremos em Umi, então nos separaremos, eu irei me infiltrar no exército deles, de algum modo, e você irá matar Will, que sem dúvidas, fugiu para Umi.
Archie e Morte haviam se conhecido em um bar em Sogen Norte, na cidade de Barcity, a capital mundial dos bares. O bar pertencia ao próprio Archie, que havia tomado do antigo dono, já falecido(pelas mãos do homem metálico). Depois que o homem de árchio exterminou a família, ele saiu fazendo massacres, e após matar uma certa quantidade (enorme) de pessoas, mudou para a última função do qual lembrou antes de morrer, ele iria ganhar dinheiro, para isso, procurou o primeiro estabelecimento grande que viu e matou o dono, essa loja era um bar na próxima cidade, quando ele mudou sua programação já que não havia sobrado ninguém nas ruas da primeira, todos se esconderam, fugiram ou morreram, era como dizia a música do famoso artista Tsuchiano, Jarylin Jason:
“Os fracos irão correr ou morrer.”
O bandido não chegou a ser procurado por policiais, pois ninguém ousava contestar seu poder ou denunciar, e ele havia declarado que se houvesse uma única tentativa de prende-lo ou matá-lo, massacraria toda a cidade, o que permitiu que fosse um dono próspero de bar em paz. Morten, novo no local, bebia cerveja diretamente com a boca na torneira do barril, ainda antes de se tornar general de Sogen Norte, claro que o dono do estabelecimento não gostou nem um pouco disso:
- Seu porco miserável, o que pensa que está fazendo? – O monstro não pegou o inimigo de uma vez, mas falou com aquela estranha voz metalizada.
- Bebendo, por que? – Morten parou um pouco de beber e olhou sério para o outro ele estava sem sua mascara, já que não a usava para comer, seus dentes não eram muito sujos, como era de se supor, apenas um pouco amarelados, normais.
- Ninguém coloca a boca aí, isso é pra copos, espero que pague pelo barril. – Archie ainda tentou negociar, pois poderia ser lucrativo, não que ele fosse muito inteligente.
- 10 kimes e o negócio estará fechado. – Morten drenava energia de Archie rapidamente, sem que ele visse, mas a criatura tinha tanta energia que ainda estava de pé.
- Não brinque comigo. – Perdeu a paciência tentou esmagar a cabeça do vampiro com sua mão cheia de radiação, mas caiu no chão antes. Morten havia drenado toda a energia dele com a seu surpreendente enxágüe vampírico. Ele transferiu a própria energia na mesma velocidade, usando sua técnica de lavagem cerebral através de doação de energia, logo, o homem metálico se levantou. Todos no bar observavam assustados, mas continuavam bebendo e comendo à vontade, exceto dois caras que fugiram sem pagar a conta.
- O que foi isso? – Archie parecia diferente de antes.
- Eu te mostrei a verdade, e te escolhi para fazer uma nova Sogen, você virá comigo em minha batalha.
- Sim senhor. – Se curvou diante de seu novo mestre, e a partir desse dia, viveu como seu subordinado, porém, só ficou sabendo do nome do patrão após o golpe de estado contra Sogen Norte. O nome de Morten era confidencial, e o general era conhecido simplesmente como General Mascarado, por causa da máscara que ele usava para intensificar sua voz. Ele foi para Sogen Sul após algum tempo, sendo precedido por Archie, que iria como um espião de reconhecimento. Morten conseguiu se infiltrar na KNC e chegar ao cargo de coronel, sem sua comum máscara e usando um nome falso, Morty Dilan, enquanto o líder de todos os psyvamps trabalhava como um KNC, reconhecendo o solo inimigo, obtendo informações importantes, Archie trabalhava como um criminoso que fazia com que a KNC sempre tivesse problemas, mas que nunca era pego, porque Morten sempre o avisava sobre o que a KNC faria, e por isso, ele sempre escapava. Em Sogen Norte, ficou um homem de confiança do general, um garoto que ele havia pegado na rua para ser treinado como psyvamp, Osten, garoto muito talentoso que aprendeu vampirismo psíquico melhor do que a maioria dos filhos biológicos de Morten, que era muitos, já que o grande psyvamp tinha um harém de vampiras à sua disposição.
Osten era um grande mestre na pyrocinese, quase do nível do lendário TK, Dante Hamachi, mas ele também conhecia o vampirismo psíquico, era fiel a Morten, e o que seu pai adotivo mais gostava nele: ele era cruel e impiedoso. Enquanto o líder dos Daemon estava em Sogen Sul, o herdeiro adotivo de seu legado reinou com mão de ferro quente, garantiu que ninguém, absolutamente ninguém cometesse crimes. Qualquer crime, por menor que fosse, seria punido com a “cruz de fogo”, a pessoa seria pendurada em uma cruz, teria enormes agulhas enfiadas na maior parte do corpo, e seriam aquecidas com pyrocinese ou com um maçarico, o que garantiria uma morte muito lenta e dolorosa. Após 10 execuções desse tipo em praças públicas, houve a erradicação total do crime em Sogen Norte, pois ninguém ousava se arriscar a morrer daquele modo tão doloroso e horrendo. Osten também usava uma máscara, como a de Morten, mas não a mesma, e com ela, ele conseguiu manter o reinado como se fosse o mesmo general de antes, o terrível General Mascarado.
- Archie, eles atracaram, mate todos. – Pandora ordenou friamente quando viu o navio que esperava atracar no porto, havia muitas pessoas no porto nesse momento, mas falava baixo para que apenas ele ouvisse. O titã não falou nada, esperou o primeiro homem descer do navio e foi até ele. O estranho ser abraçou o pobre homem e fundiu o corpo da vítima ao seu, ele teria feito o mesmo com Venom quando o engoliu tempos atrás, se ela tivesse permitido que ele movesse seus átomos dentro dela.
- Aquele monstro comeu o capitão, fujam! – Os tripulantes saíram correndo, passando longe do “homem” e indo para a cidade. Pandora assistiu, do lado da cobra, que também esperava.
- Parece que nem precisará matá-los. Deixe-me ir procurar a tripulação. – Pandora percebeu que as pessoas que estavam no porto haviam fugido no momento que viram que seu capanga absorveu o capitão do navio.
- Irei guardar o navio. – Archie subiu no navio.
- Volto em breve. – Pandora saiu correndo.
28/05/1915, Vempire, Sogen Norte.
- Alô, mestre Morten. – Osten Daemon atendia seu celular enquanto treinava uma classe de novos psyvamps para o clã Daemon.
- Osten, como vão os treinos dos novos psyvamps sogenianos?
- Estão ótimos, já matei os alunos incapazes e os capazes estão sendo treinados severamente, logo estarão prontos para a grande hora.
- Espero que esteja fazendo muito bem, a guerra contra Umi já foi declarada, só falta fazer o primeiro ataque. Eu já mandei uma pequena tropa de duas pessoas para se infiltrarem lá, irei garantir que eles nos ataquem, então, dentro de nosso território, os exterminaremos.
- Sim senhor, mas e se eles não nos atacarem?
- Ora, nós os atacaremos, basta juntarmos muitos navios, o bastante para fazer uma invasão, iremos encher o horizonte de navios cheios de psyvamps treinados. Em Amestris, já começamos o treino dos novos psyvamps, membros da KNC que agora servem ao clã Daemon. Não estou em Amestris agora, estou em Fotópolis, procuro mais servos por aqui, assim, logo teremos um continente inteiro de psyvamps.
- Senhor, permita-me opinar, mas do que adianta permitir que lixos sem talento se tornem psyvamps? Deveríamos aceitar apenas os melhores. – Osten teve a extrema coragem de contestar as palavras de seu pai adotivo e mentor.
- Não ouse me desafiar, Osten. Eu permito inicialmente que todos sejam psyvamps, mas será do mesmo jeito que você faz, quem não for talentoso, forte ou capaz o bastante será eliminado, morto e usado como ração para os outros. Um exército forte que se alimenta do sangue dos fracos, um novo mundo de vampiros de primeira classe, que irão vingar todos os anos em que nossa raça foi humilhada e perseguida, e principalmente, fazer os malditos Drachen sumirem do mapa.
- Drachen, o clã do lendário Das Extremer, aquele que ficou conhecido como o pior homem da história. Nós, Daemon não somos superiores a eles, mas com esforço, poderemos conseguir o que eles não conseguiram, e ter o local mais alto na pirâmide alimentar da humanidade. – Osten falava bem alto, para que seus alunos escutassem atentamente, era assim que funcionava o clã Daemon desde que Morten assumira.
- Mas, agora, tenho que falar o que realmente importa. Das Extremer está vivo, ele está vivo dentro de Will de Assis, o filho de Lance de Assis, general que matei para poder assumir o controle de Sogen Sul. Ele foi pra Umi, Pandora já me ligou avisando, e parece que ele e o general de Umi são aliados, e que irão usar as armas de fogo para tentar nos vencer.
- Armas de fogo, o que é isso?
- São armas automáticas que lançam projéteis a velocidades fantásticas com apenas um aperto. Mas, quero que prepare uma tropa de 20.000 psyvamps de elite até o fim do mês, nosso exército precisa de um trunfo contra as armas de Umi, e esse trunfo é o vampirismo psíquico.
- Sim senhor, arranjarei mais psyvamps de alto nível para darem aula, e assim, formaremos um exército de psyvamps treinados.
- Faça isso, e não me decepcione, não quero ter que te matar. – Morten desligou o telefone.
- Ouviram, não é, bando de fracos? – Osten guardou o telefone e gritou para as crianças que estavam tendo aula.
- Sim senhor! – Todos disseram ao mesmo tempo.
- Temos que acelerar o treino, portanto, quero que façam duelos de vampirismo, cada um escolherá o par que quiser. – Osten ordenou com fúria na sua voz, quase tão demoníaca quanto a de Morten. Os alunos se organizaram, conversaram e discutiram, mas em pouco tempo todos os pares haviam sido escolhidos, os pequenos aprendizes de psyvamps eram treinados para não ter a mínima emoção e serem fortes, cada par estava de mãos dadas, para mostrar a escolha ao severo professor de vampirismo.
- Excelente, agora cada um deverá tentar absorver a energia do outro através do vampirismo psíquico, usem as técnicas que ensinei nos treinamentos, e caso saibam algo que não ensinei, usem também, usem tudo que puderem para vampirizar o oponente, pois suas vidas dependem disso, e lembrem-se, sem tocar. Vocês drenarão energia até que um esteja morto sem energia, até a morte, o sobrevivente passará para a próxima etapa do treino, e se tornará muito forte, tendo grandes chances de se tornar um grande e poderoso psyvamp. – O professor explicou como seriam as regras do duelo de vampirismo psíquico, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Os alunos obedeceram, mesmo que alguns estivessem com um pouco de medo, outros estavam loucos para matar sua primeira vítima, cada um se virou para seu par e começou a drenar energia, a energia era drenada de ambos os lados, o que entrava em um momento, era sugado em outro, o que fez com que o teste demorasse muitas horas, o único jeito de vencer, era drenar com muito mais potência e velocidade que o oponente.
Após duas horas, o primeiro aluno morreu sem energia, Osten chamou um professor substituto para vigiar as crianças e levou o vencedor para outra sala, onde começaria o novo treinamento, mais duro, mais violento, mais severo. Os aprendizes estavam exaustos de tanto trocarem energia entre si, alguns acabaram morrendo por que não agüentavam mais drenar energia, outros morreram por que seus oponentes eram muito fortes e outros morreram por que eram muito fracos. Os vencedores iam para a sala onde Osten estava, de onde se ouvia gritos de dor, mas o fato era que cada uma daquelas crianças tinha um sentimento de querer se mostrar forte, e para isso, elas teriam que vencer aquele duro duelo de vampirismo psíquico, ou morrer como um perdedor tentando.
As escolas de vampirismo psíquico eram comuns em Sogen Norte, desde que os Daemon chegaram ao cargo máximo do continente, ele se transformou em uma fábrica de psyvamps. Inicialmente, foram feitas poucas escolas, para onde iam os aprendizes tirados das ruas, que não eram muitos. Mas à medida que o tempo passava, mais escolas eram abertas e mais pessoas eram levadas para serem treinadas, não só crianças, mas também adultos e adolescentes, e não só de rua, também pessoas de classe baixa. E a maioria das pessoas era pobre em Sogen Norte, depois de serem criadas ainda mais escolas de vampirismo psíquico, agora, praticamente todos eram levados para as escolas de vampirismo psíquico, e as outras atividades ficavam praticamente paradas, exceto a agricultura, indústria e comércio de alimentos, cujos membros eram poupados de serem convocados para o treino para psyvamps.
Em alguns dos últimos testes para o treinamento dos melhores psyvamps, grandes quantidades de aprendizes eram deixados em locais deserto, sem comida, sem água, e com a boca costurada por um mês, tinham a boca costurada para não poderem comer os corpos dos primeiros que morressem. Eles teriam que sobreviver apenas se alimentando de energia, com o vampirismo psíquico e a drenagem energética. Poucos sobreviviam a esses testes, já que mesmo pra um psyvamp, é muito difícil sobreviver sem água e comida, quase impossível, os únicos que sobreviveram a esse teste foram Osten, Pandora, Kjetil e um psyvamp chamado Anders. Morten parou com esse teste, já que mais de 99% por cento das pessoas testados morrerem, e mesmo querendo os melhores, ele não poderia se dar ao luxo de perder tantos subordinados, mas que era um teste de elite, era.
A vida em Sogen Norte continuou como um grande filme de terror, mesmo após Osten assumir, ele fez exatamente como seu pai, e ainda adicionou a lei da “Cruz de Fogo” para eliminar qualquer criminoso ou pessoa que não obedecesse, que no governo de Morten eram submetidos à lavagem cerebral para se tornarem psyvamps, e agora, seriam mortos brutalmente. Morten podia, mas não fez a lavagem cerebral vampírica com aqueles que aprendiam o vampirismo psíquico, ele sabia que pessoas de mente intacta trabalhariam melhor, e tratava de lavar sua mentes através de idéias e palavras limpas, mesmo assim, os que não colaboraram tiveram a mente lavada, os que acreditaram em seus idéias foram mantidos intactos.
28/05/1915, Algum lugar no mar de Sogen
- Archie, quantos peixes foram pegos? – Pandora perguntava para o subordinado, que liderava a tripulação em uma tentativa de pesca, enquanto ela bebia suco de uva no convés do navio, tomando sol e usando óculos escuros na maior folga.
- Não contamos ainda, mas a rede tá cheia. Mas se a senhora está aí, quem está no timão? – Ele puxava a rede com os outros cinco tripulantes, incluindo três mendigos que nem trocaram de roupa para entrar no navio, e muito menos tinham tomado banho.
- Venom, é claro, aquela cobra é mais inteligente que você, Archie. Parece que meu pai também a ensinou a obedecer pessoas que tenham o mesmo sangue que ele, um Daemon legítimo.
- A senhora colocou uma cobra para guiar o navio? – Um dos homens que pescavam junto com Morten morreu de medo ao ouvir.
- Sim, aquela cobra é inteligente, parece que Will conseguiu deixá-la tão inteligente quanto um ser humano, ou se tratando do Archie, mais inteligente.
- Pandora, eu vou te matar se continuar com suas piadinhas, e seu pai não vai se importar, por que ele não é do tipo que protege os filhos. – Ele tinha a função “responder a provocação” bem desenvolvida, coisa da época em que ainda era vivo.
- Claro, você não me mata por que não pode ou por que precisa da minha ajuda em Umi, afinal, posso não ser tão forte quanto você, mas sou bem mais inteligente.
- Eu posso até não te matar, mas eu meter a mão na sua cara. – Archie e os outros já haviam deixado a rede cheia de peixes no convés, o homem metálico foi em direção à Pandora, que apontou para ele com concentração, quando ele estava quase enfiando a mão nela, a mão dele começou a pegar fogo, evaporando rapidamente, uma pyrocinese capaz de levar o árchio ao ponto de vaporização não podia ser ignorada, era algo absurdamente fantástica, coisa que ela conseguia combinando pyrocinese geocinese para acelerar absurdamente as moléculas e causar combustão rápida.
- Fique quieto, ou farei isso com seu corpo inteiro, Archie. – Pandora desceu de sua espreguiçadeira e se distanciou rapidamente.
- Então essa é sua telecinese, Pandora? – Ele ficou no modo mais agressivo, graças às provocações e ao dano tomado, mas se conteve após ver o que a filha de Morten podia fazer, primeira regra: não desobedecer os comandos dados pelo chefe.
- É uma pyrocinese especial que eu desenvolvi, consigo criar combustão à distância, queimando coisas mesmo que elas estejam distantes, e de modo que elas queimem independemente do material.
- Não é surpreendente, a chama é bem fraca. – Archie regenerava os danos causados na mão, absorvendo um pedaço do barco que não faria falta, ele conseguia transformar a madeira em árchio, já que a principal propriedade do elemento era transformar outros materiais em árchio e absorvê-los, unindo ao corpo.
- Mas pyrocinese comum não é surpresa. Com essa pyrocinese, posso queimar pessoas bem distantes que nem estejam me vendo, e se eu queimei essa merda que forma seu corpo, imagine como faço com carne humana. – Pandora explicou, enquanto os homens que havia contratado trabalhavam, eles não haviam sido lavados cerebralmente, mas suas vidas de mendigos eram tão miseráveis, que estavam feliz da vida por trabalhar feito escravos para a filha do general, pelos menos dormiam em um lugar seguro e podiam comer.
- Mas pelos menos trabalhe. – O gigante não gostava da folga da psyvamp.
- Já estou trabalhando, eu estou treinando vampirismo psíquico com a energia presente na atmosfera.
- Vampirizando o ar?
- Sim, e isso me deixará mais forte para quando eu estiver em Umi, e nós fomos pra guerra.
- Guerra? – Um dos tripulantes perguntou assustado, parando de varrer o chão.
- É, mas fique tranqüilo, vocês não participarão da guerra, vocês poderão ira pra onde quiser quando chegarmos lá em Umi, eu e Archie que iremos para fogo cruzado, luta contra o exército do general Ferraço. – Pandora garantiu que o serviçal não se assustasse e não pensasse em abandonar o navio.
28/05/1915, algum lugar no mar de Houkaiser.
- Parece que estamos tendo dias de calmaria. – Will conversava com a tripulação do navio, incluindo Cyrus e Daisy, todos estavam reunidos na cabine de refeições, saboreando carne de peixe pescado na hora e assado com pyrocinese.
- Sim, para nós marinheiros comerciais é sempre assim, exceto quando vem uma tempestade ou quando somos atacados por piratas. – O capitão comentou com a boca cheia.
- Piratas? – Will nunca havia lidado com piratas, já que seu trabalho sempre foi em terra.
- Sim, piratas. Já fomos atacados duas vezes por esses malditos piratas, mas como somos a elite do transporte marítimo, afundamos os navios piratas das duas vezes. Sabe, Hannibal não deixa que suas mercadorias serão transportadas por qualquer um, ele tem 4 navios, cada um tem 2 TKs de elite e 7 TKs de outros níveis, ou de elite também. Assim, nós podemos nos defender caso o navio seja atacado. E agora, com as armas de fogo, fica mais fácil ainda, ele deu uma pro capitão de cada navio, já que ele confia muito em nós.
- Sem falar que tivemos a sorte de ter um capitão que sabe pyrocinese de alto nível. – Um dos tripulantes adicionou, enquanto comia o peixe frito, que parecia estar delicioso.
- Realmente, que bom que o capitão sabe pyrocinese, esse peixe frito está maravilhoso. – Will elogiou o prato que o capitão havia feito usando algumas pedras, peixe e pyrocinese, mas que mesmo assim estava ótimo, na verdade, melhor que feito em forno normal.
- Cyrus, por que nunca tira essa armadura? – O capitão perguntou, reparando que ele nunca havia tirado a armadura, nem pra comer, e que apenas a boca e os olhos ficavam à mostra, todos já haviam percebido isso, mas ninguém nunca pensou em perguntar.
- Fui vítima de um criminoso terrível que destruiu grande parte do meu rosto, felizmente, minha genial esposa consertou os dano e substituiu as partes destruídas com partes mecânicas. Will poderia me curar, mas ele quer que eu faça algo para ele antes.
- Sabe, agora que Sogen não vai ter nenhum ligação com Umi, pois se tornaram continentes inimigos, nós que carregamos produtos ligados à Hannibal S.A teremos menos trabalho e menos pagamento, até nós seremos prejudicados pelo conflito iminente. – Outro tripulante, que já havia terminado de comer comentou.
- Tenho certeza de que todos saíram perdendo com isso, mas ainda será melhor do que o que seria se Morten colocasse as mãos nas armas de fogo da Hannibal S.A, ele iria conseguir dominar Umi com facilidade, e do jeito que aquele verme está fazendo, iria fazer o mesmo com Tsuchin e Houkaiser logo depois. – Will tentou mostrar que guerrear contra Sogen ainda seriam melhor que vender as armas pra eles.
- Certamente. – Outro tripulante concordou, e logo em seguida todos fizeram o mesmo.
- Mas, aproveitando a oportunidade, como você sabem que Hannibal é o verdadeiro general? – Dessa vez Daisy que perguntou, sendo que ela havia ficado calada durante toda a refeição.
- Ele confia em nós, não lembra? Ele só mantém a fachada para as massas comuns, mas pessoas de sua confiança sabem de tudo. – O capitão respondeu de boca cheia, com tom orgulhoso por ter a confiança do general.
- Mas, capitão Harris, aproveite nos conte uma das histórias de conflitos com piratas. – Will pediu, como uma criança, o capitão do navio, Harris, era um ótimo contador de histórias, e entretinha todos durante aqueles tempos difíceis..
- Ah sim, uma vez...
29/05/1915, Cidade do Cobre, Umi
- Ferraço, venha cá. – Lewis Hannibal chamava, no quartel-general principal de Umi. Ele ficava em um local subterrâneo do lado da casa de dele, lá, Lewis e Ferraço passavam a maior parte de seu tempo fazendo decisões que afetariam diretamente a vida da população do continente. O general era um homem que havia presenciado Arius Drachen com seus próprios olhos, que tinha assistido pessoalmente a dois de seus crimes, e isso fazia dele, uma parte da história do mundo e de Umi.
- General, o que deseja? – Ferraço parou de assinar os papéis que estava assinando e foi até a mesa do general, onde ele analisava um mapa-mundi e lia um livro, concentradamente, ele era um excelente estrategista de guerra, e era especialista em utilizar mapas a seu favor.
- Morten vai tentar nos atacar o mais rápido possível, tenho certeza que ele irá atacar pelo sul, o que acha? – Hannibal parecia estar dopado, ele podia estar concentrado no que fazia, mas não deixava de fumar, já que não precisava das mãos para fazer aquilo. Ele era um homem de 1,74 de altura, mulato, cabelos curtos grisalhos e olhos castanhos, cheirava a tabaco puro.
- É bastante óbvio. Mas por que o livro de telecinese alternativa? – Ferraço não entendia exatamente o que o verdadeiro general estava tentando fazer naquele momento com aquele livro velho.
- Veja, esse livro tem algumas informações sobre vampirismo psíquico. Embora todos saibam sobre a existência do clã Daemon, a família dos vampiros psíquicos, poucos sabem realmente o que é o vampirismo psíquico que eles praticam há séculos. O vampirismo psíquico não é uma característica que apenas os Daemon têm, qualquer pessoa pode praticar o vampirismo psíquico, basta descobrir a técnica, mas parece que é muito difícil para uma pessoa que não tem talento para a prática, e apenas os Daemon têm esse talento. Levando em conta esse fato, eu diria que os Daemon de Sogen estão treinando novos psyvamps para a guerra, eles formarão um exército de vampiros psíquicos por prática e os usará para tentar nos destruir. E levando em conta que o vampirismo psíquico é uma prática excelente para combate em grupo, diria que eles usarão grandes quantidades de psyvamps para atacar e matarem nossos homens em poucos instantes e até mesmo de longe, uma estratégia praticamente perfeita.
- Senhor, pela lógica que você segue, eles podem juntar 10 deles e matar um de nós a uma grande distância, nesse caso, acredito que a melhor solução seria um contra-ataque surpresa. – Ferraço fez sua sugestão.
- Sim, um ataque surpresa, mas como faremos em terrenos tão planos como no litoral? Não parece possível de se fazer com perfeição, já que não se pode esconder um exército atrás de uma casa. Mas talvez, pudéssemos esconder os exércitos dentro das casas, isto é, colocar soldados armados dentro das construções litorâneas, prontos para atirar discretamente por suas janelas.
- A produção de armas de fogo está do jeito que o senhor mandou, armamentos não serão problemas para nós.
- Excelente, mas ainda há uma possibilidade: se eles puderem usar o vampirismo psíquico para atacar através das paredes, de nada adiantará o plano, e perderemos nosso continente.
- Sim, então temos que pensar em algo mais. O que acha de descobrirmos um modo de se parar a drenagem de energia? – Ferraço sugeriu o óbvio, mas era genial apesar disso.
- Brilhante! Ferraço,é isso! Se nós pudermos parar o vampirismo psíquico, isto é, impedir que ele funcione, nós venceremos o exército de Morten facilmente.
- Realmente, mas como se para o vampirismo psíquico?
- Acho que é só tem um modo de descobrirmos. – A fumaça do cigarro de Hannibal se espalhava.
- Qual, general?
- Precisamos de um psyvamp, precisamos capturar um psyvamp e usá-lo para descobrir uma proteção contra o vampirismo psíquico. Se conseguíssemos um único delator, estaria tudo resolvido.
- Mas acredito que não vamos obter um delator enquanto não formos invadidos, e general, tenho certeza de que não adiantará descobrir a defesa depois de sermos atacados e perdermos a guerra.
- Realmente, e isso não é nada bom. Temos que pensar em algo... nesse livro, fala um pouco sobre a ligação do vampiro psíquico e a aura, foi bem difícil importar esse livro de Tsuchin, mas pode valer a pena.
- Esse livro, onde o senhor conseguiu?
- É um livro muito antigo, data da época do surgimento do clã Daemon, parece que foi escrito pelo próprio Netrom Daemon, só existe um exemplar no mundo, veio de Umi e foi parar em Tsuchin após ser comprado por um colecionador. Eu consegui comprar do filho dele, que não tinha interesse no assunto, infelizmente não fala muita coisa, só tem algumas anotações. Tudo que revela é que o vampirismo psíquico é o processo de drenar a energia das pessoas ou coisas, que qualquer um poder praticá-lo, que o clã Daemon é a única linhagem de psyvamps legítimos e com talento natural para a pratica, e que controle da aura é estritamente necessário para se ser um bom praticante do vampirismo psíquico, e que também serve para a defesa contra essa antiga prática energética, se chama “O Cordeiro do Demônio”, referência à organização criada por Netrom durante sua época, a mesma que destruiu Drachen. Escute esse trecho:
“Agnus Daemon, foram dourados os anos em que tuas estrelas brilharam
Os lobos foram caçados, predadores eliminados, cordeiros que reinaram
Nossa justiça foi feita através do messias queimado
Ele sumiu diante de nossos olhos como um ser abortado
Foi feita a justiça por aqueles que acreditam em Deus
E que tiveram Deus como um vilão tirano aos seus
E foi o vampirismo psíquico, dom oculto aos porcos
Que foi oferecido ao cordeiro como proteção dos mortos
E sobreviverão à sombra do que um dia fomos
E seremos outra vez, o que em nossa memória ainda somos
E o cordeiro do demônio finalmente terá seu lugar merecido
E não haverá vampirismo para os impuros em um mundo perdido”
- General, eu não sei nada sobre aura, aqui em Umi nós não estudamos essas práticas comuns no Sul, e muito menos a relevância desse poema.
- Nem eu, mas acho que conheço alguém que sabe, quando às práticas, já o poema, acho que é basicamente sobre a supremacia dos psyvamps e a proibição dessa prática para aqueles que não são Daemons legítimos. – O general tinha certeza que poderia solucionar o problema.
- E quem é esse alguém?
- Prabhu.
29/05/1915, Algum lugar no mar de Houkaiser.
- Vítima à vista! – Um homem em um navio de porte médio olhava através de um telescópio, ele avistava um navio com o logotipo da Hannibal S.A.
- Então estaremos prontos para acabar com eles, o como é o navio? – Um homem forte e velho de colete perguntou, ele tinha um tom de voz bastante debochado, o que não combinava com a aparência dele.
- Capitão Sanji! Parece que é um navio da Hannibal S.A. – Quando o homem que olhava no telescópio disse isso, toda a tripulação do navio começou a cantar e comemorar.
- Hahaha, isso é excelente, um navio da Hannibal S.A irá compensar a seca que tivemos nos últimos tempos, mas temos que nos lembrar que um Hannibal S.A deve estar muito bem protegido, portanto, se nós quisermos saqueá-los, precisamos atacar de longe.
- Capitão Sanji, use uma onda gigante, Capitão Sanji, use uma onda gigante. – Toda a tripulação cantava, parecia que essa música era uma espécie de prelúdio para um ataque devastador e certeiro.
- Esperem, antes de pegarmos esses perdedores, irei contar novamente a minha história.
- Mas capitão, eles vão se distanciar nesse período. – Um dos tripulantes, um menino vesgo, reclamou.
- Ora, eu faço o navio acelerar. – O capitão mexeu nos mecanismos de sua cabine para acelerar o navio, todos gritavam para que todos, independente de onde estivessem no navio, ouvissem.
- Então conte, capitão, nós nunca nos cansamos de sua triste história, da história do antigo marinheiro.
- Bem, como vocês sabem, nem sempre fui um marinheiro, no passado, eu trabalhei no circo como um mágico, eu era um excelente ilusionista. Mas o que ninguém sabe, é que esse circo ficava dentro de um navio, era um circo que atravessava o arquipélago de onde eu vi. As pessoas de lá eram muito ignorantes, eu era o único que sabia hidrocinese naquela região, os idiotas achavam que era mágica. E com essa minha mágica por hidrocinese, eu fiz muito sucesso. Um dia, cansei daquele circo e decidi ser um criminoso, eu entrei em uma organização criminosa, liderada pelo lendário TK, Das Extremer, cujo nome não pode ser pronunciado.
- E como o capitão Sanji reuniu a tripulação? – O homem que olhava pelo telescópio perguntou, esperando que o resto respondesse.
- Ele apostou com um por um! – Todos disseram em coro, incluindo Sanji, que se sentia orgulho por ser o capitão de uma tripulação tão animada.
- Exatamente, e agora que já contei a história e ainda estamos com o navio da Hannibal S.A em nossa vista, podemos atacar.
- Capitão Sanji, use uma onda gigante. – Novamente, todos disseram em coro como crianças felizes.
- Atacar! – O capitão gritou, uma onda se levantou do mar e voou em direção ao navio onde a Neo KNC estava, uma cena bastante indesejada em qualquer região do mundo.
- Tsunami à vista! – Will gritou, vendo a enorme onda que vinha na direção do navio. A tripulação entrou em desespero, corriam para lá e para cá, com medo de morrerem afogados pelas mãos da natureza.
- Gente, vamos nos proteger, Adalberto, use eletrocinese para reduzir a velocidade da onda Cyrus, use uma onda de audiocinese para partir a onda que está vindo, Daisy, ajude Cyrus com sua aerocinese, Will, caso a onda chegue muito perto, use a sua biocinese para fazer a água escorrer, fazendo áreas de escapamento nas bordas do navio, e irei acelerar o navio, e os outros, fiquem à estibordo. Todos fizeram o que foi ordenado, primeiramente, Adalberto, o outro TK de elite atirou uma intensa descarga elétrica contra a onda, para tentar reduzir sua velocidade, sempre com a ajuda de uma bateria para eletrocinese. Cyrus e Daisy atiraram ondas de som e de ar controlados por audiocinese e aerocinese, as duas juntas partiram a onda e a água nem chegou a atingir o navio, apenas alguns pingos. Quando a onda caiu, lançou o navio longe, mas não chegou a afundar o barco, fez balançar bastante, molhou a todos e deu um susto, mas não afundou.
- Bom trabalho, tripulação. Mas aquela onda não era normal, reparem, há um navio se aproximando, e a onda nem passou perto dele. – O capitão Harris apontou para um navio que já estava bem visível, o capitão tinha uma ótima visão, e podia ver qualquer coisa com uma olhadinha rápida.
- Eles partiram a onda! – Sanji gritou, extremamente impressionado pelo fato do navio não ter sido afundado, mas estava pronto para tentar outro plano.
- Capitão Sanji, você não pode perder, afunde esses infelizes. – Um dos tripulantes gritou, os outros gritarem o mesmo logo em seguida, estavam furiosos por causa da falha de seu capitão, eles se orgulhavam do capitão que tinham, e não suportavam vê-lo perder, falhar ou passar por qualquer situação ruim.
- Dessa vez eu não errarei. – Ele concentrou mais energia dessa vez, ele usou toda o poder da sua hidrocinese para fazer a água do mar girar e formar um redemoinho, que depois, se tornou um tufão, que atraiu o próprio barco dele.
- Capitão Sanji, esse tufão vai nos matar, pare!
Sanji não escutou seu subordinado, puxou uma alavanca e fez com que dezenas de velas extras se erguessem, totalizando em um total de 10 velas extras.
- Meus homens, eu irei salvá-los! – Sanji se concentrou e fez com que a água do mar subisse para as velas, funcionando com uma rajada ascendente de água, e isso ergueu o barco, fazendo com que o navio começasse a voar.
Sanji era um excelente TK, no nível de membros de clãs importantes, sua habilidade incomum podia ser explicado por uma simples razão, a ilha era muito quente e úmido, e isso auxiliou para que tivesse controle sobre a água, pois havia muita água presente no ar e era fácil mover energia, já que havia uma temperatura elevada que auxiliaria qualquer movimento, desenvolveu sua hidrocinese com facilidade graças à essa vantagem, e acabou se tornando especialista em mover grandes quantidades de água sem dificuldade, pois com a hidrocinese facilitada na região onde morava, acabou tomando total familiaridade com o elemento, conseguindo mover água facilmente pelo resto da vida..
- Capitão! Brilhante! – Todos comemoraram ao mesmo tempo, mas mal acreditavam que o navio estava voando, ele nunca havia feito isso antes.
- Tripulação, venham aqui e coloquem a mão em meu corpo, para que eu possa usar a energia de vocês, não é fácil manter um redemoinho e um fazer um navio voar, mesmo sendo projetado especialmente para ser extremamente leve e fácil de se voar. – Sanji de esforçava, ele nem segurava mais no timão, movia o navio com a água, enquanto o navio da Hannibal S.A era atraído para o redemoinho. – Todos foram até o capitão e colocaram as mãos nas costas dele, eles se concentraram como se estivessem em uma corrente.
- Agora sim, depois que aprendi como a usar energia de objetos ou pessoas em contato, ficou muito mais fácil para se controlar a água, nós nos tornamos um, e água se torna parte de nós, a água é nossa amiga, e é por isso que eu mereço ser chamado de Sanji, o senhor das das águas, o mestre da hidrocinese. – O navio voava, e o navio onde a KNC estava já estava próximo do tufão de água, que puxava muita, mas muita água.
- Capitão, o senhor é o cara!
- O outro navio tem algum tripulante que sabe hidrocinese extremamente avançada, estaremos perdidos a menos que o matemos antes, esse redemoinho já está quase nos pegando. – Harris parecia em pânico.
- Capitão Harris, eu tenho outra idéia. – Cyrus gritou, ele finalmente colocaria sua genialidade em ação.
- Diga, Cyrus, e seja rápido!
- Usaremos isso. – Cyrus pegou a mochila que sempre carregavam, e estava na cabine de capitão, abriu-a e tirou uma espécie de turbina.
- O que é isso? – Harris olhou para trás e viu o objeto que o cientista via, mas não se entendia qual seria a utilidade dele, mas mesmo assim, confiaria no que o cientista faria, pois não tinha escolha.
- Uma turbina, Will, coloque isso na parte de baixo traseira do navio, então você apertará o botão vermelho, isso ativará a turbina após 5 segundos, mas tenha certeza de estar fora da água, antes dele funcionar. – O cientista lançou a turbina para Will, que pegou certeiramente, havia uma parte que parecia um prego enorme na parte da frente dela, e era com essa parte que ele enfiaria o objeto no navio.
- O difícil vai ser não ser puxado pela força do redemoinho. – Ele se jogou na água, e voltou após 60 segundos, quase morrendo e com as mãos transformadas em patas de lobo, ele havia usado as fortes garras para se prender ao navio sem ser puxado.
- Will! – Todos no navio exclamaram, felizes por ele ter sobrevivido.
- Olha, pra colocar aquilo sem ser puxado pelo redemoinho, tive que usar muito as minhas garras. – Deu para ouvir o barulho da pequena turbina funcionando, o navio praticamente dobrou de velocidade, e o já conseguia se distanciar, bem aos poucos, do redemoinho, mas o bastante para não ser sugado e afundado.
- Will, você salvou nossas vidas, muito obrigado. – Harris agradeceu com emoção, ele amava a vida de marinheiro e não queria perdê-la.
- De nada, Harris, eu salvei minha própria vida também. O barco se distanciava do redemoinho, a turbina colocada pelo biocinético estava fazendo efeito, e impediria que o meio de transporte aquático afundasse.
- Camarões desgraçados, eles conseguiram, de algum modo eles conseguiram fugir do redemoinho. – Sanji via os inimigos se afastarem mesmo após seu esforço incomum para pegá-los.
- Capitão, só temos uma opção. – Um tripulante de tapa-olho gritou, eles estavam prontos para um combate direto.
- Tá certo, iremos nos aproximar do barco deles com uma onda, vocês irão garantir de defender qualquer ataque que tentem usar em nós, então, próximos, nos jogaremos no navio e faremos com que se rendam, ou os mataremos. – O capitão deixou o redemoinho parar de rodar, e fez o navio voltar ao mar, mas isso exigiu muita energia. Sanji havia se tornado extremamente poderoso durante os anos, ele era o único membro da antiga Legião da Telecinesia que tinha bom coração e bom humor sempre. Bem, não era um coração tão bom assim, já que ele havia afogado todos os antigos amigos quando jovem, mas ele não tinha a crueldade especial dos outros membros, era apenas um grande fanfarrão que gostava de beber, comer, praticar hydrocinese, afundar navios, lutar, fazer fama e ter seu nome conhecido, era cruel, mas não era extremamente sádico como o doente Dante, mas tinha um bom humor sincero, sem todo o cinismo dos outros, ele apenas se divertia com seus amigos, os protegia com tudo que tinha, basicamente, o único ex LDT que tinha amigos sinceros e os protegia sem interesse ou segundas intenções. Ele não se importava de ajudar as pessoas, ele não se importava de matar as pessoas, ele apenas queria se divertir e ficar famoso, tinha uma mente infantil, mas era extremamente capaz e poderoso.
A falta de valores tradicionais de Sanji auxiliava em sua telecinese, pois ele queria ter fama, mas não estava disposto a morrer por isso e só desejava isso para se divertir, sem grandes besteiras como honra, orgulho e glória, apenas diversão, diversão que seria obtida com a carreira de pirata. Ele tinha uma ligação no forte com a água, por isso conseguiu continuar vivo até ser pescado no rio onde foi jogado nas épocas da Legião da Telecinesia. Na ilha mesmo, ele conseguiu obter um navio para ir embora, ele usaria esse navio como um navio pirata, e foi o que fez, o batizando de Onda de Deus. Passou algum tempo rodando e buscando tripulantes, após encontrar todos que precisava, começou sua carreira de pirata, sendo um problema para todos os mares, mas pra ele, tudo era uma brincadeira.
O capitão se esforçou e ergueu mais uma onda do mar, mas essa veio de baixo do navio, controlada com o máximo de cuidado. O barco foi atirado com grande rapidez à frente, voando em direção à embarcação da Hannibal S.A, toda a tripulação conseguiu ver o que era lançado da embarcação atacada, havia descargas de eletricidade e outras coisas que não conseguiram identificar bem. O Onda de Deus começou a ser atingido, tomando grandes danos na proa, mas o navio não afundou, não ainda. Ele caiu na água, de frente ao outro, quase encostado, e começava a entrar água pelo buraco que havia em sua estrutura, os ataques continuaram assim que a onda abaixou.
- Agora, defendam o navio! – Sanji estava nervoso, a água entrava bem lentamente, poucos, mas seu navio estava correndo risco. – Jeryn, fique no timão, eu irei pra luta. Jader, conserte aquilo. – Se jogou no outro navio, Jeryn e Jader ficaram no barco.
- Não é possível, é o Sanji, um dos membros da antiga Legião da Telecinesia. Will, ele é um problema extremamente arrasador aqui no mar. – Arius gritou como se quisesse que todo mundo ouvisse, não só Will.
Estavam todos posicionados para a luta, os 9 do lado de Will e os 15 do lado de Sanji. Mas apenas se encaravam, Daisy foi a primeira a falar:
- Seu bando de comedores de bosta pederastas miseráveis, saiam desse navio. – Daisy gritava, enquanto erguia um enorme machado, ela havia pegado ele de uma parede do navio, arma de emergência pro caso de invasão, uma cena impressionante, ela revelou pela primeira vez a sua boca suja e temperamento explosivo.
- Cuidado gostosa, pode se machucar. – Um dos subordinados de Sanji, um baixinho forte provocou. A cabeça do homem saiu voando, a mulher voou tão rapidamente no pescoço dele que ele não conseguiu se defender, os piratas teriam a matado quando ela estava lá, mas Will fez o convés de madeira atacá-los e atirá-los no mar, fazendo a companheira ser jogada para próximo do seu pé, se espatifando com força. Os piratas voltaram para o convés, juntos com uma enorme onda, depois, o capitão loiro inundou a embarcação com a mais água vinda do mar, empurrando todos, ele tentaria jogar as pessoas no mar. Will impediu que o movimento funcionasse, ergueu a madeira na parte de trás com sua fantástica biocinese e fez com que todos batessem violentamente na parede de madeira, doeu bastante, mas não foram jogados no mar. Foi nesse momento que Cyrus fez seu movimento libertador, como o navio estava todo inundado, eletrocutou a água, dando um violento choque em todos, menos nele mesmo, que era imune a eletricidade. Logo, todos estavam desmaiados com o terrível choque, incluindo seus aliados, e o barco estava começando a afundar. Ele foi até os corpos dos inimigos, pegou um por um e os atirou no mar, Sanji foi o mais difícil, já que era bem gordo. Seus amigos estavam quase afundados deitados na água, mas a água escapava pelas fendas na madeira do piso.
- Espero que meus aliados não tenham morrido, me esforcei pra fazer a descarga elétrica só ir na direção dos outros, embora seja muito difícil, tem como evitar que a eletricidade se espalhe por toda água e se concentre em um ponto. – Ele correu para sua mochila, que estava encharcada, e a levou até os seus companheiros, cuidaria de um por um para que ficassem bem, mesmo que tivesse concentrado o choque, a descarga foi bastante alta, com certeza o bastante para matar, se não tivesse sido bastante breve, apenas para fazer desmaiar, pelo menos nos pontos menos concentrados, já que nos mais intensos, era destruição do sistema nervoso e incapacitação permanente. Ele estava de costas e nem viu que a proa do outro navio já estava arrumada, e que um pirata se aproximava silenciosamente dele, com uma espada na mão, pronto para matá-lo. O cientista já havia medicado a sua esposa, aparentemente ela não havia sido a vítima menos grave do choque, a mulher era extremamente forte, apesar de nem sempre demonstrar. O cientista tinha sentidos poderosos em seu corpo mecânico, ao perceber o homem se aproximando a 5 metros de distância, tirou o machado que ainda era segurado por Daisy, e o atingiu o peito do homem, o despedaçando como uma peça de carne no açougue, essa era a vantagem de poder sentir a eletricidade em volta, sendo alterada com os inimigos chegando. Percebendo a situação, o único sobrevivente da tripulação de Sanji, Jeryn tentou se distanciar com o navio, Cyrus Brocken percebeu, mas não o impediu, pois não seria fácil afundar um navio usando eletrocinese e um machado, ainda mais quando se estava com pressa para medicar os companheiros.
O andróide tratou de cada um de seus amigos, com cuidado e eficiência, logo, estavam todos livres de risco, e após mais algum tempo, começaram a despertar, Will foi o primeiro.
- Cyrus, o que aconteceu?
- Eu usei eletricidade para derrubar os piratas, mas com toda aquela água, vocês também não agüentaram. O choque que dei neles era o bastante pra matar, mas consegui evitar que a eletricidade atingisse vocês mortalmente.
- Bem, parece que eles estão fugindo e ainda estão vivos. – Will apontou para o navio pirata que se distanciava.
- Will, quero que vá lá e mate quem estiver lá, depois quando voltar, cuide dos danos que o navio tomou, usando sua biocinese. Se os piratas falharam em roubar nosso navio, nada mais justo que roubar o navio deles. – Cyrus acreditava no pagamento na mesma moeda.
- Claro. Os outros ficarão bem? – O TK biocinético foi até a ponta do navio, chamou Necro para o seu encontro e o fez crescer até o tamanho certo para carregá-lo, e foi atrás do navio, cujo único tripulante estava ocupado no timão controlando o barco.
- Sim. – O cientista viu a coruja levando seu aliado.
01/06/1915, Algum lugar no mar de Houkaiser.
- Daisy, pare de espancar esse infeliz. – Já em seu dormitório com a esposa, Cyrus a censurava por ela ter levado o corpo morto de um dos piratas, Jeryn, o único que não havia sido jogado no mar, para o seu quarto, onde o pendurou, havia usado a desculpa de que o comeria caso eles passassem por uma situação muito difícil, mas tudo que ela fazia ela bater no cadáver como se fosse um saco de areia. Will havia conquistado e consertado o navio do falecido capitão Sanji, agora dividiram a tripulação, deixando Cyrus, Daisy e Doberman(um dos tripulantes) no comando do navio. Doberman ficava no timão à noite e ficava livre de dia, Cyrus e Daisy descansavam de noite e faziam todo o trabalho de dia, o cientista ficava no timão.
- Não, Cyrus, isso é pra praticar a força de meus pulsos, sem falar que é delicioso bater nesse cara. Além do mais, isso vai deixar a carne mais macia e saborosa quando formos comer. – Ela espancava o cadáver com impressionante violência, estava mostrando sua pior face, ou apenas agindo com a naturalidade espantosa que nunca havia demonstrado.
- Amor, não iremos comer esse cara. Eu não sou canibal, o que há com você. Está louca? Humanos não são de comer, não sei por que o Harris deixou você pendurar esse corpo aí. – Ele estava impaciente, acreditava que a mulher tivesse ficado louca, deveria estar horrorizado, mas felizmente era um homem bastante frio.
- Não estou louca, apenas ando mais ativa. Eu fiquei a maior parte de minha vida naquela laboratório trabalhando com você, eu amava aquilo, mas agora que estou aqui, em liberdade, ao ar livre, rodeada de aventura e diversão, quero aproveitar do melhor jeito. – A louca cessou um pouco com as pancadas e arrancou a orelha do morto com uma mordida. Daisy era uma linda negra de baixa estatura, cabelo negro à altura do pescoço e olhos negros. Cyrus era moreno claro com rabo de cavalo, seus cabelos e olhos eram castanhos claros, tinha cerca de 1,75 e ele era o único da tripulação que usava partes mecânica no corpo, metade de seu corpo era feito de metal, levava um mini reator nas costas que ficava como uma espécie estranha de pochete traseira e tampava metade superior do rosto com partes mecânicas, e apenas um olho castanho, o outro havia sido perdido nas mãos de Archie.
- Então vem aqui, vamos ter uma boa noite juntos, essa é a melhor liberdade que posso imaginar. – O andróide chamou a esposa, desejava tê-la bem perto de seu corpo e bem longe da carne humana pendurada e já em decomposição. Daisy terminou de engolir a orelha a essa altura.
- Tá bem. – Ela se jogou na cama, com a boca suja de sangue, mas você não tem pênis, amor. – Ela lembrou ele da pior desgraça que poderia ter acontecido durante o ataque de Archie.
- Eu sei, mas eu tenho a prótese, só quero te dar prazer. – Ele olhava para ela como um marido safado, e era realmente um marido safado, odiava o fato de não ter um pênis, uma das coisas mais difíceis de aceitar em sua vida.
- Amor, você é o melhor marido do mundo, pensando na alegria da sua esposa. – Certamente falavam isso todas noites, ele dava prazer, e ela sentia, um casal perfeito e feliz, e assim ia.
01/06/1915, Bar Daemon, Amestris.
- Nada como ter uma folga. – Kjetil abria um barril de bebida para encher seu copo, mas não era chope, era sangue. O bar havia sido aberto a mando Morten para a reunião de vampiros psíquicos, tinha várias mesas de madeira onde os psyvamps poderiam comer e beber, incluía o líquido que o grande líder dos Daemon considerava sagrado, o sangue de ovelhas, cordeiros e carneiros. Apenas os mais poderosos psyvamps tinhas direito de beber o sangue ovino, já que os ovinos eram considerados animais sagrados na religião criada por Morten, e na própria cultura dos vampiros psíquicos, os animais representavam a pureza da energia e a oposição ao clã Drachen, geralmente representado por um lobo, graças ao primeiro membro, Dracole Drachen, conhecido como Drachen, que tinha sangue de lobo em suas veias, graças ao fato de sua mãe ter sido estuprada por um lobo, e ter fingido estar grávida de seu pai, embora tivesse confessado o suposto acontecimento.
Havia lendas de que os humanos haviam evoluído de uma espécie antiga de lobo, o Lupin Drach, não se sabia muito sobre a espécie, mas lendas diziam que essas criaturas eram capazes de se comunicar mentalmente e que um deles havia sobrevivido à evolução e que estaria vivo até os dias de hoje. Diziam que o Lupin Drach era o lobo que havia engravidado a mãe de Drachen, já que após a morte de seu marido e seu filho, era declarou em público a verdadeira paternidade de seu filho, e o quanto achava estranho o fato de não ter tentado abortar o filho da besta e o fato da criança ter nascido saudável, saudável demais, mesmo com o sangue de lobo, e esse era o motivo para os Drachen serem a família mais desenvolvida no psionismo entre todas as outras existentes.
A rivalidade entre o clã do lobo e o clã do cordeiro era realmente antiga, mas antes apenas os Drachenistas, mesmo não tendo o sangue real do Lupin Drach, eram opressores e conseguiam esmagar os membros do clã Daemon. Desde antigamente, alguns psyvamps bebiam sangue de cordeiro, mas costumava ser apenas por fins nutritivos, era comum para eles terem criações de ovinos, e com os tempos difíceis que se passaram para a lendária raça, eles não tinham condições de desperdiçar o sangue como alimento, mas foi Morten que o adotou como bebida religiosa, sagrada e que apenas os melhores psyvamps teriam dignidade o bastante para beber, antes dele, o cordeiro era sagrado como símbolo, mas seu sangue não era uma bebida sagrada ou coisa assim.
Os barris de sangue em seu bar chegavam a ser uma extravagância, já que em Amestris, apenas havia Morten, Pandora e Kjetil de psyvamps com nível o bastante pra beber sangue de cordeiro, e os dois primeiros estavam viajando longe da cidade, em compensação, o bar era um ótimo ponto de encontro, e apenas psyvamps podiam entrar, aprendizes de baixo nível, pessoas oprimidas e fracos lavados cerebralmente não podiam entrar. Na praça da cidade, do lado da estátua de Dante, já havia um obelisco largo com a oração Daemonista de autoria de Morten Daemon, cravada em baixo relevo:
“- Invoco vosso nome, Leviatã, Morten, cordeiro e serpente
Em nome de Netrom, nosso pai eterno, eu te chamo
Através de areias do tempo e rios de sangue inocente
Eu te peço por piedade, ó meu senhor e amo
Protegendo nome e linhagem, carne e mente
A ti, nosso mestre, prometemos ser fiéis
Alimentaremos nossa ganância no sangue dos fracos
E empalaremos lobos queimados em nome do cordeiro
Vingando a opressão contra nossa raça escolhida
Fazendo do inimigo, nosso sacrifício à vida.
Em Morten, por Morten a batalha se concretizará
E o poder do Vampiro Psíquico prevalecerá!”
01/06/1915, algum lugar no mar de Houkaiser
- Will, cuidado para não deixar o barco bater. – A coruja Necro falava com seu dono que guiava o navio no timão, apenas ele podia entender, ele e Arius, que em sua vida, havia conseguido falar com animais e controlar a mente de alguns, mas que nunca se aproveitou dessa habilidade por achá-la pouco útil para um Deus. O TK lendário se mantinha calado, enquanto a coruja conversava com seu filho, na verdade, ele entoava a antiga oração do Drachenismo, coisa que não tinha importância real na religião, mas cujas palavras explicavam bem o que seus seguidores precisavam saber e seguir:
“Drachen, guia de minha mente e raciocínio
A morte sorriu para ti, pelas mãos do inimigo
Lutaremos em nome da racionalidade
E o demônio kinezista será derrotado
Aquele que pede pra ser adorado deve morrer
E como o meu próprio Deus, eu irei viver”
- Necro, eu sei navegar, Harris me ensinou direitinho. Isso me faz lembrar das boas aulas de história e de mecânica lá da academia. – Ele realmente estava conduzindo o navio muito bem, seguindo o mapa enquanto os outros repousavam.
- O Harris foi bem preguiçoso em ter deixado o trabalho pra você.
- Sim, mas ele ficou mal depois do ataque dos piratas, eu sou mais forte e é justo que eu fique aqui hoje.
- Will, não seja tão bom com as pessoas, elas não serão boas com você. – Arius invadiu a mente de Necro, então a coruja disse exatamente o que o velho queria que ela dissesse.
- Necro, o que está acontecendo com você? – O ex-KNC estranhou as palavras da coruja, pensou um pouquinho e imaginou a possibilidade mais óbvia. – Velhote, não ouse tocar no Necro.
- Do que está falando, Will? – A ave estava sendo controlada por completa.
- Seu demônio, deixe minha coruja em paz ou eu irei te matar.
- Will, você não está bem, ta pensando que seu pai me possuiu?
- Eu nunca falei do meu pai pra você! Saía, velho! – Will gritou, Arius havia cometido um erro e seu filho tinha certeza de que ele estava no comando da mente da coruja.
- Will, aquela sua mente é muito abafada. Aqui no corpo do Necro é bem mais confortável, e não há nenhum mal nisso, eu não estou o prejudicando nem nada. – Ele tentou convencê-lo a deixá-lo na coruja.
- Saia agora. – Will agarrou o bicho, tirou alguma coisa do bolso e enfiou na cloaca do bicho. – Agora tem uma semente na sua bunda, se não sair agora, vou fazer essa semente virar um espinheiro, não vai matar, mas que vai doer, vai.
- Me larga, eu quero ficar no Necro, serei mais útil aqui, sou mais inteligente que essa coruja, e mesmo aqui posso continuar invadindo mentes, pois tenho o dom da onipresença.
- Cala boca, ele é meu amigo e não deixarei que fique no controle de um demônio como você. – O tal espinheiro começou a nascer, o velho sentiu aquela sensação terrível subindo por sua cloaca, a ave começou a gritar, e logo, Arius voltou à mente de seu filho.
- Necro, está a salvo. – O ex-KNC fez a planta voltar a ser semente e sair da cloaca da ave, o velho poderia ter invadido Necro novamente, mas isso poderia acabar dando problemas.
- Will, essa merda doeu, diga pro seu pai nunca mais invadir. – A coruja sangrava pela cloaca.
- Venha cá, irei curar os danos. – O biocinético chamou o bicho, que pousou em sua mão para que pudesse ter sua parte de trás curada por biocinese, mas ele teria que enfiar o dedo lá dentro, com cuidado, coisa que não precisa ser descrita com muitos detalhes.
Logo depois da cura anal da coruja:
- Se você pode invadir a mente do Necro sem ele falar nossos nomes, por que não invade Morten e seus amigos de uma vez e os mata? – Perguntou, voltando ao timão.
- Eu não estou conseguindo mais, preciso estar com a pessoa por perto pra invadir sua mente, e ela tem que falar seu nome, e além de tudo, eu estou fraco, não estou conseguindo matar alguém que não seja um animal ou um TK de nível baixíssimo, um perdedor, entrando na mente de uma pessoa forte, eu só consigo perturbá-la e atrapalhá-la por um certo tempo, nada mais, mas pelo menos o tempo passará naturalmente enquanto isso, pois não será uma invasão perfeita, exceto no animal, que funciona como possessão mesmo sem a destruição da mente do bicho invadido, pode ser apenas subjugada.
- Que droga. – Will odiou a resposta.
Cidade do Cobre, Umi
“- Hoje, no reformatório número 3 temos uma triste notícia, como de costume, os alunos de cada sala com as piores notas das últimas provas, serão mortos, em sacrifício a nosso senhor e salvador, Harudo Kinesis. – O porco olhava para nós todos, ali, meros estudantes de 7 anos tentando sobreviver naquele sistema mortal, era daquele jeito mesmo, as crianças eram obrigadas a ir para escola, e a partir dos 7 anos, a regra era aplicada, o pior aluno de cada sala era sacrificado, eu já havia visto várias daquelas cerimônias, eram revoltantes e grotescas, mas nunca havia feito nada, quem poderia ir contra a vontade de Deus? Eu não acreditava no Deus deles, que pedia sangue humano para se auto-satisfazer, mas eu não temia ir para aquele lugar, afinal, eu era o segundo melhor aluno na minha classe, claro, tinha 7 anos, mas quando se cresce no Império do Medo, você tem que amadurecer rápido.
- Ana Fernandes Costa é a escolhida de nossa classe, ela teve a pior nota dessa sala. – Ele falou com tom de frieza, senti meu coração gelar nessa hora, eu não poderia aceitar isso. Ana Fernandes Costa, a menina mais linda, maravilhosa, doce, meiga, perfeita que existia naquela droga de escola, eu era apaixonado por ela desde os 5 anos, era uma menina maravilhosa, ela sempre era gentil comigo e éramos bons amigos, eu queria ser mais, e eu sabia que ela também, mas a vergonha impedia, coisa de quem ama. Mas apesar de ser a garota que eu mais amava no mundo por ser tão perfeita, ela era ruim para aprender coisas na escola, ela não era burra, era não era medíocre e nem preguiçosa, mas tinha dificuldade para aprender coisas como história, matemática, gramática e mais importante: telecinese, era péssima em telecinese, pois não tinha o mínimo de concentração e era hiperativa, era do tipo de pessoa que vai péssimo na escola e vai bem em todo o resto, mas naquele caso, era a escola que importava, pois era o jeito que arranjavam para testar nossa força de vontade, éramos obrigados a estudar e treinar telecinese, pois o medo de tirar a pior nota da sala e morrer era grande demais. É fácil fazer um país se desenvolver quando há o ensino obrigatório, e quando quem não é bom o bastante acaba morrendo, todo mundo acaba estudando, mesmo odiando, afinal, entre estudar e morrer, melhor estudar. Já ouvi falar de analfabetismo, coisa que existe em outras cidades, mas não aqui em Hitohell, mas aqui é o contrário, Hitohell é o Império do Medo, claro que fazem isso em boa parte continente, como eu aprendi com geografia, mas não em todas, afinal, manter um sistema educacional desse é bem caro, em compensação, ignorante eu não era.
- Por favor, não, eu posso melhorar. – Ana começou a chorar, desesperada, pedindo para continuar viva, com lágrimas que rapidamente saíam de seus olhos, meu coração tremia naquele momento, eu olhei para ela, olhei junto com todos os outros, minha amada Ana chorava, ela estava com medo, e eu não queria que ela morresse, eu não queria, ela era realmente muito especial para mim, mais do que uma amiga de infância, era minha companheira para todos os momentos, eu não pude evitar e disse bem alto:
- Não toquem em Ana.
- Aluno Alexiel Dracole Nunziati, a menos que deseje ir junto com a aluna Ana para o sacrifício a nosso senhor, irá calar a boca e se colocar em seu lugar. – Aquele professor, George Crocker parecia ter um coração de gelo, se no passado, os soldados do terrível ditador Tonny eram os vilões que todos temiam, os professores eram os vilões cruéis de minha época, TKs de elite bem pagos que podiam derreter seu rosto caso tentasse desobedecer suas ordens, fazer bagunça ou até mesmo colar da tarefa dos outros.
- Eu não vou deixar que ela morra. – Eu me levantei, talvez estivesse louco, afinal, eu estava desafiando George Crocker, um homem que conseguia controlar energia o bastante para arrancar meu braço se eu desse problemas, eu realmente estava louco, mas eu não podia me imaginar vendo Ana morrer, eu não podia, eu precisava fazer algo, havia revolta em meu coração desde a primeira vez que vim um ritual de sacrifício, aos 5 anos, de algum modo, eu acreditava que havia um modo de acabar com aquela chuva de sangue. Meu coração estava ainda mais acelerado, aquele homem de um metro e noventa e músculos fantásticos me encarava sem demonstrar qualquer emoção, foi quando senti alguma coisa vindo e desmaiei, eu não sei o que ele falou depois disso, mas tenho certeza de que não foi nada bom.
Quando acordei, me vi amarrado em um poste, em outro poste estava Ana, que gritava por socorro constantemente, com a voz carregada de desespero, havia uma multidão em volta, sádica, admirando aquele show, do nosso lado, estavam George e o carrasco da cidade por perto, e o pior de tudo, mais 3 postes com duas pessoas em cada amarradas. Era assim na praça de Hitohell, quatro postes onde eram amarradas as pessoas no fim de cada ano, os sacrifícios não ocorriam todos de uma vez, geralmente aconteciam em três vezes com 4 pessoas em cada, aquele festival de fim de ano era chamado de “Festival Tenshikyu”, ocorria no mesmo dia em que as vítimas eram declaradas, para que fosse garantido que ninguém poderia fugir, e que as famílias não ficassem sabendo da identidade das vítimas até o momento da morte. Eu vi meu pai em cima do palácio do general, em frente ao poste, ele não gritava para que parassem, estava bem claro que o povo era conformado, mas ele deveria ao menos ter estranhado o fato de eu, que sempre um aluno exemplar, estar naquela situação, mas do jeito que meu pai era, não duvidava de que ele fosse gostar daquilo.
- Deprimente, meu suposto filho, nunca esperei que ele fosse nos decepcionar tanto, nem meu filho deve ser. – Meu pai falou muito alto, para que eu ouvisse, o general Alexander era um homem realmente cruel, todos os generais que seguiam o Kinezismo faziam tudo que era mandado, coisas como os rituais de sacrifício, mas foi meu pai que criou o sistema estudantil de extermínio atual, há uns 30 anos atrás, antigamente, os únicos sacrifícios eram os alunos baderneiros, não os que tinham más notas, o que mantinha a ordem nas salas e não causava tantas mortes. Eu tinha 3 irmãos, um já tinha 30 anos, outro 10 e outro 45, os mais velhos trabalhavam no exército e disputavam pela atenção de nosso pai, já eu, estava apenas treinava para me tornar um telepata poderoso, não um mero TK, mas eu não queria a atenção de papai, que sempre nos tratou com frieza e grosseria, eu queria poder mudar o pensamento das pessoas através da telepatia, convencê-las de que o que acontecia era errado, eu queria abolir o Kinezismo, aquele grotesca religião banhada em sangue do sacrifício de humanos inocentes, queria salvação dos homens. Mas claro, telepatas em nosso país eram a coisa mais rara, nunca vi um ou ouvi falar de algum, mas cheguei a ler sobre a Telepatia no “Livro Vermelho”, um livro feito sobre a vida do General Kinesis com várias explicações, o homem que os Kinezistas veneravam como Deus, o grande Harudo Kinesis eraum praticante da telepatia, a telepatia que ele conseguia praticar funcionava através da utilização de espíritos como mediadores. É um ótimo livro, apesar de tudo, foi feito por um grande TK que analisou os registros históricos da época do general, e escreveu um verdadeiro manual máximo da telecinese e das outras artes psíquicas, foi uma análise, ele nunca consegue decifrar o porque exato do general ter sido um prodígio tão incomum, mas ele conseguiu explicar como funcionaria a telepatia do general, o único grande caso que foi registrado por fontes seguras em toda a história, ele manipulava massas de energia prânica que pertenciam ao outro lado, ao outro plano, era como se fosse uma ligação entre o físico e o psíquico, Harudo poderia usar essas massas, espíritos, sei lá o que, como pontes para transferir qualquer tipo de pensamento, tanto para ler mentes, quanto para enviar seus pensamentos, o dado passava do outro plano para o nosso e depois voltava para ele, só agora na área da vítima, isto é, sua mente. Essas informações sempre me levaram a pensar em como uma pessoa normal faria para conseguir transferir seus pensamentos e ler mente, e cheguei a conclusão de que bastaria haver uma ligação, o problema era que tipo de ligação seria essa.
- Pai, por que me abandonastes? – Falei, estava com medo também, até o momento eu praticamente estava tomado por um sentimento de revolta, mas era como se não tivesse caído a ficha, foi nessa hora que percebi que eu iria morrer se não fizesse alguma coisa, e comecei a chorar.
- Você não é meu filho! – Foi a resposta dele, sempre fria.
- Não estava falando com você, tava falando do Lupin Drach. – Disse a única coisa que eu não poderia ter falado, é uma história bem trágica e grotesca de se conta. Um ano antes do meu nascimento a minha mãe teve relações com um lobo da espécie mitológica Lupin Drach, ele era praticamente o animal principal de nossa mitologia, as pessoas acreditavam que ele era um animal que tinha a capacidade da telepatia. Minha mãe disse que eu era filho do lobo, certamente louca, mas confessou, interrompendo meu pai em um discurso, disse que tinha sido atacado pela fera, que a hipnotizou e a convenceu a se deixar abusar, de acordo com ela, a fera disse mentalmente:
“Deixe-me fazer um filho com você, para que esse seja o grande senhor dessa humanidade falha”
Obviamente minha mãe estava sob o efeito da erva da maconha, mamãe era totalmente viciada em maconha, tinha alucinações toda hora pois fumava demais, e o pior é que meu pai não fez nada para que ela largasse o vício, chegando ao extremo dela achar que eu era filho de um animal que nem existe. Mas claro, meu pai ficou muito bravo com aquela história, mesmo sendo um homem frio, ele a matou na hora com sua espada, claro que o grande general Alexander não precisava de um arma tão primitiva, mas ele não gostava de mostrar sua biocinese degenerativa em público. Eu devia ter uns 2 anos na época, nem sei se mamãe era como meu pai dizia, uma vagabunda drogada, mas o fato é que um costume que todos os grandes de Hitohell tinha era de escrever, tanto que meu pai escreveu no diário dele, incluindo a exata frase que ela declarou ter ouvido da fera, já que aparentemente era uma frase que combinava com a personalidade de um Nunziati, que ele me obrigou a ler como um pequeno resumo da vida antes de meu nascimento, mas eu não sinto nenhum afeto à imagem ou lembrança dela, o que me faz pensar que realmente ela não foi alguém importante pra mim. Ele deixava bem claro que me odiava, pois mesmo que ele não acreditasse na história, o povo ignorante realmente achava que o general havia sido corneado com um lobo, e isso o deixava furioso, ele podia mandar matar pessoas, podia sacrificar crianças, mas não podia fiscalizar tudo que as pessoas falavam, sendo essa a principal piada que as pessoas usavam para insultá-lo quando sabiam que ninguém estava escutando, o que o deixava irritado, realmente humilhante, ele também me deixou bem claro o porquê para me manter vivo:
- Um filho do Lupin Drach como você deve ter algum futuro, se você for realmente filho dele, se mostrará um TK fraco, pois animais são fracos, mas se for meu filho, irá ser um grande TK, pois eu sou forte, eu sou Alexander Nunziati.
De qualquer modo, minha mãe só veio a se envolver com drogas uns 3 anos antes eu nascer, foi começando as poucos, sendo uma boa mãe para os outros filhos que vieram antes, e depois se perdendo na droga e ficando totalmente louca e irresponsável.
- O que você disse? – Ele me olhou como um tirano bravo.
- Sou filho do Lupin Drach, não é isso? – Não tinha nada a perder, embora eu chorasse ao mesmo tempo que falava.
- É, você é. Agora comecem a cerimônia, e inicie por esses dois, meu filho e a garota. – Ele gritou dessa vez, sua voz era trovejante e impunha respeito ao povo oprimido.
- Pai, me ajude! – Gritei com toda a força que tinha, não sei o que eu tinha na cabeça pra falar isso, mas sabia bem o que estava planejando, eu ia usar a arte que treinei por anos, a capacidade de transferir meus pensamentos para as pessoas, a arte da telepatia, geralmente ninguém poderia desenvolvê-la sem treinos absolutos e absurdos, mas eu desenvolvi a telepatia com uma facilidade bem maior, claro que treinei absurdamente também, mas eu tinha técnica, eu sabia como fazer, e conseguia treinar em meus sonhos, por isso, acabei conseguindo alcançar o nível para fazer os outros ouvirem meus pensamentos, mas não cheguei a conseguir ler as mentes alheias, pelo menos, a maioria delas. Ninguém sabia que eu treinava telepatia, pois o fazia escondido, eu transferi para meu pai, com uma pseudo-voz mental extremamente grossa e respeitosa, mais do que a dele, uma mensagem, me passando pela única pessoa que poderia me salvar:
- General Alexander Nunziati, sou Harudo Kinesis, o Deus para quem serão sacrificados esses garotos. Eu observei a mente de cada um deles, e vejo um certo potencial em dois deles, o garoto de cabelo e olhos cinzas e a moreninha de olho puxado, quero que mantenha eles vivos e mande para a floresta dos Lupin Drach, onde os lobos uivam à noite e a serpente pica sua vítima, onde viverão como animais, aprendendo a sobreviver. – Eu me fiz passar pelo Deus que tanto despreza, mas não ousei dizer para soltar todos, meu pai acabaria suspeitando.
- Parem a cerimônia. – Meu pai gritou, acreditando que estava falando com seu Deus, todos olharam para ele, o carrasco que já estava vindo para cima de mim com sua faca, certamente iria cortar nossos pulsos para que sangrássemos até a morte, eles adoravam fazer isso.
- O que foi, general? – O carrasco perguntou.
- Deus está aqui, e ele quer que dois dos garotos sejam libertados e mandados para a floresta Lupin Drach, onde irão viver para ser tornarem soldados selvagens lutando pela própria sobrevivência.
- Mas acho que talvez fosse mais interessante se todos fossem livres nesse ano,veja, se essas crianças se tornarem soldados, irão matar tanta gente que nem precisaremos de sacrifício nesse ano. Mas eles deverão ser mandados pra realmente viverem como animais, pra se tornarem fortes e frios, quem sabe assim recuperamos suas mentes para alguma coisa útil. E pense bem, nós mandaremos eles como frente de guerra, assim, mesmo que não sejam recuperados, irão morrer do mesmo jeito. – Tentei salvar a vida de todos, eu odiava ver pessoas inocentes morrerem, mas eu estava me arriscando, sem falar que não era fácil mandar mensagens telepáticas para aquele maldito ditador. O público estava agitado mentalmente, nervoso com a suposta presença de Deus, mas todos estavam calados, havia muito respeito naquele local, embora esse respeito se chamasse medo.
- Mas se as crianças não temerem a punição de morte, elas não irão ter um comportamento exemplar, não estudarão, não treinarão telecinese, se eu tirar os sacrifícios, esse país vai virar uma bagunça. – Ele acreditava em Kinesis, mas também acreditava em si mesmo e em sua inteligência, pois insistia em argumentar, por telepatia também,, dessa vez eu estive um pouco surpreso, mas o fato é que embora eu não pudesse ler a mente de uma pessoa como Alexander naturalmente, ela estava falando comigo, essa era sua intenção, então eu podia ouvir sim o que pensava por telepatia.
- Não faremos isso outra vez nem em outro lugar, essa anistia só ocorrerá hoje e aqui, os sacrifícios contra as más ou incompetentes crianças continuarão, e essas pestes irão sofrer bastante, como merecem. Mas agora eu desejo que faça isso, e se discordar, serei obrigado a punir você e seus fracos subordinados. – Eu estava fingindo com tanto empenho que já estava quase acreditando, meu pai podia ser esperto, mas usa fé cega era seu ponto fraco.
- Libertem todos, é uma ordem, Deus. – Alexander ergueu seu braço, a pele do carrasco começou a ficar vermelha, e logo estava com uma ferida na pele.
- Sim senhor. – O carrasco sentiu medo, pois o general havia usado sua biocinese degenerativa em seu braço, o que significava que ele teria que se apressar para desamarrar as crianças.
- Muito bem, irei embora agora, só apareci para você para dizer isso, Catarina está me esperando. – Eu falei como se fosse Kinesis e me desliguei da mente de meu pai, supostamente, Catarina teria sido a irmã adotiva de Harudo Kinesis, ela seria a segunda divindade principal dentro do Kinezismo, a vice líder dos Tenshikyus, divindades a quem eram oferecidas as pessoas que morriam. Nessa altura, eu já estava fora do poste, me distanciei um pouco e esperei que Ana fosse libertada.
- Deus se foi, lembrem-se crianças, caso tentem qualquer gracinha, irão morrer, ninguém consegue vencer o general e seu exército, eu sou Alexander Nunziati, servindo o grande deus General Kinesis! – Nunziati estava bem animado, gesticulava muito enquanto falava, ao mesmo tempo, apontava para os soldados em cima das casas, eram muitos deles, e cercavam o local, qualquer tipo de revolta significaria morte, sem citar que meu pai era um general poderosíssimo, poderia fazer minha cara desaparecer tão bem quanto se fosse decomposta por bilhões de bactérias durante bilhões, então não seria bom tentar fugir, disso eu tinha total noção.
- Alex! – Ana correu para mim quando foi libertada, me abraçando com calor, foi o melhor abraço que eu tive em toda minha vida, ela se agarrou a minha com toda força, que achei que nunca mais me largaria, ela chorava emocionada, ela não sabia o que dizer, e muito menos eu, que estava com bastante vergonha, mas ao mesmo tempo era uma sensação boa
- Crianças, fujam, fujam, e não voltem aqui, se forem vistos em qualquer cidade, incluindo essa aqui, antes de 5 anos, serão mortos, todos mortos, então vão, vivam como animais, rastejem e se tornem soldados, e lembrem-se, qualquer tipo que de quebra das regras será punido com a morte, de preferência, fritando a cara de cada um de vocês com uma chapa bem quente. – O general gritou, e todos saímos correndo, não tinha chance para ficar esperando, a essa altura já tava todo mundo livre, nem sei dizer bem quanto tempo passei abraçado com Ana, mas quando corri, segurei em sua mão, como se fossemos voar juntos, e realmente iríamos, para um lugar muito ruim, a floresta Lupin Drach.
Corremos rapidamente, eu deveria estar sentindo terror, ia para uma floresta cheia de lobos famintos e serpentes venenosas prontos para acabar comigo, mas eu me sentia feliz, eu estava correndo ao lado da mulher que eu amava e estava livre, livre daquela maldita escola assassina, daquela ditadura, estava correndo livre pela cidade em direção a um local sem os estúpidos homens e sua fé imbecil.
- Obrigado Alexiel, eu amo você. – Ela me falou enquanto corríamos, era a melhor coisa que poderia ouvir, ela sorriu para mim, mesmo naquela situação, e isso só podia significar que ela também gostava de mim como eu gostava dela.
- Também te amo, Ana, sempre te amei e sempre irei te amar. – Eu sorria, morrendo de vergonha, se havia algum tipo de amor verdadeiro, aquilo que eu sentia era.
Quando entramos na floresta, todos juntos nos organizamos em local com menos árvores naquela mata fechada, lá nós estabelecemos, eu era o líder, estava tarde e decidimos que todos iríamos dormir, exceto eu, que ficaria acordado vigiando, o trato era esse, durante os próximos anos, cada um passaria uma noite sem dormir, vigiando os que dormiam, protegendo contra predadores e avisando caso qualquer perigoso surgisse, então fiquei de pé e de olho em quanto os outros estavam deitados em seus cantos nada confortáveis, seria uma longa noite pela frente.
Aquela floresta era fabulosa, apesar de ser um local bastante perigoso, as árvores eram grandes, de troncos grossos e compridos, eu estava na mata fechada, com bastante mato nos meus pés, um espaço bastante pequeno entre as enormes plantas, as folhas eram vistas lá no alto, onde podia se ver os ninhos das pequenas aves, havia algumas corujas voando debaixo das folhas, eu vi uma delas atacar um dos pequenos animais com crueldade e elegância, levando o pobre passarinho para ser devorado entre suas garras imponentes, eu estava apoiado em um tronco bastante duro, entre um dos poucos espaços livres daquele lugar cheio de vida. O chão era bem macio, terra úmida, não dava pra ver nada direito, já que as flores escuras das árvores altas faziam bastante sombra e deixavam o local muito escuro, ainda mais de noite, mas dava para ver algumas coisas sem muita nitidez, mas era fácil ver a grande quantidade de folhas secas no chão, pois faziam bastante barulho quando pisadas, também havia frescas e verdes, mas essas não eram fáceis de se ver. Cipós pendurados nos galhos, cheiro de terra molhada, os ruídos da noite eram basicamente feitos por grilos e pelas corujas, eu podia sentir a sensação de caça noturna, estava envolvido, ouvindo passos sobre as folhas, estava envolvido naquela sinfonia selvagem quando ouvi um uivo penetrante atravessando a floresta, os animais da noite eram discretos, e em geral, eu só via as pequenas aves e as corujas, que faziam bastante barulho, mas em uma das árvores ao meu redor, havia um buraco, dentro dele não dava para ver nada, mas logo, um pequeno animalzinho saiu de dentro, mas não vi o que era, pois ele foi rápido e estava escuro. Eu vigia com total atenção, mas a única coisa que chegava a me preocupar era o uivo que tinha ouvido, afinal,todos sabiam que a floresta Lupin Drach tinha esse nome por causa dos lobos que lá habitavam, mesmo sendo “filho de um deles”, tinha medo de ser devorado vivo, isso levando em conta os animais que sabia que havia lá, pois também poderia haver insetos venenosos, cobras e predadores bem piores, mas eu imaginava que os passos distantes nas folhas pudessem significar algum tipo de problema, isto é, uma morte rápida e dolorosa.
Ouvi os passos se aproximando, não ousei acordar meus companheiros, mas vi um animal cinza saindo das árvores, um maldito lobo cinza, o animal mais temido das redondezas, atacava rebanhos, matava pessoas covardemente, eles costumavam atacar de surpresa, por trás, e foi com esse conhecimento sobre zoologia que percebi que havia outro daqueles animais chegando por trás, foi quando tive uma boa idéia. Usei telepatia para mandar mensagens para ambos os animais, já que a telepatia poderia funcionar através de intenção, não só por palavras, então os bichos entenderiam a minha intenção. Uma coisa que esqueci de comentar é que às vezes eu treinava telepatia com animais nas ruas, mais exatamente, cachorros, sim, eu tentava dar ordens para eles no formato de telepatia, tentava controlá-los à distância, apesar de parecer louco e ter demorado muito tempo até conseguir fazer um dos bichos vir para mim, eu cheguei a desenvolver a capacidade de realmente me comunicar com eles. Eu treinava mais energia quando estava na cama ou em qualquer momento livre, às vezes até enquanto fazia outra coisa, mas o fato é que se eu consegui me comunicar com cachorros mentalmente, para falar com os lobos, só seria outro passo, mas eu sabia que não seria tão fácil quanto dar ordens a um poodle de 20 cm.
- Irmãos, somos iguais, não nos ataquem, caçaremos juntos, somos da mesma espécie, lobos. – Mandei a mensagem telepaticamente, me concentrando na intenção e não nas palavras, era assim que eu fazia para falar com os animais. Obviamente eu não recebi nenhuma resposta, apenas olhei para trás e vi aquele enorme canídeo cinza bem perto de mim, me encarando sem atacar, estiquei meu braço, me concentrando na mensagem.
- Iremos caçar juntos, roubaremos as ovelhas das fazendas dos arredores. – Eu me referia às criações de animais comuns tanto em Hitohell quanto em suas redondezas, era bem natural que houvesse animais andando nas ruas e pequenas cercas nos quintais de casas guardassem animais, o que explicava o ódio mortal de todas as pessoas pelos animais, que viviam atacando a cidade, e muitas vezes eram bem sucedidos. Sabem por que ninguém ousava derrubar a floresta para acabar com a praga de lobos? Ninguém tinha coragem de tocar na floresta onde dizia-se ter nascido a humanidade, afinal, era sagrada até mesma no Kinezismo, bando de religiosos estúpidos.
Aqueles dois animais ficaram me rondando, então pararam e foram dando lentos passos até um de meus companheiros dormindo,Pedro.
- Eles são como eu, como nós, seremos todos companheiros, iremos juntos dominar a cidade e devorar todos os animais lá, haverá banquetes para todos nós, viveremos como os homens ou melhor. – Eu tive essa idéia, se eu tivesse controle sobre os lobos, acabaria conseguindo usá-los na invasão que faria à Hitohell em alguns anos, e além disso, evitaria que devorasse meus amigos, e foi bem nessa hora que o Pedro acordou, com o canídeo fungando em suas pernas, dando um grito absurdo, o que resultou em uma mordida que quase arrancou sua perna, isso acordou todos os outros, e eu tive que gritar em português.
- Parem, eles não farão mal, eu fiz amizade com os lobos!
E ao mesmo tempo disse telepaticamente pro lobo que mordeu o menino:
- Não o morda, ele é nosso irmão, mas o assustou. – Eu falei com tom de repreensão, de algum modo, mesmo com todos acordados, eles nem chegaram a gritar, pois expliquei a situação rapidamente e qualquer idiota sabia que não deveria gritar de susto em uma floresta, pois isso apenas atrairia mais predadores, e como eu era o líder que havia libertado todos, eles confiavam em mim e sabiam que eu tinha controle sobre a situação. Esqueci de dizer que durante nossa organização na floresta, eu contei que fui eu que falei com o general para permitir que todos fossemos libertados, e expliquei como, o que garantiu 100 por cento da confiança de cada um. De qualquer modo, era difícil fazer isso quando o menino gritava de dor, mesmo que o lobo já tivesse soltado sua perna, corri até meu amigo idiota e tampei a boca com minha mão.
- Estúpido, não grite, estamos em uma floresta. – Deixei bem claro a situação, estiquei meu braço para a fera mais próxima e acariciei sua cabeça, ele aceitou como se fosse um cachorrinho e lambeu minha mão, a aliança entre os lobos e nós estava feita.
- Assim como os miseráveis Kinezistas se auto-denominam assim, eu nos declaro como a grande resistência, somos os Drachen! Somos todos Drachen, assim como as lendas falam sobre o Lupin Drach, o lobo inteligente que teria o poder da telepatia e os dons da mente, assim como o nome dessa floresta, nós seremos como a evolução desses animais lendários, fortes e inteligentes, e Drachen se tornará sinônimo de força, inteligência e justiça! Eu me batizo de Alexiel Dracole Drachen, renegando o sujo nome Nunziati, e cada um de vocês será batizado, para que nós e nossos irmãos lobos possamos voltar e fazer com que Alexander Nunziati pague por tudo que nos fez. Teremos a nossa liberdade de volta, e podemos correr livres à noite sem sermos mortos e sacrificados. – Sim, eu falava ao mesmo tempo com palavras reais e intenções telepáticas, todos os meus companheiros se levantaram, incluindo Pedro, mesmo estando machucado e sentindo dor, ele encontrou forças para se recompor, foi quando finalmente percebi que havia nascido pra ser um líder.
Cada uma das pessoas ali presentes veio até mim, cada um foi batizado em nome de Drach, removia-se o sobrenome de cada um dos membros e o substituía por “Drachen”. Ao final da noite, fizemos um grande juramento juntos, eu o escrevi nos troncos das árvores que nos cercavam, escrevendo o máximo que podia em cada um, para que todos pudessem ler.
“Somos Drachen, como um Drachen, eu juro, para buscar a minha perfeição física e mental, seguirei as leis que foram definidas na floresta dos lobos, a floresta Lupin Drachen:
Admitirei que não há nenhum Deus, nem no céu, nem na Terra e nem abaixo dela, além de mim mesmo, como Drachenista, eu sou meu próprio Deus, meu próprio guia, e que o General Kinesis é apenas uma farsa utilizada para impor o medo sobre o coração dos tolos.
Não permitirei que os outros se metam em minha vida, não permitirei que os tolos tentem me influenciar, fazer minha cabeça ou mudarem meus atos
Não me importarei com críticas alheias, uma vez que apenas minha opinião seja a única que me importa, a menos que essa crítica possa ser construtiva.
Serei fiel a meus irmãos drachenistas, tanto os homens quanto os animais, aqueles que forem meus companheiros em minhas ações, e farei de tudo para protegê-los, agindo em conjunto com eles para obter o que desejo.
Irei lutar pelo meu desejo e adaptar o meu mundo a mim mesmo, irei buscar e alcançar meus objetivos usando minha inteligência, força e discernimento, impondo minha opinião sempre que eu conseguir, mas sem insistir caso seja impossível.
Serei capaz de analisar opiniões, situações e idéias, não terei a mente fechada, irei buscar novas idéias e ser capaz de inovar e de ser um pioneiro.
Não farei o mal às pessoas gratuitamente, nunca farei mal àquele que é inocente, mas caso eu seja prejudicado, terei o direito de me vingar do modo que for justo, baseando-me na justiça Drachenista, cada um deve receber de volta o mal ou o bem que dá.
Serei inteligente e racional, e buscarei o conhecimento e a perfeição intelectual, sem me ligar à superstições tolas, fé cega ou ceticismo estúpido, serei capaz de ver o que é real, o que tem futuro, o que pode ser útil, serei sábio, ou pelo menos buscarei ser, saberei ouvi r mas saber impor minha opinião.
Buscarei ser forte e não serei preguiçoso, estarei pronto para subir grandes montanhas e para trabalhar por longos dias, meu corpo é uma de minhas mais poderosas ferramentas, e para seu ser um homem forte, um homem que se destaca, irei buscar a força física além de tudo.
Com todas essas palavras, eu nego qualquer outra coisa e declaro minha futura perfeição e justiça, meu nome é Drachen”
- Expliquei que onde estava escrito “Com todas essas palavras, eu nego qualquer outra coisa e declaro minha futura perfeição e justiça, meu nome é Drachen,” ao invés de falar “Drachen”, a pessoa deveria falar o próprio nome dado no batismo, o nome drachenista. Assim surgiu a igreja drachenista, todos foram batizados e fizeram o juramento, a minha intenção era só nos unir como um família, os dois lobos que estavam também foram batizados, mas não fizeram o juramento, já que não sabiam falar, mas eu os batizei respectivamente de Lang e Suyar, Suyar era o que tinha mordido Pedro Drachen. Com os dias se passando, conseguimos formar amizade com mais lobos,nossa sociedade entre homem e animal era perfeita, nós todos caçávamos em grupo para buscar comida, e com nossa ajuda, eles conseguiam muito mais comida do que costumavam ter, pegávamos principalmente veados, que era o animal mais comum na floresta de Lupin Drach. Sobreviver estava sendo algo duro, mas não complicado, já que éramos irmãos dos maiores predadores daquele local , nós costumávamos nos reunir para treinar telecinese e telepatia, e eu expliquei para todos como deveriam fazer caso quisessem treinar antes de dormir e durante os sonhos. Pedro era o único do grupo que não parecia ser uma pessoa feliz com aquela vida selvagem e com o sonho de fazer justiça em Hitohell, ele nunca sorria, ela nunca ria, ele parecia um robô, sempre com o mesmo rosto sem expressão, isso não era um problema, mas era estranho, o pior é que os pensamentos deles eram confusos e eu tinha dificuldades para ler sua mente, um dia, perto dom fim do primeiro ano, sempre tentando e falhando ao invadir seus pensamentos, eu perguntei:
- Pedro, por que não consigo ler sua mente? Sempre que tento, só consigo ouvir vozes e caos, nada que faça o mínimo de sentido.
- Sou um psyvamp, irmão Drachen, por mais que eu queira ser um Drachen completo, ainda serei um psyvamp. – Ele me falou bem sério, como sempre.
-O que é um psyvamp? – Eu realmente não sabia, ninguém sabia, Pedro era o primeiro psyvamp oficial da história.
- Uma pessoa que drena energia, eu dreno energia das árvores, dos animais, até dreno de vocês irmãos, é meu dom, mas isso me deixa louco, pois junto com a energia, vem naturezas que podem deixar minha mente confusa, e uma vez que eu seja viciado no vampirismo psíquico, a arte de roubar energia, eu acabo tendo uma mente tão bagunçada que nem você consegue ler.
- Como sabe que drena energia? Você rouba nossa energia? Por que? – Eu perguntei preocupado, aquilo parecia prejudicial, isso explicava por que ele insistia em dormir distante de nós na maiorias das noites, mesmo sendo perigoso,e eu, como um líder democrático, sempre permitia.
- Eu sinto, eu sinto a energia entrando em mim o tempo todo, mas eu não queria, é inconsciente, isso me faz sofrer, é como uma maldição, até criei esse nome estúpido, psyvamp, para descrever essa minha natureza parasita.
- Então nós treinaremos para controlar essa habilidade. – Eu propus, e ele aceitou de
Nos desenvolvemos, mas infelizmente alguns companheiros morreram por causa de uma cruel doença que infestou todos nós, os sobreviventes se tornaram TKs habilidosos em apenas 3 anos de treinamentos, acho que o contato com a natureza e a distância da sociedade nos deixava mais próximos do oculto, e isso fazia com que tudo fosse mais fácil, pois era como se fossemos todos ligados à energia das árvores dos animais, e conviver com os lobos cinzas era mais um fator que nos ajuda, mas aí vai a lista dos membros da família Drachen após a doença:
Alexiel Drachen, ou simplesmente Drachen, 10 anos, especialista em telepatia , biocinese e geocinese, obtive um forte controle sobre materiais através de geocinese, e sobre células, através da biocinese, eu já tinha a capacidade de me comunicar com telepatia totalmente desenvolvida, e já sabia ler mentes humanas, minha habilidade de persuasão psíquica cresceu muito durante esses anos, e meus irmãos lobos eram quase como uma parte de mim, pois tínhamos uma ligação muito forte, aqueles animais eram parte de minha família e ao mesmo tempo uma ferramenta sobre a qual eu tinha controle, embora eu os amasse de verdade. Ana Drachen, 10 anos,que até se tornou minha namorada, algo que me fazia muito feliz, já que eu a amava muito, mas bem, ela era especialista em pyrocinese, conseguia fazer com que as coisas entrassem em combustão com toda a facilidade e à distância, e também tinha a capacidade de se comunicar telepaticamente com os Drachen, na verdade, todo Drachen tinha a capacidade de se comunicar telepaticamente com seus irmãos à média distância, exceto eu, que podia me comunicar com qualquer um, Ana era bem ruim na telecines,e mas levando em conta o treino doentio que ela seguia na floresta Lupin Drach, não foi tão surpreendente que conseguisse superar suas dificuldades e se tornar uma boa TK. Pedro Drachen, 12 anos, no começo ele era péssimo, mas acabou se mostrando o Segundo melhor do grupo depois que aprendeu a controlar o vampirismo psíquico, ele sabia termocinese, ele podia mudar a temperatura das coisas, podia fazer parte da água do ar congelar, e ao mesmo tempo tinha telecinese, podendo mover o que congelava, mas claro que ele também podia aumentar a temperatura até as coisas entrarem em combustão,mas não era bom como Ana, e também tinha seu vampirismo psíquico que podia matar serpentes secando-as de qualquer energia. Raul Drachen, 13 anos sabia apenas a telecinese comum, movia objetos à distância, mas tinha um controle muito bom nisso e podia mover coisas razoavelmente grandes. Fidel Drachen,11 anos, não sabia nada, por mais que treinasse, não conseguia passar da telecinese básica, então acabou aprendendo a ser um lutador, tinha uma clava que ele mesmo fez, com uma ponta, usava-a para caçar e para treinar combate físico sozinho. Saddam Drachen só tinha eletrocinese, ele conseguia controlar perfeitamente a energia em seu corpo e de qualquer coisa em que tocasse, mas não conseguia liberar as descargas, a solução para isso foi a utilização de uma vareta de material condutor, que funcionava como uma antena para lançar a eletricidade de seu corpo para fora. E Letícia Drachen que tinha aerocinese, sabia manipular moléculas de vento para fazer as coisas se mexerem, de fato, era péssima nisso e não conseguia manipular muito vento, mesmo com treinamento, mas em compensação, conseguia manipular com perfeição, isto é, só conseguia controlar o vento em pequenas quantidades, mas controlava de verdade.
Até o último dia de exílio, treinamos severamente, melhorando ainda mais e desenvolvendo nossas habilidades, éramos irmãos de todos os lobos da floresta e éramos irmãos uns dos outros, embora eu namorasse Ana, e Letícia namorasse Fidel. No grande dia em que poderíamos voltar para a cidade, nem fomos, na verdade, fizemos a reunião na terceira noite após o prazo, à essa altura, minha telepatia estava realmente muito desenvolvida e eu já tinha a capacidade de hipnotizar combinando-a com biocinese e geocinese, para afetar o cérebro e os pensamentos das vítimas. Estávamos todos reunidos no lugar de sempre, incluindo nossos 20 lobos mais próximos, era noite as corujas cantavam alto, o céu estava sem estrelas e a sensação que eu sentia era uma profunda ansiedade.
- Bem, espero que saibam o que devemos fazer, nós temos um plano para a grande invasão. Primeiramente, eu irei com Lang e Suyar, eu irei hipnotizar algumas pessoas e tentar levá-los para o general como se fossem domesticados, como animais possivelmente usáveis para a guerra. Vocês se distribuirão pela cidade, Raul e Letícia na feira de carnes, Ana e Fidel na feira de verduras, Pedro e Saddam na praça. – Eu começava a organizar o plano, que era bastante simples. – Vocês ficaram nesses locais prontos para receberem mensagens telepáticas minhas, caso isso aconteça, eu darei as ordens para a situação. Caso eu não precise de ajuda, eu nem direi nada, meu plano é entrar em contato direto com o general e hipnotizá-lo com minha biocinese cerebral. Estão comigo?
- Sim, todos gritaram ao mesmo tempo, animados, levantando as mãos.
No dia seguinte, fomos todos para a cidade, levando além de pessoas, Lang e Suyar, os outros irmãos lupinos ficaram no mato, a onde pertenciam, mas de onde sairiam. Eu fiquei no meio do caminho com os animais e deixei que os outros chegassem antes. Esperando um tempo, segui viagem, chegando na cidade, muitas pessoas comentavam em voz alta coisas como “vejam, o último sobrevivente chegou” e “o escolhido por Deus finalmente voltaram”, não esperava ser tão bem recebido, mas as pessoas não se aproximaram, pois tinham medo dos lobos, o que adicionava comentários como “ele está levando aqueles demônios” e “o que está fazendo com esses malditos lobos aqui?”.
- Estou trazendo para vender ao general. – Respondi, não queria ser detido por levar os animais mais odiados do mundo para a cidade, mas logo, vi um daqueles policiais comuns na cidade, os policiais de Hitohell eram bons, pois mantinham a ordem e matavam criminosos, em compensação, era ruim, pois oprimiam as pessoas.
- O que faz com esses lobos? – Ele perguntou, segurando fogo nas duas mãos, obviamente um TK especialistas em pyrocinese, queria deixar claro que não permitiria nenhuma quebra das regras, eu sabia disso, pois podia ler sua mente.
“Me leve ao general, me leve até ele”
Influenciei a mente dele, felizmente, meus bichinhos eram inofensivos a menos que eu mandasse, haviam sido muito bem domesticados, ou melhor, adotados, já que eram meus irmãos.
- Me leve ao general, eu quero ver se ele estaria interessado em comprar lobos de guerra.
- Vamos até o general. – Ele concordou “espontaneamente” e me guiou até onde o general estava, e não era em quartel, mas sim na praça, para minha surpresa, quando eu cheguei, eu vi meu pai conversando com Pedro e Saddam, agradeci o policial e caminhei até de frente ao tirano.
- Pai, feliz em me ver? – Falei com ironia, mas ele sorriu com sinceridade (eu sabia disso pois podia ler sua mente):
- Sim Alexiel, estou feliz por te ver aqui, mas o que está fazendo com essas bestas nojentas? – Apontou para os lobos, de fato, todas as pessoas que me viam andando com ele se afastavam, mas o general não temia que eu e eles fossemos um problema, não para seu grande poder.
- São lobos domesticados, se chama Lang e Suyar, já que estou sem dinheiro e sem nada, queria oferecer uma boa quantidade de lobos que domestiquei na floresta sagrada, vivendo com eles, aprendi a lidar com eles, e controlá-los, deixam de ser o maior inimigo do homem para ser o melhor amigo do homem. Enquanto eu falava, ia injetando informações na mente dele, atacando seus neurônios e modificando seus pensamentos, foi um ataque complicado, manipulando com esforço o cérebro dele, geralmente eu só manipulava os pensamentos das pessoas, mas como ele ficou em silêncio enquanto eu fazia o trabalho, continuei, pois estava funcionando, fazendo uma verdadeira lavagem cerebral, a partir desse momento, ele se tornou um verdadeiro escravo mental, e faria qualquer coisa que minha mente mandasse.
Naquela mesma noite, o general passou seu cargo para Alexiel Drachen, em um discurso público no alto de seu palácio, eu estava do seu lado, junto com meus dois lobos, com a ordem de mantê-los em segurança e quietos, afinal, eram mansos:
- Eu, Alexander Nunziati, vim aqui declarar ao povo de Hitohell e de toda Umi que eu passo meu grande cargo de general de Umi para meu filho, antigamente conhecido com Alexiel Nunziati, que foi exilado para a floresta Lupin Drach, e agora chama-se Drachen, pois adotou um nome derivado do nosso mítico animal de quatro patas. Assim como declaro Alexiel Dracole Drachen como Drachen, passo a ele a autoridade, agora que minhas palavras não serão mais ordens. – Eu amei fazer ele falar tudo aquilo, ele estava com o cérebro praticamente acabado, foi uma lavagem cerebral completa, e agora eu era general, porque Alexander mandou, e agora, Alexiel mandava.
- Obrigado Alexander, agora eu farei o primeiro decreto, meu povo, e declaro proibidas à caça aos lobos e abolidos os sacrifícios ao Deus Kinesis – Esperava que alguém tentasse me matar, mas ao invés disso, parte daquela enorme multidão me aplaudiu fervorosamente, pelo jeito, mesmo com fé, alguns discordavam daquele rito doloroso.
Como general, acabei me tornando muito poderoso, quando uma pessoa não concordava comigo, eu manipulava a mente dela com minha técnica que eu mesmo batizei de sapiencinese, extremamente poderosa e efetiva, eu a usava em discursos cheios de multidões para impor minha opinião sobre cada cidadão. Coloquei cada um de meus irmãos como pessoas em altos cargos no continente, Pedro era meu vice-general, meu braço direito, e Ana veio a se tornar minha esposa logo cedo, se tornando a mulher do general, a mulher mais importante do continente. Aos poucos, enquanto ia controlando a mente do povo para o próprio bem dele, eu ia banindo o Kinezismo, até que um dia eu o proibi, bani de vez, foi quando ele sumiu do meu continente. Admito que fiz guerras, que não foram difíceis, e acabei dominando Tsuchin, que dei a Pedro, que fez um ótimo trabalho nas batalhas, era um guerreiro excelente, conseguia derrubar inimigos sem nem mesmo matá-los, apenas drenando sua energia tão rapidamente como um buraco negro, ele só não era mais forte que eu por que eu tinha controle sobre sua mente, na verdade, eu nunca cheguei a conseguir ler sua mente, pois a energia psíquica absurda de diversas pessoas que ele roubava sempre deixava a leitura sempre confusa e impossível, mas eu podia mandar meus pensamentos e manipulá-lo apesar de tudo, outra coisa bem interessante é que meu pai acabou se tornando um pastor de ovelhas, tendo uma pequena criação em uma casa na qual ele passou a viver depois de deixar de ser general. Comigo no poder de Umi e ele no poder de Tsuchin, mantemos o reino em paz, sem mais guerras, já havia terras demais no que eu chamei de Tsumi, que não era bem um único continente, mas era um vasto império, meu grande amigo mudou seu próprio nome após se tornar general, tirou o Pedro do nome, e o mudou para Netrom Daemon, ele nunca perdeu aquela face sem expressão, acho que ele era uma pessoa naturalmente fria mesmo, mas era justo, ele me contou que tinha escolhido Netrom Daemon porque significa “Cordeiro Demônio” ou também “Cordeiro Lobo”, aparentemente uma metáfora contraditória sobre o bem, o mal, a força e a inocência. Mas eu sabia que haveria inimigos em algum lugar, eu bani o Kinezismo, mas eu não tive acesso a todas as pessoas, sei que deve haver alguém conspirando contra mim, que despreza o meu reinado de paz a todos e arrependimento forçado para o mau, os únicos que sabem do meu poder são os meus irmãos, mas nunca se sabe do que o inimigo sabe, e se tenho inimigos que são capazes de oferecer crianças a seu Deus, eu sei que devo ter muito cuidado para não acabar morrendo e perdendo minha preciosa utopia. Sei que controlar o cérebro e os pensamentos das outras pessoas não é algo especialmente correto, mas sei que evitei muitas mortes assim, pois eu fazia isso para impor uma vontade de justiça, de fazer um reino justo e pacífico, sem malditos sacrifícios, até a guerra contra Tsuchin, eu matei menos pessoas naquelas guerras do que as pessoas que estavam morrendo na ditadura do general daquele continente, um incompetente miserável que matava por qualquer coisa, o apelido dele era Dódi O Empalador. Eu cumpri a promessa que fiz aos meus irmãos lobos, hoje em dia, eles andam entre as pessoas nas ruas, se tornou algo natural, humanos e lobos vivendo como iguais, eles se alimentam como os cachorros, a maioria se tornou mascote, pois eu condicionei isso e deixei garantido que eu seria responsável por qualquer animal que fosse agressivo sem motivo, ou qualquer pessoa que agredisse uma das minhas amadas feras, comigo mesmo, só ficaram Lang e Suyar, que já morreram, mas hoje em dia estou criando alguns de seus descendentes, que já estão bem velhos, o nome deles é Wert, Well, Wailmer e Wit. Aboli a pena de morte e adotei um sistema de lavagem cerebral em bandidos, cometeu crime, vem pra mim que eu transformo em um cidadão decente rapidinho com minha sapiencinese. Eu faço esse continente se desenvolver bastante, eu admito o General Kinesis como um genocida cruel, um monstro, mas o reconheço como um libertador também, afinal, foi ele quem mostrou a telecinese para os pobres, acredito que ele não teria sido pior que qualquer outro, então eu até o admiro, mas não poderia aceitar a idéia dele de querer ser um Deus, de ser adorado, de receber sacrifícios de sangue, por isso bani o Kinezismo, e deixei bem claro o que ele realmente era, um homem, que já está morto, sou um homem que acredita no bem, na justiça e na paz, e tudo que faço até agora, foi por essas três coisas. Bem, esse seria o resumo da minha vida, eu não vou explicar detalhadamente como foi minha vida como general, pois tirando as minhas medidas, não foi tão especial, eu vivi trabalhando e com minha Ana, ah, eu realmente amo aquela mulher, e de noite então, não dá pra explicar o que é ir pra cama com aquela mulher, posso ter descoberto o segredo da telepatia e dos animais, mas não descobri o segredo do amor, apenas o sinto com toda a força do mundo, também tivemos um filho, garantimos não ter mais de um, pois poderiam acabar brigando entre si para obter o título de general futuramente, e eu não queria isso, meu filho se chama Amon, e eu ensinei a ele tudo que sabia tanto de telecinese e telepatia quanto de moral e justiça. O Drachenismo é a religião oficial de Umi e Tsuchin, mas as pessoas só a seguem se quiserem, ela não prega a salvação ou a punição divina, apenas ensina como viver, eu sabia que nem todos poderiam ser drachenistas completos, e que não serviria de nada enquanto eu estivesse vivo, mas como é uma religião que funciona como uma filosofia de vida, eu a criei para garantir que após minha morte, meu povo não se deixe enganar por outro fanático, e não caia nas mãos de algum louco, manipulador ou ignorante, que tente impor um ponto de vista estúpido a qualquer custo, assim, o Drachenismo é minha herança pela paz e inteligência. Meu reino se tornou um local de paz pura e compreensão, onde o mau se torna bom à força e o bom vive bem, um reino verdadeiramente justo, mas sei que quando eu morrer, isso vai acabar, e é isso que eu temo, eu queria, que quando as pessoas lessem esse texto, que elas fizessem meu sonho continuar vivo, sei que tudo que fiz foi transformar as pessoas em coisas que elas não eram, mas assim está ótimo, é um preço baixo pela paz e a justiça, então leitor, pense nisso, e siga os meus princípios, os princípios de Drachen, lembre-se que o Drachenista carrega uma forte responsabilidade, e ele deve cumprir seus deveres e buscar a perfeição, para que seja mais fácil para ele, levar seu mundo à perfeição.”
Hannibal lia tranquilamente o livro em sua sala, sozinho, enquanto fumava bastante, era um amante da leitura, e esse era seu livro favorito, “O Reino de Drachen”, que já havia lido 7 vezes, mas nunca se cansava de ler novamente, era um verdadeiro apaixonado pela história daquele homem que tanto admirava, e pelo próprio Alexiel Drachen, já que mantinha um retrato desenhado dele em sua mesa, obviamente era uma cópia, do único registro do rosto de Drachen, um homem de cabelo grisalho até a altura do ombro, com olhos cinzas, pele branca e rugas masculinas, que tinha um olhar bondoso e um sorriso simpático, diferente dos outros grandes TKs que reinaram sobre o planeta, geralmente como uma expressão pesada, dura e autoritária, mas o maior deles, tinha um sorriso como o de uma criança inocente, sem maldade, sem ganância.
15/06/1915, Bather, Umi.
A Neo-KNC e os subordinados de Hannibal já estavam descarregando as caixas no porto de Bather, cidade onde aportaram em Umi. Já haviam entregado as mercadorias que precisavam deixar em Tsuchin, coisa rápida, já que foi em uma cidade próxima de Umi. Agora estavam todos reunidos em uma grande churrascaria, comendo antes de procurarem por Hannibal na Cidade do Cobre, que era distante e estava a uma semana de distancia, mas algo os surpreenderia, exceto a Harris, enquanto comiam
- Capitão Harris, por que demoraram tanto? – Um velho que fumava perguntou, olhando para o capitão com um sorriso na face.
- Senhor Lewis Hannibal, é um prazer ter o senhor conosco. – O capitão reconheceu o homem, na verdade, todos o reconheceram, mas só o capitão disse alguma coisa.
- Esses são Will, Cyrus e Daisy, os heróis que vieram ajudar na guerra iminente contra Sogen?
- Sim, senhor Hannibal, não deveria estar na Cidade do Cobre? – Will entrou na conversa.
- Não, Harris me ligou quando estavam próximos, então vim para Bather junto com Ferraço, meu aliado e general de Umi, Prabju trabalha no campo de treinamento aqui em Bather, o principalmente campo de treinamento do continente, então pra ele foi fácil vir aqui conosco. Nós estamos desenvolvendo uma espécie de técnica para combater o vampirismo psíquico, Prabhu que criou. – O velho apontou para um homem atrás dele, negro de cabelos longos e grisalhos, da altura de um pingüim e de olhos castanhos, ele usava um turbante, e ao seu lado estava Ferraço, um homem praticamente igual a Lewis, só que mais novo e loiro.
- Sentem-se, mas não deveremos começar antes de terminar a refeição. O senhor com certeza não irá querer entregar mercadorias em uma fase tão ruim como a atual, então nós marinheiros gostaríamos muito de fazer parte de seu exercito, chefe. – Foi Harris quem convidou o homem para sentar.
- Gostaria de conversar com todos, agora só poderemos falar sobre coisas sem grande importância, mas lembrem-se que podemos estar sendo espionados, então é de vital importância que só falemos sobre como iremos acabar com os vampiros quando chegarmos no local certo.
- Senhor, e qual é o lugar certo? – Cyrus perguntou, Hannibal, Ferraço e Prabhu se sentaram à mesa enquanto isso.
- Vão pedir o que? - O garçom vigiava.
- Estamos vendo no cardápio. – Lewis respondeu pelos novos clientes enquanto lia o cardápio do renomado restaurante.
- Sim senhor. – O garçom ficou esperando, não era todo dia que o homem mais rico do mundo ia no restaurante. Pouco depois, o milionário fez seu pedido, os outros fizeram o mesmo, embora cada um pedisse um prato distinto. Eles devoraram tudo, a conversa rolou solta na enorme mesa onde se serviram, embora os que já estavam lá não comessem, pois já haviam terminado suas fartas refeições, eles agiam com total educação e etiqueta e não se retiravam. Na conversa, os líderes uminianos ouviram sobre a situação em Sogen, sobre a lavagem cerebral em massa feita com vampirismo por Morten e pelo controle absoluto que ele tinha sobre quase toda a população, montando um terrível exército de vampiros psíquicos para aquela guerra, também falaram sobre a cura de Lewis, que foi combinada anteriormente, marcaram de fazê-la no mesmo dia, à noite, falaram de como Will, Cyrus e Daisy iriam ser tratados no “lugar certo”. O grupo não teve que viajar, Hannibal e sua equipe guiaram os marinheiros e o grupo da Neo-KNC até um gigantesco quarteirão militar, um campo de treinamento, diferente de qualquer coisa que já tivessem visto, um campo de treinamento, um quarteirão residencial e científico ao mesmo tempo.
- Amigos, vocês irão ser treinados aqui para enfrentar o vampirismo psíquico, irão participar da guerra contra Sogen, sem dúvidas, mas devem estar preparados. – O verdadeiro general fumava sem parar enquanto falava, do lado de Ferraço, que mantinha uma expressão orgulhosa na face.
Era um local amplo, cheio de obstáculos, pneus, barras de exercícios, materiais para treino de telecinese, ringue de luta, areia, lama, buracos e muitas coisas que serviriam para treino, mas que não seriam nada agradáveis na pele. O quarteirão militar era formado por quatro quartéis e dois campos de treino. Nos campos de treino, havia grande quantidade de militares treinando, alguns até brigavam e concorriam entre si, e a rivalidade era algo estimulante para os militares subordinados do general Hannibal. O antigo general havia fundado aquele grande quarteirão militar há muitos anos atrás, era um local primitivo e simples no início de sua existência, mas Hannibal transformou o local em uma zona de ponta, muito bem elaborada, claro que para isso ele teve que gastar grandes fortunas, mas isso era o que não faltava, pois ele era o homem mais rico do mundo, e talvez, o mais poderoso também.
O grupo, incluindo os marinheiros, estava sentado no chão de terra batida em um gigantesco quadrado não pavimentado do campo de treinamento a céu aberto, algumas plantas estavam crescendo no local, mas cheirava como se alguém tivesse sido enterrado lá. Prabhu estava sentado de modo diferente de todos os outros, com as pernas dobradas em posição de meditação, e Hannibal estava de pé, os outros estavam com as pernas cruzadas, como crianças. Aquele enorme campo de treinamento lembrava uma escola pública gigante, com áreas cobertas onde ficavam os dormitórios para os que treinavam, os refeitórios, laboratórios, salas de reunião, salas especiais de treinamento e banheiros, claro, e as partes exteriores, que incluíam vários espaços abertos de diversos tipos, alguns eram apenas espaços a céu aberto sem nenhuma ferramenta, outros eram verdadeiras pistas de obstáculos, ringues de luta, e muito mais, na verdade, aquele campo era praticamente uma “pequena” cidade militar. Os homens em treinamento estavam em outros locais treinando sozinhos, a rápida saída do guru para ir com os generais buscar os visitantes do outro continente havia mudado acentuadamente a rotina de treino de todos lá naquele dia.
- Comecemos o treino contra o vampirismo psíquico, o mestre Prabhu já descobriu a técnica para combatê-lo. – Lewis declarou com força na voz, com a postura de um verdadeiro general.
- Bem, sou Prabhu Gandhon, sou um TK de elite especializado em aura, eu não faço guerra, mas treino pessoas para ela, mas acredito que seja apenas uma questão de auto-defesa, eu preparo as pessoas para se protegerem em situações ruins. A aura pode ter várias utilidades, mas não precisamos nos aprofundar nisso, o importante é que vocês conheçam a técnica desenvolvida para combater o vampirismo psíquico. A aura é uma espécie de camada que temos em volta de nosso corpo, a aura mostra um pouco de nossa personalidade e alma, pessoas de diferentes auras têm diferentes características, nós podemos usar a aura como proteção também. Uma vez que possamos usar telecinese com nossa energia normal, também podemos liberar partes de nossa aura, é assim que nós iremos derrotas os psyvamps. Quando perceber que está sendo vampirizado, você deve liberar uma grande parte da sua aura, você deverá fazer uma espécie de casulo energético psíquico, esse casulo feito de aura deverá cobrir o corpo do vampiro, envolvendo o infeliz para sempre. Uma vez dentro da bolha, o psyvamp nunca mais poderá praticar o vampirismo psíquico. Esse treinamento de hoje já está sendo feito por todos nesse local há alguns dias, ele é bem novo, descobri faz pouco tempo, mas não estamos tendo grande progresso com a maioria dos alunos, pois não é fácil, então não haverá grande diferença de dificuldades entre vocês e os outros.
- Mas nós não temos controle sobre a aura, tanto que nem mesmo sabíamos o que era aura. – Um dos alunos comentou, qual deles não vem ao caso.
- Eu sei disso, e é exatamente o que iremos praticar, controlar a aura é como controlar a energia da telecinese, mas é bem mais difícil, uma vez que a aura tenha uma ligação mais íntima com o corpo e a mente do dono. A aura só pode ser controlada se você conhecer sua natureza, isto é, os vários tipos de aura existentes, cada uma deve ser controlada de um modo diferente, pois não são todas iguais. Mas antes de tudo, vocês precisarão aprender a ver a aura, e para isso, terão que despertar o terceiro olho. O terceiro olho é um dos chakras que um corpo humano tem, ele permite que tenhamos uma visão energética do mundo, para desenvolvermos esse chakra, devemos imaginar que há um olho em nossas testas, imagine a energia girando na sua testa, formando um olho de energia, faça uma psyball de energia concentrada, só que na testa, de preferência fiquem de olhos fechados. – O guru explicava, de olhos fechados, parecia extremamente concentrado.
- Sim, chefe. – Foi Daisy quem abriu a boca, todos fizeram como o mestre em chakras havia mandado, todos de olhos fechados, concentrando energia na testa, imaginando o terceiro olho se abrindo para a visão energética do mundo. Passaram-se longos minutos, ninguém chegou a sentir o terceiro olho despertar, podia ser um treinamento simples, mas não era nada fácil, nenhum dos aprendizes conhecia sobre telecinese alternativa, pois geralmente todos usavam a telecinesia básica, baseada nos princípios quase científicos de Hiroshi Richter. Daisy era quem mais estava tendo dificuldade para fazer aquilo, ela era hiperativa demais pra ficar com a mente vazia o bastante para a abertura do terceiro olho.
Mais tarde, Hannibal levaria mais centenas de soldados para aquela área, sendo inclusos no treinamento, para que se tenha uma noção, apenas aquela área onde fariam a abertura do terceiro olho no campo de treinamento, era capaz de conter 15 000 pessoas, embora nesse caso elas ficassem um pouco apertadas, ainda tinha espaço mais que o bastante para o treino. A voz do guru que dirigia o treinamento era impressionante, ele conseguia falar sem microfone e fazer com que todos ouvissem, ele gritava, com uma voz realmente autoritária, algo que não combinava com um guru que deveria ser o equilíbrio em pessoa, mas se ele fazia aquilo, não era porque era mandão, mas porque a situação exigia severidade e pressa, não tranqüilidade e calma. Aquele homem era um sábio, um sábio que passou a sua vida meditando e procurando se aperfeiçoar mentalmente, fisicamente e espiritualmente, um homem que nasceu com nanismo e ficou com 1,15 após terminar de crescer, e sofrendo muito com isso em sua infância, sendo ridicularizado por todos, buscou na meditação, uma forma de entender o porquê de seu sofrimento gratuito. Por que nasceu anão? Por que não nasceu como todo mundo? Começou como uma válvula de escape, mas acabou descobrindo que tinha um grande dom e sensibilidade à energia, viria a se tornar um grande mestre em telecinese, criou técnicas ainda não conhecidas, fez grandes descobertas sobre aura e energia, e criou sua própria academia particular de telecinese, todos queriam aprender com o homem que alcançou o equilíbrio entre corpo, mente e alma, através de longos treinos e meditação, ele tinha muitos alunos, muitos ajudantes, e era muito bem pago, além de ser um professor excepcional, era um homem muito sábio, dando bons conselhos para a vida prática de seus alunos, e sempre ensinando que o trabalho duro era o mais importante para o sucesso. Aos 40 anos já era muito rico, mas foi contratado pelo general, que ouviu falar de sua grande habilidade e sabedoria, para treinar homens no campo de treinamento de Hannibal e Ferraço, lá sim ele era bem pago, treinava centenas de soldados todos os dias, gerando uma grande evolução no exército de Umi. Seus métodos nada ortodoxos eram um verdadeiro sucesso, e logo seria considerado o terceiro militar mais importante de Umi, apenas atrás do general Ferraço e do grande produtor de metais, armamentos, ferramentas, estruturas, e todo o tipo de produto necessário no continente com base nos metais, Hannibal, que mesmo sem admitir ser general após comprar o cargo, ainda era mais poderoso que Ferraço, com todas as suas posses e suas habilidades incomum. Prabhu se tornou líder do campo de treinamento no segundo ano em que trabalhou lá, decretado pelo próprio general Hannibal, que ficou sabendo do grande progresso dos homens em treinamento com o mestre.
Daisy nasceu em Puritópolis, a cidade mais pobre de Umi, basicamente um grande bordel era a única fonte de renda do povo da cidade, as mulheres de Puritópolis eram as mais procuradas do continente. Puritópolis era uma verdadeira Sodoma no extremo norte do continente, lá não havia leis contra pedofilia, necrofilia ou zoofilia, e as mais bizarras orgias podiam ser organizadas no meio da rua sem que houvesse problema, para garantir que não seriam atrapalhados, os principais cafetões subornavam os generais para poderem manter seu negócio extremamente lucrativo. A garota era filha de um casal pobre da cidade, o pai era camareiro do bordel de Litler, o maior cafetão de todo o continente, e sua mãe era uma das prostitutas do local. A pobre garota foi obrigada a vender seu corpo a partir dos 6 anos no bordel de Litler para pedófilos doentios, sendo abusada e sofrendo demais, conheceu o sofrimento em sua verdadeira face, foi usada como objeto, recebendo uma mixaria, abusada, abusada e abusada por 2 anos.
Mas ela não aceitava sua situação, ela, por mais estranho que isso possa ser, adorava ser estuprada 2 vezes por dia, mas mesmo assim que não queria viver como uma puta, pois ela acreditava que sexo era diversão, não trabalho a garota aprendia a manipular armas brancas quando tinha tempo livre, sempre que não estava em uma cama com algum pedófilo sadista, estava arremessando facas e outros objetos cortantes, treinando a arte de matar com objetos. Ela também aprendeu a usar aerocinese, a telecinese de controlar o ar, mas e o jeito como a jovem prostituta aprendeu a usar essa técnica é que foi o mais bizarro. Daisy era esquizofrênica e masoquista desde nascença, gostava de sentir dor e via coisas, ela ouvia vozes, demônios e gritos, coisas que diziam para que ela fizesse coisas ruins, ela obedecia, e se mutilava desde os 5 anos, fazendo cortes no próprio corpo, se torturando e comendo bichos mortos, ela matava e comia, cru, com pelo e tudo.
Essas vozes ensinaram telecinese a ela, em um período em que a única insanidade que ela cometia era cortar os pulsos, e quando sangrava, conseguia praticar aerocinese com mais facilidade, também sentia um prazer fantástico com qualquer tipo de dor ou ferimento, um masoquismo que chegava a ser anormal, mesmo pra ela. Seus pais nunca se importaram com ela, deixando ela fazer todas as maluquices que quisesse, só assumiram o papel de responsáveis pela louca quando decidiram colocá-la pra trabalhar como prostituta, para ajudar na renda difícil da família. Um dia, com seus 8 anos, obedeceu uma das vozes e levou uma faca para o bordel, matou seu cliente quando ele preparava pra tirar a roupa. Quando chegaram no quarto, a encontraram com um pedaço do peito do cara na boca, ela estava comendo a carne do homem que acaba de assassinar, e crua.
Os homens que a encontraram levaram a garota até Litler, ela se debateu como uma besta possuída, tentou morder os homens, mas foi segurada e amordaçada para que conseguissem levá-la, claro que tiraram a faca dela antes, não era fácil já que a garota sabia aerocinese, mas os seguranças eram verdadeiros armários de aço e ela não era muito boa. Na sala de Litler, quando tentavam amarrá-la, ela conseguiu fugir, saltou pela janela, felizmente a sala do cafetão ficava no primeiro andar, ela fugiu e acabou parando no único lugar confiável da cidade, o açougue de Leite Carne. Leite Carne era uma mulher bondosa que sempre dava pedaços de carne e copos de leite para Daisy, quase todos os dias a garota passava por lá e pegava um pedaço de carne com a caridosa mulher, sendo uma amiga verdadeira da açougueira, que ainda tinha a generosidade de oferecer leite para ser bebido com a carne, geralmente consumida crua, era impressionante que a garota nunca tivesse pegado nenhuma doença infecciosa. Após a louca explicar a situação em que estavs, Leite aceitou adotá-la e escondê-la, ela, além de ter uma açougue, tinha uma laboratório no subterrâneo em seu estabelecimento, onde fazia experimentos, foi lá que Daisy aprendeu a ser cientista, se tornando uma aprendiza para sua mãe adotiva solteira, vivendo escondida lá dentro até uma certa idade.
Após se tornar muito boa e sua mãe falecer, foi trabalhar em outra cidade, trabalharia com o renomado cientista Cyrus Broken, e após algum tempo, os dois se apaixonaram e se casaram. No tempo que ela passou no laboratório de Leite, a mulher conseguiu tratar a garota psicologicamente, fazendo com que ela deixasse de ouvir vozes, fazer insanidades, comer cadáveres, se mutilar e todas as suas loucuras, e ela esteve curada, seu passado de louca foi esquecido pra sempre, pelo menos, era o que deveria te acontecido.
Daisy, nas horas livres, gostava de ler livros, sua autora favorita era o maior expoente da literatura mundial, Samantha Abschteulich, escritora, poeta, religiosa, filósofa, TK, e telepata, criou uma nova modalidade de psionismo que viria a ser copiada por seus seguidores, além de ter escrito dezenas de livros de ficção, poesia, auto-ajuda e manuais de telecinese e afins.
Samantha Abschteulich era filha de um militar nascido em Houkaiser que trabalhava para o exército Tsuchiano e era casado com uma Tsuchiniana, sua mãe era enfermeira, e passou seus primeiros anos de vida em Houkaiser. Tsuchin, o continente que seus pais serviam, estava em guerra com Houkaiser. Diller Abschteulich e Charllote Cavalcante tinha se conhecido quando Diller, muito pobre, se alistou no exército de Tsuchin, e acabou conhecendo Charllote após ser ferido em combate, mas sobrevivendo, já na guerra em Houkaiser, acabaria se casando em pleno campo de batalha, onde a mulher também teve a criança. A guerra durou 13 anos e causou milhares de mortes. Ela era uma criança de saúde extremamente frágil, quase morreu durante o parto, cresceu em uma colônia para as famílias dos militares, onde ia para a enfermaria toda semana, tendo a sorte de ter mãe enfermeira, pois tinha constantes ataques de vômito e dores intensas de cabeça, os pais dela eram depressivos e nunca sorriam, que nem ela, embora não fossem assim antes do nascimento da filha, eram felizes, mas depois de receber aquela criança doente, passaram a viver deprimidos e sempre desejando fugir daquele fardo agoniante, que apesar de tudo, amavam muito. Costumava sentir dor nos membros, e precisava ser sedada para dormir, pois não conseguia naturalmente, já que suas dores intermináveis nunca a deixavam. Seus membros doíam com qualquer movimento, as pernas quando ela andava e os braços quando ela os usava, mas não doíam quando em repouso, seu grande problema era a dor de cabeça, que durava 24 horas por dia.
Tinha a aparência de uma morta, seu rosto era extremamente magro e todos os seus ossos eram visíveis sob a pele, Samantha tinha dificuldade para comer, pois tudo que ela conseguia não vomitar eram as sopas leves, geralmente de batata e cenoura, algumas das poucas coisas que não causavam vômitos na garota. Após algum tempo com essa dieta de sopa, parou com os vômitos, tendo a situação estabilizada. Samantha tinha a pele acinzentada, algo que assustava até seus pais, que foram despedidos quando ela tinha 8 anos, pois a guerra acabou e foi feita uma grande despensa de militares desnecessários. Sem condições de criá-la, os pais de Samantha a abandonaram em uma rua, para que morresse, eles sabiam que não poderiam fazer mais nada por ela, uma garota extremamente doente e com pais desempregados e sem-teto, tendo também a certeza de que ninguém iria querer adotá-la e criá-la, e sem coragem para matar a garota de modo rápido e indolor .
A garota foi deixada em um beco na cidade de Florência, os pais disseram para que esperasse, e ela esperou, até o terceiro dia, quando desmaiou. Quando acordou, estava em um hospital público, em um cama, aparentemente havia sido salva por alguma espécie de biocinese medicinal extremamente efetiva, se viu na frente de um médico alto, que havia cuidado dela, eles conversaram e ele acabou a adotando, se comovendo com a história de sofrimento da garota.
Ela passou os 3 anos seguintes vivendo com o médico Jonieriton Drunko, que acabou cometendo suicídio no final do terceiro ano. Ele havia dedicado grande parte de seu tempo livre a tentar curar a filha adotiva, mas falhou, e se matou por causa da culpa que sentia por não ter sido capaz de curar a menina, que herdou todo o dinheiro do homem e passou a ser guardiã legal do patrimônio dele, algo possibilitado por uma lei da época, que permitia que menos estudantes com média escolar de pelo menos 90% não precisassem de um guardião legal para cuidar de seus bens. Sua depressão e necessidade de compartilhar a dor a levou ao cargo de escritora, dedicava sua vida a escrever e publicar livros, criando a primeira editora da história do mundo, a editora Abschteulich, que alcançou grande sucesso com seus livros baratos. As principais temáticas dos livros de Samantha eram histórias fictícias de terror e mistério e livros de “auto-ajuda” que apontavam o sofrimento como o caminho para a felicidade o sucesso. Ela passou a acreditar que seu sofrimento eterno era um dom que a tornaria forte, ela acreditava que as pessoas deveriam ser como espadas, sendo forjadas no fogo do sofrimento, e quanto maior o sofrimento, mais forte a pessoa seria, sendo esse sofrimento o único caminho correto.
Muitas pessoas se identificaram com a filosofia de Samantha, que ela chamava de Abschteulichismo, ela conseguiu muitos adeptos, principalmente pessoas de vida dura ou saúde fraca. O fato era que a garota conseguia passar pedaços de seu sofrimento para os livros, fazendo com que os leitores sofressem também, coisa que ela aprendeu a fazer durante os anos que viveu com Jonieriton, mas ela conseguia fazer com que as pessoas se acostumassem com o sofrimento e gostassem dele, levando em conta a filosofia do Abschteulichismo, que fazia com que elas desejassem sofrer para se tornarem melhores, como masoquistas. Samantha passou a escrever obras religiosas, o Abschteulichismo deixava de ser filosofia para ser religião, a dor era vista como um caminho para o divino, e as pessoas deveriam compartilhar a dor sempre que pudessem. A Igreja Abschteulichista não tinha nenhuma sede, e os cultos eram discursos feitos pela líder em locais públicos.
“- Meus seguidores, a dor e o sofrimento nos fazem pessoas melhores, compartilhem de meu sofrimento, para que possam ser grandes, todos juntos, como uma grande família de pessoas forjadas no mais alto fogo, fortes e evoluídas.” Essa foi a frase mais famosa de nossa religião, mestra.
Após o Abschteulichismo se tornar popular como religião, Samantha se casou para poder continuar sua linhagem de sofrimento, a essa altura já havia se tornado uma pessoa totalmente masoquista. Ela não pretendia fazer sua religião se espalhar pelo mundo todo, ela sabia que só podia compartilhar sua dor com as pessoas ao seu redor, ela podia fazer com que os seus sentimentos e sensações fossem transferidos, ela não podia evitar a tristeza doentia e as dores infernais que sempre sentia, mas podia fazer que qualquer pessoa por perto as sentisse também, a dor emocional passavam para os outros naturalmente, a física, só quando ela fazia conscientemente. Ela queria divulgar seu livros, isso espalharia a dor pelo mundo, mas não na quantidade certa, ela pretendia fazer com que seus descendentes fossem se multiplicando para poderem espalhar a dor, já que uma grande quantidade de pessoas teria mais facilidade para espalhar o sofrimento do que ela sozinha, então acabariam por dedicar suas vidas à procriação. Após sua morte, aos 33 anos, por falta de nutrientes no sangue, seus filhos continuaram a linhagem, levando o dom de compartilhar a dor e a necessidade de sofrer para evoluir, porém o Abschteulichismo decaiu muito, passando a ter pouquíssimos seguidores após a morte de sua criadora, passando a ser difundido pelos seus descendentes.
Um dos livros que Daisy mais tinha gostado de ler era A Mulher Serpente, e havia um trecho que havia marcado sua vida:
“Uma caçadora de homens, uma maldita serpente rastejante sedenta por carne, e se sua carne não estava satisfeita, obsessiva em sua busca, Isabela, flor das águas mais quentes do Sul, onde o Sol brilhava com todo o seu poder, e onde o mal de nenhum general podia chegar. Isabela, a mais bela flor selvagem no sul de Houkaiser, que desabrochou cedo, perdendo sua inocência com o pólen imundo de um Kinezista, imundo como o sangue confiado ao Deus da Morte, mas carregado de prazeres que viciaram aquela garota, a transformando de vinho para água, água envenenada com a semente do mal. E ela assistiu ao norte, na noite em que a morte na forma de homem a tocou, seus pai, porcos indignos, ofereceram a rosa para ser desfeita, atravessando suas pétalas macias com a flecha do amor, e deixando os espinhos intactos, impondo o vício carnal àquela, que à partir de espinhos secos, virou a serpente mais suja e impura, com todos os vícios humanos, longe da mente, presa ao corpo. Ela acreditava naquilo, toda virgem acredita, mas depois que perde sua pureza, conhecendo a alegria mais primitiva do homem, se torna o mal puro, ou se torna um bem baseado na alegria, aqueles que fazem errado não conseguem, mas o que se controlam, podem ter sua felicidade merecida sem a necessidade da renúncia, Isabela teria se tornado uma mulher pública, e os homens eram seus amantes, não importava de onde viesse, a partir de seu primeiro dia, não quis parar, sua alegria era resumida em seu corpo, em cada cantinho onde pudesse sentir um arrepio, um orgasmo, uma prostituta gratuita no leito de 1000 homens famintos, se deleitando por noites e mais noites, onde a única regra era se satisfazer, mesmo quando aquela garota era insaciável.
E Isabela caminhava na rua, usava a sua roupa de sacerdotiza do culto Kinezista, a capa negra que só deixava mãos e rosto de fora, mas era fácil perceber seu rosto atraente, seus olhos negros que brilhavam bastante, sempre, e seus lábios volumosos que mantinham o mesmo brilho, um convite sugestivo para um beijo molhado ou algo mais, os homens a observavam e imaginavam coisas bastante sujas e prazerosas, imaginavam o que haveria debaixo daquela capa, e quando ela percebia aqueles olhares safados, olhava de volta, piscava e passava a língua nos lábios, deixando-os molhados, como todos gostavam. Tinha seios médios e redondos, mas bem durinhos e levantados, tudo pra cima, o bumbum era bastante avantajado, e igualmente grande, mas sua cintura era razoavelmente fina, não era magra, mas não chegava a ser gordinha, o cabelo era bastante liso, negro como seus olhos, brilhavam quando eram tirados de dentro da capa, combinando com a sua pele morena.
Um dia qualquer e ela passou em uma barraca que vendia carne na cidade, rebolando na sua extravagante capa, a roupa podia não ser nada sensual, mas a visão de seu rosto era, porque além de tudo, tinha um olhar bastante provocante e sugestivo. Se abaixou, sem mostrar o que tinha de bom para as pessoas que passavam atrás dela, graças a capa que tampava, e apontou para um pedaço de carne na mesa do homem.
- Eu quero um desse, ta? – Colocou a mão na boca e piscou...”
A Mulher Serpente contava a história de uma mulher ninfomaníaca em uma cidade Kinezista no Sul de Houkaiser, extremamente inocente até seus 12 anos, pura e decente, mas que após ser secretamente abusada por um sacerdote, já que ela era uma das garotas que cuidavam da Igreja de Kinesis, dos Kinezistas, se tornou uma mulher viciada no sexo e em todo tipo de experiência carnal, uma vulgar piriguete vagabunda. Era até o “piscou” que estava o trecho favorito de Daisy, se identificava com a história, já que também era uma menininha safada, e havia se deitado com muitos homens até ser adotada por Carne, tanto por dinheiro quanto por prazer, e essa perversão a inspirava.
15/06/1915, Algum lugar no mar de Houkaiser.
- Archie, você não devia ser assexuado? – Pandora reclamava, com o gigante em cima dela em uma cama, fazendo coisas imorais e divertidas.
- Sou, você acha que estou sentindo alguma coisa? Eu não sinto nada, só estou fazendo isso para mostrar quem é que manda. – O andróide de árchio mantinha relações com a filha do patrão, bizarrice, levando em conta que ele não tinha nenhum grama de matéria orgânica, era como deitar com um pedaço de ferro.
- Ora, mas não temos trabalho agora, levando em conta que você é o único babaca disponível nesse momento, então serve.
- Não pareço tão babaca dentro de você.
- Ah, parece sim, mas pelo menos essa porcaria metálica não broxa. Espero que funcione do mesmo modo quando tivermos que matar os Umianos miseráveis, Morten vai nos matar caso falhemos.
- O general Ferraço tem fama de ser um excelente estrategista, mas ninguém acredita que ele seja um grande TK, não para o nível de um general.
- Para um general, é mais importante ter inteligência do que força, seu imbecil. Se ele for esperto como dizem, com certeza estará tentando descobrir uma maneira de derrotar o vampirismo psíquico, e se ele descobrir, não será nada bom.
- E essa maneira existe?
- Claro que existe, eu, Morten, Kjetil e Osten somos os únicos que sabemos, mas não vou contar, não confio em você como meu pai confia. Aliás, sinta-se honrado, você está transando com uma vampira psíquica de alto nível, se não fosse pela quantidade doentia de energia que você tem, estaria morto há tempos.
15/06/1915, Bather, Umi.
- Eu consegui. – Will abriu os olhos, enxergou milhares de partículas brilhantes voando por toda a parte, e viu camadas coloridas que cobriam todos os outros, eles haviam despertado o terceiro olho e já poderia ver energia e aura.
- Will, você conseguiu abrir o terceiro olho? – Prabhu perguntou, embora tivesse certeza de que o homem tivesse conseguido.
- Eu consegui, consigo ver sua aura azul, demonstra muito poder.
- Ótimo, então continue meditando, só sairemos daqui quando todos tiverem o terceiro olho.
- Aura verde: Autoconfiança, capacidade de resolver problemas e de perdoar e de amar a paz; sensibilidade. É organizador, planejador e estrategista. A predominância da cor verde na aura das pessoas indica saúde e vigor. Esse tom costuma aparecer com grande intensidade na região da cabeça, pois está associado á atividade mental. Nos animais, a aura verde indica mansidão. Nas plantas, demonstra a emissão de fortes ondas de energia positiva, sendo muito comum nos vegetais dotados de propriedades curativas. Os objetos de aura verde são de uma autêntica fonte de positividade. Costumam apresentar esse tom depois de terem sido tocados por pessoas que estão de bem com a vida.
Aura amarela: Capacidade de dar e receber; ter esperanças; a saúde e a família desempenham um papel importante. Tem o dom de trabalhar em grupo harmoniosamente. O amarelo é uma das cores cinestésicas do espectro; isso significa que uma pessoa com aura desta cor tem uma reação física antes de ter uma resposta emocional ou intelectual. Quando ele entra numa sala cheia de gente, sabe de imediato se quer permanecer ou não. A predominância da cor amarela na aura das pessoas indica inteligência, facilidade para se comunicar e para aprender e supremacia da razão sobre a emoção. Nos animais, pode ser sinal de doença, debilidade física ou tristeza. Nas plantas significa falta de vitalidade, especialmente se a tonalidade do amarelo for muito fraca. Já os objetos de aura amarela costumam ser dotados de pouca energia ou emitir vibrações ruins.
Aura azul:Capacidade de cura através das próprias energias mentais e espirituais; age sobre os outros de modo agradável e calmante; altos ideais de vida; sinceridade. O Azul personifica as características do cuidado e do carinho. É a cor da aura que mais se preocupa em ajudar os outros. Predominância da cor azul na aura das pessoas indica paz interior, harmonia, saúde equilibrada. Bem estar, descanso e autoconfiança. Geralmente se manifesta com maior intensidade após um ato sexual satisfatório e durante o sono. Nos animais, a aura azul é sinal de felicidade e de satisfação com o tratamento que vêm recebendo do dono. Nas plantas, indica propriedades tranqüilizantes e analgésicas. Nos objetos, pode ser interpretadas como uma emanação de fluidos positivos.
Aura laranja: Sua busca espiritual é, na verdade, uma busca de um sentido de vida além de si mesmo. A predominância da cor laranja na aura das pessoas indica capacidade de realização, sensualidade, boa saúde, versatilidade e dinamismo. Nos animais é sinal de manifestação dos instintos (fome, sede, desejo sexual). Nas plantas, indica a produção de sementes ou o nascer das flores. Nos objetos, expressa um grande potencial energético (é comum na aura de sinos e de objetos religiosos em geral).
Aura dourada: Adora saber como e por que uma determinada coisa funciona, e lança mão de uma paciência infinita. A espiritualidade, para a pessoa de aura dourada, é o estudo da ordem superior do universo e de leis e princípios que o governam. Ele quer entender a organização mental, as leis ou as probabilidades que geraram a ordem no interior do caos espiritual. A predominância da cor dourada na aura das pessoas indica espiritualidade elevada e prosperidade. Ela surge com mais intensidade na região do tórax, pois está associada ao amor, qualidade inerente ao centro energético do coração. Nos animais, o dourado expressa felicidade. Nas plantas, simboliza suavidade e fluidos positivos. Nos objetos, mostra que foram tocados por uma pessoa bem intencionada.
Aura Vermelha: Ênfase no modo de vida material; sucesso alcançado através da dedicação pessoal completa; saúde física estável; tendência à irritabilidade quando contrariada. A predominância da cor vermelha na aura das pessoas indica vitalidade, excitação coragem e forte energia sexual. Porém se estiver muito concentrada num determinado ponto, pode ser sinal de um distúrbio. Nos animais, exprime instinto e vigor, ao passo que nas plantas está associado ao crescimento. Nos objetos, indica que eles foram tocados por alguém que estava entusiasmado ou ansioso e que os deixou impregnado dessa energia.
Aura violeta: Espiritualidade bem desenvolvida; inspirações criativas; capacidade de transformar os sofrimentos pessoais em fatores positivos para o próprio destino. O violeta é a cor do espectro mais próxima do equilíbrio psíquico, emocional e espiritual em vigor no planeta neste momento. A predominância dessa cor na aura das pessoas é expressão de poderes mediúnicos, capacidade de compreensão, saúde e mentes equilibradas.Quando surge nos animais, a aura violeta significa satisfação e fidelidade. Nas plantas, é sinal de uma força positiva tanto que as violetas e as flores de lótus que simbolizam a espiritualidade, costumam ter a aura dessa cor. Nos objetos, indica uma forte concentração energética, e, geralmente se manifesta depois que o objeto foi tocado por uma pessoa espiritualmente evoluída.
Aura prateada: Um curandeiro, médium natural. Utiliza energia para transformar luz em raios que curam, seu maior desafio é aprender a se conhecer e descobrir seus dons especiais.
Aura Anil Índigo: A aguda perspicácia intelectual é um dos aspectos mais gratificantes e mais exasperantes, é brilhante e inquiridor, com uma inteligência que vai muito além dos conceitos mais tradicionais.
Aura cristal: A predominância dessa cor (uma espécie de névoa brilhante e branca) na aura das pessoas indica dons telepáticos, poder de cura, para normalidade, pureza e bondade. Costuma se manifestar com maior força nas mãos de massagistas e outras pessoas que lidam com cura. Nos animais é sinal de capacidade de adaptação. Nas plantas, a aura cristal tanto pode significar positividade quanto falta de vigor e vulnerabilidade. E, nos objetos, a aura cristal, expressa o poder de receber e emanar energias
“O jovem Chavo tinha nascido, de vista podia ser um menino bonito, embora com o coração ferido. Sem fôlego ele cresceu, com um sopro ele sofreu, o pai filho da puta abandonou-o com a mãe, deixando várias dívidas e deixando todos sós.”
Daisy estava pensando em coisas que definitivamente não tinham nada a ver com o assunto, ela voava como uma águia caçando sua presa.
Lewis Hannibal Ruschi
Lewis nasceu na Cidade do Cobre, capital de Umi. Filho do general Henrique com uma prostituta chamada Lilith, o general nunca ficou sabendo de sua existência e acabou sendo adotado criado por um dos clientes da mulher, o empresário dono de uma fábrica de ferro chamada Hannibal S.A, Chilly Hannibal. Um dia Chilly, que nunca havia revelado a verdadeira identidade da mãe para o filho, apostou as ações da empresa em um jogo de pôquer e acabou perdendo para seu adversário. Com isso foi ficando cada vez mais pobre, já que gastava todo o dinheiro com bebida, um dia ficou completamente quebrado, e, num ato desesperado, vendeu seu filho e a sua falida ferraria para um homem, Hirineu Lula, o novo dono.
Lewis era explorado, ele pertencia à grande família de TKs magnéticos, descendente dos Ruschi, ou seja, tinha a capacidade de manipular metais com telecinesia, Hirineu aproveitou essa habilidade do garoto para poder lucrar bastante, abusando deles para fazer os serviços da ferraria. Em um belo dia de sol, Lewis estava extremamente cansado do trabalho exaustivo e parou para descansar, o patrão lhe deu um soco no rosto para acordá-lo, em seguida marcou suas costas com um ferro quente, foi algo que o traumatizou e injetou bastante ódio e revolta no seu peito. Era forçado a ficar várias horas em frente ao fogo para derreter o metal, já que Lewis não tinha habilidade suficiente para derreter o metal apenas com a sua telecinesia. Ele queria tanto ir embora de lá, que começou a roubar nas chances que tinha de sair, e tentou juntar dinheiro para comprar sua liberdade, mas Hirineu era esperto, e sabia o que o escravo estava fazendo, tratou de dar cigarros a ele, de graça, o viciando em pouco menos de uma semana, depois disso, continuou dando cigarros, mas cobrou os que já havia dado, o garoto fumava tanto que não conseguia se controlar, totalmente viciado e dependente da droga, acabou perdendo todo o dinheiro que tinha ganhado roubando, e ainda ficou endividado, trabalhando para pagar os cigarros que recebia, sem os quais não vivia sem, o vício o prendia naquele lugar. Lula, que também era dono de uma fábrica de cigarros, o que explicava onde conseguia tantos, foi denunciado por exploração do trabalho infantil e recebeu uma intimação do general, porém, como ele já havia ganhado muito dinheiro explorando Lewis, subornou o general para continuar seus negócios, então passou a manter o garoto trancado dentro da fábrica 24 horas por dia.
Ao perceber que nem o general o ajudaria a se livrar do abuso de Hirineu, Lewis fugiu fazendo uma cópia da chave da porta com sua telecinesia magnética, e a partir daí começou a viver nas ruas como um pivete. Lewis rastejou sem rumo pelas ruas até chegar em Puritópolis, durante seu trajeto, assaltou algumas pessoas com uma faca que havia roubado e controlava com sua telecinese especial, o pouco dinheiro que conseguiu usou para comprar uma caixa de cigarros e um isqueiro, sem as quais não conseguia viver. O garoto entrou para uma pequena gangue de rua de Puritópolis liderada por um garoto de 14 anos chamado Wallace, enquanto o descendente do general Ruschi era uma criança de 10 anos. Lewis costumava apanhar bastante nas brigas, por ser o menor da gangue e tinha dificuldades em usar sua telecinesia magnética, pois era difícil encontrar metais em Puritópolis, principalmente porque as lutas aconteciam em becos fechados, mas mesmo assim sempre conseguia sobreviver a elas, mesmo que corresse ou se escondesse pra isso. Teve uma vez em que a gangue dele estava brigando com uma outra muito maior, Lewis com muito medo se escondeu da briga atrás de uma lata de lixo feita de madeira e ficou só assistindo, até que chegou uma hora que seu líder Wallace recebeu uma facada na barriga e caiu morto,depois disso a gangue inimiga fez o mesmo com o resto da gangue, que foi derrotada,e acabaram todos mortos,depois todos resolveram deixar o beco. Mas, com um tremendo azar, Lewis espirrou, por causa do pó e do lixo na lata, chamando, a atenção da gangue, que partiu pra cima dele,cada um com uma faca na mão, ele aproveitou e tirou cada faca da mão de cada um com sua telecinesia magnética, em seguida lançou todas no peito de cada um, com certa dificuldade para conseguir acertar, mas matando toda a gangue, eles realmente não esperavam aquilo.
Após ter certeza que todos já haviam morrido, o talentoso menino pegou todas as facas, as derreteu com sua telecinesia de metalúrgico e fez uma grande espada com o metal, o garoto podia ter sofrido nas mãos de Hirineu, mas havia aprendido a forjar armas enquanto era forçado a trabalhar, um talento fora do comum. O mais talentoso dos Ruschi, um bastardo, o único que conseguia derreter metais usando telecinesia magnética submolecular, até os 16 anos, ele viveu nas ruas, até que voltou para a sua cidade natal, durante todo esse tempo que ele passou nas ruas sua telecinesia magnética e aprendeu a tirar metais de solo, assim, não tinha dificuldade em lutas de rua. Lewis tirou metais do solo e construiu sua própria ferraria, já que havia se especializado no ofício enquanto era explorado na infância. Em pouco tempo, conseguiu levar várias ferrarias pequenas e médias da Cidade do Cobre à falência, pois como ele não gastava nada na produção, e como a sua telecinesia magnética sempre garantia uma excelente qualidade, podia cobrar um baixíssimo preço pelos seus produtos, e sua pequena ferraria foi crescendo até se tornar uma grande metalúrgica, a única da cidade, mas não pararia aí. Lewis já não parava mais de enriquecer,após ganhar bastante dinheiro resolveu ampliar o negócio até sua poderosa metalúrgica se tornar uma grande indústria bélica, como a antiga empresa do seu pai havia falido devido a irresponsabilidade de seu novo dono, Hirineu, que perdeu tudo para a empresa de Lewis, ele comprou a empresa falida do homem que o escravizou e chamou sua rede de Hannibal S.A, o mesmo nome da ferraria que o pai de seu avô havia criado, seu pai perdido para Hirineu, e Hirineu modificado o nome pra Hirineu S.A.
A Hannibal S.A começou a financiar armas para o exército de Umi, e mais tarde até mesmo para o exército de Tsuchin, o que fez com que Lewis assumisse o título de homem mais rico do mundo. Mesmo depois de acumular uma grande riqueza, ele ainda queria mais, sua empresa já valia 25% da renda mundial, com toda essa riqueza, Lewis simplesmente comprou o cargo de general e mandou o antigo general ser executado por causa de seu grande envolvimento com corrupção, a essa altura, o pai real do novo general, Henrique Ruschi já havia morrido, e Fernando Cólera, sucessor Felipe Frujeri, estava no poder como general. O general Fernando Cólera foi empalado pelo decreto de Hannibal, além de ter aceito milhares de subornos quando estava no poder, foi um dos piores generais da história de Umi, um verdadeiro imprestável. Lewis, já como general, não queria se expor como o homem que mandava no continente, usou seu melhor amigo e TK de elite, Ferraço Ferraz, para se fingir de general e fazer decisões públicas no lugar dele, enquanto ele, supostamente seria apenas um ajudante, sendo que era o contrário. Conseguiu que fosse colocado Ruschi em seu nome, provando que era descendente do clã nobre, usando sua telecinese magnética Lewis desenvolveu um projeto secreto de armas que prometem revolucionar o mundo da guerra, assunto relacionado à guerra iminente entre Umi e Tsuchin. Mas para todos, Ferraço Ferraz era o grande general.
- Sim, chefe. – Foi Daisy quem abriu a boca, todos fizeram como o mestre em chakras havia mandado, todos de olhos fechados, concentrando energia na testa, imaginando o terceiro olho se abrindo para a visão energética do mundo. Passaram-se longos minutos, ninguém chegou a sentir o terceiro olho despertar, podia ser um treinamento simples, mas não era nada fácil, nenhum dos aprendizes conhecia sobre telecinese alternativa, pois geralmente todos usavam a telecinesia básica, baseada nos princípios quase científicos de Hiroshi Richter. Daisy era quem mais estava tendo dificuldade para fazer aquilo, ela era hiperativa demais pra ficar com a mente vazia o bastante para a abertura do terceiro olho.
Pensou em um jeito de se concentrar, mas seus pensamentos corriam soltos, então percebeu que por enquanto não adiantaria tentar manter a mente vazia, então tentou se concentrar em outra coisa, uma poesia de Samantha Abschteulich que funcionava como mantra de meditação, representando a necessidade da dedicação a alguém que quer ter sucesso:
“Flores negras no túmulo de meu próprio desespero, eu vi a luz vermelha diante de mim
Queimando-me na solidão e a dor de um mundo inteiro, eu caí em um abismo sem fim
Mas quando a compensação e a vingança justa vem com a luz da minha salvação
Cada gota de sangue se tornará uma pedra da escada que me leva para a evolução
Concentrando-me, esforçando-me, levando minha mente a um andar mais elevado
Meditando, esvaziando-me, buscando, lutando, encontrando a paz longe do fraco
E tendo equilíbrio para me tornar sinônimo de perfeição, serei pra sempre forte.”
O mantra que supostamente iria ajudar na meditação não serviu muito para acelerar a abertura do terceiro olho, já que a mulher não sentiu nada, apenas sono, porém isso auxiliou-a a relaxar, pelo menos perdeu um pouco da ansiedade, e isso já era um começo, e teria sido se não tivesse caído no sono, certamente porque estava cansada e muito relaxada, uma combinação não muito interessante para alguém que quer se manter acordado.
Uma história muito bonita de Samantha Abschteulich, minha ídola, é “Gabrielle”, é um lindo conto de amor que conta sobre o amor entre uma prostituta e um homem louco.
“Ela era como o Sol durante a manhã, quando eu acordava, queria ver os raios do brilho de seu olhar, me motivando a me levantar e passar por mais um duro dia, aquele rosto de pele macia e perfumada me fazia sentir vontade de viver, era minha recompensa, quando ela sorria, era como se um anjo me dissesse que o paraíso existia, e estava naquele meu quarto, com seus cabelos dourados e olhos castanhos, lábios tão rubros quanto o sangue que corria em minhas veias, e fervia com seu toque, quente como o fogo que se acendia quando estávamos juntos. Passava o dia e mantinha-a em minha mente, como uma Deusa que oferece a felicidade, a motivação e a paz, de fato uma Deusa, alguém que você adora e lhe dar vontade de viver e se esforçar, é o caminho e a alegria que te faz nunca parar, em cada momento via sua face, obcecado, apaixonado, enfeitiçado por sua beleza e perfeição, esperando até o momento de vê-la à noite, quando acalmaria meu coração. E à noite, eu a encontrava em minha cama, aberta para me receber em todo o seu encanto, então meu peito fervia de prazer meu corpo se retorcia em arrepios eróticos, a cada toque no corpo dela, em cada cantinho de sua carne, a penetrava e manchava com devoção, indo ao paraíso ao seu lado. E tê-la comigo era o maior prazer existente, cada noite era um sonho perfeito e completo, em que todos os meus desejos mais profundos eram realizados, ela foi meu anjo, a luz da lua para mim, brilhando mais do que todas as mais belas estrelas juntas, a visão mais encantadora visível a olhos mortais ou imortais, humanos ou deuses, e eu a tinha, à cada noite, em meus braços, no calor incendiado do amor.
Mas naquela noite amaldiçoado de céu vermelho, a lua não brilhou como sempre, e não a encontrei no lugar habitual, havia ido embora, deixando um recado que entrou como um lâmina em meu peito ao ser lido, rasgando meu coração em pedaços, dilacerando ferozmente cada um de meus órgãos internos, triturando minha alma e me matando engasgado com meu próprio desespero:
“Desculpe Rodrigo, conheci um homem chamado Golimar e me apaixonei por ele, então fui embora com ele para outra cidade, pois sabia que não iria aceitar, eu te amava, mas nem dá mais, me desculpe por isso
Da tua, Gabrielle”
Todo o meu amor se converteu em ódio, embora estivesse cego e meu corpo tremesse, senti vontade de morrer, mas aquilo foi como se eu morresse mil vezes, por empalamento, esfaqueamento ou imolação, ou qualquer outro modo doloroso, assim, agonizante e fora de mim, a busquei, a procurei, a cacei como uma fera, busquei em cada canto possível até encontrá-la, cada segundo de minha caçada foi mais um momento de agonia, enquanto meu ódio e minha dor cresciam, descobri sua localização, me dedicando em minha busca, e quando os tive diante de meus olhos, me preparei para a carnificina. Quando os dois dormiam, invadi a casa e arranquei a cabeça de meu rival com o machado que carreguei durante minha busca, minha eterna Gabrielle abriu os olhos, que ficaram carregados com um mar de medo ao ver o amante morto e o próprio corpo e cama imundos de sangue, e eu falei para ela o quanto a amava, a amava a ponto de levá-la comigo, compartilhar minha dor, meu desespero, minha solidão, obsessão, tudo que ela me fez sentir.
- Amor, eu nunca te esqueci, mas se é para viver sem você, que você também não viva nos braços de ninguém.
Eu morria de ciúmes, sem aceitar a possibilidade de vê-la com outro, então enfiei aquele machado em seu peito, enquanto ela gritava e implorava por piedade, mas não pude dar, pois era pelo bem dela, morta, retirei seu coração e devorei, assim poderia ter seu amor comigo para sempre. Deitei sobre seu corpo ensangüentado e sujo, e pela última vez eu a amei, eu a despi totalmente, revelando suas curvas perigosas, e me despi em seguida, mostrando o que eu sentia na hora, beijei seus lábios macios ainda quentes, e penetrei em seu corpo, o arrepio mais prazeroso de minha vida tomou conta de mim, junto com um terrível nojo e tristeza, após satisfazer a saudade física que senti dela, ainda sabia que minha obsessão amorosa não acabaria jamais, e consumei o ato, meus pulsos e sangrando até a morte em cima dela, para poder eternizar nosso amor, com nossos corpos encaixados, frios, mortos, para sempre naquele quarto tenebroso.”
- Ora ora, cada vez mais sinto algo estranho vindo de Daisy Brocken, é como se ela carregasse uma mente muito evoluída, posso sentir dor quando leio a mente dela. Só pode ser uma coisa, dor, sacrifício, é fácil perceber que ela tem lembranças terríveis, mas que lidou bem com todo o sofrimento pelo qual passou. Uma energia tão evoluída, um corpo tão magro mesmo tendo tido uma vida sedentária, uma rápida queima de energia. É, só pode ser isso, está no sangue dessa garota.
Algumas horas depois e estava Will, Ferraço, Prabhu e Cyrus em uma sala médica dentro do campo de treinamento, com Hannibal nu deitado na cama, e uma mesa preparada com todas as ferramentas para cirurgia.
- Estou pronto, podem me operar. – O general estava ansioso para ter seu tumor arrancado, Will ia fazer a operação e Cyrus iria ajudar como seu assistente, os outros estavam lá apenas para vigiar, não podiam permitir que pessoas vindas do continente inimigo operassem seu precioso general sem vigilância.
- Ok Lewis, feche os olhos. – O médico falou. – Cyrus, coloque o general pra dormir.
- Sim. – O andróide respondeu, segurando o braço do general firmemente, com a veia do pulso virada para cima. – Senhor, fique relaxado.
- Fique tranqüilo, eu já fui marcado a ferro quente nas costas, isso não é nada para mim. – Lewis estava tranqüilo, sentiu a agulha perfurar sua veia, vendo tudo escurecer rapidamente, caindo totalmente inconsciente, pronto para ser operado.
- Will, você não apenas vai colocar a mão nele e remover o tumor com biocinese? – Ele podia ser o assistente, mas não sabia nada sobre como seria a cirurgia.
- Cyrus, você acha que biocinese não dói? Uma coisa é regenerar um corte, outra coisa é remover um tumor, e eu terei que cortar ele mesmo assim, o tumor é interno, e eu não posso mexer em algo que não vejo e não sinto. – O médico colocou uma mão sobre o peito do general e outra nas costelas, e usou biocinese para fazer alguma coisa que não ficou muito clara, pegou um bisturi e cortou devagar e cuidadosamente a carne do peito de Lewis, fazendo uma abertura, um buraco nele, deixando o coração e os pulmões à mostra, continuavam funcionando, dava para ver um caroço no pulmão do homem, ele ainda segurava as costelas do homem de lado, onde não havia cortado, a tira de carne retirada foi colocada na mesa ao lado da cama, do lado das ferramentas. – Cyrus, chegue mais perto e faça uma corrente contínua de eletricidade percorrer o coração dele, você sabe que intensidade usar, o bastante para fazer o coração não parar, mas não o bastante para fritá-lo.
‘ Os outros na sala assistiam curiosos, não era todo dia que se abria o peito do general, poderia ser uma cena forte para muitas pessoas, mas para eles não era, tinham estômago forte, mas não deixavam de serem tomados por um forte nervosismo, afinal, a vida de seu general estava em risco caso cometessem qualquer falha. O andróide apontou um dedo para o coração de Lewis, sem obstruir o espaço de Will, e liberou uma corrente de eletricidade com a sua habilidosa eletricidade, mantendo uma intensidade constante, não alta, mas considerável, o bastante para manter o coração do homem batendo forte. O médico colocou sua mão sobre o caroço dentro do general, do tamanho de um bola de gude, e usou sua biocinese para mudar a programação das células daquele amontoado maldito, a programação celular errada era o que causava o câncer, que cresceria até matar Hannibal, mas mudando sua programação para a correta e natural, aquilo pararia de crescer, ele tinha que ter certeza de que a programação celular havia sido corrigida, senão, mesmo se ele arrancasse o tumor com um bisturi, haveria o risco de crescer novamente, até ele ter certeza de que estava tudo certo, passaram-se 20 minutos, curas biocinéticas são muito rápidas, mesmo em um caso daquele. Terminou cortando o caroço com o maior cuidado, mesmo que ele já estivesse “desativado” e não fosse mais perigoso, regenerou o pequeno pedaço de tecido saudável que foi arrancado no corte, e tratou de conferir se ainda havia algum problema, fez tudo em silêncio, enquanto seu assistente injetava eletricidade.
- Pronto, está removido, agora eu só preciso fechar o peito dele, Cyrus, não pare com a corrente, mesmo quando eu fechar o corpo dele, ok? Só pare quando eu mandar.
- Sim doutor. – Ele achava estranho dizer isso, via o amigo como um policial, não um médico.
- Will, como você faz isso? Como sabe que célula é cancerígena e qual é saudável? – Prabhu estava maravilhado com o que havia acabado de presenciar, uma cirurgia brilhante feita por um homem incomum.
- É bastante difícil, quando estudei medicina, descobri uma técnica que poderia curar o câncer, uma das doenças sem cura até a época em Sogen. Eu sou praticante de biocinese, e tenho que saber os tipos de célula para ter maior precisão, alguns a usam sem teoria, mas eu sabia a teoria, quando você aprende a controlar, você também aprende a reconhecer as células, sabendo disso, analisei e aprendi a identificar células cancerígenas usando os corpos de pessoas mortas pela doença como fonte de informação, acabei aprendendo a encontrá-las sem ter que usar nenhuma aparelhagem, e a transformá-las em células saudáveis com biocinese, uma cura bastante criativa e efetiva.
- Tiro meu turbante para você, senhor Will. – Prabhu realmente tirou o turbante, e se curvou, fazendo uma reverência, estava admirado com o método, mas logo pôs o turbante de volta na cabeça, enquanto isso, o medico colocava o pedaço de carne removido do peito de volta no lugar, e juntava ao corpo, deixando como antes, essa era uma das vantagens da biocinese, além de não ser necessária a costura dos tecidos, não deixa marcas de linha ou cicatriz. O general dormiria a noite toda.
- Cyrus, pode parar com a corrente, a operação está acabada.
Madrugada de 16/06/1915, Bather, Umi.
- Daisy, acorde. – A voz rouca feminina atravessou a noite, fazendo com que a esquizofrênica se levantasse, embora ainda dormisse, estava consciente no sonho, um sonho lúcido.
- Quem é? – Ela ainda não via nada, mas podia sentir uma presença poderosa.
- Samantha Abschteulich.
- Mestra? – Sentiu uma forte emoção nesse momento, não podia acreditar que sua mestra estivesse lá.
- Eu sei que você sabe das coisas, então quero que me ajude a matar Will, então habitarei seu corpo e juntos pregaremos o Abschteulichismo, eu sei o quanto você despreza o Drachenismo por ser uma seguidora minha, o Will não contou para você e Cyrus que dentro da mente dele habita seu pai verdadeiro, Arius Drachen.
- Arius Drachen? O terrível demônio que massacrou, torturou, hipnotizou e manipulou milhares de pessoas? – A garota deveria estar chocada, mas ela sorriu.
- Aham, exato, Will é tão ruim quanto Morten e todos os outros monstros da história, ele e Arius estão juntos, e irão fazer lavagem cerebral em você e em seu marido assim que tiverem chance, vocês se tornarão zumbis ainda piores dos que os de Morten, os psyvamps não têm nenhuma chance contra os Drachen, e nem nós, os Abschteulich. Sim Daisy, você é minha descendente, embora tenha se desviado da linhagem quando um de meus descendentes não se dedicou ao nosso culto Abschteulichista, mas o destino te levou à nosso dogma, e você leu meus livros e se tornou minha seguidora, você é a escolhida para matar o maior inimigo da humanidade, Arius Drachen, já que Harudo Kinesis, nosso outro inimigo, já morreu. Mate ele quando tiver oportunidade, ele confia em você, então você não terá dificuldades.
- Matar Will, matar Arius Drachen, como desejar, mestra.
- Mas você sabe, se você matar Drachen, você deve garantir que ele não voltará, o corpo morrerá, mas a mente continuará viva, mas tem um jeito de resolver isso, você deverá deixá-lo inconsciente, então segurará na testa dele e fará um ritual, na verdade, um mantra: Por Samantha Abschteulich, minha grande mãe, minha deusa sagrada e protetora, amaldiçôo eternamente o lobo do desprezo, Arius Drachen, e lhe bano pelos poderes da retrocinese para o esquecimento eterno, e que sua existência desapareça, livrando nosso mundo de seu mal egoísta, e que Arius Drachen morra de corpo, mente e alma, em nome de Samantha Abschteulich.
- Eu deveria dizer o nome dele desse jeito? – Ela desconfiou nesse momento, ninguém em sã consciência pronunciaria o nome de Arius em voz alta.
- Fique tranqüila, estou com você, estarei te protegendo, e como estaremos em uma posição vantajosa, com Will adormecido e nós subjugando o corpo, conseguiremos, você precisa falar o nome, pois ele está ligado à existência dele, e permitirá que ligue ele ao corpo que estará morrendo, como você vai por a mão na testa dele, você deverá perfurá-la com o dedo, claro que você vai conseguir, usando telecinese você pode afiar as partículas, juntando-as a em forma de lâmina na ponta do seu dedo, então acho que não será difícil matá-lo assim, atravessando o cérebro.
- Devo usar alguma droga? – Foi convencida.
- Sim, entorpeça o nosso inimigo enquanto ele dorme, use uma fruta nativa de Umi chamada “Jacaba”, um cruzamento de jaca com catuaba, essa planta tem propriedades anestésicas, pegue suas sementes e as parta, retirando o líquido que há dentro delas, junte o bastante para encher uma seringa, o óleo da semente de jacaba é usada antes das operações nesse continente, já que é barata de se obter e é bastante efetiva.
- Eu tenho drogas comigo, elas estão na mochila do Cyrus, não se esqueça que somos cientistas, estamos com 5 dardos pra sossegar qualquer um, mais efetivo que jacaba, que conheci em um livro de medicina na casa de Leite Carne. Vou atirar o dardo na testa dele quando ele estiver dormindo, retirarei o dardo em seguida e o tocarei com meu dedo, usarei minha aerocinese para atravessar o crânio dele e matá-lo, acelerando cada partícula em minha carne. – Ela ainda não era visível, apenas sua voz feminina porém rouca e doente atravessava a escuridão.
- Aprendeu o mantra do ritual? Lembre-se que deve fazê-lo em voz alta, nada de mentalizar.
- Por Samantha Abschteulich, minha grande mãe, minha deusa sagrada e protetora, amaldiçôo eternamente o lobo do desprezo, Arius Drachen, e lhe bano pelos poderes da retrocinese para o esquecimento eterno, e que sua existência desapareça, livrando nosso mundo de seu mal egoísta, e que Arius Drachen morra de corpo, mente e alma, em nome de Samantha Abschteulich.
- Exatamente, então, Daisy Abschteulich Brocken, faça um bom trabalho, espero que faça isso nessa noite caso consiga pegar os dardos, ou na que vem, caso não possa.
Lewis, em sua sala, digitou um número no telefone, um número de Umi e fez a chamada, foi atendido após uma longa espera.
- Chefe, é o senhor? – Foi o que a pessoa do outro lado disse.
- Exatamente, quero que traga um carregamento com 20.000 armas de fogo e munição o bastante para mantê-las por um mês.
- Para o Campo de Treinamento em Bather, senhor?
- Sim.
- Sim senhor, chegará em no máximo 2 dias. – Desligou o telefone e tratou de ir arrumar para que a ordem fosse cumprida.
“Ah, ótimo, assim que os funcionários da fábrica aqui em Bather mandarem as armas, poderemos ensinar os soldados a usá-las, ainda bem que eles tão logo aqui perto, pra transportar eles não vão demorar quase nada, mas é tanta mercadoria que tenho certeza que vai demorar até conseguirem carregar tudo, mas meus funcionários da Hannibal S.A são competentes, não terá atrasos”
“Hoje vou escrever sobre meu amor com Cyrus Brocken, meu marido. Esse aqui é meu diário, e nele escrevo tudo que sinto e penso, bem, nem sempre o escrevi, mas desde que perdi meu amor, tenho desabafado aqui. Mas eu vou curá-lo, eu juro.
Tudo começou quando eu fui enviada para a faculdade, minha mãe adotiva, Leite Carne, era uma renomada cientista, e eu cresci estudando, na minha infância, tive muitos problemas mentais e fui obrigada a me prostituir, mas quando Leite Carne, que além de cientista, tinha um açougue, me adotou, ela me livrou de todos os péssimos costumes que eu tinha, e me transformou em uma pessoa de moral.
Cyrus era um homem lindo, um típico nerd gato, seus cabelos eram negros e crespos como um pequeno arbusto, seus olhos castanhos na cor da terra me lembravam de minha primeira infância pobre, sem rua asfaltada, mas sim feitas de terra batida, bem, ele não era bem um homem, sei que naquela época tinha 16 anos, enquanto eu tinha 18, estava bem novo para estar na faculdade, mas nem tanto, já vi gente que foi pra faculdade com 12 anos, mas isso não importava, nenhum deles era tão inteligente quanto o meu lindo cérebro de ferro. Não usava óculos, sua pele era morena, como a de um homem do oriente, tinha a cor de um guerreiro, um homem que combate debaixo do Sol para defender sua pátria, sua família, um homem que nasceu razoavelmente claro, mas que foi tostado no Sol. Mas não tinha como acreditar nisso, Cyrus Brocken era um homem que não tomava Sol, aquela cor sensual em sua pele que parecia artificial, era de nascença, e eu sabia disso, afinal, sempre fui uma garota muito inteligente, e tirar conclusões óbvias não era algo tão complicado assim. Eu ouvi o nome dele pela primeira vez quando estávamos nos apresentando na aula de manipulação molecular, ele tinha se formado em primeiro lugar entre todos os concorrentes do continente, eu podia ser inteligente, mas ele era muito mais, com uma altura razoável, normal, mas um cérebro superior aos de quase todo o mundo. Me lembro exatamente do que ele falou quando se apresentou para a turma:
- Meu nome é Cyrus Brocken, me formei em mecânica com 13 anos, mas como achavam que eu estava muito novo para me formar, me mandaram para um treinamento especial no sul, onde me ensinaram algumas técnicas alternativas, meu tio, Joca Brocken me acompanhou nessa viagem, e me ensinou tudo que sei, aos 15 eu consegui descobrir um modo de produção de energia alternativa, que eu chamo de hidrocombustível, funciona com água para produzir energia elétrica, funciona para produzir eletricidade, cada casa terá seu próprio gerador movido com água, o movimento da água irá fazer as turbinas se moverem, e as turbinas se movendo farão com que a água também se movam, eu sei, isso não tem nada a ver com biomedicina, mas foi a descoberta mais interessante que fiz por lá, na verdade, a única, o material usado no gerador é livre de atrito e não tem ar, só água, isso faz com que o sistema não apresente resistência e que a lei da inércia garanta o resto, uma vez que a água comece a se mover e ninguém interfira nesse movimento, ela continuará, e irá movendo as turbinas juntos. Bem, é isso. – Ele falou com um tom um pouco tímido, fazia algumas pausas enquanto falava, além de falar bem devagar e calmo, apesar de tudo, sua voz era bastante clara e suas palavras totalmente entendíveis, acho que falar em público não era seu forte, mas também não era seu fraco, com certeza o meu Cyrus não era um grande orador, mas não um idiota que não consegue falar em público. Todos olhavam para ele com admiração, a apresentação dele tinha sido bastante demorada, mas o professor nem se importou, os olhos do gênio de 16 anos brilharam quando ele falou de sua criação, eu não deixava de olhar sua boca, inicialmente, só tinha achado ele um garoto lindo e gostoso, mas depois de ouvir sobre sua invenção, percebi que era amor a primeira vista, aquela atração física instantânea se tornou paixão, paixão de verdade, ele tinha a mente brilhante que sempre procurei em um homem.
Tudo bem, antigamente eu era uma vagabunda, e durante minha adolescência eu ainda era bem safadinha, ver um homem bonito sempre me acendia, mas eu tinha controle, porém, um homem bonito e gênio... Ah, isso era demais pra mim, eu sabia que se eu me casasse com aquele homem, conseguiria uma carreira de sucesso e ainda teria sexo bom toda noite, juntos nós iríamos ser os maiores cientistas do continente. Era simplesmente perfeito, para mim, existem três coisas importantes: Inteligência, dinheiro e beleza, ele tinha os três, mesmo que não tivesse dinheiro, acabaria tendo mais tarde, afinal, pessoas inteligentes acabam conseguindo se destacar, um exemplo disso foi o grande Harudo Kinesis, nasceu mendigo e morreu como um Deus, eu sei, ele é um inimigo de nossa mãe Abschteulich, mas não há como negar que Kinesis também foi grande, não como Abschteulich, mas bastante.
Busquei falar com ele, eu tinha que conhecê-lo, eu tinha que conquistá-lo, meu amor platônico pelo jovem gênio era realmente grande, e eu sentia meu coração acelerar e minhas coxas se umidecerem enquanto eu olhava para ele, imaginava como seria o casal Brocken Carne, mas em Sogen, ninguém nunca liga para o sobrenome da família da mulher de um casal, embora nos documentos esteja presente, quando nos casássemos seríamos chamados de simplesmente de casal Brocken, não Brocken Carne. Mas então, eu podia ver em seu jeito de agir, sempre racional e responsável, que ele era um tipo de garoto que se atrairia por uma semelhante, isto é, uma garota gênio, e bem, eu achava que eu era a pessoa certa para ele, podia até não ter descoberto a fonte perfeita de energia, mas já tinha feito vários projetos interessantes, gostaria de citar minhas descobertas:
A primeira arma de choque do mundo, funciona com uma bateria que gera energia elétrica, ela não depende de eletrocinese ou qualquer outro tipo de telecinese para funcionar, apenas se aperta o botão e o choque é dado, a eletricidade da bateria é acelerado através de um ímã na ponta do aparelho, aumentando a carga e dando um choque intenso na vítima, o bastante para fazê-la desmaiar, mas ela exige um estímulo por eletrocinese da pessoa, mas um choquinho vira um chocão com ela. A outra ferramenta é ainda mais interessante, uma coisa que chamei de pênis elétrico, um pênis artificial feito com um material parecido com o da pele de um homem, que recebe uma carga elétrica da bateria o faz vibrar, permitindo bastante prazer sem a necessidade de um homem de verdade. Só inventei essas duas, mas para uma garota de 18 anos, não fui nada mal, a minha arma de choque não faz muito sucesso e ficou no armário, mas o pênis elétrico rendeu bastante dinheiro, o bastante para pagar minha formação na melhor faculdade do continente, onde me formei e encontrei Cyrus Brocken, a faculdade Alexiel Drachen. Quando tive chance, o abordei, puxando conversa, falei de minhas criações, mas ele riu da minha cara e disse:
- Garota, você é louca? Um pau mecânico? Haha, coisa de pessoa safada, mas se foi um sucesso, tenho que admitir que foi bem esperta, afinal, as massas populares são safadas
Lembro exatamente do que respondi, mordendo meu dedo indicador direito descaradamente e dando uma piscadinha bem sem vergonha, daquele tipo “oi, quero sexo”, não sei que besteira tava pensando naquelas horas, mas essas foram as palavras que saíram em um tom adocicado e sedutor, bastante sensual, quase como se eu estivesse no quarto de um motel com ele:
- É, não é? Toda mulher é safada, só que algumas se reprimem, outras tem vergonha de mostrar o quanto são safadas, e o mesmo ocorre com os homens. Ser safada é ótimo, tive prática nisso, afinal, que homem prefere uma chata que não aceita ir para cama do que uma safadinha que faz de tudo e mais um pouco?
- Nem eu sou assim, as safadas são boas mesmo, mas. – Ele ficou meio sem jeito nessa hora, parecia que eu tinha tocado em um assunto do qual ele não saberia falar, suas palavras saíram devagar e a frase não foi completa, ele parou no “mas”, sem saber o que dizer. Nessa hora eu raciocinei, se ele era um garoto sem tempo para qualquer coisa e passava o dia todo em laboratório, como ele poderia saber o quanto que é bom ser safada?
- Nem eu? Você é virgem? – Sorri na hora, ele era um lindo rapaz virgem, eu tinha certeza a essa altura, uma garota experiente como eu conseguia descobrir essas coisas se prestasse atenção.
- Sim, sou, mas só por que não tive tempo para conhecer garotas durante minha vida, sempre muito ocupado. – Parecia um pouco envergonhado, seus olhos tentavam desviar o assunto, mas sua bocava continuava tão sensual quanto sempre, eu fiquei só olhando, com uma carinha feliz e pidona, como quem espera por algo.
- Você é bom demais pras garotas que tem por aí, só uma cientista muito boa seria boa o bastante pra estar com você, Cyrus, você é simplesmente o cara mais perfeito que eu já conheci, ah se eu pudesse te dar um beijo ou te levar para uma cama, tão inteligente, tão atraente, tão agradável de ter como companhia, ou melhor, casar com você. – Cheguei meus lábios bem perto dos deles, rostos quase colados, olhando nos olhos, tentava seduzi-lo com meu olhar, conseguia ser bastante provocante, mas não queria parecer uma puta, eu deixava uma certa doçura também, eu era boa nisso, controlar o olhar para ter a expressão desejada, e eu conseguia ser provocante e meiga ao mesmo tempo, como se fosse uma safada apaixonada. Eu podia sentir o hálito dele, era quente, mas me arrepiava, e eu sabia que ele podia sentir o meu também, bem refrescante, já que me garanti chupando uma balinha de hortelã antes de ir até meu amor platônico, não mais tão platônico.
- Fazer um membro artificial que vibra não é fácil, não é? – Ele falou totalmente sem jeito, sabia que ia dar certo, estava fisgado, a respiração dele estava acelerada, e eu podia ver em seus olhos que me desejava.
- Nem um pouco, mas tenho certeza que se eu tivesse o seu de verdade eu iria me divertir muito mais do que com o pênis elétrico, um de verdade é muito melhor, vem, me mostra, ou eu te mostro, te ensino, eu te levo pro meu quarto aqui na faculdade, nosso continente nunca foi cafona o bastante para proibir visitas íntimas entre alunos, que tal? – Passei a mão nas coxas dele, estava realmente que nem uma puta, mas uma puta apaixonada.
- Claro, vamos, Daisy. – Ele sorriu, sabia que tava morrendo de vergonha e tesão, larguei a coxa dele e o peguei pela mão, o guiando até os dormitórios, e ao meu quarto, acho que o resto eu não preciso contatar detalhadamente, mas para um garoto que nunca fez sexo e nem teve tempo de se masturbar, foi fantástico, descansadinho só pra mim, mas ele também adorou, o pedi em namoro e meu amado aceitou, a partir desse dia, ficamos viciados em sexo um com o outro nos tempos livres, e não ousei em nenhum momento traí-lo, ah, acho que isso é o que chamam de amor verdadeiro. Ah, amo aquele homem, bem, esse namoro deu em uma ótima parceria dentro da faculdade, não apenas transávamos, éramos um par inseparável em tudo, estudávamos, fazíamos projetos, e éramos muito apaixonados um pelo outro, um casal perfeito. Archie, primo dele, nessa época era seu melhor amigo, e sim, ele participava de nossa equipe, ele estava com Cyrus a mais tempo que eu, mas quase foi substituído quando eu entrei, pois eu era muito mais inteligente que o primo do meu amor, mas o cara continuou no grupo, exceto nos momentos de casal, claro, mas mesmo assim era um cara bastante inteligente, devo admitir, e nos ajudou muito nesse período. Quando terminamos a faculdade, nos casamos e fomos trabalhar em dos principais centros de pesquisa quântica de Sogen, lá fizemos grandes descobertas, eu, Cyrus e Archie. Com o dinheiro que conseguimos, fizemos um laboratório na casa dos Brocken, nossa casa, onde vivia eu, os pais do Cyrus, o primo dele que também fazia parte de nossa equipe científica, e eu, claro. Em um desses dias, aquele Archie filho da puta fez alguma coisa errada, e quase matou meu marido, deixou ele inválido, tetraplégico era pouco para descrever o que ele fez, sem falar na morte dos sogros, eu até gostava deles, embora não sinta falta, eu tive que arranjar um jeito de salvá-lo, pedi dinheiro pro governo e consegui fazer minha pesquisa no laboratório de casa, congelei meu marido e com o tempo consegui recuperar o corpo de Cyrus, daí conseguimos uma vaga em um laboratório fantástico em Relópolis, subterrâneo, onde Will nos achou, inventamos a senha “Olá, quero um quarto no colo de Cyrus” para os funcionários poderem entrar, assim feríamos seu orgulho e deixávamos claro quem estava por cima, e levando em conta que eu adoro pular no colo do Cyrus, pra mim, falar isso era ótimo e... excitante. Daí, fomos trabalhando normalmente, até que aconteceu o que aconteceu e nos unimos a Will, entrando na guerra.”
- Oh Daisy, você é uma ótima esposa... – Cyrus fuçava no caderno de anotações da esposa, mesmo sem permissão, não havia segredo entre eles, pelo menos não na teoria.
O dia seguinte foi normal, todos no centro treinamento obviamente treinaram, foi um treino bastante duro de meditação e controle de aura, para o desenvolvimento da defesa contra o vampirismo psíquico, se todos conseguissem, a vitória na guerra estaria garantida, pelo menos seria bem mais fácil, os treinos de Prabhu eram severos, as multidões de soldados, militares e voluntários treinados pelo grande mestre na manipulação de aura e em telecinese alternativa, eles só tinha direito a café da manhã e jantar e sono noturno, e o resto do tempo era de treino sem parar, com pausas de 5 minutos a cada 3 horas, exaustivo para a mente de todos, já que acordavam 5 da manhã e treinavam até 10 da noite. Mas uma coisa foi incomum, Daisy acordou 10 minutos mais cedo nessa noite, foi até as bagagens e pegou um dardo e um vidrinho, derramou esse líquido do vidro e misturou com o garrafão de água que tinha no quarto, jogando o vidrinho no vaso e dando descarga para dar sumiço, foi quando todos no quarto, que era dela, Cyrus e Will, acordaram, mas acreditaram quando ela disse que tinha ido fazer as necessidades. À noite, após o duro treino, ela não bebeu a água, deixando tudo pros companheiros, e se deitou, negando sexo a Cyrus com a desculpa de que estava cansada e sem vontade, em meia hora, os dois homens no quarto dormiam que nem mortos por causa do líquido que beberam junto à água, teve efeito retardado por estar muito bem diluído, mas ainda sim, muito efetivo.
Chegou a noite, Cyrus dormia, Will dormia, já estavam todos adormecidos, menos Daisy, ansiosa demais para pegar no sono, e se segurando para não fechar os olhos.
“Por Samantha Abschteulich, minha grande mãe, minha deusa sagrada e protetora, amaldiçôo eternamente o lobo do desprezo, Arius Drachen, e lhe bano pelos poderes da retrocinese para o esquecimento eterno, e que sua existência desapareça, livrando nosso mundo de seu mal egoísta, e que Arius Drachen morra de corpo, mente e alma, em nome de Samantha Abschteulich. Nada como boa memória, acho que já consigo, vou sair daqui e acabar com eles.” – Se levantou silenciosamente da cama, sem colocar sapatos, andando descalça, estava de pijama, não tinha feito amor com o marido nessa noite, dizendo que estava sem vontade, ele quase não acreditou e achou que ela tivesse sido substituída ou hipnotizada, mas acordou concordando, levando em conta a situação em que todos se encontravam, se preparando para uma grande guerra, mas mesmo assim, Daisy negando sexo era algo inacreditável. Ela caminhou discretamente até cama do lado, tirando o dardo do bolso e enfiando na testa de Will, sem dar chances de defesa, então, com ele totalmente drogado e inconsciente, sem poder acordar nem se quisesse muito, começou a entoar baixo:
- Por Samantha Abschteulich, minha grande mãe, minha deusa sagrada e protetora, amaldiçôo eternamente o lobo do desprezo, Arius Drachen, e lhe bano pelos poderes da retrocinese para o esquecimento eterno, e que sua existência desapareça, livrando nosso mundo de seu mal egoísta, e que Arius Drachen morra de corpo, mente e alma, em nome de Samantha Abschteulich. – Nesse momento ela sentiu uma pontada na cabeça, mas continuou o processo, como havia sido mandado, tirou a agulha do homem, c porta estava bem fechada, e o som não foi o bastante para acordar as pessoas no campo de treinamento, exatamente porque tudo foi tão bem planejado que Daisy sabia que o som da explosão seria de curto alcance, alguma coisa a ver com física, difícil de explicar, suja de sangue apenas na mão, limpou tudo à lambidas e voltou pra cama, deitando com o marido, sem cobertas, claro, e tentando pegar no sono, como se nada tivesse acontecido.
- Não é possível, eu to vivo em espírito? O que você fez, sua vadia? – Will olhava o próprio cadáver de fora dele.
- Um Drachen, eu deveria saber... Hehehe, filho, não tinha outro jeito, meus planos com você não iam dar certo, seu sangue Drachen te torna melhor, mas você é muito inferior a mim, e não me ajudou em nada, continuo sendo o mesmo, já Daisy, ela tem sangue Abchteulich, mesmo não sabendo controlar, e foi isso que estive procurando por tanto tempo, a tal procinese no livro de Lionel, na verdade era a Retrocinese dos Abschteulich! E veja, como o meu poder de telepatia, controle de mente, controle de corpo, possessão e absorção de informação, e o poder da retrocinese, eu já terei metade do caminho andado, se eu tivesse as habilidades de cada uma das grandes famílias, eu seria mais perfeito do que já sou, você sabe, um drachenista nunca se satisfaz, ele sempre pode se aperfeiçoar. O controle sobre a matéria, telecinese de Harudo Kinesis, o poder sobre a mente, telepatia de Alexiel Drachen, o poder sobre a vida e o espírito, o vampirismo de Pedro Daemon, e o poder sobre o universo, a retrocinese de Samantha Abschteulich. Bem, na verdade, estou com os dois mais fantásticos agora, a idiota da Daisy acreditou que eu era Samantha, a deusa dela, e aceitou te matar por você ser meu filho, hahaha, achou que estávamos armando juntos, não é engraçado? – A voz do velho assassino veio do nada, como a de um Deus sem forma.
- Desgraçado, onde você está? – O espírito de Will gritou, estava com muita raiva, era estranho que ainda tivesse consciência mesmo morto, deveria estar realmente morto, mas pelo jeito, não havia tido uma morte natural, foi tão não natural que ele ainda estava consciente e ainda existia. – Por que ainda estou vivo?
- Você morreu de um modo especial, vamos resumir: Primeiro eu fiz ela fazer meu nome, aí entrei no corpo dela, ela te matou com o dedo na testa, o que permitiu que eu usasse o mesmo método que usei para por parte de minha existência dentro de você na hora de engravidar sua mãe, para tirar você do corpo sem te matar, e logo em seguida, destruindo seu corpo como você viu, com a cabeça estourada. Veja filho, eu poderia ter te matado, mas deixei você viver, eu precisava destruir a ligação com o corpo original destruindo o corpo original, claro que quando ela colocou o dedo em você, além de tirar, pude entrar de vez nela, fazendo de sua mente minha morada, mas agora, meu filho, você tá sem corpo, tipo uma Catarina Kinesis, só que sem poderes de Tenshikyu. Claro que tenho um motivo pra te deixar vivo, enquanto sua alma estiver por aí, ainda haverá parte viva de mim, assim, se eu morrer, poderei voltar usando você.
- Não se eu morrer antes. – Will começou a arranhar a própria garganta, mesmo estando no plano astral, tentando se suicidar.
- Oh, Will, vale mesmo a pena morrer por mim? E Morten? Ele dominou Sogen e matou seu pai, não quer viver para vê-lo morto? – Essas palavras fizeram Will parar, se controlando, a voz de Arius sumiu, e o filho dele não pôde fazer nada, a não ser vigiar Daisy, o tempo todo.
Na manhã seguinte, tocou o grande gongo, acordando todos com um susto, era assim que o povo por lá acordava, por mais que estivesse acostumados, sempre se assustavam com o barulho enorme e estridente do grande objeto metálico, Prabhu sempre dizia “ Um susto vale por 10 estímulos, assim esses molengas acordam mais rápido”, e realmente funcionava. Daisy e Cyrus se levantaram na hora, mas o cientista logo olhou pro lado e sentiu como se uma estaca atravessasse seu peito ao ver o estado de Will e o que tinha nas paredes, pedaços de carne e muito sangue.
- Will? Will? Will! – Ele estava desesperado, tentando por tudo reanimar o corpo sem meia cabeça do amigo, balançando ele, gritando alto para que todo mundo ouvisse Daisy ficou paralisada, com cara de choque ali perto, fingindo muito bem. A porta se abriu e 6 pessoas entraram no quarto, vendo nas paredes o porquê de tamanha preocupação antes de poderem fazer qualquer pergunta.
- O que fizeram com ele, quem fez isso? – Todo mundo perguntou, um por um, cada um a seu modo, mas todos impressionados, naturalmente, não era normal que a cabeça de uma pessoa explodisse dentro de um dos locais mais seguros do continente, onde estavam também o general e um o maior sábio de toda Umi, Prabhu Gandheon, havia algo errado, e sabiam disso.
- Sou Sanatã, coronel, se alguém morreu aqui dentro, é porque alguém matou aqui dentro, e vamos descobrir quem foi.
“Maldição, não vai ser difícil descobrir que fui eu, isso me lembra a época em que possui o corpo do general e eles me descobriram, era divertido naquela época, mas não posso me dar ao luxo de perder esse corpo agora, pensar rápido, é comigo mesmo, faço todos falarem meu nome, então possuo todos e faço com que pareça que não fui eu que matei, só dá pra fazer com o Cyrus”
“Maldição, eles vão me descobrir, não posso deixar que isso ocorra, talvez haja uma maneira rápida de incriminar o Cyrus, mas eu o amo tanto, não sei se poderia viver sem ele.”
Os pensamentos de Arius influenciavam os de Daisy, mas era não podia ouvir, apenas tinha a própria intenção manipulada por ele.
- Daisy, sua vagabunda, foi você, dá pra ver daqui, aquilo ali, a menos que tenha sido feito com uma arma, foi feito com aerocinese, e ainda usou suas habilidades para disfarçar o som enquanto explodia a cabeça dele, não foi, vagabunda? – O julgamento de Sanatã foi rápido e preciso, um grande conhecedor de crimes e assassinatos, sabia reconhecer a arma do crime facilmente só de olhar para a vítima.
- Cala boca, não fui eu! Por que eu mataria o Will?
- Isso é, por que? Tem alguma coisa errada. Mas foi você, não tem como ter sido outra pessoa, ninguém poderia entrar aqui
- Pare com isso, minha esposa não tem motivos pra fazer isso, e nem faria. – Cyrus a defendeu, revoltado com a acusação, mesmo sabendo que a esposa não batia bem da cabeça.
“Maldição, não tem como incriminar ninguém, esse cara é bom. Nem se eu alegar insanidade adiantaria, a menos que eu alegasse possessão! Claro, direi que fui manipulada por alguém que está infiltrado aqui.”
- Pelo amor de Deus, eu estava dormindo, eu posso provar, Cyrus perceberia se eu me levantasse, a gente dorme juntinho. Mandem fechar essa merda de centro, o assassino pode muito bem já ter fugido.
- Verdade, homens, corram e vão avisar todos, eu vou vigiar Daisy. – O coronel mandou seus parceiros de quarto, que foram sem retrucar, quase como cães fiéis.
- Você acha que você pode me vigiar? Eu não vou fazer nada, mas se eu quisesse, eu te tirava do meu caminho agora.
- Daisy, você não tá ajudando. – O marido a cutucou, com medo do que o temperamento dela pudesse causar, ele sentia medo por causa do que havia ocorrido com Will, mas se controlava, e temia mais ainda que tivesse sido sua amada esposa a autora do crime bárbaro.
Foi uma verdadeira confusão no centro de treinamento, muitas discussões em cada quarto, e a notícia ia se espalhando, alcançando os superiores Hannibal, Prabhu e Ferraço, que estavam de pé esperando no centro do campo aberto de treinamento e conversando.
- Will está morto? Prabhu resolverá o problema.
“Eu não sou idiota, essas pessoas também não são, não vão matar a garota se não tiverem certeza se foi ela que cometeu o crime, mas não será difícil provar isso. Prabhu, mestre em manipulação de energia e aura, ele vai rastrear o que tive no corpo do meu filho, será que eles assistiram “O Exorcismo de Chester”? Levanto em conta a energia que eu usei pra ajudar a menina matar meu Will, acho que vai ser mais fácil me rastrear do que rastrear ela, e ainda garanti de impregnar bastante energia no ambiente durante a noite toda, mas ainda sim... Ah, já sei o que vou fazer pra garantir, retrocinese, tenho que confiar nela, é isso. Eu sou Samantha Abschteulich, e farei com que todos acreditem que foi Arius Drachen, manifestado na forma semi física que fez isso, como um ser do outro mundo manifesto fisicamente, assassinando Will, seu filho, que estava tentando ir contra ele.
“Eu sou Samantha Abschteulich, e farei com que todos acreditem que foi Arius Drachen, manifestado na forma semi física que fez isso, como um ser do outro mundo manifesto fisicamente, assassinando Will por motivos óbvios.” – Daisy pensou o mesmo, usando a retrocinese junto à pessoa que possuía o seu corpo.
“Pronto, agora posso pensar no meu filme, “O Exorcismo de Chester”, fantástico, foi ótimo quando o Will assistiu aquilo ainda em infância em um momento de paz, assistindo na TV de madrugada, o melhor filme de terror de todos os tempos, contando a história de um delegado, chamado Harry Rossi, que investigando as causas do massacre em Ferrópolis, acaba possuído por uma força sobre-humana do mal chamada, Arius Drachen, a série se desenvolve com muito suspense, terror, visões, vozes do além, e claro, muitas mortes e um final catastrófico, em que Harry morre e Arius escapa, claro, inspirado em fatos reais feitos por mim, ah, eu sou demais, até inspiro filmes de terror. Ah, se dane o filme, eu quero que aqueles idiotas venham logo, quero ver como isso vai acabar, Daisy, faça o que quiser, não me responsabilizo mais.
- Será que vão demorar muito? Aposto que quando os chefes vierem, vão provar que sou inocente.
- Ali estão. – O coronel disse quando Prabhu e Ferraço chegaram.
- Calem a boca que farei tudo aqui. – Prabhu colocou a mão no peito da suspeita, e apontou para o corpo de Will.
- Eu sinto uma energia forte... Não há dúvidas, Daisy matou Will, mas foi possuída, controlada por alguém, e esse alguém ainda está dentro dela. – Prabhu atingiu o coração dela com um forte golpe usando a mão e bastante energia, fazendo ela desmaiar na hora.
- Daisy! – O andróide gritou.
- Não adianta matar ela, isso só poder ser uma pessoa... Das Extremer, se matarmos esse corpo, ele vai voltar em outro, e eu sei como matá-lo para sempre.
- Como? Das Extremer? Mas Will é filho dele!
- O que? Ele era filho do Das? Por que não me disseram antes, desgraçados? Ferraço,vá pegar cordas agora, vamos amarrar essa garota na cama. – O mestre apertou sua mão no corpo da garota caída no chão, o envolvendo de energia com a mesma técnica de aura que seria usada para deter um vampiro psíquico.
“Maldição, como descobriu? Desgraçado.” – Arius o amaldiçoou de todos os modos que podia, estava preso dentre do corpo de Daisy, e não conseguia sair, se projetar para fora, mas ele achava que tinha que haver uma solução. – Não, Arius Drachen não pode morrer, eu sou Deus, eu sou imortal, eles não podem fazer nada comigo, maldição.
- Quem é você? Não é Samantha, cadê Samantha? – Daisy apareceu dentro da própria mente, assustada com o velho vociferando com ódio intenso.
- Cala boca, a gente vai morrer, entendeu? Eu não sou Samantha, sou um invasor, Samantha tá presa, eu sou mais forte que ela e a prendi, só não matei por pena, agora cale-se e espere morrermos. O Prabhu vai matar eu, você, e Samantha, estamos acabados, acabados, a menos que...
- A menos que o que, seu velho desgraçado?
- Vamos pensar. É assim, Prabhu sabe que você matou o Will, e sabe que eu estou aqui dentro, e sabe de Samantha, ele vai usar um método especial para matar nós três para sempre, entendeu? Ele nos prendeu aqui com uma daquelas técnicas de aura, e não podemos fazer nada sem sair daqui. Vamos lá, você é uma Abschteulich, você tem o dom, não pode nos tirar daqui?
- Como, velho maldito? Se estamos presos em uma barreira de aura?
- Gosta de dor? Dor pode causar distúrbios na mente, isso pode influenciar sua aura, quem sabe fazemos alguma coisa.
- O que, o que podemos?
- Use o seu dom para nos provocar uma brutal dor, aqui no plano mental basta você imaginar que ocorrerá, e imagine que estamos acordando, você voltará ao seu corpo, e poderá nos salvar.
- Aqui Prabhu, as cordas que você pediu. – Ferraço voltou com as cordas, muito longas e grossas, Daisy já tava na cama, desmaiada, mas logo acordaria, bastaria o corpo melhorar que ela tomaria a consciência, mas Arius não poderia sair de dentro dela, seria o local de sua morte, mas se ela acordasse, certamente não seria nada bom. O mestre amarrou a garota tão fortemente na cama que parecia que ela já seria enterrada, incontáveis nós de marinheiro muito bem dados e bem colocados, a prendendo de modo que não pudesse mover nem braços, nem pernas, nem tronco, nem pescoço, apenas a boca, demorou uns 5 minutos, mas Ferraço ajudou, ele sabia como fazer.
- Agora, eu acabarei com isso. – Prabhu estava sem caneta, então mordeu o dedo e desenhou um símbolo na testa de Daisy, o símbolo do General Kinesis, a estrela de 8 pontas, ligada ao outro mundo. – A estrela de Kinesis foi vista como um meio de comunicação com os mortos e os espíritos, por causa da atribuição dela a essa função e ao general durante o passar dos anos, essa propriedade se tornou poderosa e efetiva, vai ajudar a alcançar diretamente a mente desse miserável. Enfim, usarei esse desenho para enviar energia diretamente à mente e à alma dele, e irei destruí-las, apertando e o desfazendo com minha poderosa energia, coloquem os braços e colocarão a energia de você no corpo dela também, tentem fazer com que a energia circule nela, o resto eu faço.
- E como Das Extremer morre? – Cyrus segurou a mão esquerda, Ferraço a direita, o resto dos militares no local estava em volta do quarto, ninguém tinha permissão para entrar. O chefe da operação para o assassinato de Das Extremer apertou bem a mão sobre a testa de Daisy, o desenho de sangue secou na hora, algum tipo de quimiocinese, mas nessa hora, a mulher abriu os olhos, que estavam cinza, rindo bem alto, mostrando seus brancos e brilhantes dentes femininos.
- Oi, sentiram saudades de mim?
- Saia, Arius Drachen, eu declaro que sua mente será destruída e cairá em esquecimento, perdendo sua existência, morra! – Prabhu começou a entoar com força, firmeza e muita emoção, jogando muita energia na cabeça da possuída, pelo desenho, que mal ficava quieta, todos naquela sala podiam sentir uma energia muito pesada os pressionando, era como estar submerso a 1000 m debaixo da água, e ficava cada vez mais difícil respirar, Cyrus não tinha esse problema, mas os outros tinham.
- Mestre, essa droga dói muito. – Ferraço sentia como se seu braço estivesse sendo perfurado por dezenas de agulhas quentes, uma dor lancinante, mas o general era um homem forte e podia agüentar aquilo, não sem problemas, mas podia se esforçar.
- Eu estou sentindo, mas esse lobo desgraçado não pode nos tocar. Enquanto essa barreira estiver nele, ele não poderá usar telecinese, vampirismo psíquico, telepatia ou projeção astral para invadir nossas mentes.
- Seu imbecil, eu tenho algo muito mais poderoso que telecinese, pode sentir? Sinta, eu matei o general Kinesis, matei o general Henrique, matei o general Felipe, e agora é a vez de vocês, e essa idiota aqui vai ser minha, você vão morrer. Agora eu sou Deus, e vocês não podem me matar. – Ele grunhiu rapidamente como uma besta, com uma a voz de Daisy, só que extremamente rouca, dando a impressão de que tinha um velho de 80 anos rouco falando junto com ela enfurecido, Cyrus e Ferraço caíram no chão na hora, dando gritos terríveis de dor, Prabhu se manteve de pé, com as pernas e mãos tremendo.
- Sente? Você não pode fazer nada, ela é minha, se tentarem qualquer coisa eu usarei isso, não é telecinese, não é telepatia, é o poder real de Deus, o universo é meu, e seus corpos são meus brinquedos. Podem sentir, né? Está doendo não é? É ruim, não é? – Ele viu pessoas tentando entrar, enquanto os Cyrus e Ferraço se retorciam de dor no chão e gritavam, e Prabhu acabava de cair, sem conseguir mais controlar a dor que sentia. – Vermes, saiam daqui ou acontecerá o mesmo. – Cada pessoa caiu no chão, se retorcendo do mesmo modo, e gritando.
- Se matarmos ela, ele escapa, a barreira que fiz em volta dele se desfaz, e nunca teremos outra oportunidade para matá-lo como agora, alguém, alguém derrube o teto. – O baixinho conseguiu falar, entre gritos de extrema agonia, mas ninguém conseguiu ouvir, pois todos estavam gritando feito louco s e não conseguiam entrar.
- Espere. – A garota parou de se debater na cama, e as dores que as pessoas naquele local estavam sentindo sumiram do nada, mesmo assim, ninguém mais ousava entrar lá, todas as pessoas presentes estavam com muito medo, mas tinha que estar o general e o maior mestre de telecinese alternativa do continente (possivelmente do mundo) haviam sido derrubados como coelhos abatidos por uma onça. – Vejam, vocês não podem me vencer, eu darei um chance a vocês, se me soltarem daqui e forem bonzinhos, não farei mal a ninguém, vocês querem vencer Daemon, não querem? Vocês viram que eu posso ajudar, eu deixo a garota viver, eu quero o mesmo que vocês, claro que o vai acontecer depois que vencermos a guerra é outro assunto, mas sejam inteligentes, me libertem para que parem de sofrer e vençamos a guerra.
- Prabhu, acho que ele tem razão. Não tem como passar daqui, não tem como vencer o homem que matou o general Kinesis. Senhor Arius, parabéns, você vai ser libertado, mas fique quieto, mesmo com esse dom assustador que mostrou contra nós, será incapaz de trocar de corpo.
- Então, miserável, nós vamos te soltar, mas não te tiraremos dessa barreira, é nossa garantia. – Prabhu disse aos berros, sentindo muita dor, mas logo se recompondo, Das Extremer parou com o que estava usando para provocar dor em todos por perto, querendo ouvir a proposta
- Hahahahaha, essa barreira nem importa mais, cansei de possuir pessoas, controlar corpos. Veja, as pessoas mudam, sabia? – Ele riu insanamente, mas falando como se tivesse se redimido.
- O que quer dizer? Não quer mais controlar a mente de todas as pessoas? – Ferraço não acreditaria, ninguém acreditaria no arrependimento do Das Extremer.
- Eu já derrotei o general Kinesis, eu não quero mais nada, eu só quero viver feliz e ter um corpo, quero uma segunda chance, não quer dizer que quero pagar meus pecados, mas também não quero cometer mais, quero muito viver como uma pessoa normal com um corpo só, depois de vencer Deus, percebi que ser Deus não é tão interessante, prefiro viver normalmente, dane-se a megalomania.
- Arius, nós não acreditamos, mas iremos soltá-lo. – Prabhu se aproximou. – Não faça nada perigoso.
- Nem você, ou eu te mato. – Ele avisou também, com um clássico sorriso sarcástico no rosto.
- Às vezes penso se não seria melhor ter fugido com o circo quando me chamaram pra ser faquir na juventude. – Ele desamarrava os nós que prendiam “Daisy”, arrependido de ter preferido a vida agitada de mestre TK de elite à de artista de circo, o que seria muito mais tranqüilo.
- Vou deixar a garota em paz, depois conversamos, não ousem matá-la, se não eu volto em alguém pior. – Arius se despediu, e liberou a mente da mulher, que despertou, se vendo presa em cordas, sendo desamarrada, e com dezenas de militares além da porta, além claro, do general e o mestre da telecinese alternativa desfazendo seus nós, estava muito confusa, sabia o que tinha acontecido, mas não podia acreditar, sentia a sentir medo, mesmo sendo ela, a louca Daisy.
- Eu tenho medo de perguntar. Que que tá acontecendo?
- Arius Drachen está dentro do seu corpo. Isso é o bastante para explicar o que tá acontecendo? – Prabhu estava irritado, terminando de desamarrá-la, ele era muito bom naquilo, não se conformava em ter feito um pacto com um homem tão desprezível, era como um Kinezista negar o nome de Kinesis, ou um TK praticar vampirismo psíquico contra a mãe.
- Ah, eu já sabia, Sa.. – Não terminou de falar, ouvindo uma voz na sua cabeça que dizia:
- Quieta, não podem saber de mim. E me desculpe, foi minha culpa, o ritual deu errado, o desgraçado conseguiu entrar na sua mente quando dissemos o nome dele. – Era a voz de “Samantha Abschteulich”.
- Sabia? E por que não fez nada? – O guru não estava com paciência, mas ela já tava desamarrada, e se levantou da cama.
- Fiquei sabendo quando inconsciente, ele falou comigo e riu. Sabe, eu estou morrendo de medo, mas não to demonstrando, acho que estou com tanto medo que nem consigo mostrar. – Levantada, correu até Cyrus e o abraçou. – Eu te amo Cyrus, achei que nunca mais te veria, por favor, não me abandone, eu não te abandonei quando colocaram um pau mecânico em você, e você não vai me abandonar agora que o demônio tá dentro de mim.
- Eu nunca vou te deixar, nem mesmo se fosse homem. – Ele beijou a esposa, não podia chorar por ser um andróide, mas estava muito emocionado, com muito medo pela esposa, não podia acreditar no que estava acontecendo, era como se tudo que ele nunca poderia aceitar acontecesse de uma só vez.
- Lamento atrapalhar os pombinhos, mas temos treinamento para fazer. – Prabhu chamou, Ferraço já tinha ido para o campo aberto onde treinavam, conversando com Hannibal, que já esperava há tempos. Todos os soldados e pessoas em treinamento foram para o local, até Daisy, Prabhu ficou de pé do lado do verdadeiro general, e cochichou no ouvido dele:
- O demônio ainda tá nela, ele disse que não vai fazer nada e só quer um corpo, mas claro que isso não tá certo, nós selamos ele dentro do corpo dela, mas ainda tem como conseguirmos nos livrar dele, basta o senhor fazer ela desmaiar, mas tem que atacar quando estiver desprevenida, senão ele acaba conosco, ele conseguiu, de algum modo, usar a habilidade de Samantha Abschteulich de transferir dor, não sei como ele fez isso, mas se ele continuar vivo com essa habilidade, estaremos acabados.
Hannibal nem se quer respondeu, mas estava muito sério.
- Pegue-os, vão arranjar um jeito de nos matar, eles não vai te deixar viver enquanto Arius estiver aqui dentro, eu vou caçá-lo, mas eles nunca acreditariam, ma... – Daisy ouvia a voz, confiando nela com muita fé, mas logo sentiu sua cabeça ser atingida por uma bola de metal enorme, ela veio de trás, ela veio do telhado do campo de treinamento, no telhado da construção, havia alguns canhões, uma arma desenvolvida pelo próprio Lewis, uma versão pesada e rudimentar das armas de fogo de mão, era uma bola de canhão enorme, poderia explodir a cabeça de qualquer um se viesse com muita força, mas a força com que acertou a possuída não foi o bastante para matá-la, apenas para fazê-la cair como um dominó, após sentir uma dor aguda, mas era impressionante que uma bola daquele tamanho a tivesse atingido na cabeça naquela velocidade e não a tivesse arrancado fora. Todos ficaram olhando aquilo, surpreendidos, alguns rindo, e Cyrus começou a gritar.
- Daisy! Daisy! O que foi isso? Você tá viva, amor? – Levantando o corpo inanimado da esposa.
- Saia Cyrus, temos que levá-la para extrair Arius. – Hannibal empurrou o andróide, pegou a mulher nos braços, seguido pelo anão.Eles a levaram para o quarto, jogando-a na cama, dessa vez não a amarraram, pois com aquela pancada, ela não acordaria novamente nem se tentasse muito, então Prabhu colocou a mão na testa da garota, e o general colocou a mão sobre a mão de Prabhu, e juntos começaram a injetar energia, no desenho da estrela de 8 pontas, que nem chegou a ser apagado.
- Não consigo acordar, não, não posso morrer, mas essa energia envolve-me, não pode ser o fim, não... – Arius começava a desaparecer, no interior da mente, sentindo-se cada vez mais vazio, como um balão cheio de ar que é esvaziado rapidamente, mas sem estourar, sentindo uma sensação intensa de frio e morte, e também como se estivesse sendo esmagado, era algo inesperado, inimaginável, o grande Das Extremer estava desesperado, com medo, e sofrendo muito, finalmente estava pagando por todos os seus crimes, desaparecendo, morrendo enquanto era esmagado e desfeito por aquela energia poderosa.
- Por favor, me tirem daqui, eu não ia fazer nada, eu não quero mais ser Deus. Por favor, parem, parem, parem! – Era uma morte lenta e dolorosa, uma dor mental intensa, diz-se que quanto maior a altura, maior a queda, e quanto maior a mente, mais tempo demora para destruí-la, aquele método do guru era extremamente doloroso, por usar uma energia altamente destrutiva e dissolver a substância formadora da mente humana, separando a energia e liberando, fazendo-a se perder, como se fosse um ácido fraco atacando um corpo, corroendo bem devagar. Sentia a sua matéria mental desaparecendo, mas era demorado, doloroso, desesperado, e a sensação era de um ataque universal, em cada ponto de sua existência, uma criatura que carregava consigo a energia das mentes de centenas de vidas tiradas, era tão difícil de destruir quanto se tentassem destruir centenas de mentes, mesmo tendo perdido sua maior parte quando enfrentou o general Kinesis, a quantidade de energia que carregava era ainda monstruosa. E foi daquele jeito, o demônio já não conseguia fazer nada, estava jogado no vazio, no interior de Daisy, sendo destruído, esvaziado, esmagado por energia destrutiva, submetido à pior sensação existente, era como se morresse centenas de vezes, tendo toda as suas piores emoções intensificadas ao máximo, junto com a sensação absoluta de impotência, de fraqueza, de não poder nada para escapar, seu orgulho foi despedaçado, e sua existência logo seria totalmente extirpada.
- Não, não posso morrer. – Foram suas últimas palavras, antes de desistir totalmente, após 2 horas de sofrimento agudo, o tempo necessário para desfazer sua mente para sempre, imerso no mais profundo desespero, se sentia absolutamente morto e vazio, e logo desapareceu de vez, sem sobre nenhum rastro, absolutamente nenhum rastro de sua existência. Will ainda estava vivo no plano astral, mas não sobrou nada do pai nele, e o próprio estava sumindo aos poucos, sua existência astral não estava correta, e logo ele morreria eternamente, como todas as pessoas deveriam, ele nem se importava, tinha visto a morte do pai, e iria morrer sua segunda morte feliz, a técnica de Prabhu dissolveu a parte de Das Extremer que estava no filho, era uma habilidade fantástica, que independia de espaço ou localização, apena destruía o alvo, que era Arius, e já estava morto.
- Acabou, Arius está morto. – Prabhu tirou a mão, dando um grande sorriso e começando a pular em comemoração, cantando muito e gritando. – Arius está morto. Das Extremer está morto! Para sempre!
Hannibal entrou na dança, ele saíram do quarto, e voltaram para a área descoberta onde eram aguardados, ninguém os seguira, pois sabiam que não deveriam, mas agora todos podiam ouvir a cantoria dupla sobre a morte de Arius, Cyrus deu um berro de alegria quando ouviu, e cantou junto, na verdade, todo mundo no campo de treinamento cantou, a morte definitiva de Das Extremer era a melhor notícia que eles poderiam ter tido em suas vidas, Hannibal teve o pai morto pelo próprio, e era mais um motivo para ele estar feliz. A dança e a cantoria da vitória duraram uns 5 minutos, pareciam até bêbados de tão felizes, Arius morto pra sempre, era bom demais para ser verdade, só que dessa vez era verdade, e não havia nada que pudesse trazer o horror em pessoa de volta, só que mesmo assim, ainda teriam uma grande guerra pela frente, contra o terrível Morten Daemon e seu exército de Psyvamps, um homem duro, poderoso e cruel, que seria capaz de conquistar cada continente no planeta.
- Tá bom, chega, calem a boca e vamos treinar, ainda temos que ir para a guerra, esse homem que ascende, o general de Sogen é o novo candidato a Das Extremer, e a menos que queiramos virar cães de vampiro, temos que vencer essa guerra. – Ferraço deu um tiro para o alto com sua arma de fogo, e gritou em discurso, chamando a atenção de todos, que se calaram, Hannibal e Prabhu voltaram às suas posições, em volta do general de araque.
- Esperem, eu também vou, eu estou aqui, já que mataram o Das Extremer, espero que possam me aceitar de volta. – Daisy chegou cambaleante no local, falando bem alto, seus olhos estavam cadavéricos de tão fundos, duas horas sendo usada como ponte para transporta energia destrutiva para um assassino sem corpo não havia feito bom para ela.
- Daisy. – Os olhos de Cyrus brilharam, embora ninguém percebesse, nem a esposa, ele estava tão feliz em ver a esposa bem e viva que nem poderia demonstrar o que sentia.
Ela foi aceita, e logo começaram a treinar.
- O exercício de hoje é simples, vamos fazer duelos de aura, cada aluno irá arranjar um par de acordo com sua habilidade, e tentará penetrar no outro, digo, na aura do outro, vocês deverão bloquear a energia do outro, não haverá vitória ou derrota, apenas se esforcem para cobrir a aura do oponente com a sua, tentarão até conseguir, e não sairão daqui enquanto não conseguirem, bananas molengas. – Dessa Hannibal que declarou, era tudo planejado entre os chefes, mesmo que não soubessem que ele fosse o verdadeiro general, todos sabiam que aquele campo pertencia a ele.
Todos se posicionaram para o treinamento, sentando um na frente do outro, no chão, se encarando, Daisy ficou com seu amado Cyrus.
- Comecem. – O verdadeiro general declarou, a ordem foi seguida, todos concentravam suas auras, imaginavam suas auras saindo e cobrindo o oponente. Ninguém chegava a nada, tentavam, tentavam e não obtinham resultado, Daisy sentia uma forte dor de cabeça enquanto tentava, mas estava quase sentindo sua aura, na segunda hora de treinamento, estavam todos exausto, mas continuavam, era um treinamento árduo, mas logo ela conseguiu sentir a própria aura, e cobrir Cyrus com ela logo em seguida, deixando o preso, ele se sentiu paralisado, mas continuou com o que estava fazendo, sem saber que tinha falhado no treinamento e estava com sua energia travada.
- Cyrus, como sua esposa fez isso? – Prabhu estava meditando de olhos fechados durante todo o treinamento, mas nessa hora, falou bem alto para que ele ouvisse, suas habilidades eram tão desenvolvidas que ele podia sentir a presença de cada pessoa ali, e sua energias, a partir do momento que o andróide foi preso dentro da barreira de aura da esposa, sua presença não era mais sentida, então era fácil saber que ele não estava lá, mas o impressionante é que o grande guru, bem, nem tão grande por ter o tamanho de um pingüim, era capaz de reconhecer e identificar de quem era a energia de cada pessoa lá, uma habilidade à altura das habilidades do monstro que ele matara mais cedo, que também era capaz de sentir a energia das pessoas e identificar suas presenças.
- O que? – O andróide nem chegou a perceber que estava com energia selada.
- Ninguém se distraia, ok? É só com Cyrus. Ora, você teve sua energia envolvida, tá preso, Daisy acaba de obter o resultado, bom trabalho, agora tente tirar sua aura de em volta dele, faça de novo e vá repetindo o processo, para melhorar seu controle. Continuem todos tentando. – Prabhu, puxou Hannibal pela gola da roupa, o chamando sem dizer nada, os dois andaram até um corredor logo à frente da área aberta de treino, onde ele abriu a boca, bem sério.
- Isso não é normal, Hannibal, você sabe, ninguém consegue usar a técnica de casulo astral na primeira tentativa, aquela garota tem alguma coisa de errado, e tem a ver com ter sido possuída por Arius, mas não entendo... Ele morreu. – O guru falava tranquilamente, embora se preocupasse com o estranho ocorrido.
- Talvez ele tenha deixado uma marca, um dom nela, não é possível que tenha sobrado qualquer energia dele. Só seria possível se ela tivesse aprendido com ele.
O céu estava, cinza naquele dia, no dia em que Arius morreu.
- Você quer dizer que a garota aprendeu isso com Arius? Sabemos que ele era um grande telepata, mas nunca que teve controle sobre aura, não deveria ser isso, não deveria, tem que haver algo mais, algo que ele fez ela descobrir.
- Você quer dizer, algo que ela era capaz de fazer e não sabia que era? Mas que descobriu quando o monstro entrou na mente dela?
- É, algo assim, ele pode muito bem ter ativado uma função que ela tinha, mas não ativou. Você sabe, é como programação de máquinas, a função tá lá, mas você não usa, a mente humana não é diferente.Você sabe como funcionava o método de possessão de Arius através do nome? Durante esses anos de meditação, estudei muitas coisas e fiz descobertas sobre novos métodos de psionismo, descobri muita coisa realmente, e eu descobri como uma pessoa como Arius poderia possuir a pessoa através da pronúncia de seu nome, tudo que existe é baseado em uma informação e um nome atribuído a ela, o nome atribuído a ele tinha uma ligação com sua mente, e quando seu nome era pronunciado, a pessoa que dizia o nome abria uma ligação com a mente do monstro, assim, permitia a ele uma invasão mental, a invasão mental dele era uma incomum e prodigiosa mistura de projeção astral com telepatia. É o mesmo princípio da retrocinese, em que você programa um acontecimento usando palavras e atribuindo informações a elas.
- Retrocinese... isso tem sido um mistério através dos anos, Samantha Abschteulich, criadora daquela religião masoquista em que os membros se mutilam e cometem todo tipo de atrocidade com si mesmos, apresentou essa idéia com esse nome em um dos livros, eu li ele, “Águia Vermelha”, um dos livros exclusivos para seguidores, ela mantinha suas artes mais avançadas em segredo entre os membros do culto Abschteulichista, e a retrocinese era a mais avançada delas, felizmente, não veio a tona para o público em geral, eu acreditei na existência da tal habilidade, e ousei praticá-la, mas foi um fracasso, eu conseguia resultados muito pequenos, ou nenhum, por mais que eu tentasse, e olhar que tentei muito, uma vez pedi para que uma certa pessoa voltasse para mim, uma namorada. Sabe o que aconteceu? Um dia cruzei com ela na rua, só que ela nem me reconheceu, e disse que estava casada, e olha que eu dei tudo de mim para programar isso. Isso me leva a acreditar que a retrocinese é um dom para poucos.
- Como conseguiu um livro exclusivo dos Abschteulichistas se você é Drachenista? Tirando a auto-mutilação, o Abschteulichismo é uma boa filosofia de vida, o esforço e o sacrifício para a obtenção de tudo que se deseja, mas torturas em si mesmo não são o tipo de sacrifício que deveria ser feito.
- Prabhu, eu sou general, eu consigo o livro que eu quiser, obtive um exemplar solicitado de um Abschteulichista após ouvir falar do tal livro que teria grandes segredos guardados, você sabe que se o general solicita algo, ele deve ser obedecido.
- Mas você não é general, você sabe, Lewis é o verdadeiro general. – Prabhun era uma das poucas pessoas que sabiam disso.
- Mas você acha que o Abschteulichista sabia disso? – Ferraço deu uma risada, o guru riu junto, um momento de descontração era algo ótimo para pessoas que logo estariam à frente de uma grande guerra entre dois grandes continentes. - Mas quanto a Daisy, qual pode ser a origem da habilidade natural dela com aura?
- Talvez ela apenas seja talentosa, então Arius fez ela despertar esse talento que estava sendo desperdiçado, não há porque nos preocuparmos, ela não é uma Drachen, ela não é uma Daemon, então não há problema com o fato dela ter essa capacidade, só é bom termos certeza de que o demônio não deixou nenhum rastro, mas não deixou mesmo, está ótimo, vamos voltar. - O assunto sobre o incomum talento de Daisy já estava terminado, Prabhu estava convencido de que o controle de aura da mulher era algo natural, terminada a conversa, retornaram à área de treinamento, como o esperado, não havia nenhuma novidade, ninguém conseguiu cobrir a aura do outro, nem Daisy conseguiu liberar o marido do casulo astral.
- A notícia da morte de Will ainda não vazou fora daqui, quando Arius e o filho morreram, ninguém chegou a espalhar o acontecimento. – O capitão Harris abordava Hannibal, seu chefe, que acabava de chegar perto do quarto onde dormia, junto com Ferraço e Prabhu, às vezes o marinheiro era responsável por falar para a imprensa no lugar do milionário, era um de seus homens de confiança, Harris era um homem extremamente simpático e carismático, talvez esse fosse o motivo para ser comum ele fazer reportagens como porta-voz dele, Ferraço era seu porta voz como general, e Harris era um de seus porta-voz como dono da Hannibal S.A.
- Sim, mas o que tem isso?
- Bem, o senhor tem pensado em divulgar a notícia?
- Ora, mas é claro que não.
- Ah, que bom, o senhor sabe que...
- Claro, eu sei, enquanto Morten achar que o seu primeiro inimigo ainda está vivo, ele irá se concentrar em matá-lo, e não perceberá o verdadeiro perigo, que somos nós, já que William morreu. Bem, é realmente uma pena, ele poderia ter ajudado muito na guerra.
- Eu gostava de Will. – Ferraço comentou, parecia um pouco triste, um militar que leva os acontecimentos para a vida pessoal poderia sofrer muito por dentro.
- É, quando forem divulgar, por favor, não falem de Will, e falem para todos aqui que não falem de Will, eles não podem saber que Will morreu.
- Claro, fique tranqüilo, o bom médico ainda está vivo e está entre nós, ninguém, absolutamente ninguém fora desse campo de treinamento saberá de sua morte, mas em compensação, todos saberão da morte de Arius.
- E é bom que falem que o matou, o Prabhu, para que ele ganhe todos os créditos, isso pode atrair pessoas que queiram treinar com ele aqui, para a guerra.
- Muito engenhoso, Harris, agora vá, imagino que já tenha terminado de falar o que tinha que falar. – Lewis olhava bastante sério.
- Sim senhor, obrigado pela atenção. – Correu para o próprio quarto, para dormir.
Desde chegada do grupo de Sogen em Umi, Necro, a coruja de Will, passou a passar os dias livres, mas voltava para ao lado do dono nos fins das noites, ela podia encontrá-lo facilmente. Mas desde que seu querido dono foi morto, passou a voar livre e dormir em qualquer lugar, parou de falar, já que só falava com ele, e se tornou apenas uma coruja comum, pois sem Will, era isso quase isso que era, embora muito mais inteligente, e capaz de falar, não falava, e caçava ratos todas às noites e todos os dias, para se alimentar e viver como um animal qualquer, também, ninguém da Neo-KNC se importou com sua falta, embora ela fosse perceptível.
Bather
Era meia noite e alguma coisa, o dia 17 começara há pouco tempo, Hannibal, Ferraço e Prabhu jantavam juntos na sua suíte presidencial, embora fosse estúpido que os três homens mais importantes do continente ficassem no mesmo local, caso houvesse um ataque, seria mais fácil matá-los todos de uma vez, desprevenidos, mas caso estivessem juntos e acordados, qualquer invasor seria digno de pena, apesar disso, comiam juntos e conversavam nada descontraídos.
- Vocês conhecem a origem do nome Daemon? – O guru bebia uma taça se suco de soja, sua bebida favorita, era vegetariano e evitava comer comidas gordurosas e beber bebidas alcoólicas, em compensação, comia muita massa para ter bastante energia, o olhar dele era sempre calmo, diferente de como estava no momento em que estava lidando com Arius, aquela experiência tinha sido capaz de tirar a tranqüilidade até mesmo de um sábio guru como Prabhu.
- Não. – Os dois generais, tanto o real quanto o falso disseram ao mesmo tempo, Lewis fumava.
- Eu contarei: Netrom Daemon não nasceu com esse nome, ele se chamava Pedro, mas mudou o nome para Netrom Daemon, que significa “ovelha demônio”, supostamente para ser um paradoxo de nomes, a ovelha da pureza e o demônio da imundície, um nome ameaçador para o homem que era general de Tsuchin, colocado lá por nosso grande Drachen, cujo nome vem do lobo Lupin Drach, isto é, Deus Lobo. Você sabe que nas religiões mais antigas do mundo as pessoas acreditavam que houvesse um deus do bem e um demônio do mal, Netrom se inspirou nisso, ele mesmo se considerava sujo, por isso garantiu que o “Daemon” soasse mais forte em seu nome, ele queria ser temido, ele queria ser o mal necessário para a terra. Os antigos oravam ao bondoso Deus Imoleth, que era a personificação perfeita de todo o bem e justiça existente, para que protegesse de Daemon, o demônio que era todo o mal do mundo encarnado, que era temido com total seriedade, do mesmo modo que temíamos Arius quando ele ainda estava vivo, se bem que nenhum dos dois era considerado absolutamente onipotente, mas sim absurdamente poderosos. na época de Netrom Daemon essa fé já havia caído, e ele se auto declarou como o mal encarnado em pessoa, o medo da humanidade, o terrível, usando o nome do demônio dos antigos.
- Qual era o nome da religião dos antigos? – Ferraço estava curioso e interessado.
- Imeísmo, o culto ao Deus Imoleth, que tinha a forma de uma ovelha com asas de águia, já Daemon seria um lobo com rabo de serpente. Diziam que quando a guerra eterna entre ambos acabasse, a terrível guerra entre o bem e o mal chegasse ao fim, Imoleth absorveria os poderes de Daemon e se tornaria infinitamente mais poderoso, se tornando um ser mais perfeito do que perfeito, realmente onipotente, um ser com cabeça de lobo, corpo de ovelha, asas de águia e rabo de serpente, esse ser levaria a humanidade para uma dimensão alternativa, onde todos viveriam eternamente com absoluta felicidade e paz. Por isso, o nome Netrom significando ovelha seria Imoleth, e Daemon seria o próprio Daemon, o lobo, estão, Netrom Daemon seria realmente como Involeth.
- História interessante, me impressiona que as pessoas realmente acreditassem nessas besteiras. – Lewis era um homem cético demais, e a fé para ele parecia algo humanamente absurdo, ele fumava entre suas palavras, soltando fumaça como uma chaminé, incomodava os companheiros não fumantes, mas eles não ousariam reclamar, só não havia fumado na área de treino porque estava muito ocupado e concentrado para perder atenção segurando qualquer cigarro.
- Enfim, a palavra Daemon, demônio tem sido usada ao longo dos anos para descrever as pessoas ou criaturas que representaram o mal do mundo personificado, e também como o sobrenome sujo dos clã Daemon dos psyvamps, perseguidos e considerados uma praga por todo o mundo, pessoas cujo sangue imundo do demônio correria nas veias, sangue maldito, o dom maldito do vampirismo psíquico. Em nossa época, Daemon foi Arius Drachen, ironicamente, o descendente daquele que todos chamamos de nosso messias, Alexiel Drachen, o maior herói da história, mas agora que Arius está morto, acredito que nosso próximo demônio seja Morten Daemon, e acredito que ele realmente deseje isso, ele é nosso inimigo, o adversário, e portanto, o mal personificado no nosso ponto de vista.
- Nós não sabemos exatamente que tipo de atrocidades ele está fazendo lá, Will só contou que Morten está fazendo um tipo de lavagem cerebral em massa usando vampirismo psíquico, e está fazendo um poderoso exército de vampiros psíquicos. Eu pedi para um agente infiltrado descobrir o que está acontecendo, um amigo meu que é bastante rico, ele que intermediou o contato entre Will e eu, o nome dele é Barney, ele vai me ligar amanhã, quer dizer, hoje mais tarde. – O verdadeiro general referia ao fato de já ser madrugada, aquele grupo não dormia, e eram os únicos que faziam isso. – Ele irá me falar o que sabe, e talvez nos dê informações importantes, assim que Will chegou, eu liguei para ele, sabia que ele não poderia ter tido a mente levada, o bom Zeca é muito esperto para isso, se fez de escravo para parecer que já tinha sido lavado.
- Chefe, que tal irmos dormir agora? Foi um grande dia. – Ferraço já bocejava, terminando sua refeição, que não era jantar, apenas um lanchinho extra.
- Não temos tempo para dormir, Ferraço, não seja infantil. – Soltou mais uma nuvem de fumaça pela boca.
- Você ia morrer câncer e foi salvo, por que não aproveita sua segunda chance? – Prabhu não concordava com o mau hábito do chefe, acabaria tendo uma doença mortal novamente graças ao vício compulsivo, se bem que apesar de tudo, desde o dia da operação feita por Will, já fumava menos.
- É Prabhu, tem razão, mas eu gosto tanto, é meu maior prazer, um cigarrinho, dois cigarrinhos.
- Não seja tolo, Lewis, Will está morto, não vai ter ninguém para te curar se você ficar doente de novo! – Às vezes a relação entre eles podia parecer puramente profissional, mas o anão se preocupava sinceramente com o parceiro, eles eram amigos realmente, não só parceiros de trabalho.
- Ah, eu não consigo, eu quero parar, mas é tão viciante. – O general podia agir como uma criança quando se tratava de manter o seu vício, sem pensar nem um pouco nas conseqüências.
- Ele tem razão, e esses seus cigarros infestam todo o ar por onde você passa, chefe, nós que preferimos um estilo de vida saudável não temos chance. – Ferraço também não gostava de cigarro, aquele não era uma droga muito apreciada em Sogen, já chá de cogumelo era bastante apreciado.
- Ah, como posso parar de fumar? Eu fumo desde criança, faz parte de mim, fumar, pra mim é como respirar ou comer, é fundamental, se eu parasse seria como se arrancassem um pedaço de meu corpo.
- Como começou a fumar, general? – Prabhu pensava em um modo de acabar com o vício do chefe.
- Bem, vou contar desde o começo, como todos sabem, eu trabalhava na fábrica do Hirineu Lula, onde fui vendido para trabalhar feito escravo pelo meu pai, ele me viciou em cigarros, já que era dono de uma fábrica de cigarros além daquela onde eu trabalha, a ferraria, que era a que mais dava dinheiro pra ele, fumei tanto as porcarias dele que fiquei endividado, aí sim ele me escravizou, acabei fugindo, o resto vocês conhecem. O pior é que não foi só eu que ele viciou em fumar, ele fez com todas as crianças e adolescentes que trabalharam naquela fábrica.
- Então Lewis, só tenho uma solução para você parar de fumar. – O guru teve uma idéia.
- Te deixar ocupado demais para fumar, e longe de cigarros, quer dizer, se você não tiver o que fumar, por mais que queira, não poderá fumar, nós proibiremos totalmente a entrada de cigarros no nosso quarteirão de treino, então, se alguém for encontrado com cigarros, será fuzilado, e isso inclui você.
- Poderia até ser, mas se tentassem me fuzilar, não conseguiriam, e mesmo que eu jure e decrete isso, eu vou preferir quebrar minha palavra à morrer, sem dúvidas, não sou um desses guardiões que acham que a palavra vale mais que a vida, prefiro ser desacreditado do que morto. Então acho que não adianta, Prabhu! Vocês não conseguiriam me impedir caso eu não conseguisse me controlar, e eu sei que eu não consigo me controlar realmente.
- Eu tenho uma solução. Me diga, se você soubesse que vai morrer no momento em que fumar, você fuma?
- Claro que não, como eu disse, eu valorizo minha vida, até mais que o cigarro.
- Já sei. Pedirei para Cyrus que faça uma máscara que colocarei no seu rosto, presa, ela só vai ter buracos para os olhos, nariz e boca, e ele terá um gás inflamável que não poderá sair, aí eu já não sei como fazer para o gás não sair. – Ferraço deu sua opinião.
- Ferraço, menos, que idéia absurda. Prabhu, pelo jeito, é bem melhor nos livrarmos de todos os cigarros nesse local, e a área ao meu alcance, vou legalizar a regra contra cigarros e a pena de morte para ela, me fulizem imediatamente se me virem fumando, e não hesitem em fazer isso, me jurem.
- Eu juro, general. – O guru achava a idéia boa, mas temia que o fumante não se controlasse.
- Eu também, eu juro que te matarei se te pegar fumando. – Ferraço jurou, com o mesmo medo.
- E como vocês estão sempre comigo, não terei chances de fumar escondido. E outra coisa, Ferraço você sabe o que tem que fazer de manhã, não é?
- Sim senhor, claro que eu sei, e se eu falhar, eu arranjarei uma solução mesmo assim.
17/06/1915, Vempire, Sogen Norte.
- Então, o que sabemos sobre o exército de Umi? – Osten ouvia a pergunta de um de seus homens mais confiáveis, um homem de 1,80 com músculos tão grandes quanto os do falecido Lance, careca, chamado Anders, um psyvamp militar que ajudou Morten na tomada de Sogen Norte, tinha uns 50 anos de idade, e uma história de vida comum, tendo entrado no exército sem revelar que era da raça odiada. Ao mesmo tempo, estudava um detalhado mapa de Umi, tinha que conhecer bem o território do inimigo.
- Temos apenas as informações que eu consegui em projeção astral. A técnica que desenvolvi através dos anos me permite ir a qualquer lugar por projeção astral desde que eu saiba como o lugar é, e possa visualizá-lo, a globalização é realmente excelente, sabemos como é Umi, como é a principal base deles, e sabemos o que estão planejando, só que não consegui alcançar a base, era uma espécie de área protegida, uma barreira astral, não pude entrar lá dentro para saber dos planos principais, mas eu já sei que eles estão desenvolvendo, ou treinando, não sei, uma técnica para derrotar definitivamente qualquer vampiro psíquico.
- Só isso? Mas como haver uma área onde não se pode penetrar por projeção astral? Como alguém pode fazer isso com uma área tão grande? Que eu saiba, a tal base é tão grande quanto uma cidade, tem que ser algo muito poderoso.
- Conhece um tal de Prabhu Gandhon?
- Mas é claro que conheço, o maior professor de telecinese do mundo, e também o maior mestre em telecinese alternativa, ele desenvolveu técnicas que revolucionaram a telecinese, e ele está no campo de treinamento, certamente um dos maiores problemas que teremos.
- Pois bem, certamente ele é o motivo para eu não conseguir penetrar na forma astral livremente dentro do campo de treinamento, nós sabemos que ele que treina o povo lá, como um mestre no controle de aura e grande conhecedor do plano astral, não me surpreenderia se ele tivesse conseguido um método absoluto de bloquear a passagem de qualquer corpo astral, pensamento telepático, ou transferência de energia por vampirismo psíquico por qualquer modo, caso nós tentássemos fazer um grande enxágüe vampírico para acabar com eles diretamente na base, nós seríamos totalmente neutralizados pela barreira astral. Mas o que me pergunto, é como ele fez uma barreira tão grande, ele precisaria de milhares de pessoas para ter energia o bastante para fazer algo assim.
- Talvez não seja simples energia, talvez ele tenha usado algum intermediário, talvez até mesmo tenha feito a barreira utilizando as construções como suporte, só não sei como.
- Então descubra! Temos que pensar, se ele ligasse a barreira aos muros e paredes da construção, ainda sim poderíamos entrar por cima, não pode ser isso.
- Poderia ser um campo de força ou coisa parecida, uma espécie de campo de força astral utilizando algum mecanismo físico para bloquear a passagem de corpos astrais. – Anders tinha um bom palpite, havia enfrentado um campo de força quando lutou no exército de Morten, na tomada do quartel general de Sogen Norte, na época em que o antigo general ainda estava no poder, havia um poderoso campo de força que impedia a construção principal fosse atravessada, porém o engenhoso vampiro conseguiu drenar toda a energia que bloqueava a passagem, por vampirismo psíquico, com seu exército inteiro drenando ao mesmo tempo, e revigorados, massacraram os que se escondiam lá dentro.
- Sim, tem razão, Anders, eles poderiam ter feito algo assim, um mecanismo poderoso que cria uma barreira parecida com uma barreira astral tradicional, só que em um alcance muito maior.
- Se é isso, nós sabemos atravessar, seu pai enfrentou algo parecido quando tomou a antiga capital de Sogen Norte, mas naquele caso, não era uma barreira astral, era uma barreira de energia que bloqueava nossos corpos mesmo, tinha um impulso eletromagnético que nos empurrava quando tentávamos entrar, mas o chefe fez uma abertura em um pequeno ponto usando o vampirismo psíquico de todos os soldados juntos, então entramos por aquela abertura, que logo se fechou novamente, e lá dentro, matamos todos, e destruímos o aparelho que gerava o campo de força, só que nem nos preocupamos em conservá-lo para usar mais tarde. – Ele tinha certeza de que essa seria uma boa solução.
- Uma barreira astral é menos desenvolvida que uma que possa bloquear pessoas inteiras, mas aposto mesmo assim que o vampirismo psíquico também funcionará. Bom trabalho, agora vá embora, tenho trabalho a fazer. – Osten sorriu brevemente e depois fechou a cara, expulsando o subordinado.
- Sim senhor. – Anders deu as costas e foi embora.
17/06/1915, Amestris, Sogen Sul.
- General, é importante, leia isso. – O soldado de baixa patente correu até a sala do temido chefe, entrando sem bater, com um jornal, entregando na mão do general.
- Ora, não é possível. – Morten leu a manchete, mentalmente, sem falar:
“Das Extremer é definitivamente morto
“O grande guru, Prabhu Gandhon, foi o homem responsável pela morte definitiva, física e espiritual de Arius Drachen, mais conhecido como Das Extremer, o homem que por décadas aterrorizou o mundo, e foi considerado o maior serial killer de todos os tempos, responsável pela morte de milhares de pessoas, por trás de grandes tragédias e conspirações. Arius ficou famoso por ser o homem que poderia invadir a mente de qualquer pessoa que dissesse seu nome, motivo pelo qual o seu nome foi proibido, fazendo com que as pessoas passassem a se referir a ele como Das Extremer, seu ato mais famoso foi o massacre em Ferrópolis, onde possuiu o general Henrique Ruschi, e se fez passar por ele até ser descoberto. Ele foi pego enquanto possuía o corpo de Daisy Brocken no principal campo de treinamento em Umi, uma famosa cientista sogeniana, refugiada da ditadura em Sogen. O sábio teve a ajuda de Lewis Aníbal, na hora de controlar o corpo da possuída, e então com o corpo controlado, destruiu sua mente como uma de suas prodigiosas habilidades, atravessando o mundo físico e atingindo o criminoso direto na mente, fazendo-o desaparecer de uma vez por todas. Cada pessoa em cada continente comemora o acontecido, Prabhu Gandhon está sendo chamado de herói por todas as nações, e o império de terror de Arius Drachen definitivamente chega ao fim. Daisy Brocken passa bem.”
- É muita sorte realmente, Das Extremer está morto. Essa reportagem foi feita por um imbecil, está muito mal escrita, mas isso não é importante. Ainda acho possível que isso seja uma armação daquele velho imbecil, escute, se achássemos que ele está morto, não teríamos medo de falar o nome verdadeiro dele, e seria possível que invadisse nossas mentes. Não é verdade? Não direi o nome dele, não cairei nessa, ao contrário, farei um teste para saber se isso é um golpe.
- Como, senhor?
- Você falou o nome dele em voz alta quando leu isso? – O general estava muito desconfiado, era esperto, mas quase paranóico, não conseguia acreditar que o arquiinimigo dos Daemon estava morto.
- Não senhor.
- Ótimo, então fale agora. – O vampiro planejava alguma coisa, tinha que ter certeza, cada palavra sua era como um trovão cheio de maldade, era assustador, o soldado morria de medo de estar na presença de seu chefe, mas tinha que manter o controle para continuar vivo e no emprego, sendo que já tinha sofrido uma lavagem cerebral através do vampirismo psíquico.
- O nome dele? Tem certeza, senhor? – O medo de ser possuído era ainda maior do que o do chefe.
- É óbvio que tenho certeza, seu imbecil, agora fale. – O olhar do general era bem intimidador, ele virou as costas nesse momento.
- Arius Drachen, Arius Drachen...
- Idiota, vá logo pegar os caras! – Morten gritou, se virando para o subordinado, a sua frase não tinha nenhum sentido.
- Como chefe? Que caras? – O pobre homem não entendia nada.
- Como que cara? Você não tá prestando atenção no que falo?
- Estou senhor, mas o senhor não falou pra eu pegar ninguém, só pra eu falar o nome do Das.
- Ok, o imbecil está morto. – Morten sorriu, não dava para ver por causa de sua máscara, mas podia-se perceber a felicidade em seus olhos. – Arius está morto, e que cada pessoa em cada casa nesse continente saiba disso, permanentemente morto, morto para sempre, Arius Drachen não existe mais! – Dessa vez ele gritou tão alto que o quarteirão todo ouviu, o mecanismo de sua máscara era realmente útil, ainda mais combinado com audiocinese e sua voz naturalmente alto, ele podia se comunicar com pessoas à distância sem ter que sair do lugar ou saber telepatia.
17/06/1915, Vempire, Sogen Norte.
- Chefe, dê uma olhada nisso. – Anders entrou na sala em que o general estava, treinando pyrocinese com três professores, ele atirava as chamas em alvos, e ainda tinha que desviar das que eram lançadas contra ele, um verdadeiro treinamento para guerra, quando o subordinado chegou com o jornal na mão, eles pararam o que faziam.
- O que é, Anders? – O general de Sogen norte não estava muito bem humorado. O seu subordinado jogou um jornal na sua mesa, e ele pegou, lendo a manchete, seu mau humor sumiu rapidamente, sendo substituído por um largo sorriso.
- Arius está morto. – Falou como quem fala “ganhei na loteria”, assim que terminou de ler a matéria, mal escrita, mas que dizia tudo que era necessário saber.
- Sim senhor, ele está, nosso maior problema já era, a vitória na guerra está garantida. – Anders compartilhava da felicidade doe Osten com aquela notícia.
- Mas espera. Como ele entrou no campo de treinamento? Aquela barreira astral está lá, disso eu tenho certeza. – A dúvida veio à cabeça do vampiro, se ele não podia entrar, por que Arius podia?
- Vai que ele usou algum método especial, a gente está falando de Arius, não pode se esperar que regras comuns se apliquem àquele homem.
17/06/1915, Bather, Umi
- Alô, aí é o Lewis? – Lewis acabava de atender a uma ligação vinda de Sogen, era interessante que a barreira astral não fosse capaz de bloquear as ondas da telefonia intercontinental, na outra linha, perguntando, era a voz de velho aliado.
- Barney? É você? Tem notícias para mim?
- Sim, eu vou falar o que está acontecendo, eles estão usando métodos horrendos para fortalecer os soldados vampiros, estão transformando todos em psyvamps, ensinando a técnica de drenagem de energia para cada pessoa nesse continente, matando quem se opõe ou contesta, eles estão satisfeitos com a morte de Arius, e acham que isso vai auxiliar na guerra, eu só sei disso, eu estive com Morten, ele me usou como cobaia para confirmar a morte de Arius, ele é muito esperto, não cai em nenhum truque. Eu não sei como está no norte e nem os detalhes de alguns treinos, onde eu estou sendo treinado, eu tenho que drenar energia de outros homens, eu tenho que matá-los para sobreviver, homens comuns como eu, não vampiros psíquicos de nascença, e não está sendo fácil, é um treino terrível, quem falha morre sem receber misericórdia, eu acabarei ficando louco e perdendo minha consciência, mas enquanto estiver lúcido e com a mente intacta, ajudarei.
- Quem são os líderes junto com Morten, Barney?
- Morten no sul, e Osten no norte, um vampiro extremamente talentoso, mas só sei disso, nós não temos informações realmente, apenas o mínimo, mas tem um cara chamado Kjetil, parece ter uns 20 anos, filho do general, é ele que assume quando Morten tem que viajar ou sair de sua posição.
- O que sabe sobre Kjetil?
- Ele é um cachorro de Morten, apenas obedece ordens, vi ele em ação em um treino aqui, ele matou 10 psyvamps iniciantes em um duelo de vampirismo múltiplo em 2 minutos, eles fazem muito disso aqui, é o principal treino, colocando um contra o outro para drenar a energia um do outro até a morte, para selecionar os mais fortes. Às vezes acontece dele pegar pessoas sem potencial para enfrentarem em conjunto os psyvamps mais avançados, eles sempre morrem, pois não tem a habilidade do vampirismo desenvolvida, a força do vampiro avançado em teste é medida pelo tempo em que ele mata os outros.
- Isso é terrível. Mas não sabe mesmo nada sobre o tal Osten?
- Nada, mas tenho certeza de que ele não é inofensivo, só fiquei sabendo dele porque ouvi uma conversa de Morten no telefone, é essa a vantagem de saber usar a audiocinese para ouvir à distância.
- Hehe, meu bom amigo Barney, tão competente quanto sempre, então continue assim, e boa sorte, sobreviva, você tem que sobreviver, eu sei que você conseguirá, você sempre foi um homem brilhante, nos negócios e na telecinese, usando suas habilidades para facilitar o trabalho na empresa.
- Sim Lewis, mas agora tenho que desligar, não espere uma ligação minha, posso ligar a qualquer momento para dar novas notícias, ou até mesmo nunca mais ligar. Adeus.
- Adeus. – O general ouviu o barulho do telefone sendo desligado, ele estava no banheiro coletivo, e a ligação havia sido para o seu número particular móvel.
Ele saiu do banheiro e foi para o local onde todos estavam treinando, parecia que o Capitão Harris estava se destacando com bastante precisão em seus movimentos, Prabhu guiava os movimentos de cada um dos membros, era uma sessão de treinamento de controle corporal, ensinando os alunos a moverem seus corpos parte por parte, junto com suas auras e energias, em equilíbrio perfeito, algo complexo de se explicar, e mais ainda de se fazer, mas que ajudaria a um melhor controle de aura. Ferraço não estava lá, se encontrava na sua sala, onde sua farsa como general era ainda mais convincente, digitava um número de telefone, com o código de área estrangeiro, colando de uma agenda, já que não sabia o número de cor, colocou o telefone fixo no ouvido e esperou ser atendido.
- Alô, aqui é o general Chester Kinesis. – Era uma voz fina, mas respeitável, era cerca de 7 da manhã, todo militar acordava cedo, outros nem mesmo dormiam.
Chester foi um aluno exemplar durante sua infância, atraía forças estranhas por onde andava, sentia presenças, era uma criança problemática, mas genial, o melhor TK em sua escola, foi possuído por Arius Drachen com 12 anos, mas foi exorcizado por um exorcista de araque que trabalhava junto com Arius, apenas para cobrar os exorcismos falso e ganhar dinheiro fácil. Naquela altura, ele pôde sentir o poder incomum dentro do garoto, mas não pôde possuí-lo permanentemente, conseguiu controlar seu corpo, mas não pôde destruir ou controlar sua mente, havia de especial naquele garoto, uma espécie de barreira impossível de ultrapassar, mesmo para o poderoso Das Extremer. Após Dante largar sua vida de professor e se tornar um fora da lei declarado, acabou lutando em uma grande confusão gerada pela fuga de bandidos da prisão, também causada por Arius, nessa confusão, ele derrotou vários bandidos após tentarem atacar sua família, com sua grande habilidade revelada, foi chamado para a polícia, para trabalhar diretamente com o general de Tsuchin. Se tornou seu braço direito, e quando o grande líder morreu devido a um ataque cardíaco no meio de um combate direto contra um grupo de assassinos sádicos vindos de Houkaiser. Como general, acabou descobrindo que era um Kinesis, o único descendente conhecido do lendário general Kinesis, continuou com o trabalho de Rafael, só que com Arius morto (supostamente, mas pelo menos, fora de circulação), ele conseguiu fazer um trabalho muito bom, já que o que havia atrasado Rafael na maior parte de sua vida era o terrível criminoso que praticamente era a crise continental personificada. No poder, e sem o Das Extremer pra atrapalhar, ele começou um reinado bastante efetivo, conseguindo grande desenvolvimento principalmente social, focando mais em acabar com a pobreza, a violência, a fome e o desemprego, do que em fazer grandes descobertas tecnológicas, mas como ainda não estava a muito tempo no poder, as mudanças ainda não eram tão acentuadas, mas devagar, o general pretendia melhorar o continente e a vida de seu povo.
- Aqui é Ferraço Ferraz, general de Umi. Obviamente está sabendo que Sogen, sob o comando do novo general Morten, o psyvamp, está em guerra com Umi. Quero ajuda nessa guerra.
- E o que eu ganharei com isso, amigo de Umi? Tsuchin está em paz, não tenho porque entrar nessa guerra, companheiro, a neutralidade é o segredo da paz.
- Não seja estúpido, Chester, você sabe o que eles vão fazer? Eles vão invadir Umi, dominar, saquear, e usar tudo que temos aqui a favor deles, o que os fortalecerá. E adivinha? Em seguida eles farão o mesmo com Tsuchin, e depois, com Houkaiser, eles simplesmente farão o maior império da história, conquistado na base bruta, e eu sei que vai ser assim, porque o exército deles é realmente grande, e pode até ir se separar mais de um local ao mesmo tempo, dependendo da batalha.
- Não pode ser tão problemático quanto você fala, se vocês vencerem Sogen, não haverá nada, e tudo continua como está, nós não teremos que interferir, a neutralidade vai garantir a paz. – Chester se mostrava um homem pacífico, até demais, mais que o necessário.
- Já disse, não seja estúpido, se nós vencermos a guerra e você tiver recusado ajuda, nós vamos é invadir Tsuchin, pois estaremos fortalecidos após a dominação de Sogen.
- É blefe, vocês não vão conquistar Sogen, se eles atacarem, vocês só irão defender, não irão conquistar o continente perdedor.
- Não seja estúpido, é claro que vamos conquistar. Você acha mesmo que perderíamos a chance de obter tantas riquezas sem sermos injustos? Estaríamos apenas revidando.
- Vocês estarão enfraquecidos depois da guerra contra Sogen, eles perderão homens, vocês irão perder homens e bem, já que a guerra será no seu território, vocês serão prejudicados, e na verdade, acho que será mais fácil pra Tsuchin invadir Umi do que o contrário, me entende?
- Sim, entendo. Eu te darei mais uma chance, se nos unirmos agora para lutar contra Sogen, nós venceremos fácil e estará tudo bem, e eles vierem, e Umi perder, vocês serão os próximos, e vocês sabem disso. – Ferraço já estava com muita raiva, e isso era perceptível no seu tom de voz.
- Olhando por esse lado até parece convincente. Mas eu não quero, de modo algum, entrar em uma guerra, não vou arriscar meu povo.
- Seu filho da... você vai matar todos se não nos ajudar, se lutarem com cada um de nós por vez, será muito mais fácil do que se lutássemos em conjunto.
- Não incomode mais Ferraço, não, é não.
- Filho da... – Nem pôde terminar a frase, pois o telefone foi desligado na sua cara, aquilo o dominou com pura raiva, se o outro general estivesse na sua frente, abriria o rosto dele à socos
- Agora tentarei com Houkaiser, quem sabe eles aceitam. – Ele abriu a agenda azul de números de telefone do general Lewis, que era compartilhada com ele, os dois eram realmente como unha e carne, grandes amigos muito unidos, procurou por General de Houkaiser, o número do de Tsuchin ele já sabia de cor, já que tinham mais contatos, mas não teria esperado que o general que havia assumido há poucos anos seria tão covarde.
- Alô? – O telefone foi atendido rapidamente, era uma voz de mulher.
- Alô. General Rukaso? Aqui é o General Ferraço. – Ele se apresentou como se fosse pro general, mesmo tendo certeza de que aquela não era a voz de Rukaso.
- Não, é a secretária dele. Ele foi para um cabaré, mas volta em 2 horas.
- Duas horas? Não tem como me passar o número pessoa dele? Preciso falar com ele, é urgente, são assuntos dos quais depende a paz mundial e o destino de nossos continentes.
- Bem, eu gostaria de ajudar, mas não tenho o número pessoal dele, acho que só a família dele tem. – A voz da secretária parecia bastante sincera.
- Peraí? Tem certeza? Olha, ele tem esposa, não é? O que ele foi fazer em um cabaré? – Aquilo poderia parecer contraditório, mas não deveria ser nada mais do que uma pulada de cerca, muitas pessoas faziam aquilo em todo o mundo, e pelo jeito não era diferente com os generais.
- Não é isso que você está pensando, ele foi com a mulher dele assistir um espetáculo de dança, o cabaré da nossa capital Helkaiser é famosa por ter as melhores dançarinas do mundo. – Ela riu, era uma mulher bem humorada.
- Bem, teria como deixar um recado? – Mas Ferraço estava falando sério, embora o bom humor da mulher não lhe fosse um incômodo, e até soasse simpático.
- Claro, eu anoto e deixo aqui, e digo para que ligue de volta. – Deu para ouvir o barulho de um clique de caneta, ia anotar o recado para depois entregar.
- O general Ferraço do continente de Umi pede ajuda ao continente de Helkaiser para a guerra contra Sogen, prevendo interesses comuns entre ambos os continentes, uma vez que Sogen nas mãos de Morten Daemon seja uma ameaça, eles começaram declarando guerra contra Umi, que é o primeiro da lista, mais tarde eles atacarão Tsuchin e Houkaiser, e farão um vasto império onde os vampiros psíquicos irão comandar, a intenção deles é inverter a situação em que os TKs mandam e os vampiros se escondem, e então os TKs terão que se render aos vampiros psíquicos. Tsuchin recusou ajuda, tendo o covarde Chester como general, mas se vocês nos ajudarem, poderemos deter Morten, e impedir que eles dominem nossos continentes um por um.
- Que idéia louca, mas está anotado, ditadores tendem a serem loucos. Acho que já posso desligar, certo? – Ela riu novamente, pelo jeito, podia o mundo estar acabando que ainda assim ela estaria feliz.
- Sim. – Ele desligou o telefone.
“Espero que ele aceite, se não, que seja o que Drachen quiser.”
- Senhor Prabhu. Eu já sei como matar Morten. – Daisy correu para o guru assim que o treino do dia acabou, estava cansada, mas tinha algo em mente, algo que não conseguiu falar de manhã, o treino do dia havia sido duro, e o progresso considerável.
- Como? – Prabhu ficou surpreso em ouvir aquilo logo daquela mulher, que aparentava não saber nada sobre assuntos relacionados a aura, vampirismo psíquico, que só conhecia telecinese comum.
- Vamos usar uma maldição.
- O que? Como assim maldição? Como você sabe disso? – Parecia que tinha visto um fantasma, demonstrava nervosismo, embora tentasse disfarçar.
- Uma maldição, você sabe, retrocinese, você sabe, nós podemos usar de vários modos, a maldição é apenas a pior delas. – Ela falava com total naturalidade.
- Daisy, como ficou sabendo da existência da maldição? Você não pode ter lido os livros de Abschteulich, pode? Você é Abschteulichista?
- Não, eu nunca li, mas eu sei fazer uma maldição, desde que fui possuída, eu tenho informações e habilidades que eu não tinha antes, eu descobri como fazer retrocinese, eu descobri o que é retrocinese, eu nem mesmo sabia o que era, foi como se tivessem injetado toda a informação na minha cabeça, mas agora eu sei fazer.
- O que pretende fazer?
- Eu amaldiçoarei uma carta, a retrocinese se baseia em programar acontecimentos, podemos simplesmente programar por pensamento, ou podemos usar um objeto, uma carta programada para ativar certo evento na pessoa que abrir, um boneco de vodu para representar melhor e aumentar a efetividade.
- Eu não tive chances de ler um livro sobre retrocinese, apenas ouvi falar com pessoas influentes, eu sei o que é, mas não sei os detalhes, já que você sabe, me explique. Mas é inacreditável que tenha aprendido do nada. – Ele não conseguia entender como ela poderia ter aprendido, mesmo tendo sido invadida por Arius, tinha que ter alguma coisa além, alguma peça desconhecida naquele quebra cabeça.
- Não importa onde aprendi, senhor. Apenas me diga, tem como enviar uma carta com maldição para aquele desgraçado?
- Acho meio difícil, demoraria muito tempo até chegar nele, tempo demais, de uma volta ao mundo, certamente, mais tempo do que o que levará para eles mandarem navios para cá.
- Então teria outro modo, poderíamos amaldiçoá-lo por telefone.
- Isso seria possível? Bem, ele é capaz de usar vampirismo psíquico por telefone, então é possível que maldições também possam ser feitas por telefone, mas acho que tem um jeito que pode ser mais possível.
- Qual, senhor Prabhu?
- Mensagens de telefone, telepagers já são ultrapassados, mas ainda podemos mandar mensagens por telefone do mesmo modo que mandávamos mensagens nos telepagers.
- É brilhante, senhor, podemos ligar o evento da maldição a uma mensagem de telefone, pode não ser físico, mas ainda sim é uma transferência de informação, serve para enviar a maldição sem nenhum problema.
- O Ferraço tem o número dele, a gente pode emprestar o telefone de general pra você mandar a maldição, mas faça bem feito, você sabe que maldições são perigosas.
- Mas como pode saber que maldição é perigosa se não sabe nada sobre retrocinese?
- Eu sei como o mal pode ser real, eu sei como as intenções podem ser efetivas, eu não preciso conhecer retrocinese para saber que as intenções existem, e que a maldição uma forma imunda de intenção maldosa e nociva, que pode ocasionar grandes males, a maioria das pessoas acha que isso é superstição, mas não é, isso é muito mais antigo que Samantha, mais antigo que o próprio general Kinesis.
- Entendo, tipo sabedoria popular? Não sei tanto sobre, fui criada num pu... com uma cientista, ela não era nada supersticiosa.
- Bem, vamos logo ao telefone, a gente nem precisa de permissão, eu tenho carta branca pra fazer o que eu quiser. Mas já sabe como fará a maldição?
- Não, eu farei na hora, sou boa nisso.
- Então vamos.
Se retiraram do espaço aberto e foram diretamente para a sala de Ferraço e Aníbal, que estavam treinando juntos, um duelo de telecinésia, não era bem o local apropriado, mas servia bem, por ser espaçoso, ambos usam apenas psicocinese tradicional, tentando atingir um ao outro com suas energia, mas sem usar suas habilidades específicas, era fácil ver quantas vezes Ferraço caía, estava perdendo feio, era muito inferior ao chefe.
- Estamos incomodando? Temos algo importante para dizer. – Prabhu falou, já haviam percebido sua presença, mas nem se quer se importaram em parar, a menos que ele chamasse, como fez, Daisy estava atrás dele, apenas esperando a oportunidade.
- Sim, Prabhu? O que Daisy tem a dizer? – Era óbvio para Lewis que a mulher atrás do guru é que estava realmente interessada em falar.
- Fale, Daisy. – O anão deu a palavra para a jovem cientista pedir o que queria.
- Quero ter a chance de dar um telefonema para Morten, eu lançarei uma maldição nele, como só vocês tem o número dele, gostaria de usar aqui.
- Uma maldição, mas...
- Se funciona ou se é certo é problema meu e de Daisy. Vai deixar ela ligar ou dar o número? Porque me parece uma boa idéia, qualquer coisa que possa matar o Morten será ótima. – Prabhu interrompeu o general de fachada, ele podia fazer isso se tivesse um bom motivo, e realmente, os fins justificariam os meios, não fazia diferença como alguém poderia fazer uma maldição, não se funcionasse e pudesse ajudar na guerra, ou mais, matar o general inimigo, o que certamente significaria uma vitória garantida naquele conflito iminente.
- Não sei isso pode funcionar, mas qualquer coisa que possa tirar Morten de nosso caminho deve ser permitida, mas Daisy, não há nenhum risco? – Ferraço estava louco para ver o vampiro morto, e aquela possibilidade o animava, mesmo sem nunca terem o visto, os líderes de Umi tinham uma profunda aversão a Morten, até mesmo Prabhu, um guru que evitava ter maus sentimentos, mas podia abrir uma excessão para homens piores que demônios, homens como Morten e Arius. Lewis ficou calado, e deixou a sala, sem falar nada, mas aquilo era óbvio, ele estava dizendo que ele não ia se meter no assunto, deixando nas mãos do braço direito.
- Na verdade pode, porque a maldição tem energia negativa, quando eu estiver a lançando por telefone, vocês deverão sair da sala e ficarem longe, e depois, Prabhu, você deve vir aqui e fazer uma oração para tirar a programação ruim que pode sobrar nesse ambiente.
- Por que você mesma não pode fazer isso, Daisy? – O guru estranhava o fato dele ter que fazer, já que era a cientista que era a usuária desse tipo de psionismo.
- Prabhu, eu sei, você se fez de bobo quando disse que não sabe dos detalhes da retrocinese. Eu acho estranho que um guru minta, mas imagino que essa assunto seja considerado tão secreto que pode ser escondido atrás de uma mentira, mas não tenho dúvidas de você sabe tanto lançar uma maldição quanto combater uma, afinal, um mestre em telecinese alternativa não poderia deixar de saber, não é? Você descobriu sozinho, meditando, o poder das palavras e dos pensamentos, que cada palavra e cada pensamento pode carregar uma energia que pode ter certo poder ou programação, você realmente não leu nenhum livro, mas praticou, é por isso que vocês, gurus, nunca falam palavrões ou insultos a menos que seja contra uma pessoa que já tenha perdido totalmente sua humanidade, a quem poderiam e deveriam amaldiçoar. Claro que qualquer guru deve saber disso, não é? Mas todos descobrem sozinhos.
- É, exatamente isso, mas eu não devo lançar uma maldição, mesmo que eu às vezes fale coisas ruins, minha mente é sempre limpa, eu sei que devemos matar os monstros para proteger milhares de inocentes ou nem tanto, mas só faço porque é muito necessário, e eu sei que o bem tem seu limite, e que devemos ser maus, às vezes. Mas o fato é, para uma maldição você deve estar cheio de maus sentimentos, eu sou uma pessoa que procurou a vida toda procurando eliminar o mal de dentro de mim, claro que sou capaz de sentir coisas malignas, mas eu não sou muito bom nisso, não faz parte da minha natureza, você com certeza fará isso muito melhor que eu.
- Olhem, a conversa está muito boa, mas já estou indo, se querem lançar a maldição, lancem logo, mas eu não fico mais aqui, vocês demoram muito. – Ferraço já estava sem paciência, aquela conversa estava espiritualizada e lenta demais para ele, não que ele fosse um homem muito materialista e contra valores morais, mas aquela não era a ocasião correta para se discutir filosofia de vida, estavam perdendo tempo enquanto deveria estar ligando para Morten.
- Espere, qual é o número do Morten? – Daisy pegou o telefone, gritando, já que o general já estava fora da sala, mas com certeza ouviu a voz estridente da cientista. - Sim Prabhu, e eu quando odeio, odeio mesmo, sinto as emoções com força. – E respondeu o guru com uma altura de voz razoável.
- Procura na agenda por general de Sogen. – Ele gritou de volta, já nem tava perto da porta, isso acordou muitos soldados que estavam dormindo em seus quartos, embora outros estivessem acordados, a maioria preferia dormir mais cedo no tempo livre depois do treino, já era tarde, e os líderes eram sempre os últimos a dormirem, não porque tinham mais trabalho, mas porque eram acostumados, vencer o sono poderia ser considerado uma forma de resistência psicológica e psíquica, e aqueles três, tinham isso de sobra, e sem dúvidas tinham coisa melhor para fazer do que ficar deitados, dormiam muito pouco mesmo.
Pegou a agenda de capa azul sobre a mesa do general, ao lado do telefone, o guru a observava enquanto ela folheava as folhas brancas com letras no começo de cada página, procurou até achar a letra G, foi procurando, tinham muitos números e nomes, Geleiro, Guloso Doces, Gato’s Roupas Íntimas Masculinas, Gatinhas Quentes, Galeria da Safadeza, Giselle Gostosa, Gustamontes Temor, e finalmente, General de Sogen, embora a primeira letra de cada nome viesse em ordem alfabética, as outras eram colocadas na ordem em que ele anotava o número, pelos nomes que se encontravam lá, parecia que o general era bastante promíscuo e liberal, algo bastante comum para um homem milionário e solteiro, e em muitos casos, para os milionários e casados também. Discou o número para a sala do general de Sogen, eles não mudavam o número, já que o telefone era único, mesmo que eles quebrassem o aparelho, continuava sendo o mesmo número, assim funcionava o sistema de telefonia mundial.
- Prabhu, sai, eu te chamo quando terminar, você não pode ouvir. – Ela disse, já com o telefone posicionado para falar, o anão saiu da sala sem falar nada e fechou a porta, foi quando a cientista pela primeira percebeu que ele nem mesmo pegava na maçaneta, fechava e abria portas por telecinese, ele as alcançava, mas usava isso para treinar a habilidade, para alguém com 1,20 de altura, levitar e puxar objetos altos sem toque era algo especialmente útil. – Daisy Ficou prestando atenção no zumbido do telefonema, enquanto esperava ser atendida, já tinha em mente a maldição, a intenção dela, as palavras, os detalhes e as más emoções.
- Alô, mudaram de idéia, vão vender armas? – Morten atendeu.
- Não, eu aceito sua guerra. – Ela sabia que tinha o risco dele desligar caso percebesse que era uma maldição, nem sabia se ele as conhecia, mas não podia correr o risco. – E quero que você morra, esse seu coração sem sentimento irá parar, de tanto mal que você tem, o mal irá tomar conta do seu coração, e você irá ter uma parada cardíaca fulminante, irá morrer, todo o seu sangue parará de ser bombeado, você irá ter sua vida arrancada para sempre, ceifada por todo ódio que você merece, com esse coração estragado permanentemente. – Seu tom de voz poderia ser resumido em ódio sonoro, ela concentrava todas as suas piores emoções, o ódio, o desprezo, a raiva, a vingança, o sadismo, tudo com grande intensidade, mentalizava Morten tendo um ataque cardíaco, nunca havia o visto pessoalmente, mas sabia como ele era, já que em Sogen, havia muitas ilustrações dele, em cartazes de propagandas políticas como “Morten é a salvação desse continente”. Era impressionante como ela podia focalizar na sua voz e em seus pensamentos, um mal tão intenso, ela descontava tudo que havia sofrido durante sua trágica infância, de sofrimento indiscritível, e também insanidade incomum, ela falou tudo aquilo em um intervalo de tempo bastante curto, mas a intensidade era impressionante, era como ela tivesse falado por muitas horas, ela programava a sua energia perversamente bem.
- Quem é você? Não é nem o Ferraço e nem o Lewis. Fale quem é, sua vagabunda imbecil, ou vou acabar com você.
“Você vai morrer, Morten vai ter uma parada cardíaca, Morten vai ter uma parada cardíaca, Morten vai ter uma parada cardíaca, posso sentir-me fraca, ele tá drenando minha energia pelo telefone, a maldição vai funcionar melhor com ele puxando a energia da maldição, Morten vai ter uma parada cardíaca, Morten vai ter uma parada cardíaca, Morten vai ter uma parada cardíaca. – Raciocinou e continuou mentalizando, ela pensava naquilo perfeitamente, sempre imaginando a cena e se concentrando no significado real daquelas palavras.
- Sou Daisy, seu babaca, e eu vou fazer assim com você:
Primeiro cortarei sua garganta e te farei sangrar
Depois vou te proibir para sempre de amar
Vou rasgar seus pulsos com meus dentes de loba
Vou enfiar o dedo na sua goela como uma louca
Vou te fazer engasgar e ficar muito excitado
Vou te dar prazer com a mão e depois te beijar
Vou cortar sua intimidade como um anjo malvado
Terei hoje em seu corpo o prazer de matar
São manchas vermelhas que se esparramam no chão, segure em minha mão, bem apertado, enquanto grita e amaldiçoa meu nome, sentirá o sopro da vida sumindo sufocado, meu querido, eu te odeio, e te prefiro morto e enterrado. – Ela declamou o famoso poema de Samantha Abschteulich, “Maldição”, que também era usado pela poeta e seus seguidores para lançar maldições nas pessoas, mas Morten não sabia disso, ele continuou na linha e não disse nada, esperava matar a adversária drenando toda a energia pelo telefone, e quanto mais tempo ele tivesse na linha, mais chances teria de dar certo, ela já estava ficando com a visão escurecida quando terminou de declamar, mas, a sua maldição já havia sido lançada com precisão e intensidade o bastante, além de ter tido a energia programada para matar drenada, ligada aos seus pensamentos perversos.
- Está completo. – Ela disse, desligando o telefone e caindo no chão, exausta, totalmente escoada de sua energia. – Prabhu, me ajuda. – Ela gritou, com o resto de suas forças, e desmaiou. O guru chegou correndo, junto com Ferraço e Lewis.
- Morten pode usar o vampirismo à distância, por telefone ele pode ser tão mortal quanto pessoalmente, me lembro de quando falei com ele, me senti fraco. – O general ainda lembrava do seu encontro via telefone com o temido adversário, uma experiência muito desagradável.
Prabhu pegou no telefone e checou se estava desligado ou se a ligação ainda ocorria, estava desligado, mas tratou de apertar o botão “desligar” novamente 3 vezes.
- A ligação já acabou, a Daisy ficou muito tempo com ele, mas desligou quando viu que estava sendo escoada, poderia ter morrido se tivesse continuado na linha, mas mesmo tendo desligado a tempo, não foi forte o bastante pra agüentar e desmaiou. Eu posso curá-la.
- Mas então ela pode não ter conseguido amaldiçoar o Morten? – A idéia enfurecia Ferraço, um inimigo tão poderoso que poderia matar por telefone, realmente um demônio como Arius foi, só que dessa vez, ao invés de entrar na mente das pessoas, ele fazia tudo das pessoas entrar nele, isto é, drenava, até não sobrar nada e elas morrerem, dos três, ele era sem dúvida o mais temperamental, principalmente em situações que o levavam a ficar preocupado ou até mesmo com medo, e ele não podia negar, temia o vampiro.
- Não, se ela foi vítima do vampirismo psíquico, a maldição irá funcionar com certeza, acredito que graças a essa ação do vampiro, ele morra, ele sugou a energia maligna da maldição, é a mesma coisa de beber veneno. – O guru pegou a desmaiada em seus braços, podia ser pequeno, mas era muito forte. – Agora vamos levá-la para a enfermaria, ela foi de grande ajuda, e não podemos deixar de socorrê-la.
Eles a levaram até lá, e logo se recuperar, o próprio Lewis foi avisar Cirus do que tinha acontecido, mesmo que ele já estivesse adormecido, foi ao quarto e o acordou. O marido apaixonado ficou realmente muito preocupado, tratou de ir ver a esposa, que ainda não tinha acordado, e estava tomando soro na veia, ele ficou lá, de pé do lado da cama apertada em que se encontrava a esposa, junto com vários soldados que passavam mal, aquela enfermaria não tinha grandes casos, só acidentes de treino, doenças, coisas tratáveis, já que aquilo era um campo de treinamento, não um campo de guerra, a maioria dos pacientes eram doentes, alguns com gripe, outros com febre, delírios gerados por manipulação indevida de aura e perturbação do corpo astral, e a temida malária, felizmente já haviam descoberto a vacina da malária, senão eles poderiam até fazer um cemitério para os infectados no campo, que eram muitos, o mosquito transmissor era uma praga em Bather, mas com a cura descoberta, deixou de matar como matava antes. Claro que Lewis não ficou lá vigiando a paciente, foi embora para seu quarto, para dormir, geralmente dormia mais tarde, mas ele estava um pouco diferente do normal naquele dia, geralmente era mais falador.
Meia hora depois da saída do general, Ferraço chegou na enfermaria, e foi até Cirus.
- Olá Cirus. Você será necessário, e sua esposa também, para o sucesso de Umi nessa guerra contra os vampiros psíquicos. – Ele chegou bem humorado, já estava tudo bem para ele, ele que costumava sentir bem suas emoções, raiva ou felicidade, estava muito feliz em saber que Daisy estava bem, bem, estava viva e iria melhorar, e que Morten iria morrer de ataque cardíaco graças à maldição do qual foi vítima.
- O que foi, general? Para o que vão precisar de nós? – Ele estava desanimada, olhou para o superior, dava pra ver o quanto estava infeliz por ver a esposa novamente em uma cama, mal, o milionário Aníbal contou a história que a levou até lá, mas não confiava na possibilidade de matar o general inimigo usando palavras via telefone, mas não era isso que realmente o preocupava, mas sim o que acontecia com sua mulher, uma mulher que sempre foi apegada à ciência e nunca soube nada de telecinesia ou psionismo alternativo, e que agora, sabia lançar maldições, controlar aura, havia algo muito estranho com ela, e ele nem mesmo fazia idéia do que poderia ser.
- Vocês são dois dos mais importantes cientistas no seu continente, se não os maiores, você mesmo é um milagre, com esse seu corpo robótico, uma pessoa que venceu a morte usando a tecnologia. Bem, eu vou explicar, para Umi será difícil vencer a guerra contra Sogen, na verdade, acho pouco provável, se Morten pode fazer isso por telefone. – Se referia ao estado da cientista inconsciente. – Imagine o que ele e seu exército farão conosco pessoalmente, mesmo que o general deles morra, eles ainda serão muitos, ele deixou seu legado, e alguém o substituirá, mesmo que seja fraco, o problema é exatamente o número deles, e o fato de terem todas as mesma técnica, o vampirismo psíquico. Mesmos que envenenemos a energia deles com maldições feitas por todo o nosso exército junto, o efeito será retardado, e até funcionar, nós podemos até ter morrido, além do mais, o efeito de qualquer tipo de retrocinese é extremamente limitado e improvável, é muito difícil que o que você deseja realmente aconteça, mesmo que você seja poderoso e pratique muito tempo, se você lançar uma maldição pedindo pra pessoa ter uma parada cardíaca, certamente o máximo que conseguirá será diminuir bastante os batimentos cardíacos da pessoa por um certo período em algum momento.
- Então você acha que Morten não morrerá com a maldição de Daisy?
- Espere, ainda não terminei de falar, e não, acho que não. Além de tudo, é possível que até conseguirmos controlar a aura e usar a técnica do casulo anti vampirismo, eles já tenham atacado, e então não vai funcionar, e mesmo que consigamos desenvolvê-la, é possível que não funcione, pois mesmo sendo perfeita contra o vampirismo psíquico, ele ainda tem a necessidade de aproximação e do tempo para atingir o alvo, e pelo que vi no telefone, nesse tempo nós já teremos morrido. Eu realmente estou com medo, Cirus, eu sou o general desse continente, e temo o que possa ocorrer. – Ele podia não ser o general, mas realmente agia como se fosse, era o braço direito de Lewis, quem realmente mandava, mas tinha muita, muita responsabilidade com o povo que morava em seus territórios. – Eu chamei o general Chester de Tsuchin para participar da guerra, ele se recusou, tentei convencer de todos os modos.
- Por que não chamou Rukaso de Houkaiser?
- Eu chamei.
- E o que ele disse?
- “A ditadura de Morten Daemon é admirável, lamento, prefiro fazer aliança com ele do que com vocês, gosto do estilo dele e gosto do vampirismo psíquico, é, eu até faria aliança com ele, se ele invadir aqui, eu entrego o continente e unifico com Sogen, será até melhor para nós, que sofremos da maldita exploração de vocês e dos Tsuchianos.” Bem, foi algo assim, nem sei exatamente, ele também nos xingou bastante e disse que quer nós morramos todos, ele acha que Morten é um herói, um libertador dos fracos e dos oprimidos, aquele estúpido, não sabe que ele é um genocida cruel que não dá chance para os fracos viverem, isso sim. – Ele sentia desgosto em falar aquelas palavras, o deprimia que uma pessoa que não era vampiro psíquico achasse que o líder dos Daemon fosse um herói, sendo que na verdade, pelo menos no seu ponto de vista, ele era o demônio.
- Tá, mas o que quer de mim, afinal? – O andróide ainda não tinha entendido a intenção do líder em falar tudo aquilo, mas tinha uma leve idéia do que poderia ser.
- Quero que construa alguma coisa que possa nos ajudar nessa guerra, uma arma, qualquer coisa, o que você imaginar. – Nem sabia o que poderiam fazer, mas acreditava que a criatividade do famoso cientista pudesse criar algo bastante útil para uma guerra de tamanhas proporções.
- Bem, nós já temos as armas de fogo, não tá bom? Eu penso que poderíamos fazer algum tipo de explosivo. – Ele pensava nas possibilidades, nessa hora, Daisy abriu os olhos, bem devagar, parecia cansada, mas estava bem, retomando a consciência, vendo o marido, sorriu bem grande, mostrando os dentes bem brancos e brilhantes.
- Amor, que bom que veio me ver. Eu to bem já, me dá um beijo. – Ela pegou nas mãos dele, e o beijou, um beijo longo e molhado, o general só ficou olhando, não iria reclamar, imaginava o que um casal tão apaixonado poderia sentir em um momento desse, se lembrou de seu primeiro amor de adolescente, uma jovem do sul, linda como o céu de outono, havia sido um namoro longo e apaixonado, mas mais tarde viria a ter que deixar sua amada, ele foi servir em uma guerra contra Houkaiser, no mesmo ano em que se alistou no exercitou, ele sobreviveu à batalha e ganhou muita experiência em respeito, ficando conhecido como “Ferraço, o príncipe de pedra”, isso porque tinha uma grande afinidade com o solo, e era capaz de abrir fendas no chão com sua prodigiosa geocinese, era capaz de fazer grandes modificações no solo usando uma quantidade relativamente baixa de energia, isso ocorria por causa da forte relação que o solo tinha com ele. Mas isso podia ser explicado bem, em seu treino de geocinese, área em que era muito talentoso, ele mesmo decidiu se enterrar vivo por 3 dias, quando tinha 13 anos, achava que isso iria aumentar sua afinidade com a terra, ele quase morreu, e sofreu demais, engolindo muita terra e se esforçando pra não ficar totalmente sem ar, sem poder tocar no caixão, apenas controlar a terra que o enchia aos poucos, momentos no Inferno, praticamente. Mas quando foi tirado de lá, desenterrado apressadamente por seu professor, nunca mais foi o mesmo, e começou a mostrar-se como uma verdadeiro gênio, era como se ele fizesse parte do solo, não importava o material, se era cimento ou terra vermelha, sólidos abaixo de seus pés eram sua especialidade, mais tarde conhecia Lewis, e se tornaria seu braço direito, o manipulador de metais, e o manipulador do solo, uma combinação excelente.
- Fico tão feliz em ver que você tá bem, já é a segunda coisa que acontece com você essa semana, amor, eu fico com medo, você tá se arriscando demais. – Terminado o beijo, o cientista disse palavras “molengas” que vinham direto deu seu coração, que batia mais forte sempre que tocava na esposa, um caso absoluto de amor verdadeiro.
- Gostoso, estamos em uma guerra, é claro que estou me arriscando, todos estamos, e nos arriscaremos muito mais. Por favor, não me incomode quanto a isso, odeio quando você é superprotetor, você sabe que sei me virar, e também sabe que não temos outra opção. – Ela conseguiu se levantar, pisando descalça no chão, sua recuperação havia sido impressionante, nessa hora a enfermeira que tinha cuidado dela chamou atenção.
- Ei, você não deve se levantar ainda, ainda não está boa, volte pra cama, deve ficar em repouso até amanhã. – Ela soou bem autoritária, tinha que botar moral nos pacientes.
- Mas eu me sinto tão bem.
- Amor, é verdade, volta pra cama, já tá tarde mesmo, não vai ser um problema ficar deitada, né? – Cirus tentou convencê-la, sabia o quando Daisy podia ser cabeça dura e difícil de convencer, tinha que soar o menos autoritário possível, pois era capaz dela desobedecer só para contrariar suas ordens.
- Tá bom, tá bom, Cirus, só porque você tá pedindo. – Ela voltou para cama, parecia não estar satisfeita, mas não falou mais nada, a enfermeira foi cuidar de outro paciente, feliz por ter sido obedecida.
- Bem, já que terminaram seus assuntos conjugais, vamos falar de coisa séria agora. Daisy, eu estava conversando com o Cirus sobre a guerra, vocês vão ajudar-nos com tecnologia, eu disse pra ele que criassem alguma arma, uma ferramenta, ou até um plano ou projeto que possa ajudar a vencer a guerra, ou até mesmo convencer os outros generais.
- Hun, espera, deixa eu pensar um pouco. – Ela segurou o queixo e fechou os olhos, extremamente pensativa e introspectiva, como se dessa uma pequena volta dentro de si mesma, atravessando mundos imaginários, idéias, planos, lembranças, conhecimentos, como em uma projeção astral interior. – Eu tenho uma idéia incrível, e se nós fizéssemos uma farsa para que os outros generais ficarem com raiva de Morten? - Daisy, você é uma gênio, se fizéssemos um falso ataque, um falso roubo, qualquer coisa assim nesses países e fizéssemos parecer que é alguém de Sogen, eles vão aceitar nosso convite.
- É isso? Não é tão simples, teremos que projetar muito bem, mas a idéia é realmente boa. – O andróide mentalizava as situações possíveis.
- E temos que ser rápidos, bem, mas deixem que decida isso com Lewis, obrigado, Daisy, não vamos precisar do seu marido por enquanto, estou indo, realmente preciso falar com ele.
- Espere, a gente pode ajudar, nas partes científicas, acredite, física e química são muito úteis para fazer um ataque a um país ou qualquer coisa, é só saber aplicar.
- Tá bom, mas nós vamos querer Daisy, se você for só, acho que não adiantará. Mas ela não está em condições de vir conosco, e aqui não dá pra fazer isso, então a gente faz assim, eu e Lewis decidimos agora, e amanhã falamos com vocês, os detalhes finais em que vocês poderão ajudar.
- Vê Cirus, eles me querem, eu sou demais, né? Hahaha. – Aquilo tinha sido uma verdadeira massagem relaxante no ego de Daisy, eles queriam ela, mas não seu marido, sendo que ele sempre havia sido o líder do casal, o chefe, o mais inteligente, o mais talentoso, o que manda, mas agora ela ganharia porque era simplesmente mais criativa e tinha mais malícia para lidar com esse tipo de situações, enganar, disfarçar, trapacear, coisas mais úteis em uma guerra.
- Ah Daisy, tá bom, você foi ótima, mas não se ache demais, senão acaba caindo do topo. – Ele odiou aquilo, não gostava nem um pouco de não ser o líder, achava que era o melhor no que fazia, e aceitar que sua melhor era melhor era simplesmente uma possibilidade insuportável, um home orgulhoso, um cientista orgulhoso e egocêntrico acostumado a ser o centro das atenções.
- Vejos vocês de manhã. – Ferraço deixou a sala, atravessou os corredores, virou algumas vezes, até chegar no seu quarto, que era dividido com Prabhu, que não estava lá, mas sim meditando na área à céu aberto do campo de treinamento, e Lewis, que dormia profundamente na sua cama King Size.
- Ora, se eu acordá-lo de mal jeito vou acabar tendo meu corpo atravessado por qualquer coisa de ferro, e com certeza eu não quero isso. – Ele pensou em voz alta, embora com certo humor, apertou o interruptor e ligou a luz, como o esperado, não era o bastante para acordar o general, então se escondeu do lado de fora do quarto, colocou a cabeça para dentro e gritou bem alto:
- Lewiiiis! – Gritou e voltou para detrás da parede, só ouviu as seguintes palavras saindo de dentro do quarto:
- Ah, o que é? – Ele acordou bastante aéreo, e exatamente como o previsto, uma barra cilíndrica de ferro saiu de debaixo e cama e girou em volta do homem, se tivesse qualquer pessoa por perto, teria sido violentamente atingida, até morrendo, dependendo de onde acertasse.
- Você sabe que você sempre ataca quando é acordado por alguém, todo mundo aqui sabe disso e qualquer um tem medo de chegar muito perto, isso me inclui. – Ele entrou no quarto com o corpo inteiro, fechando a porta e se sentando ao lado do chefe, parecia ser divertir com o despertar escandaloso, era humorado demais para um militar, mas a relação entre os dois era de amigo, então brincadeiras e formalidades não era problemas, principalmente quando essas brincadeiras eram para garantir a própria segurança.
- Tá bom, se me acordou é porque temos um assunto importante. – Sentou-se na cama, olhando para o subordinado de alta patente, dava para sentir seu horrível bafo de longe, como sempre, aquele era o resultado do vício em cigarros, mas o fato, era que ele não tinha fumado nenhuma vez no dia.
- Claro. Mas antes, quero saber. Por que foi dormir tão cedo hoje?
- Eu não agüento tanto tempo sem fumar, se eu dormir, eu consigo ficar sem fumar com maior facilidade, enquanto eu estiver dormindo, eu não fumarei, e eu já não conseguia mais segurar.
- Oh, vergonhoso esse seu vício, chefe. Mas bem, vamos ao assunto, a Daisy inventou um modo de convencer os outros generais a nos apoiarem. Assim, nós vamos falsificar uma tentativa de golpe feito por Sogen, o problema é que não sei bem que tipo de golpe poderia ser, uma invasão, um roubo, uma tentativa de assassinato, um bombardeio, uma ameaça formal falsa. O que o senhor achar que seria preciso e um motivo inegável para se aceitar guerrear contra os vampiros?
- Diria que uma ofensa direta ao general de Houkaiser seria o bastante, o tal Rukaso é bastante egocêntrico, o tipo de general que não é bom para o povo mas é bom para a guerra, e é péssimo para os dominados, implacável, acho que se fizermos ele achar que Morten insultou a sua honra, a gente consegue uma aliança, nada como pessoas que levam tudo para a vida pessoal. Já Chester é covarde e muito ajuizado, ele só entrará na guerra em último caso, então com ele devemos caprichar. – Ficou em silêncio por um tempo, estava pensando no que fazer, o que poderia pôr um homem de paz na guerra? – Algo que seja realmente grave, e não pode ser apenas uma tentativa, acho que nesse caso, nós vamos ter que fazer algo mesmo, talvez até mesmo tenhamos que sacrificar a vida de cidadãos estrangeiros, muitos deles. Você sabe qual é o continente que mais produz TKs especializados em Pyrocinese atualmente?
- Sim, sabemos que é Sogen Norte. A informação vazou a partir de um de nossos repórteres lá. Ainda tem muita gente resistindo ao Império Demoníaco de Morten, eles ligam para cá e nos dão informações sobre o que estão acontecendo, às vezes para nós, às vezes para os jornais, para as emissoras de rádio e televisão, até para amigos pessoais.
- Eu sei como as informações vazam, Ferraço. Mas é Sogen Norte, certo? O cara de onde a informação vazou contou que eles se concentram em ensinar e desenvolver a pyrocinese, pois é a mais destrutiva cinese, e é perfeita para destruir e matar, ótima para guerra, e todo mundo já sabe disso. Isso significa que se houver um ataque incendiário, será fácil dizer que foi feito por Sogenianos.
- Mas sabe quanto tempo vai levar até conseguirmos chegar nos outros continentes? Talvez nem dê tempo, já tenham nos atacado.
- Ora, pode haver um modo de acelerar isso, não pode?
- Talvez, mas como? Como poderíamos atacar tão rápido?
- Acho que é aí que Cirus e Daisy entram. – O general já tinha um plano em mente, só havia um jeito de acelerar uma viagem, e ele sabia qual era.
- Como, senhor?
- Nós iremos mandar que eles construam uma máquina que seja capaz de fazer um transporte extremamente rápido para outros continentes, e que de preferência seja capaz de atravessar o mar.
- Tá, mas e se não tiver como? – Ferraço chegava a ser pessimista, mas era necessário, tinham que ser realistas para ver todas as possíveis dificuldades, era um assunto muito sério.
- Não seja pessimista. Bem, nós teremos um plano B, que é pedir para as pessoas Uminianas nesses continentes se revoltarem, deixando claro que elas morrerão nas mãos dos vampiros caso não façam isso.
- Essa idéia é péssima, não é qualquer pessoa que sabe pyrocinese, e se elas não souberem pyrocinese, não poderão fazer o tal ataque.
- É verdade, e é por isso que o plano A precisa dar certo, se não estaremos ferrados. – Lewis sorriu quando disse isso, pensando no trocadilho entre Ferraço e Ferrado.
- Mas para terminar, temos o plano C.
- Que plano C?
- Esquecer Chester e Tsuchin, se a gente tiver Houkaiser do nosso lado, já deve ser o bastante.
- Mas não podemos deixar de tentar. – O general insistia em tentar colocar Tsuchin na guerra, de fato, ajudaria demais a obter a vitória se eles se aliassem.
- Não mesmo.
18/06/1915, Amestris.
“Aquela ligação de ontem, como posso me esquecer daquilo? Foi muito estranho.” – Pensava atentamente, Morten saíra de sua cama fazia poucos minutos, ele não dormia, não normalmente, às vezes quando estava no limite, ele dormia, mas sempre considerou isso um hábito de fracos e preguiçosos, embora permitisse que muitos dormissem normalmente, seus filhos não se aplicavam, todos eles sonhavam em saber o que era uma feliz noite de sono. Quando na cama, ele costumava meditar e praticar o vampirismo psíquico à distância, uma técnica em que ele podia drenar a energia de qualquer pessoa apenas por visualizar a face dela em sua mente, além do nome e quem a pessoa era em si, a existência dela, porém, a técnica mesmo sendo muita avançada e poderosa, não era mortal e nem muito efetiva, o que ocorria era que a energia drenada seria extremamente baixa se puxada desse modo, Morten sabia dois modos de usar o vampirismo psíquico, usando um atalho ou não usando, o sem atalho puxaria a energia da pessoa como se ela estivesse perto, mas devido à distância, a intensidade seria quase nula, e a demora até sua chegada também, sendo inútil. Com a técnica com atalho, ele poderia conseguir alguma coisa, pois ele abria um atalho astral para drenar a energia da pessoa, mesmo assim a energia seria muito reduzida, muito mesmo, seria incapaz de matar uma pessoa com aquilo, mesmo sendo quem ele era, mas mesmo assim, usava essa técnica todas as noites em Will para tentar matá-lo. Mas parou assim que o médico chegou ao campo de treinamento, ele não conseguiu mais, chegou a pensar que estava morto, mas depois deduziu que ele estivesse em uma zona impenetrável, o campo de treinamento era protegido contra qualquer tipo de penetração astral, e ele não poderia drenar as pessoas lá dentro. Então tentou drenar outras pessoas, Ferraço, que não conseguiu, Aníbal, que não conseguiu, e foi obrigado a tentar Chester, de Tsuchin, que possuía muita energia em uma forte intensidade, mas também não deu, naquela altura qualquer militar importante tinha proteção de uma barreira astral. “Poderia ter um motivo em especial? Vampirismo psíquico, ela percebeu que estava sendo drenada, então supõe-se que ela sabia do que estava acontecendo, e que queria que acontecesse, isso significa que fiz exatamente o que eles queriam. Mas por que? Que motivos uma pessoa pode ter para querer ter energia drenada por um vampiro psíquico? Vamos pensar um pouco, se você vai quer ser roubado para prejudicar o que você dá pra ser roubado? Eu daria uma bomba, a pessoa roubaria a bomba, explodiria e morreria, ela deve ter feito algo assim, de algum modo, envenenou a própria energia com algum tipo de maldição e... era exatamente aquilo que ela disse, eu preciso.”- Não conseguiu terminar sua linha de pensamento, sentiu uma pontada no peito e perdeu a consciência tão rápido que por pouco não percebeu o que está acontecendo, seu último pensamento antes de cair:
“Vadia”
- Pai! – Kjetil estava no final do corredor, correu quando viu o general caído no chão, mas não disse a palavra muito alto. Tanto ele quanto o pai dormiam no quartel, que tinha aposentos para o principais militares do país, cerca de 10 quartos muito bem protegidos com 3 camas em cada um, exceto a do general, que era apenas pra ele e ninguém mais. O jovem abriu o uniforme de Morten, que já se vestia à rigor antes mesmo de sair de seu quarto, e pressionou as duas mãos sobre seu peito, podia sentir batimentos fracos, ele ainda estava vivo, mas deveria ser socorrido.
- Peraí? Se eu deixar ele morrer, eu viro o novo general, esquece. – Ele tirou as mãos do pai e foi embora correndo, para que quando encontrassem o grande psyvamp morto, ele não levasse culpa de nada, aquela frieza e desconsideração pela vida alheia era algo ensinado pelo próprio Morten, um veneno que se voltava para o criador. Não demoraria até alguém passar naquele corredor, mas a primeira foi um coronel muito prestigiado por Morten, chamado Juvenal Daemon, um homem de confiança, que ao vê-lo naquela situação, imediatamente o socorreu como um servo fiel, apertou o peito do chefe, deu descargas elétricas para reanimá-lo, o que gerou uma lenta aceleração do coração que estava batendo extremamente devagar, e gritou bem alto.
- Alguém ajude, o chefe está morrendo”
Ele abriu os olhos no mesmo momento, dando um suspiro, já podia sentir as batidas cardíacas em um ritmo normal, então parou com as descargas elétricas que dava.
- Juvenal, eu fui amaldiçoado por telefone, eles tem essa arma secreta contra nós. Ah, e chame Kjetil aqui. – Ele não se preocupou em agradecer e nem parecia preocupado ou assustado por quase ter morrido, falou bastante sério nem raiva demonstrava, muitos militares chegaram em diversas ordens, seguindo os pedidos de ajuda do coronel, faziam várias perguntas ao mesmo tempo, alguns chegaram a tempo de ouvir sobre a maldição, outros não, mas o fato era que não dava para entender nenhuma das perguntas ou comentários, pois todos falavam ao mesmo tempo e suas vozes se misturavam em uma desorganiza confusão, totalmente contra os valores de organização e disciplina do general.
- Calem a boca! Fui amaldiçoado e quase morri, agora vão pegar o Kjetil pra mim que quero falar com ele. – Morten gritou, doeu no ouvido de todos, ele sempre com aquela voz descomunal que assustava qualquer pessoa, não apenas as normais,se levantou imediatamente, como se nada tivesse acontecido. – Bom trabalho, Juvenal.
Kjetil chegou andando, obviamente tinha ouvido, sentiu uma forte frustração por saber que o pai ainda estava vivo, mas não se preocupava tanto, a situação com certeza iria continuar como sempre, dura, mas com muitas conquistas.
- Senhor? – Se apresentou com disciplina e com o tom de voz que lhe foi ensinado.
- Vá pro Inferno. - Morten deu um soco tão forte na barriga do filho que ele caiu e deslizou no chão liso, cuspindo sangue, tudo que tinha no estômago subiu até a garganta, os outros militares se afastaram, já sabiam o que ia acontecer, ficaram a pelo menos 4 metros dos dois.
- O que deu nele? – Kjetil se arrastou de quatro, muito machucado, um soco bem dado do pai era como uma violenta martelada, sentia seus órgãos internos dilacerados e não tinha muitas esperanças de sobreviver se ele fizesse de novo, usou o vampirismo psíquico para drenar a energia de todos ali presente, e regenerar parte dos danos recebidos no seu interior, e realmente o fez, se regenerando a tempo de sobreviver.
- Drenem até ele desmaiar. – Morten falou com os olhos um pouco fechados, muito sério e tenso, não demoraram 5 segundos até Kjetil desmaiar, todos os psyvamps, incluindo o prodigioso general, drenando a energia do jovem ao mesmo tempo. – Vamos levá-lo para a praça. – Pegou os filho desmaiado nos braços e o carregou em passos longos para fora do quartel, seguido por cada um dos militares presente, fazendo um verdadeiro desfile nas ruas até a praça, que era bastante próxima, com a grandiosa estátua de Dante Hamachi. Havia a grande cruz, uma cruz com 10 metros de altura e 4 de comprimento, em forma de mastro, madeira redonda, os pregos, o vigia da praça, responsável pela manutenção e segurança da área, abordou os militares com um sorriso bem grande no rosto, isso vivia acontecendo.
- Senhores, querem os pregos e os martelos hoje? – O vigia tirou a bolsa que levava nas costas, abrindo-a no chão, deixando cair vários pregos, agulhas e um martelo de ferro muito grosso.
- Sim. – Morten suspendeu Kjetil até a altura certa, com os braços na parte dos braços na cruz, eretos, as pernas só seriam corretamente posicionadas e grudadas após as mãos serem pregadas para manter o principal suporte, os civis próximos se aproximaram para ver a execução, e logo o “vigia da praça” se aproximou, com um prego na mão, e um martelo no outro.
- Hoje vai ser um grande dia. – Ele riu, posicionando o prego na frente da mão do jovem, e preparando sua martelada.
- Senhor, por que executamos o Kjetil daquele modo? – Juvenal abordou o chefe, tomando coragem após muitas horas, sua expressão não era tranqüila, os gritos do filho do general chegavam a assustá-lo, não assustariam se fosse um civil qualquer, mas ele tinha uma boa relação com o jovem, e não gostava de vê-lo naquela situação desesperado, ainda mais sabendo que o pai o tinha colocado ali, os gritos eram realmente perturbadores, agudos e carregados excessivamente de violenta dor, o céu estava nublado naquele dia, e o Sol mal aparecia, deixando o clima ainda mais pesado, de qualquer modo, os risos eram comuns entre o público que assistia à execução.
- Eu tive uma parada cardíaca causada por uma maldição por telefone, realmente algo que eu nunca esperaria, quando estive perto da morte, tive uma experiência fora do corpo, uma projeção astral involuntária, eu vi o Kjetil passando, checando meus batimentos cardíacos, e dizendo bem baixinho que seria melhor assim, se eu morresse ele que se tornaria o general, e foi embora sem me prestar socorro, depois você veio e me salvou. Ele é um traidor, e portanto, ele merece a morte mais dolorosa possível.
- Mas ele já está lá faz 8 horas, a gente nem almoçou, e o senhor colocou vampiros psíquicos com habilidades medicinais para regenerar os danos que ele recebe, e fazer com que ele sofra tudo de novo em um ciclo sem fim.
- Exatamente, essa é a graça, isso vai prolongar a dor dele, com todas aquelas agulhas enfiadas dentro do corpo dele e sendo aquecidas com pyrocinese, ele vai aprender a lição e nunca mais fazer o que fez.
- Aprender, então ele não morrerá?
- Eu não poderia confiar em um homem que me deixa morrer, mas se não controlo com o respeito, controlo com o medo, depois de 48 horas ali, a gente o tira, isso se ele sobreviver, ele voltará como um passarinho na minha mão. – Ele falava tranquilamente, como quem discute uma novela. – Senhores Psyvamps de Megami, mantenham Kjetil aí durante 48 horas, como ele já está há 4, deixem por mais 44, não deixem que ele morra, regenerem seus danos, os torturadores deverão trocar seus turnos de 4 em horas, desde que saibam pyrocinese para acender as agulhas, se desobedecerem, todos irão ter o mesmo destino dele. Quando tiver terminado, tragam-no para o meu quartel, e avisem, irei querer ter uma conversa com ele. – Ele gritou, sua marca pessoa, que qualquer pessoa em um grande alcance podia ouvir.
- Aliás, Juvenal, que tal comermos um peixe frito? – O general se virou ao mesmo tempo que falava a doentia frase, e foi andando na direção contrária da cruz onde a tortura acontecia.
- Oh senhor, será uma honra, vamos, e podemos até pedir uma boa cachaça. – O coronel seguiu os passos do chefe, ser chamado para comer ou beber com ele era uma grande honra, e significava que seu trabalho estava sendo satisfatório para o ditador, mas isso significava que ele fosse um amigo ou algo mais, o general nunca se importava mais, sendo o tipo de homem que só ama seus ideais, e a si mesmo, por ser necessário para alcançá-los.
Foram andando até um bar da rede Bar do Archie, onde comeram e beberam à vontade, e ainda se podia ouvir de longe, os gritos agoniantes de Kjetil.
18/06/1915, Sala do general no campo de treinamento, Bather
- Eu, Morten Daemon, general do continente de Sogen, Sul e Norte, declaro guerra contra seu medíocre continente de amebas irracionais, um continente tão ridículo que é capaz de ser considerado o mais pobre do mundo, e mesmo assim, não fazer nada mudar a situação, um continente que nunca teve grandes TKs, grandes TKs, apenas grandes derrotas, em guerras contra continentes melhores como Tsuchin, Umi, e agora, Sogen. General Rukaso, o grande imbecil, eu escolhi o seu continente porque sei que ele será o mais fácil de massacrar, e que não terei grandes baixas, com seu território em mãos, será mais fácil massacrar os de Umi, que pelo menos, talvez possam ser considerados uma ameaça. Nós, vampiros psíquicos mostraremos quem que realmente deve estar no poder. – Ferraço lia a carta escrita por Lewis à mão, apenas os dois estavam na sala, como normalmente, Prabhu treinava do lado de fora com o exército. - Será mesmo que isso convencera Rukaso? Isso parece mesmo com Morten? – O braço direito do general tinha suas dúvidas, mas não conhecia o jeito de escrever e falar de Morten, e muito menos sabia se o general de Houkaiser acreditaria.
- Na verdade, acho que não tá bom, mas de qualquer modo, o Barney nos deu algumas informações sobre as marcas de linguagem do maldito, pedi ontem e ele anotou as palavras chave para mim: Imbecil, imbecilidades, qualquer tipo de insulto à inteligência e à incompetência, ele não costuma falar palavrões e xingamentos normais, apenas insultos baseados em falhas reais, ele é frio, ele está sempre sério, exceto quando está terminando de obter algo, ou vencer alguém, ele faz piadas e fica bem humorado em execuções, torturas, finais de batalha, assassinatos, qualquer coisa do tipo, é extremamente sádico, e principalmente, se formos passar isso em uma carta, realmente não vai ficar como fiz, ficou bem ruim.
- Sim, ficou, tente de novo. Pense, o que realmente o levaria a guerrear contra Houkaiser?
- Acho a história do território e do continente mais fraco convincente.
- Sim, é convincente, mas ele certamente não falaria o motivo para tal guerra, e também temos que lembrar que estamos falando de Morten Daemon, ele é um ditador de extrema direita, diferente de você e de Chester, que são menos violentas e permitem uma maior liberdade para seu povo, o normal seria que ele fosse à favor do tipo de governo em Houkaiser, e que eles se aliassem, ao invés de lutarem um com o outro, nós precisamos arranjar um motivo convincente para ele se voltar, não um simples “território mais fraco”.
- Um motivo pessoal, esses ditadores de extrema direita fazem de assuntos pessoais um verdadeiro motivo para guerra. O que acha disso? – O general analisava minuciosamente dentro de sua mente o perfil de um general autoritário, poderia ser o segredo para que aquele plano desse certo.
- Rukaso é exatamente como Morten, ele veio de outro continente, deu um golpe de estado e se tornou ditador, o vampiro foi de Sogen Norte para Sogen Sul e se tornou ditador lá, embora já fosse no norte, atrás da identidade do General Mascarado, eles realmente têm tudo para se aliarem.
- E não podemos esquecer que se a maldição da Daisy funcionar, ele vai morrer, então teremos que mandar e modificar a data de envio para 1 dia antes da morte, já vamos mudar o remetente mesmo, fingindo que é do vampiro.
- Devemos ligar agora mesmo para descobrir se funcionou.
- Não deveria funcionar tão rápido, mas precisamos saber se ele ainda está vivo. – Rapidamente Lewis tomou o telefone de cima da mesa e ligou, foi atendido imediatamente, mas não era Morten.
- Alô, o general não está aqui, ele quase morreu, ele tava no chão sem pulso, exatamente como vocês queriam, mas o coração voltou a bater, ele disse que depois disso não estará mais recebendo ligações daí, estão avisados. – A pessoa que atendeu parecia ser um homem velho, falou rápido e desligou mais rápido ainda. – Ferraço, a maldição funcionou, o coração dele parou de bater, mas ele voltou logo depois, e ele não morreu, ele sobreviveu. – Se virou para um braço direito, muito decepcionado, o que podia ser facilmente visto na sua expressão de quem comeu e não gostou.
- E que lições tiramos disso? Sobre maldições? – O braço direito levantou uma sobrancelha, eles iriam acabar aprendendo com a prática.
- O que Prabhu diria? Uma pessoa com uma mente ou uma aura mais fraca estão mais protegidas contra maldições e retrocinese com maus efeitos? – Foi um chute, que fez enquanto escrevia sem parar um papel em branco usando uma caneta barata do estoque do campo de treinamento.
- Eu li o livro de Abschteulich, ela ensina que a pessoa fraca é mais propícia à maldições realmente, o astral de uma pessoa tem inteligência o bastante para saber o que é ruim e o que é prejudicial, só que esse conhecimento astral é baseado nos desejos e pensamentos da pessoa, é por isso que dizem que temos que pensar sempre em coisas boas, as coisas que de acordo com seus desejos e pensamentos, são ruins, serão bloqueadas, bem, você tentará bloqueá-las, aí dependerá do nível do mal que a pessoa que lançar a maldição, ou qualquer retrocinese nociva, tem, e também do seu nível, já as coisas que são boas, não serão bloqueadas, se você for abençoado por alguém, então essa benção chegará para você. Hoje a gente aprendeu que a Daisy não é uma inofensiva garota gênio da ciência, se ela teve nível para causar efeitos reais em alguém como o Morten, é porque alguma coisa nela não é normal, ela não é uma TK ordinária, ela é a TK mais poderosa aqui, talvez até maior que nós dois e Prabhu.
- Que tal pedirmos a opinião de Prabhu? Ele é um especialista nessas coisas de aura e eu astral, talvez possa nos explicar melhor. – Lewis confiava no guru.
- Não, eu sei mais, ele não sabe de retrocinese, chefe, a gente mais tarde tem que descobrir se a Daisy se mutila, com certeza ela não teria cicatriz, teria curado com remédios ou biocinese, o Prabhu vai saber se ela está ou não falando a verdade.
- Pra que precisa saber se ela se mutila?
- Veja, Samantha Abschteulich aconselha as pessoas a se flagelarem, e diz que isso aumenta o efeito da retrocinese, sob o pretexto de que isso purifica a mente de toda a culpa, de toda a fraqueza, e te prepara em um nível mais alto para realizar seus desejos pagando um preço justo, de modo que não venha de graça. – A leitura de “A Águia Vermelha” havia sido realmente útil para Ferraço.
- Se ela realmente conseguiu um resultado tão bom com a retrocinese dela, pode ser possível que ela tenha seguido ao pé da letra as regras do sacrifício e da auto-mutilação. Temos quem perguntar se ela é Abscheulichista, ela deverá responder com sinceridade, eles não têm vergonha de sua fé, e muito menos perseguidos, como sempre perseguimos os vampiros.
- Tá bem, vamos perguntar, mas quanto à carta? – Lembrou do assunto mais importante.
- Aqui está a carta, enquanto a gente conversava, eu fazia, você não reparou? Bem, leia e me diga o que acha, eu usei o único motivo que poderia levar dois semelhantes a ficarem um contra o outro. – O general entregou o papel na mão do ajudante, que começo a ler imediatamente, em voz alta:
“Para o general Rukaso, do continente de Houkaiser, é com muito prazer que declaro guerra contra seu continente, e estarei pronto para dominar e consertar sua incompetente administração, seu governo é imbecil e mal feito, envergonhando a imagem dos generais em todo mundo, e me vejo no direito de intervir, uma vez que também seja um general e tenha maior capacidade para estar no poder. Estaremos atacando quando menos esperarem, caso queira se render e entregar o poder para mim, o general Morten Daemon, mande uma carta ou telefone de volta, faremos uma deposição oficial de seu cargo para que eu erga um representante meu em seu lugar, caso contrário, prepare-se o seu povo para mais dias de sofrimento e guerra.
Atenciosamente: Morten Daemon.”
- Agora sim você acertou, chefe, realmente muito bom, ele insulta muito convincentemente, o que leva um semelhante a se virar contra outro semelhante, é querer para si o que esse semelhante tem. Será que não podemos tentar convencer o frouxo do Chester com isso? Para antes de termos que usar os outros planos ou abrir mão a ajuda Tsuchiana.
- Eu vou tentar com ele também, só que aí telefonarei e fingirei que sou Morten. Como diziam os antigos, meu bom amigo: “Você tem, eu quero, ou me dá, ou eu te mato”. A origem de todas as guerras, é tão óbvio que as pessoas não percebem. Mas agora nós vamos precisar da ajuda dos nossos cientistas, a gente que digitalizar essa carta para um celular ou telepager, para mandar ao Rukaso de modo que o remetente pareça ser como se fosse Morten.
- Mas ainda há uma questão a se colocar em jogo.
- Qual?
- Se ele ligar de volta e descobrir que é uma farsa.
- Eu sei, pense nisso também, olhe, a gente muda o remetente para um número de Sogen Sul, que é onde Morten está, só que o acontece é que esse número vai funcionar, se ele ligar de volta, eu irei atender, e confirmar, e toda vez que ele for ligar para o mascarado filho da mãe, ele vai ligar para mim.
- Agora sim. Vamos logo até os cientistas, acho que isso não será fácil de fazer.
- Não mesmo, e não precisa vir comigo, eu vou sozinho. – Lewis tomou a carta das mãos de Ferraço, e saiu da sala, abrindo a porta com a mão mesmo, deixou o parceiro ali só, pensativo.
“Agora eu cuido do assunto do Chester”
Pegou o telefone e discou um número de Tsuchin, logo, foi atendido.
- Alô, Sonia Halle?
- Sim, sou eu, por que?
- Aqui é o general Ferraço, você quer proteger seu marido Chester?
- Sim, eu quero, por que?
- Sabe do que está acontecendo, não é? Da ascensão de Morten Daemon ao poder e a declaração de guerra contra Umi, e dos planos de ataque em Tsuchin e em Houkaiser, não sabe?
- Chester me disse algo assim, que você era um lunático querendo fazer ele entrar em sua guerra. – Ela era colega de Chester no ensino básico da escola, anos depois acabariam se casando, mas ele não era um bom marido, só dava atenção ao trabalho, quase nunca à esposa, mas mesmo assim, o amava religiosamente.
- Mas você sabe que é verdade, não sabe?
- Como vou saber? Sou apenas a esposa do general, se ele acha que é balela, eu também acho, eu confio em meu marido.
- Você é uma mulher inteligente, seu marido é forte, mas é covarde, ele sabe que o que eu disse é verdade, mas não quer entrar na guerra, ele tem medo.
- Isso não é verdade, Chester é muito corajoso, ele tem o bravo sangue Kinesis correndo nas veias, é claro que ele não é covarde, vocês apenas querem explorar esse continente a seu favor, deveriam resolver seus problemas sozinhos.
- Sonia, gostaria de ver seu marido como um herói de guerra? Sabe que prestígio ele teria caso derrotasse bravamente Morten e sua cambada de vampiros psíquicos? – O esperto ajudante de general apelou para a vaidade da esposa do outro general.
- Ah, assim é jogo baixo. Diga mais. – Ela se interessou a partir daí.
- Não há dúvidas de que se unirmos nossos continentes, nós venceremos a guerra, uma vitória contra a poderosa Sogen nos dará prestígio, além de todos os bens que tomaremos dos derrotados, e tem muito, mas muito para ser tomado, além do mais, seu marido nem vai precisar lutar nas linhas de frente, apenas precisa aprovar a aliança, e de qualquer modo, vocês precisam defender Tsuchin, porque eles vão atacar mesmo, não é balela.
- Bem, me convenceu, todo o prestígio de se vencer uma guerra, ah Ferraço, você conhece meus pontos fracos. – Ela deu uma risadinha bastante íntima no telefone, havia conhecido o pseudo-general em uma viagem a Umi, em que eles se conheceram em um restaurante que vendia sopas de vários tipos, conversaram e logo ela se apaixonou, pois tinha uma impressionante queda por militares, ainda mais os bonitos, super talentosos e simpáticos como aquele, tiveram uma linda história de amor de verão (embora fosse outono), que acabou quando Sonia voltou ao seu continente original, Ferraço nunca a amou mesmo, mas gostava dela, principalmente nas “noites de amor”, já ela, nunca o esqueceu.
- E como conheço, bem, mas é assim, se você quiser convencer seu marido a entrar na guerra, desapareça e depois apareça machucada, em um dois dias de sumiço, diga que foi seqüestrada por vampiros psíquicos mas que conseguiu fugir do cativeiro.
Vai fazer isso, minha querida Sonia? – Ele apelou para os velhos sentimentos da mulher.
- Farei, por você, Ferracinho. – Dava para ouvir na voz dela que ainda o amava.
- Muito obrigado, convença-o de que o seqüestro foi ordenado por Morten e que ele iria pedir alguma coisa muito importante em troca de sua vida, mas que você não chegou a saber o que era, não terá como o infeliz provar que é mentira, Chester irá acreditar sem dúvida alguma. Vou ter que desligar, tenho muito a fazer, beijos.
- Beijos, eu acho que ainda te amo, não me esqueça.
- Não esquecerei nem se eu tentar muito. – Desligou o telefone e começou a gargalhar bem alto, um conquistador barato seduzindo a mulher do general do outro continente para conseguir o que queria Desse jeito, onde é que as coisas iriam acabar?Acabou se lembrando de outra coisa que tinha que fazer, mas não poderia ser naquela hora, pelo menos não se esqueceria quando fosse o momento certo.
Mar próximo à Zandor, Umi
- Já temos Umi em nossa vista, temos que arranjar um jeito de invadir sem sermos percebidos. – Pandora, de pé, o objetivo da longa viagem, através de um potente telescópio, eram montes verdes atrás de uma pequena área de areia branca, os outros 6 tripulantes observavam alguns passos atrás, com a posição bem organizada, incluindo Archie, o céu estava aberto, ótimo para navegar, um dia ensolarado naquela região, embora não estivesse tão quente..
- Acho que o único modo de entrarmos sem sermos percebidos ou abatidos é nos disfarçando, ele verão toda a área do litoral marítmo, e certamente já até nos viram.
- Archie, você é um imbecil, como diria meu pai, mas você é muito forte, isso devo admitir, então faremos assim, você irá invadir primeiro, e irá lutar contra os que guardam a fronteira, você acabará com todos eles, afinal, você é o terrível Archie, o homem indestrutível feito de metal, uma aberração da ciência feita para matar e destruir, enquanto isso, eu e os outros iremos fingir que somos reféns daqui, eu já tinha planejado isso desde que saímos do nosso continente.
- Peraí, não estou entendendo. – A ausência de cérebro real e raciocínio impediam Archie de pensar direito, ele era como um programa de inteligência artificial muito limitado, com raciocínio automático e limitado.
- Claro que não está. Você irá nos amarrar e dizer que somos reféns Uminianos seqüestrados por você, que é de Sogen, e que exige dinheiro em troca de nossa liberdade, eles te atacaram e nos resgatarão, e enquanto você estiver massacrando-os, nós entraremos no continente, aproveitando a confusão deles. – Pandora largou o telescópio e correu para o deposito, pegando 50 metros de corda. – Você é capaz de amarrar a gente? – Entregou a corda na mão do monstro.
- Sim.
- Então faça, todos se sentem no chão com as mãos atrás das costas. – Ela se sentou no chão e colocou as mãos nas costas, embora já tivesse visto o continente, estavam consideravelmente longe, o que ocorria era que a potência do telescópio era muita alta, permitindo uma visão de objetos muito distantes. Toda a tripulação se sentou também, na mesma posição, alguns fizeram comentários, outros resmungaram, mas nada que fosse importante para a invasão. – Ah, e claro que também seria bom nos amordaçar depois de nos amarrar, você pode usar qualquer coisa que quiser, desde que nos impeça de falar, para deixar o resgate mais realista, e não esqueça do último detalhe, colocar sacos nas nossas cabeças pra tampar nossos rostos, eles não irão acreditar que somos de Umi se virem nossos rostos.
Archie amarrou as mãos de cada um lá, atrás das costas, sabia dar nós cegos muito bons, e seria impossível escapar sem destruir a corda, o método que ele arranjou para amordaçar que não foi agradável, tendo deixado Pandora para ser a última a ter a boca tampada, tendo amarrado todos antes, todos gritavam ou xingavam antes de terem os panos sujos de chão enfiados na boca para simular melhor o seqüestro, a vampira antes de ter a boca tampada gritou:
- Nojento! Não esquece, não mexa no timão, a gente tá indo certo, se ocorrer uma emergência, eu queimo as cordas, me solto, e. – Só grunhiu mais um pouco após ter o pano enfiado dentro da boca, tinha um leve gosto de urina, e não era nada agradável.
“Tá bem, acho que já senti gostos bem piores.” - Pensou, desgostosa com o gosto de mijo velho dentro da boca, e o navio ia só se aproximando do continente. Logo o homem de metal foi buscar sacos na dispensa, esvaziou os que estavam cheios de batava, e usou para tampar a cabeça das suas “vítimas”, já estava pronto para fazer seu papel, não era um bom ator, mas ele não precisava de muita habilidade para representar o que ele realmente era, um criminoso.
- Navio não identificado se aproximando. – Um dos homens que vigiavam a costa viu o barco que se aproximava no horizonte, através de um obstáculo, ficava em um alto farol, olhando no ponto mais alto, por uma janela, junto com dois outros homens, esses eram os que vigiavam essa área, que de um monte alto, de onde podiam observar tudo, na pequena praia logo na frente, havia algumas cabanas, crianças brincando na areia, namorados se beijando, era um área relativamente pequena, mas bem aproveitada pelos moradores, a praia da cidade de Zandor, o litoral de Umi era predominantemente montanhosa, não com gigantescas montanhas rochosas, mas com montes consideráveis (ou não, o tamanho variava) com muita vegetação sobre, geralmente precedidos de pequenas praias, em algumas poucas áreas, como em Bather, isso era exceção, tendo apenas a praia, essas eram as regiões favoritas para se fazer portos, também haviam as montanhas sem praia, nas áreas mais difíceis de serem atravessadas, totalmente inúteis para a recepção de mercadorias vindas do mar.
- Espere se aproximar mais e identifique quem está dentro. – Um outro homem na sala aconselhou, só que esse ao invés de vigiar, estava com um fone, ouvindo alguma coisa.
- Sim senhor. – O primeiro vigia concordou com as ordens, do outro, que certamente era seu superior e tinha um salário mais alto, esperou 2 minutos e já podia ver o que estava à bordo do navio,o farol também podia ser visto do barco.
- Um homem feito de metal e 5 pessoas amarradas no convés. – Ele arregalou os olhos, aquilo não era nada bom, ainda mais porque se havia reféns, eles não poderiam bombardear.
- Como? Temos que chamar reforços, aquele homem é Archie Brocken, o segundo homem mais perigoso de Sogen, braço direito de Morten.
- Como sabe de tudo isso?
- Esse bandido é famoso, você nunca ouviu falar? O Homem de Ferro de Sogen, um matador terrível, ele é um monstro, sofreu em um acidente com um novo elemento químico, e agora tem a mente dentro de um monte de metal, uma aberração.
- E como a gente pode matar essa coisa?
- A gente não pode fazer nada além de afundar o barco dele ou fazê-lo cair no mar, uma coisa pesada como ela não conseguiria nadar nem em mil anos, temo que tenhamos que permitir a morte dos reféns, a gente não pode deixar aquela coisa entrar no continente.
- Idiotas, Bather está a uma curta distância, talvez possamos chamar o general para nos ajudar, ele deve ter um transporte rápido fora do comum. – O terceiro homem pegou um telefone ao lado de seu assento e rapidamente um número, que deu para o general, se uma pessoa ligava para o general sem ter um bom motivo, certamente seria despedido, qualquer militar tinha o número oficial, mas ninguém ousava ligar, havia uma lista de crimes e problemas em classe, casos de nível 7 para cima eram os únicos casos em que se deveria ligar para o general, casos de nível 7 incluíam a chegada de criminosos de rank 7,o mesmo tipo de classificação dos problemas, criminosos extremamente perigosos e praticamente impossíveis de serem pegos ou mortos por militares normais, um exemplo de criminoso nível 7 era o próprio Archie, que exterminou uma grande quantidade de vidas, e parecia ser praticamente imortal, uma aberração sem corpo, mas com a mente sem alma dentro de um monte de sucata radiotiva, o único criminoso de rank 10 da história havia sido Arius, o nível 7 também incluía a morte ou a ameaça da segurança de pessoas extremamente importantes para o continente, como Prabhu e Ferraço, e a destruição de bens importantes, como grandes centros de pesquisa continental. Os casos máximos, de rank 10, contavam com extermínios em massa e duradouros, destruição de cidades, grandes catástrofes naturais, e também epidemias mortais que causassem milhares ou milhões de mortes, basicamente, tragédias em massa que causassem uma quantidade absurda de vítimas, calamidades do pior tipo. Esses ranks não serviam só para problemas e criminosos, mas para TKs, técnicas de telecinese e outros psionismo e uma grande diversidade de coisas.
- Alô? – Ferraço atendeu, para sorte dos vigias, eles estava em sua sala cuidando de assuntos administrativos quanto à guerra, junto com Lewis.
- Aqui é da guarda costeira de Zandor, Archie Brocken está vindo com um barco com 5 reféns, o que fazemos? General, o senhor não pode vir aqui voando para pegá-lo? Talvez possa ajudar se o interrogarmos, capturado vivo.
- Archie? Tá bom, mas meu braço direito Lewis Aníbal é a pessoa certa para combater o Homem de Ferro, se ele chegar a 200 metros de vocês, ataquem, eu tenho certeza de que esses reféns são fajutos, se vocês pegarem o Archie, e tentarem resgatá-los, serão atacados de surpresa e eles irão invadir sem dificuldades, então, afundem caso eu não chegue a tempo, entenderam? – Ferraço disse bem rápido e desligou o telefone, se virando ara Aníbal. – Archie está na praia de Zandor, de navio, ache-o e acabe com ele, está levando reféns, certamente uma armação, mas confira.
– Ferraço, tchau, vou matar o desgraçado em Zandor. – Se despediu rapidamente, correu para fora e logo atraiu uma viga que estava no teto, exatamente para uma emergência dessa, era o meio de transporte oficial dos Ruschi, subiu nela e saiu voando nela como se fosse um foguete, indo aceleradamente a 40 metros do chão, em direção à outra cidade, usando o grande poder da eletrocinese magnética, os Ruschi tinham uma capacidade realmente incomum para a telecinese, sua força magnética repulsiva era capaz de fazer aquele ferro voar a uma velocidade impressionante, a pressão do ar sobre seu corpo também era muito forte, e sua boca abria sem que ele quisesse, ficando com os lábios balançando de um modo engraçado, mas ficava bem abraçado no ferro, garantindo que não cairia.
“Quando nos resgatarem, se perceberem que é uma farsa, nós atacamos, se não, deixamos eles tirarem esses panos sujos de nossas bocas e atacamos, ou melhor, eu ataco, esses mendigos não vão ajudar em nada.” – Pandora pensava atenta aos sons que podia ouvir enquanto se aproximavam, mas por enquanto, nada que chamasse sua atenção, até que ouviu o som de alguma coisa caindo em alta velocidade.
- O que é aquilo? – Archie não acreditava no que via, uma viga voando em alta velocidade contra o navio, com um homem em cima, ele preparou um soco, e quando o grande objeto ia se chocar contra sua mão, foi jogado a 4 metros dali como se fosse feito de papel, a viga perfurou o convés do navio, mas causou danos na parte inferior, o general pulou antes do impacto, para garantir que não se machucaria, o que com certeza aconteceria se tivesse em cima do ferro quando bateu, na velocidade de uma bala de suas armas de fogo.
- E então Archie? Vai insistir em não devolver os reféns? – A composição metálica do monstro o tornava uma fácil vítima para Lewis, ele podia manipulá-lo com sua eletrocinese magnética como se fosse uma pena, o bandido de nível 7 passava a ser um brinquedo inutilizado.
- Lewis Aníbal da Aníbal S.A, como ousa se voltar contra mim? – A presa grunhia com sua voz metálica, não esperava vencer, apenas distrair o general para que Pandora o matasse, atacando por trás, ela já estava queimando as cordas, que rapidamente sumiram, quando ela soltou as mãos, foi jogada pela viga antes presa no convés, que bateu nela como se fosse um taco de baseball, jogando-a no mar tão rápido que ela não teve chances de atacar, junto com a vampira, os mendigos também foram jogados, estavam todos juntos, e com um ferro daquele tamanho, não era difícil arremessá-los como se fossem bolas de tênis de mesa . Mesmo se sobrevivessem à brutal pancada, iriam se afogar de qualquer modo, sem dúvidas, uma morte garantida para a filha de Morten e também para os maltrapilhos.
- Vocês acham que eu sou idiota, não é? Vocês acham mesmo que eu iria cair nessa merda de armação? – Ele chegava a se sentir ofendido com algo daquele tipo, era um plano estúpido, pelo menos para ele, um homem inteligente e nada distraído, claro que ia perceber que tinha alguém livre das cordas ao lado prestes a atirar fogo nele. Usou a sua eletrocinese para moldar o corpo do criminoso em vários formatos, uma brincadeira bastante estranha, fez ele tomar a forma de uma bola gigante, de um poste, de um quadrado, de um ovo, e de um grande cocô, nessa hora ele riu bastante.
- Olha Archie, eu sabia que você era um bosta, mas isso é demais. – Se divertia, tinha censo de justiça, e aquele homem que supostamente era o segundo mais poderoso de Sogen parecia tão inútil e impotente que fazia com que a guerra parecesse já vencida para Umi, como uma espécie de amostra grátis ruim, mas não podia esquecer que era uma questão de ponto fraco, Archie não era fraco, apenas era a última pessoa que deveria lutar contra o general.
- Vai se... seu filho da...
- Que boca suja, hein? Bem, tenho que te levar para a base, eu sou tão forte que peguei o terrível assassino de Sogen como se fosse um rato, e farei o mesmo com seu chefe, o estúpido Morten. – O general realmente se divertia em ter aquele monstro em suas mãos, totalmente impotente, mas uma idéia veio à sua cabeça.
“Será que seria mesmo seguro levar esse estúpido para o campo de treinamento? Vai que ele tem poder de explosão! Não, não devo arriscar, vou interrogá-lo aqui mesmo, e arranjar um jeito de consumi-lo por total para que ele não incomode mais ninguém. Mas como matar um cara desse? Ele é que nem o Arius, esse desgraçado não morre, a menos que destruamos a mente dele, ah, não adianta, terei que levá-lo para a base, aí o Prabhu destrói a mente dele e ficamos livres, mas melhor tentar interrogar agora.
- Pega no meu... de metal, filho da ... – Archie era um tremendo boca suja, isso era um fato inegável, pelo menos quando estava acuado.
- Olha, eu deixo você viver, basta você contar todos os segredos de Morten, o bastante para Umi vencer a guerra, eu até deixo você entrar em nosso exército e lutar do lado vencedor. E só tem essa chance, senão, prepare-se para morrer.
- Prefiro morrer à abandonar Morten Daemon, salve Morten! – Mantinha uma fidelidade forte, foi mantido na forma de um cocô gigante, extremamente vergonhosa, enquanto o general discava no seu telefone móvel, controlava o corpo da aberração com tanta facilidade que nem precisava usar as mãos, e podia ligar à vontade.
- Hahaha, Archie é um bosta, olha lá, perdedor! Todos salvem Lewis Aníbal! – Os vigias riam demais em ver o “terrível bandido” na forma de um gigantesco excremento voador, a cena era realmente muito cômica.
- Alô Prabhu, sou eu, vai preparando uma morte mental, eu capturei Archie, mas não tem como matar ele fisicamente, a mente está totalmente ligada ao material inorgânico de que ele é feito, se não destruirmos logo a mente, ele nunca morrerá.
- Na verdade, chefe, tem sim. Uma mente não vive sozinha, ela precisa de alimento, o material do corpo dele funciona em conjunto, em ligação com a mente, mas ele precisa de energia para se mover, ele move o próprio corpo usando uma grande quantidade de energia de coisas que absorve, e também precisa de energia para conseguir absorver as coisas, ele é realmente uma máquina com queima rápida, você pode matá-lo de outro modo, separando ele em tantos pedacinhos, que ele não possa mais absorver energia, ele precisa de uma certa quantidade de energia para ficar vivo, então, se você conseguir dividir de modo que a energia em cada pedaço seja menos do que o necessário, a mente dele irá morrer, e a vida monstruosa que controlava o material irá sumir para sempre, mesmo que juntem de novo, ele não vai voltar. Separe-o em pedaços do tamanho de bolinhas de gude, a morte será instantânea, então jogue dentro do mar..
- Está certo. – Lewis se concentrou, e fez bastante força, uma coisa era amassar um material como o Árchio, outra coisa era despedaçá-lo em pedaços extremamente pequenos, se concentrou com todo o seu poder, pressionando toda a força magnética no corpo de Archie, até que ele se abriu, em uma explosão de metal, que se espalhava como se fossem pequeníssimos flocos. O impressionante no general era que que fazia com que fosse o mais impressionante Ruschi da história, era sua capacidade de controlar qualquer metal além de ferro, e de conseguir derretê-los, foi uma chuva de minúsculas partículas de árchio para todos os lados, menos pro lado de Aníbal, que não era burro, o criminoso foi derretido e explodido ao mesmo tempo, os pedaços eram tão pequenos que não havia dúvidas de que ele teria morrido mentalmente, o material se dissolveu na água e despareceu pra sempre, se unindo ao líquido, seu alto nível tóxico com certeza acabaria com a vida marinha na região, mas ainda sim, era melhor do que deixar aquela coisa viva, para ameaçar a vida humana.
- Pronto, ele virou pó líquido e diluiu no mar. – Falou no telefone, com um grande sorriso no rosto.
- Lewis! Você vai matar todos os peixes aí! Tem como tirar essa porcaria daí e juntar? – Prabhu se preocupou, uma coisa seria o material cair na forma sólida no fundo, iria prejudicar a vida, mas não tão gravemente, outra coisa seria o material se fundir à água, isso contaminaria mortalmente qualquer espécie de vida mesmo, e ainda mataria os pescadores de fome.
- Ainda dá tempo. – Ele se concentrou e tentou atrair todo o material, mantinha os olhos abertos, em pouco tempo, uns 2 minutos, já tinha juntado uma bola duas vezes maior que o Archie, não havia como ele atrair apenas Árchio, atraiu todas as pequenas partículas metálicas no mar por perto, felizmente não tinha dado tempo do líquido perigoso ser realmente diluído, mas mesmo assim, foi difícil juntar sem ver, porém sua habilidade excepcional permitia que fizesse tal façanha, era realmente um TK inacreditável, nem mesmo chegou a desligar o celular por um único momento durante o extermínio do invasor.
- Deixa dentro do barco onde eles estavam, então você dá o barco para os moradores daí, e eles fazem o quiserem.
- Ok, só espero que não aconteça nada ruim com eles, acho bom avisá-los do que é o objeto de metal, eu até escreveria um aviso em baixo relevo, mas isso é um trabalho minucioso demais pra mim, eu não consigo, vou moldar na forma de uma estante de livros bem grossa e grande.
- Ótimo, o resto não me importa, só não deixe ninguém morrer. Desligo. – Prabhu desligou o telefone, já não era assunto que lhe dissesse respeito.
- Quanto tempo até o chefe voltar? – Um cientista sogeniano digitava bem rápido em um computador bastante grande
- Duas horas, ele nos deu 3 horas para conseguir fazer isso, e se não conseguirmos, estamos ferrados. – Outro cientista, careca, segurava a carta para Rukaso com uma mão, enquanto também digitava com a outra, o celular do general estava ligado ao computador por um fio bem longo.
- Vamos nos apressar, vamos nos apressar. – Um terceiro cientista mexia em fios atrás da máquina do segundo, havia mais 2 na sala, cheia de máquinas, especialistas em telefonia e informática, teriam que fazer um milagre ali, fazer com que um celular de Umi recebesse e fizesse chamadas como se estivesse em Sogen, aquilo era como tentar comer sopa com garfo, mas eles teriam que conseguir, se tinha uma coisa que Lewis não aceitava de seus funcionários era a incapacidade.
- Ferraço, voltei. – Lewis chegou correndo na sua sala, onde o braço direito jogava resta 1 sentado na cadeira de general. – O que você está fazendo? – Estranhou e olhou torto, o seu braço direito não era disso, sempre tava trabalhando, não entendia porque jogava.
- Nem venha, general, eu já fiz tudo que eu precisava fazer hoje, convenci a Sonia, mulher do Chester, a fingir que foi seqüestrada, e depois voltar dizendo que fugiu dos vampiros psíquicos de Morten, que a sequestraram. Isso vai dar motivos o bastante pra Chester entrar na guerra! Foi genial, Lewis, simplesmente genial! – Ferraço contava orgulhoso, comum grande sorriso no rosto, sabia que o plano que havia elaborado era realmente genial, nem o general teria pensado em algo assim, e ainda tem gente que diz que o romance é algo inútil, foi o romance que levou o esperto TK a cumprir o difícil objetivo de colocar Tsuchin na guerra, na verdade ainda não tinha sido cumprido, mas ele estava tão certo de que daria certo, que era como se realmente já tivesse.
- Ora, isso é sério? Muito bom, às vezes penso que você realmente deveria ser o general. Bem, Archie está morto, e os cientistas tão tentando arranjar um jeito de mudar o número, acho que eles vão demorar, mas dei um prazo de 3 horas, mesmo que eles não consigam, eles vão se apressar.
- Está bom, está ótimo, agora chega disso, amanhã nós teremos um novo treino, vocês irão aprender a atirar com as armas de fogo da Aníbal S.A, talvez seja necessário o uso delas, então é bom que todos saibam como usar. Vocês com certeza já ficaram sabendo delas, ferramentas que lançam projéteis mortais e rápidos com apenas um toque, chegaram no nosso Campo ontem, e já podem ser usadas. – Prabhu falava para todos, enquanto via os soldados fazendo flexões psíquicas, um tipo de exercício psíquico em que a pessoa deveria tentar levantar o próprio corpo e descer, como em flexões normais, mas ao invés de braços, usaria apenas energia para levantar o próprio peso, com as mãos nas costas, para alguns era fácil, mas para outros, aquilo era uma tortura de tão difícil. Prabhu estava vestido diferentemente de sempre, sempre usava apenas uma tanga para tampar suas partes íntimas, mas dessa vez estava usando um uniforme militar completo, muito menos que a de todos os outros, mas no mesmo formato, exceto por uma medalha escrita “general treinador” pendurada no peito, que significava que ele era o mais importante treinador no continente, “o general dos treinadores”. E de fato, todos os militares no continente já sabiam das armas de fogo e do que faziam, mas quase nenhum as tinha em mão ainda.
“Tecnologia, finalmente usaremos tecnologia à nosso favor, mal posso esperar, acho que vou lidar bem com isso”. – Os pensamentos de Cirus eram bastante otimistas, a idéia de lutar usando armas de tecnologia de ponta o atraía muito.
“Ah, para que nós praticamos tanto nossas mentes e nossa telecinese se vamos acabar lutando com armas que não exigem nada disso? Que porcaria. – O Capitão Harris ficava irritado, já que parecia que o treino dos últimos dias havia sido totalmente em vão.
“Ah, mal posso esperar pra ser a hora de dormir e eu poder sentir o Cirus, ai.” – Os pensamentos de Daisy estavam distantes, muitos distantes do treino.
- E não parem de fazer flexões, isso é só amanhã, o treino de hoje continua. – O guru ordenou bem alto, percebendo que alguns tinham parado as flexões, ainda teriam alguns momentos duros naquele campo de treinamento.
Enquanto o pessoal voltava para seus aposentos, exausto por causa do dia de treinamento, mais duro e exaustivo que na maioria das vezes, Lewis tranquilamente entrava na sala dos cientistas, passava exatamente 1 minutos do prazo dado para o termino da tarefa de modificar o número de telefone.
- Olá, já terminaram de fazer meu número falso? – Falou de modo bem simpático, mas essa simpatia colocava mais pressão que qualquer abordagem grosseira, pois chegava a ser irônica, como “olá, melhor que tenham terminado, se não...”.
- Sim senhor. – O mais experiente dos cientistas entregou o celular na mão do general, apertou alguns botões para mostrar a opção “exibir número”, os números apareceram na tela, visíveis para que o dono visse o sucesso do cumprimento da tarefa.
- Ótimo, estão com minha carta?- Ele pegou o celular da mão do homem, e esperou eles entregarem também a carta.
- Aqui, senhor. – Esticou o braço e pegou o papel do lado do computador que usava, entregou nas mãos do general, em perfeito estado.
- Obrigado, bom trabalho, garotos, agora vou sair daqui e deixar vocês trabalharem no que costumam. – Sorriu como um modo de aprovar a competência, virou as costas e saiu da sala, fechando a porta, buscou o número do general de Houkaiser na agenda, e clicou na opção para enviar mensagem. Usou o teclado do aparelho para digitar:
“Para o general Rukaso, do continente de Houkaiser, é com muito prazer que declaro guerra contra seu continente, e estarei pronto para dominar e consertar sua incompetente administração, seu governo é imbecil e mal feito, envergonhando a imagem dos generais em todo mundo, e me vejo no direito de intervir, uma vez que também seja um general e tenha maior capacidade para estar no poder. Estaremos atacando quando menos esperarem, caso queira se render e entregar o poder para mim, o general Morten Daemon, mande uma carta ou telefone de volta nesse número, não uso mais o antigo, faremos uma deposição oficial de seu cargo para que eu erga um representante meu em seu lugar, caso contrário, prepare-se o seu povo para mais dias de sofrimento e guerra.
Atenciosamente: Morten Daemon.”
Felizmente, os celulares com todos as teclas do alfabeto, isso não permitia que fossem pequenos, mas para digitar era até rápido, ele apertou o botão de enviar, e a mensagem foi mandada sem nenhum problema, ele faz algumas pequenas alterações na idéia original, mas estava melhor e mais confiável, a única chance de acontecer algo errado, era se Morten ligasse para Rukaso em um período muito curto do da chegada da mensagem, e desmentisse tudo.
Helkaiser, Houkaiser
- Hã, o que é isso. – Rukaso ouviu o barulho do celular tocando, foi ver a mensagem que chegava, e logo após ler, gritou bem alto uma palavra que não precisa ser repetida aqui.- Filho da... porco... eu vou te fazer... no..., ..., ... . – E xingava sem parar, ligou imediatamente para o general de Umi, no número particular, de telefone móvel.
- Alô, você sabe quem sou eu, você tinha razão, o ... do Morten vai mesmo invadir aqui, eu quero me aliar com você, Ferraço, podemos acabar com o ..., pendurar a cabeça dele em uma praça, defender nossos continentes. – O ódio de ser humilhado e enganado por um ídolo a quem se admira, ou pelo acreditar que algo assim acontece, é realmente algo devastador e intenso, o general sentia raiva de sim mesmo por ter admirado o vampiro, e ao mesmo tempo, sede de vingança.
- Ora, Rukaso, o que te fez mudar de idéia? – Ferraço fingia que não sabia de nada e que estava realmente surpreso, e fingia muito bem.
- O que me fez mudar de idéia? Recebi um SMS do ... do Morten, ele insultou minha administração, disse que sou um incompetente, e que irá dominar Houkaiser e me tirar do poder, pois sou um incapaz mas ele é capaz o bastante para estar no poder aqui.
- Eu devo concordar que você é um incapaz, Rukaso, afinal, para admirar um homem como aquele, tenha dó. E...
- Vá se... Não vai querer a aliança? – Ele interrompeu, sem nenhuma gota de paciência para ouvir verdades desagradáveis do outro general.
- Para de xingar, mas quero, essas pequenas discussões são apenas pessoais, o que está em jogo são os nossos continentes, o nosso povo, e nossas próprias vidas.
- Temos que decidir como atacar, se nos aliarmos, mas não nos organizarmos, não irá adiantar de nada. – Podia ter a cabeça quente, mas sabia pensar como um general.
- Claro, quer decidir por telefone? Eu pego um mapa, a gente discute e chega a algum resultado.
- Para mim está bom, a empresa que recebe o pagamento das contas de telefone me pertence mesmo, posso ficar a noite toda. Primeiro me fala, você sabe como eles irão atacar primeiro? E onde?
- Bem, que eu saiba, eles realmente vão atacar Umi primeiro, porque a guerra já foi declarada, e eles até mandaram espiões para cá, mas nós os identificamos e matamos.
- Daisy, espere. – Lewis a chamou enquanto ela andava no corredor.
- O que foi, ge, senhor Aníbal? – Quase falou o que não devia.
- Só gostaria que soubesse que Archie morreu, ele tentou invadir o continente, eu mesmo o matei, e me certifiquei de que não têm chances dele voltar. Sei que isso é importante para a senhorita, então vim avisar, todos sabem do que ele fez com seu marido.
- O matou? Eu deveria ter feito isso, senhor. Ele sofreu muito antes de ser morto? Eu quero que ele tenha sofrido mais do que eu e Cirus sofremos. – O rancor dela pelo homem que havia invalidado o amor de sua vida era doentiamente grande, por tempos havia planejado o que faria quando o tivesse em suas mãos, que tipo de barbaridades cometeria em sua vingança, mas agora, ficava simplesmente sabendo que o homem morreu, sentia seu coração acelerado, emocionada, quase com vontade de chorar, era uma emoção estranha, boa e ruim ao mesmo tempo, só que muito mais ruim do que boa.
- Bem, não sei se ele sentiu dor, mas eu moldei ele em vários formatos, o humilhei moldando seu corpo na forma de bosta, o despedacei em pedaços pequenos, aquilo parecia doer, mas sinceramente, eu não sei aquela coisa podia sofrer, ele era apenas uma máquina.
- Uma maldita máquina que nem para sofrer serve. – Seus lábios se moviam a expressar nojo, saber que sua vingança impossível a irritava profundamente.
- Daisy, ele não era humano, era apenas uma aberração com inteligência artificial, o Archie que você conheceu antes do massacre, ele está morto desde o dia, foi o primeiro a morrer naquele dia, o que arrancou os braços do se marido era uma criatura nova e sem sentimento ou raciocínio que surgiu da mistura das informações de uma mente com o elemento químico Árchio, não era nada mais que uma máquina, uma máquina capaz de agir como um ser vivo, mas não como um humano, e muito menos, capaz de sentir.
- É, eu deveria ter entendido isso há tempos, mas o senhor não sabe, general, como é ter tanto ódio dentro de você, por algo que alguém, e saber que não pode descontar nesse alguém, porque esse alguém simplesmente não é alguém, é algo, seria como tentar me vingar de um terremoto, não tem como, o ódio fica dentro, remoendo, eu queria ter pego o Archie e tê-lo feito sofrer, mesmo sabendo já sabendo do que você está falando, eu poderia pelo menos me iludir, com uma vingança ilusória.
- Esqueça a vingança, Daisy, não te levará nada, e o que importa é que ele está morto, e que agora você tem mais um motivo para ficar em paz, vou indo, fique bem.
- Obrigada general. Mas o senhor poderia me dizer se a maldição contra o Morten funcionou? – Ela obviamente não tinha se esquecido do mais importante, embora com Archie fosse pessoal, era indispensável saber do sucesso de sua tentativa de assassinato via telefone, além do mais, ela podia perceber que ele queria falar sobre isso, mas estava enrolando, isso só poderia significar uma coisa:
- Não. Ele teve uma parada cardíaca mas se recuperou, a gente acha que ele é forte demais para morrer com uma maldição, como se ele tivesse uma aura grossa difícil de se penetrar, mas o fato, Daisy, é que funcionou, só não o matou.
- Ah, que bosta! Fui fraca, achei que pudesse matar ele, ando tão confiante, mas bem, obrigada senhor. – Foi andando, dessa vez parecia impaciente, a morte de Archie era algo bom, mesmo que não tivesse sido em suas mãos, mas a sobrevivência de Morten, isso era péssimo, mesmo que quase tivesse funcionado, ela tinha um motivo a mais para querer ele morto, o fato é que de jeito nenhum queria que a guerra acontecesse mesmo, por motivos totalmente pessoais.
- Você chegou perto, boa noite. – O general disse as últimas palavras e foi pelo lado contrário. Dessa vez havia algo diferente com ele, quando falou com a morena, sentiu uma sensação que não sentia há décadas, era algo que deixava sua fala diferente, mais introspectiva, que dificultava a respiração e mudava sua personalidade temporariamente, ele suspeitava do que fosse, mas não poderia, era impossível. Mas sentiu que realmente era, e isso não era nada bom.
19/06/1915, Amestris.
“Eu te amo tanto, como posso te amar tanto? Eu vejo sua face, que parece ter moldada pelo mais habilidoso artesão, em meus sonhos e quando fecho meus olhos. Seus olhos negros são como a mais bela noite, a diferença é que o brilho deles é mais intenso que o das estrelas, minha mente chama pelo seu nome em cada momento em que me distraio, e quase penso ouvir sua voz, apenas para me iludir e achar que estou perto de você. És o meu raio de Sol após o inverno rigoroso, és minha lua cheia após o dia caloroso, és a água de minha vida no deserto, és para mim no amor o único caminho certo. Eu te amo e sempre te amarei, assim como meu coração se aperta quando estou perto de você, e perco a fala, é como um veneno ou uma droga, e ao mesmo tempo o meu antídoto e cura, preciso tê-la comigo para estar bem. És o único amor da minha vida, e é a única que faz eu sentir que há nesse mundo, mais do que carne e osso, e que os sentimentos mais profundos são reais.”- Daisy estava deitada na cama, o marido já tinha dormido, e já tinham feito o que tinham que fazer juntos na cama, se lembrava de quando o jovem Cirus escreveu um pequeno texto romântico para ela, tinha gostado tanto, era uma grande apreciadora de literatura e poesia, e algo daquele jeito vindo do homem que amava, que de modo algum era do tipo poético, mas sim do tipo científico, no dia quase pensou que era um sonho quando o ouviu declamar essas palavras, super apaixonado. “– Amor, tudo que tenho na vida é você, e embora eu não demonstre, eu sinto medo durante essa guerra, eu tenho medo de te perder, meu amado, se eu pudesse matar o Morten antes do conflito, eu poderia evitar a guerra e te proteger. Você é tudo pra mim nesse mundo, só de pensar em te perder eu sinto o meu coração doer, você é minha vida, meu mundo, minha felicidade, meu prazer, minha alegria. Dorme tão inocente... será que continuaria comigo se soubesse tudo sobre meu passado? Você realmente não precisa saber, mas e se soubesse? Sei que não me ama como te amo, mas será que me ama o bastante? Eu não sei, só sei que te amo mais do que qualquer pessoa nesse mundo poderia amar alguém. – Ficava observando o marido deitado, dormindo profundamente, ela olhava-o com total cuidado e atenção, como se fosse um indefeso bebê. – É realmente uma pena que Will tenha morrido antes de te curar, mas eu sei que vamos descobrir um jeito, amor, arranjaremos um jeito, e você poderá sentir novamente, com um corpo de verdade, não essa droga que fiz pra você. – Ela segurava suas lágrimas, por algum motivo, naquela madrugada ela estava mais sentimental que o normal. Sua mente era instável, mas no fundo, era apenas uma inocente amante à moda antiga, ou pelos acreditava que era.
Daisy acabava de voltar para casa, bateu na porta duas vezes, ficou surpresa ao ver a porta se abrir sem força, nem ao menos estava fechada, apenas encostada, deu dois passos e não viu ninguém, procurou na sala, mas não tinha ninguém, nem sinal, a casa estava silenciosa, muito silenciosa, para um lugar onde tantas pessoas moravam, aquele silêncio não era algo natural.
“Tem algo errado aqui.” – Ela pensava, se preparou e ficou atenta, dando passos discretos em direção à sala de jantar, mas não tinha nada lá, voltou à sala de estar, podia ouvir um gemido abafado de dor, muito distante, mas ainda possível de se ouvir, ela o seguiu atentamente, podia saber a direção exata, até chegar no armário onde logo do lado da escada, onde costumavam colocar produtos de limpeza, estava muito perto dela, mas o som era tão baixo que ela não havia percebido da primeira vez, já que seus ouvidos ainda estavam insensibilizados por causa do som alta na rua, ela colocou as duas mãos e puxou de uma vez as portas, Cirus caiu lá de dentro, todo ensanguentado, gemendo de dor, com os braços arrancados, quase morto. Daisy sentiu seu coração acelerar, seus olhos se encheram de lágrimas, sentiu suas pernas tremerem, sentia uma mistura de medo, desespero, raiva, e dúvida, se sentiu paralisada e sem voz por um instante, mas logo soltou um grito chorado e correu, abraçando o esposo, ou os restos dele.
- Amor, amor, o que fizeram com você? – Ela chorava sem parar, tremia mais ainda, tentava passar uma imagem de segurança para o impotente amado, mas não conseguia, a única coisa que realmente importa pra ela era ele, e ele estava dilacerado e dentro de um armário.
- Ar-ar-chie, Ar-chie, ma-ma-tou, ma-ma-tou. – Ele gaguejava com muita dificuldade, a voz era quase incompreensível, mas podia ser entendida com esforço.
- A-a-mor, o Archie fez isso? –Ela quase gaguejava também, ver o marido naquela situação era extremamente doloroso, mas não apenas emocionalmente, ela podia sentir alguma coisa no seu coração, como se uma lança muito grossa o perfurasse profundamente, era uma dor física real muito fortes, suas lágrimas apenas se multiplicavam, se sentia impotente naquela situação, por um momento, teve certeza que iria perder Cirus, e desejou morrer ali junto com ele na mesma hora, mas viu nos olhos de seu amado que ele esperava dela uma salvação, ele estava desesperado também, morrendo rapidamente, ela tinha que fazer alguma coisa. Engoliu suas lágrimas, todo o sofrimento que sentia, e carregou o pobre homem para o laboratório, correndo o mais rápido que podia, segurando seus ferimentos para tentar estacar parte dos sangramentos, ela não era muito forte, mas com os membros arrancados, não ficava muito difícil carregá-lo nos braços e correr ao mesmo tempo, ainda mais que nos momentos de desespero as pessoas parecem arranjar forças do nada.
- Você vai ficar bem, fica tranqüilo Cirus. – Ela falou de modo confortante, sorriu como podia, como se quisesse mostrar que está tudo bem, o rosto ainda estava molhado de lágrimas, e sua maquiagem borrada, mas não chorava mais, embora por dentro, se roesse de desespero, tinha que dar seu melhor, para salvar a vida do marido ou pelo menos confortá-lo, seu próprio sofrimento era um assunto de menor importância. Ela parou na porta do frigorífico do laboratório, onde colocavam qualquer tipo de amostra a ser conservada, deixou o marido, que a essa altura já estava inconsciente, no chão, abriu a porta, sentindo o ar gelado tocar seu corpo como ela fosse um mergulhada no gelo, colocou o marido lá dentro, aquela sala era grande o bastante para guardar vários corpos, ela o deixou lá no meio, sangrava muito pouco, talvez até estivesse morto. Mas ela fechou a porta e aumentou a temperatura lá dentro usando um botão na porta, do lado de fora, aumentou muito, e depois foi reduzindo gradativamente, preparando o corpo do marido para o congelamento, no final, ela alcançou 100 graus negativos. Aquilo quase com certeza não daria certo, mas se ela ao menos conseguisse preservar o cérebro do marido, talvez já servisse para tentar trazê-lo de volta. Longe de Cirus, Daisy se jogou no chão liso do laboratório e começou a chorar, chorar sem parar, pôr pra fora tudo que tinha pra pôr, finalmente deixando as emoções tomarem conta de seu coração, sempre com o coração acelerado e apertado, além de ainda sentir a terrível dor pontiaguda de estar tendo o seu coração atravessado por uma lança, coisa que não conseguia compreender, mas que sentia, e sabia que estava acontecendo. Passou meia hora chorando sem parar, se levantou, era uma mulher dura, mesmo na pior situação que poderia ter acontecido, ela ainda tinha forças para ficar de pé, mesmo que todos as horríveis sensações que sentia não desaparecessem e nem diminuíssem.
- Archie vai pagar caro pelo que fez com você, Cirus, eu juro, ele vai sofrer muito, muito mais do que você sofreu,muito mais do que eu vou sofrer, ela vai implorar para não ter nascido. – Ela ainda não sabia que criminoso tinha perdido sua capacidade de sofrer ou de se divertir, ela foi até o quarto de Archie, encontrando os restos dos seus sogros mortos no caminho, sentiu o estômago se revirar com as imagens grotescas, mas não era nada que já não tivesse visto na infância, não se importou quando aos sogros, a única coisa que realmente a fazia sofrer era Cirus, abriu a porta com cuidado, era óbvio que ele não estaria lá, mas mesmo assim, a sensação de entrar lá era assustadora. Encontrou um livro na cabeceira da cama “O Homem do Boneco”, tinha na capa uma ilustração de Arius Drachen na forma de um boneco de pano.
- Esse livro, eu me lembro dele lendo isso nos últimos dias. O que será que tem nele? – Pegou e abriu o livro, a capa era realmente chamativa, imaginava que tipo de barbaridade literária podia ter levado Archie a fazer tudo aquilo, mas agora, ela entenderia o que aconteceu. Obviamente leria no exato momento, guardou o livro entre os seios, e saiu da casa, iria denunciar o acontecido, mas não achou ninguém nas ruas, que estavam desertas, e viu um rastro de sangue a uma certa distância de onde estava, mais ao norte, vários pedaços de gente, sangue, cabelos, cabeças, a trilha percorrida pelo monstro que massacrou todos em seu caminho. Ela viu um policial correndo, e foi até ele, o abordando seriamente:
- O Archie? O que ele fez, por que não o prende? Como ele pode ter conseguido matar tanta gente? – Ela mal sabia o que perguntar, estava confusa e ainda desesperada, não era só o choque de ter o marido dilacerado, mas de ver que o homem eu havia feito aquilo, um conhecido em quem confiava, estava massacrando muito mais pessoas, e certamente com a maior facilidade, não podia ser o antigo Archie, ele não era perigoso, ele não era poderoso, mas ela tinha certeza de que o livro que carregava entre os seios iria responder muitas de suas perguntas.
- Archie? É esse o nome daquela coisa. Desculpe senhorita, mas não podemos nem chegar perto daquela coisa, aquele monstro de ferro absorve tudo e todos por onde passa, se a gente atira fogo, o fogo é absorvido, se a gente atira alguma coisa cortante, ele come, se tentamos abrir a terra para engoli-lo, ele sair com a maior facilidade, aquela coisa é indestrutível, já chamamos o general, ele mandará alguém forte pra ajudar, mas enquanto ele não estiver aqui, aquele monstro irá matar qualquer um que estiver andando na rua, felizmente, parece que ele é burro demais pra entrar nas casas. Ainda tem gente tentando detê-lo, mas eu não quero mais ficar lá, eu não quero morrer. – Era um policial covarde.
- Já tentaram eletrocinese? Eu acho que sei o que aconteceu com ele, ele é primo do meu marido, ele estava mexendo com um novo elemento químico, de algum modo, ele conseguiu transferir a mente para o material, mas pirou, acho eletrocinese pode funcionar.
- Depois de ver aquilo, eu acreditaria em qualquer coisa que me dissesse. Já tentamos, ele absorve a eletricidade também, parece que nada é forte o bastante para absorvê-lo. – Dava para se ouvir o barulho de gritos e coisas se quebrando.
- Tentaram água?
- Não.
- Me mostra cadê ele, eu vou matá-lo. Se ele absorve as coisas, ele precisa de um tempo de contato, acredito que se vocês acertarem ele cada vez com uma coisa diferente, um de cada vez, alternando rapidamente, temos chances de pegá-lo. E não seja medroso e nem tente recusar, você sabe que a gente tem que parar aquela coisa o mais rápido possível, e se isso não acontecer, muitos inocentes pagarão pelo nosso erro.
- Só siga os gritos.
Daisy fez o que ele disse, correu como nunca havia corrido antes, tirou todas as forças que tinha, o seu combustível era o ódio e a sede de vingança, que a dava forças para correr o mais rápido que podia, viu Archie sendo atacado por vários policiais, um atirava eletricidade, outro fogo, e outro tentava esmagá-lo com energia pura, eles já não conseguia absorver, pois os ataques eram em sequência com intervalos, já haviam descoberto o modo da vencê-lo, mas mesmo assim os ataques não lhe causavam dano nenhum, quando ela chegou perto, atirou descargas elétricas com as duas mãos, também seguindo os intervalos usados pelos policiais.
- Miserável, você vai pagar pelo que fez. Ela gritou irada, estava totalmente furiosa, e sua ira podia ser percebida na forte eletricidade que ela liberava. – O monstro mal conseguia se mover direito, pois era empurrado de um lado para o outro, não conseguia dar passos o bastante para acertar qualquer um dos que o atacavam.
- Ótimo. Ele está dominado, basta conseguirmos manter ele até a chegada de alguém melhor preparado. – Um dos policiais, o pyrocinético, sorriu, otimista e crente de que receberia um prêmio por capturar aquela coisa.
Ele deu um pulo e bateu no chão, fazendo a terra tremer, a cientista quase caiu, mas se manteve de pé, interrompendo o ataque, Archie saiu correndo, havia obtido uma nova função com a experiência: “fugir”. Essa seria sua função quando estivesse com dificuldades para matar ou tivesse sua existência ameaçada, tinham alcançado seu ponto fraco, ele não podia absorver se atacassem daquele jeito, continuaram atacando, mas dessa vez, ele apenas era empurrado, correram atrás dele com os ataques, mas ele corria muito rápido, mesmo tendo um corpo extremamente pesado e denso, isso ocorria porque podia queimar uma grande quantidade de energia para aumentar sua velocidade, eles continuaram indo atrás dele, começavam a causar danos no seu corpo com os ataques, mas então ele começou a pular, cada pulo parecia uma explosão, e saltava realmente alto, usando uma grande quantidade de energia para dar saltos absurdamente longos e altos, sumiu de vista rapidamente, embora tentassem persegui-lo com todas as suas forças, sabiam o que iria acontecer se ele escapasse, mas ele escapou, por mais rápido que fossem, ele já tinha sumido de vista, eles eram só humanos, e não podiam ser mais rápidos que aquela máquina. Daisy ficou descontroladamente furiosa, parou de correr, junto com os outros, sabia que não tinha como alcançar aquela coisa, mas sentia seu sangue ferver de tanta raiva, suas pupilas encolheram um pouco, e começou a socar o chão até as mãos sangrarem, gritando bem alto, para que toda a cidade ouvisse.
- Archie, você vai pagar! Seu... ... ... . Eu vou... seu ... ... e ... ... . – E seu altíssimo grito de raiva teve direito a uma longa sequência de palavrões, o tom de voz estava estridente e extremamente agressivo, ela chega perdeu a voz após gritar, e parou de socar o chão, caindo em prantos logo em seguida, desesperada, sabia teria que testemunhar e conta o que aconteceu, e de algum modo, iria salvar a vida do marido, e esses seriam seus últimos momentos de entrega à emoção, à partir daí, teria que ser muito forte, e muito fria também..
19/06/1915, Zandor
- O que aquela coisa preta saindo da água? – Era manhã, o vigia via um estranho traço negro se aproximando da praia, era difícil dizer o que seria aquilo, mas havia um ponto um pouco mais grosso naquela coisa, mas de qualquer modo, alguma coisa deveria ser feita logo, já que havia gente na praia, alguns pescando, outros apenas se divertindo, inocentemente.
- É apenas algum tipo de animal marinho, acho bom um de nós ir para ver se é inofensivo, e matar, caso não seja, mas não pode ser nada realmente preocupante ou que não possamos resolver sozinhos. – O vigia de salário mais alto, que se sentava na frente do telefone parecia bastante interessado no estranho visitante, pelo menos era o que seu sorriso denunciava, seu nome era Jirachi, era ótimo para identificar coisas na água, basicamente, dizer se era um ser vivo ou uma máquina, um submarino de outro país, por exemplo. – Deixem comigo, eu vou lá, eu eletrocuto ele e ele morre, daí fim, é só uma forma de vida. – Não recebeu nenhuma objeção, não eram todos que queriam ir conferir que tipo de monstro de marinho se aproximava da praia.
O vigia pegou uma prancha pendurada na parede por um suporte, e desceu o farol inteiro por uma saída rápida, deslizando por um mastro, que servia especialmente para permitir que descessem rapidamente, era bastante alto, mas ele desceu com total suavidade e velocidade, bastante habilidoso, depois apenas saiu da construção e correu para o mar, as pessoas que estavam perto do seu caminho se afastaram, raras eram às vezes em que um vigia descia da torre, e se algo acontecia, era porque algo muito errado estava ocorrendo lá. Entrou no mar com a prancha e ficou de pé, surfando rapidamente para a direção onde havia visto a criatura, ou coisa, nem mesmo sabia, usava hidrocinese para fazer com que a água o levasse rapidamente, um excelente meio de transporte, mas claro que seu equilíbrio inabalável também ajudava. Fazia alguns cálculos mentais, lembrava da velocidade com que o traço negro se aproximava da praia, e a velocidade com a qual ele mesmo se distanciava dela, quando, de acordo com seus cálculos, estava a uns 100 metros da coisa, se jogou da prancha, afundando no mar, nadou e olhou em volta, observando tudo dentro de água, mas quase perdeu seu fôlego quando viu o que estava vindo, uma cobra absurdamente imensa nadava em sua direção, com a boca fechada, nunca havia visto algo daquele tamanho, e a coisa vinha muito rápido, não daria para fugir nadando, ele teria que enfrentar o monstro. Usou sua eletrocinese especial, que seguia uma linha reta, mesmo estando envolto de água condutora, o choque foi diretamente na gigantesca serpente, era para ter sido mortal, pois essa era a técnica assassina que o guarda costeiro Jirachi, sempre usava para matar debaixo d’água, mas ao invés de morte instantânea, o choque não causou nada, a criatura continuou indo em sua direção.
“Se o choque não funciona, só me resta fugir, não adianta tentar outra coisa, nunca tive que usar nada diferente para combater animais perigosos. Como ele pode ter sobrevivido? -Usou hidrocinese para empurrar uma grande quantidade de água contra o animal, que foi lançado para trás, mas depois continuou. O homem estava realmente amedrontado, não conseguia entender porque eletricidade não tinha efeito naquela coisa, o tamanho era realmente impressionante, e seria muito difícil para o homem manter a respiração dentro d’água por muito tempo, podia ter um fôlego ótimo, afinal era da marinha, treinado para isso, mas a pressão da situação atrapalhava demais, e não era fácil empurrar tanta água usando hidrocinese. Ele empurrou mais água, mas dessa vez a serpente nadava com mais força, e só recuou um pouco, ele estava totalmente sem fôlego, e morrendo de medo, e não poderia ficar mais tempo dentro da água, então nadou para cima e colocou a cabeça do lado de fora, respirou, muito ofegante, e com o coração batendo com uma britadeira. Tentou nadar em direção à sua prancha, que estava a uns 12 metros mais próximos da costa. Só sentiu uma dor imensa e tudo escurecer na sua visão, logo perdendo sua consciência, a água se tornou avermelhada ao seu redor.
- Oh meu Deus, Jirachi está morto! – O vigia no telescópio gritou muito alto, extremamente nervoso com o que tinha acontecido com seu superior, podia ver o sangue de onde via, embora não tivesse visto o que realmente aconteceu, a metade superior do corpo do homem flutuava enquanto manchava a água com mais do líquido vermelho, mas logo, alguma coisa puxou o resto do corpo para baixo novamente, depois disso, não subiu mais, o sangue logo se diluiu na água e não era mais visível, a vida de Jirachi se perdeu completamente dentro do mar, mesmo que sua prancha continuasse boiando na água. – A coisa matou ele, avise todo mundo para deixar a praia. - Virou o olhar para o parceiro, que mantinha sua calma, para guardas que protegiam o litoral do continente, eles eram até bem sensíveis, mas não era fácil ter o superior em que confiavam morto de um modo tão terrível. Se a coisa tinha feito aquilo com ele, imagina com eles?
O outro pegou um megafone logo em baixo da cadeira onde se sentava, foi até uma janela e gritou bem alto:
- Alô, evacuar a praia, tá vindo uma coisa muito grande aí, quem estiver no mar, se apresse mais ainda.
Nem 5 segundos depois e estava todo mundo correndo para longe da areia e da água, alguns desesperados, outros tranqüilos, sem falar nos banhistas nadando feito loucos para sair da água.
Campo de Treinamento, Bather, Umi
Estavam todos posicionados como no começo de cada treino, como sempre, Prabhu estava no meio, nos últimos dias, Aníbal e Ferraço não participaram e nem interagiram com os treinos, mas dessa vez, o treino era diferente, o guru segurava uma arma de fogo na sua mão, do primeiro modelo produzido no mundo, a HS 11 mm (Hannishooter 11 milímetros), que era capaz de dar 1 tiro por vez, antes de ser carregada, mas que não precisava de pólvora, apenas de balas, definitivamente não era um dos melhores modelos, mas serviria para o treino. No alto da parede diretamente a sua frente, a muitos metros de distância, além das incontáveis fileiras de soldados, havia um alvo pintado de vermelho e branco, com meio metro de diâmetro, da distância que estava, era bastante difícil de ver.
- Amigos, vou demonstrar o que vocês pode fazer com isso, olhem aquele alvo. – Apontou para o alvo, cada homem naquele campo olho para trás, em direção ao círculo vermelho e branco, alguns estavam bem próximos dele, outros super distantes, havia realmente muita gente lá. Olhavam atentamente, sabiam o que deveria acontecer, mas a maioria duvida que ele pudesse acertar daquela distância. O guru mirou bem com, sua pequena arma, e apertou o gatilho, após uns 4 segundos preparando direito sua mira, a bala voou rapidamente, atravessando o longo espaço, e acertando exatamente no centro do alvo, ouviram-se vários “uau”, e era realmente impressionante que o treinador acertasse daquela distância, mesmo sendo o próprio Prabhu, o centro do alvo era um pequeno pontinho na visão que tinha do local de onde estava.
- Uau, ele é realmente Prabhu. – Daisy, que tinha certo apego à boa mira, estava maravilhada com o que tinha visto, uma bala certeira, aplaudia, mas não era só ela, todos os treinados aplaudiam, mesmo que fosse desnecessário.
- Agora chega, parem de aplaudir, eu não fiz nada que vocês não consigam fazer. Porque agora são vocês que irão aprender a fazer assim, isso apenas um demonstração do quão precisa uma arma de fogo pode, e eu vou ensinar a vocês como atirar, e o melhor, vou ensinar a técnica secreta para atingir seu alvo com maior facilidade. – O treinador discursava, os soldados se mantinham em silêncio, apenas ouvindo. – Vocês devem estar se perguntando onde estão as armas, não é? Bem, esperem só um pouco. – Ele pegou seu celular dentro de um dos bolsos da parte superior do uniforme, embora geralmente o colocasse na cueca, já que sempre usava apenas uma sunga e uma cueca, e o aparato tivesse sempre um cheiro horrível, ligou para alguém e cancelou a chamada antes de falar qualquer coisa. – Ótimo, agora vamos de 50 em 50, meus amigos, vai ser assim, as armas estão em outra área do campo de treinamento, depois que os primeiros aprenderem a atirar, esses mesmos que aprenderem irão ensinar os outros que não aprenderem, mas claro, terão outros treinadores, mas e daí em diante, até que todos tenham aprendido. Entenderam? A capacidade do local onde vamos é de 100 pessoas, então nos organizaremos em vários locais nas diferentes etapas, treinarei em algumas, outras treinarão em outras, meus ajudantes que já estão nos esperando em outras, sempre de modo que se economize tempo e espaço. Não vai ser difícil aprender, desde que vocês consigam usar o meu segredinho. Agora os 50 primeiros de vocês, venham comigo, os outros, descansem ou façam o que quiserem. – Ele saiu caminhando, entrando na construção e atravessando um longo corredor, as pessoas que estavam mais próxima dele o seguiram, não foram exatamente 50 pessoas, foi um pouco mais, só que foram, em uma quantidade aceitavelmente maior. Ele os levou para o subsolo, lá estava Lewis e 2 militares comuns de patente média, mas isso não era importante, mas sim as dezenas de caixas com armas pequenas armas dentro para todo lado, além das caixas de munição, as armas da Aníbal S.A eram práticas e pequenas em tamanho, para permitir uma melhor portabilidade.
- Ótimo, isso vai demorar, cada um irá dar um tiro por vez. – O guru moveu com telecinese algumas das caixas que estavam em cima de outras, descendo-as mais à frente, revelando 4 alvos na parede, isso diminuiu o espaço livre no local onde poderia se andar, a menos que eles subissem nos enormes recipientes de madeira. – Obviamente vocês deverão tentar atirar o centro do alvo, sem passar das caixas. – Os alvos eram bem altos, tinha muitas caixas realmente lá, a maioria espalhada, mas outras uma sobre a outra, se a telecinese de Prabhu fosse comparada com a força de um homem, poderia se dizer que ele era um homem monstruosamente musculoso e forte, capaz de mover toneladas, não era com facilidade, mas conseguia sem problemas. Os soldados observavam como crianças curiosas, só que de pé e em posição de respeito, apenas esperando ordens, exceto Daisy, ela mordia suas longas unhas descoloridas, costumava pintá-las de vermelho, mas desde que aquela jornada contra Morten começara, não tinha tido mais tempo para isso, e muito menos paciência.
“Eu quero atirar, vai ser tão divertido, vou atirar em um monte de vampiros psíquicos, e vou estourar os miolos do Morten, ou não. Não seria melhor se acabássemos de uma vez com isso?”
- Pois bem, nós usaremos as minha técnica que garante que o tiro seja certeiro, prestem atenção quando eu ensinar, e façam igual nas suas oportunidades. – Ele socou uma caixa, que se quebrou, um monte de armas saiu de dentro dela, derramadas como água, já estavam todas carregadas, pegou uma na mão e se afastou mais dos alvos, esses eram menos que o do lado de fora, para aumentar a dificuldade do acerto à curta distância, e mirou, esticando os braços com a arma na altura dos olhos. – São dois segredos, primeiro vocês devem manter a arma à altura dos olhos, por isso, deverão esticar os braços, se não irão tampar sua visão, façam como eu faço. – Balançou um pouco os braços para chamar atenção quanto à posição em que deveriam estar. – Assim, a mira irá coincidir com sua visão, e vocês irão ter um tiro preciso, o problema são os ângulos, se a arma tiver um grau torto, por exemplo, a bala irá acertar bem longe do alvo desejado. Isso seria o básico, mas nós somos muito melhores que isso, devemos ser capazes de criar um facho de energia visível para mirar, devemos conseguir fazer ele sair de dentro da arma, para que o alvo da energia sempre coincida com o alvo da bala que irá será atirada. Será que vocês conseguem?
- Sim. – Alguns responderam, outros ficaram em silêncio, o tal silêncio poderia ser considerado como não.
- Pois bem, prestem atenção, quero que cada um consiga fazer seu próprio facho de energia visível tocar no teto, entenderam? Eu quero ver! Ah, também serve luminocinese, se forem capazes de criarem fachos de luz pura, também serve, mas acho que será mais difícil, isso que vocês farão tem a ver com luminocinese, mas não é a própria assim dita. Vou explicar, para tornar a energia possível, você deve concentrá-la e transformá-la, qualquer um de vocês deve ser capaz de criar um facho de energia reta, já que ela normalmente já vai em linha reta mesmo, mas para torná-la visível, você deve concentrar na melhor área possível, ou qualquer outra coisa. O fato é, vocês precisam fazer uma corrente reta visível que possa ser usada para indicar se a mira é certa, tendo isso, está ótimo, vocês podem usar luz, podem usar fachos de poeira de aerocinese, podem fachos escuros de umbrocinese, água de hidrocinese, podem usar o terceiro olho para poder ver a energia, o que é a opção mais confiável na minha opinião, qualquer coisa que quiserem mesmo, o que puderem usar para mirar, usem, se virem, pensem em como podem deixar sua energia visível, troquem idéias uns com os outros. E lembrem-se, ninguém sai daqui até fazer um facho de energia que eu possa ver.
- Terceiro olho é bom, não é, Cirus? – A cientista se virou para o marido, pensando se essa seria a opção mais fácil.
- Sim, pena que não dá pra eu fazer, não com esse corpo, eu vou usar um facho de eletricidade visível e fraca.
Parecia que todos concordavam com aquela idéia, todos já tinham aprendido a abrir o terceiro olho, mas poucos conseguiam mantê-lo permanentemente ou abri-lo facilmente, logo eles estavam no chão, em posição de meditação, concentrando energia na testa e abrindo o chakra.
“Assim nós vamos longe”. – Prabhu pensava, com um belo sorriso no rosto.
Na parte de cima, os soldados tentavam dormir no chão duro, mas logo acordaram com o barulho de uma coisa grande sendo arrastada, era uma caixa de 2 metros quadrados cheias de armas levada por 4 coronéis, 4 sargentos e 8 soldados.
- Olá cavalheiros, agora cada um de vocês terá um chance, os primeiros 50 vêm comigo. – Um dos coronéis abriu a caixa e tirou 4 armas de dentro dela, e foi andando para outro local, sendo seguido pelas pessoas indicadas.
- Agora me sigam os próximos. – O segundo coronel fez o mesmo, e foi em outra direção, os outros coronéis e os sargentos fizeram o mesmo, cada um seria responsável pelo treino de por volta de 50 soldados, mas ainda restavam os 8 soldados que tinham carregado as armas.
- Então amigos, a gente vai treinar aqui mesmo, preparem-se. – O soldado que tinha olhos puxados disse com um sorriso no rosto, pegou uma arma e atirou no alvo, não acertou o centro perfeitamente, mas metade do buraco foi na área desejada.
Podia-se ouvir o barulho de tiros em todo o campo de treinamento, estava bastante barulhento, mas nada que fosse ensurdecedor, cada área disponível era usada para treinar dezenas de soldados, ensiná-los a atirar. E o fato é que aquele treinamento não ocorria apenas nesse campo, em muitos outros espalhados, era ensinada a arte de atirar, e todos os treinos anteriores também, todos sincronizados na mesma altura. No começo de cada semana, no domingo, ele mandava uma mensagem de celular para o chefe de cada campo de treinamento em Umi, usando um sistema de envio automático desenvolvido por alguns cientistas, nessa mensagem, ele mostrava qual seria o conteúdo para o treino da semana, a programação para cada dia, que ele mesmo decidia e planejava. Sua opinião era extremamente respeitada, e qualquer militar responsável por treinar homens menos capacitados seguia o seu conteúdo, pois sabiam que funcionava perfeitamente, era tudo perfeitamente sincronizado, o que ocorria é que o que os outros líderes faziam não era tão eficaz, ninguém tinha a habilidade do grande mestre Prabhu Gandhon, nem pra treinar nem pra telecinese e controle de aura. Para algum homem ser líder de um campo de treinamento, desde que o guru chegou ao cargo no principal do continente, ele precisava ser treinado com o mestre, e aprender suas técnicas alternativas, quando aprendesse, poderia assumir, e passar as técnicas adiante. Nesse momento, muitas pessoas estavam atirando em todo o continente, dezenas de balas sendo gastas, muito pólvora usada, e toda a nação se preparando para a guerra iminente.
Amestris
- General, está tudo pronto para a reunião. – Juvenal guiava o chefe até o fim do corredor, abriu a última porta, que dava para uma sala pequenina com uma espécie de caixão de plástico, além de algumas vassouras. Ele abriu o caixão, cheio d’água, e sorriu. – Aqui senhor, não demorará menos de 1 minuto para sair, a temperatura está perfeita, e a quantidade de água também.
- Osten já está pronto?
- Certamente senhor, ele disse que já estaria aqui há 5 minutos atrás, e o senhor sabe, nós psyvamps sempre somos bastante pontuais.
- Ótimo, vigie meu caixão para que meu corpo seja mantido seguro, e lembre-se, estaremos vendo tudo lá do outro lado, se eu ver que vão tentar algo de errado, eu volto e faço quem tentar isso morrer dolorosamente. – Ele entrou no caixão, deitado, bem esticado, ficava apenas com parte do rosto fora d’água, na parte onde ele colocava a cabeça era ligeiramente mais elevada que as outras, mas realmente só um pouco. – Ah, e lembrem-se que vou querer minhas roupas secas depois disso. – Fechou os olhos, nem mesmo tirou suas vestes de general, que ficaram totalmente molhadas.
- Sim senhor. – Juvenal fechou o caixão, aquele estranho recipiente era usado para facilitar a projeção astral, a água relaxava o corpo e ao mesmo tempo impedia que ele adormecesse realmente, exatamente o que ele precisava para alcançar uma projeção astral sem a necessidade de gastar tempo e concentração.
Menos de 1 minutos depois, Morten sentiu que estava flutuando, e viu Osten na sua frente, flutuando também, ainda estava na pequena sala, mas não estava mais dentro seu corpo, sua forma astral era totalmente semelhante ao corpo, exceto pela ausência de máscara.
- Pai, tenho notícias. Primeiramente, o imbecil do Archie morreu, e a Pandora também, a expedição de infiltração em Sogen foi um total fracasso. – A feição do jovem era extremamente arrogante, como se sentisse nojo em dizer o nome da irmã.
- Me dê os detalhes.
- Pai Daemon, como sou capaz de, quando em projeção astral, ir instantaneamente a qualquer pessoa que não esteja em uma área protegida contra corpos astrais e que eu possa mentalizar, fui até pandora. E adivinha? Ela estava no fundo do mar, morta, o corpo astral dela ainda tinha algum sinal de existência, o senhor sabe, quando a pessoa morre, o corpo astral continua existindo por um curto período de tempo e some aos poucos até não restar nada. Quanto ao Archie, não achei nem sinal dele, mataram de vez, e foi alguém muito competente, porque não tinha nem rastro mesmo. Eu não sei o que aconteceu, mas tenho certeza de quem matou eles não era qualquer um, mas sim um especialista com conhecimento sobre o plano astral.
- Caso contrário não teria conseguido matar o Archie.
- Exatamente. Quer conferir o senhor mesmo?
- Não, não me importam mais aqueles dois, se estão mortos, estão. Estou começando a achar que será difícil vencer essa guerra, mesmo com o treinamento excelente que faço com esse meu povo, eles têm as armas de fogo, e têm controle sobre o plano astral, achava que esses TKs tradicionais não sabiam nada disso, será um grande problema para nós, vampiros psíquicos. Aliás, não achou Venom?
- Não, nem sinal dela. Bem, eles têm Prabhu. Será que foi Prabhu que matou o Archie e a Pandora?
- É possível, mas é mais provável que tenha sido o Aníbal. – Ao mesmo tempo que falava, vigiava o corpo físico, para garantir que estaria em segurança
- Mas é claro! Com a eletrocinese magnética dos Ruschi, isso não deveria ser difícil, ele pode ter brincado com o nosso homem de lata com a maior facilidade, feito ele em pedaços até a mente ser destruída, e ainda ter feito qualquer coisa que ele quisesse com os restos.
- Se eles sabem como se destrói uma criatura não vivente com uma mente humana dentro, é porque eles realmente são avançados, transferência de mente é uma das habilidades mais avançadas dentro do psionismo em geral, o Archie nem era o caso de verdade, era uma experiência que não deu certo. Nesse ritmo, tenho quase certeza de que já sabem como combater o vampirismo psíquico, nós temos que ter um às na manga, algo que possa acabar com eles sem a necessidade de uma grande utilidade de força bruta, como em nosso comuns métodos de enxágüe psíquico.
- E tem alguma idéia de um ás na manga que possa funcionar pra vencer essa guerra?
- Você, Osten, o maior gênio no vampirismo psíquico que já tive o prazer de conhecer, com sua grande habilidade em projeção astral, talvez possa conseguir alguma coisa com um método “ariano”. Você sabe, enquanto em projeção, visitar as pessoa em sonho, enganar, mentir, convencer, mexer do lado de dentro para destruir todo o resto.
- Quer dizer, entrar na mente de Ferraço e dizer pra ele perder a guerra, por exemplo?
- Talvez, pode ser essa a estratégia que tentaremos.
- Não pode ser isso, o senhor não faria um plano tão fraco, sabe que as chances deles acreditarem e uma aparição e disso ser decisivo para a guerra são praticamente nulas. E de qualquer modo, os homens que nos interessam estão em zona protegida.
- Não é só isso. Não vê? O potencial da projeção astral nessa guerra? Não é para tentar enganar Ferraço, é para enganar o povo, compreende? Se muitas pessoas começarem a ter sonhos em que um homem diz a eles que Morten não é o que dizem, que Ferraço é mau, o homem que é tão mau que as pessoas nem mesmo chegam a saber do mal que ele faz, que Morten na verdade é um libertador, e que todas as informações ruins sobre ele que chegam ao continente são manipuladas pelo tirânico ditador deles. Com uma projeção astral, você pode mostrar coisas, imagens manipuladas, pode mostrar como o general tortura quem critica seu governo, como ele reprime a liberdade de expressão, como ele sodomiza crianças para punir aos pais que não o obedecem. Pode mostrar-me curando pessoas, matando bandidos sem nenhuma crueldade, pregando sobre a paz, você pode mostrar tudo que quiser, e tenho certeza de que muitos, muitos acreditarão. E claro, para deixar mais convincente, tome a forma da pessoa mais confiável da história: Drachen.
- Agora sim, pai, é genial. Mas sabe o trabalho que dá para conseguir uma manifestação em sonho por projeção astral? Não é fácil não, e para eu ir de pessoa em pessoa até conseguir um número considerável iria demorar anos, isso tem que ser melhorado, eu não posso fazer isso sozinho.
- Claro que não pode, por isso eu estou treinando, aqui em Sogen Sul, uma tropa especial para projeção astral. – Pegou na mão do filho, mesmo estando no plano astral, totalmente desligado do mundo físico. – Eu te mostrarei. – Se concentrou no local a que se referia, e logo os dois estavam em um enorme campo aberto de grama baixa, cheio de caixões iguais ao que o general tinha usado para projeção astral, devia haver uns 200 daqueles, e apenas um homem vigiava todos os caixões no plano físico.
- Impressionante. Onde estão eles? – Osten estranhava que em um local com tantos corpos de pessoas se projetando, não tivesse um único corpo astral visível.
- Estão em Umi, eles estão sendo treinados pelo bom Anders, mas ele não é tão bom quanto você, quero que você treine esta tropa, mostre como sair do corpo rapidamente sem o uso dos caixões d’água, como ir instantaneamente até uma pessoa ou seu corpo astral, como ir para um lugar qualquer mentalizado, como criar imagens de energia, ilusões, sons, como transformar o corpo astral, mostre tudo, ensine tudo que você sabe, nossa vitória depende disso. – Quando ele terminou de falar, os dois estavam em Bather, em uma zona comercial, onde muitas pessoas faziam compras, e muitos corpos astrais vagavam de um lado pro outro, incluindo Anders.
- Muito bem, filho, trouxe-nos para onde Anders está?
- Exatamente.
Percebendo a chegada dos generais de Sogen Sul e Norte, os vampiros psíquicos em projeção astral se organizam rapidamente, formando gigantescas fileiras, Anders foi o único que não se posicionou, apenas se aproximou dos chefes.
- Mestre Morten, já é a hora do jovem assumir? – Ele já sabia o que aconteceria.
- Sim. Mas você não está dispensado, acho que ele tem muito para te ensinar também, se junte aos outros, voltarei ao mesmo corpo. – Se virou para Osten. – Faça um bom trabalho, lembre-se que o futuro dos psyvamps depende de você, de como irá treinar esses homens, e não se esqueça do plano, organize os ataques direito, garanta que não haverá mais de um sonho pra cada pessoa, e pra que os sonhos sejam espalhados por várias áreas do continente de Umi, de modo que seja convincente para todos o que você tentará dizer. – Morten desapareceu, volto para o seu corpo, deixando os outros lá, para treinarem com seu filho. Osten ficou parado por um tempo, olhando, mas logo tomou a forma de Drachen, um homem alto, forte, de cabelos longos e brancos, e olhos cinzas de expressão bondosa, se virou para todos os outros e gritou severamente:
- O que estão esperando? Tentem mudar sua aparência e ficar que nem Drachen, esse é o primeiro treino!
Eles ainda treinariam demais naquele dia, e o treino feito pelo jovem general, era do tipo que fazia a palavra “duro” parecer mole, em compensação, os resultados eram surpreendentes.
O caixão de plástico se abriu, Morten saiu de dentro, todo molhado, levantado, pingava água, apenas a máscara estava intacta, por ser impermeável.
- Chefe, como foi? – Juvenal perguntou ao ver o superior de pé na sua frente, não deixava de ser estranho ver um homem daquela patente com as roupas naquele estado, parecia que tinha levado um banho de chuva, mas era apenas um detalhe.
- Foi excelente, agora vamos cuidar daquele assunto. – Saiu andando, o coronel foi seguindo, ambos davam passos largos e longos. Ainda dentro do quartel foram até o subsolo, lá em baixo dava para se ouvir alguns gritos, mas pareciam ser feitos por uma única pessoa, mas fosse quem fosse, sabia gritar alto como ninguém. O general foi até uma sala com a porta meio aberta, a abriu completamente, havia três homens de pé liberando energia em um único, preso a uma maca com alças de ferro nos membros, no tronco e no pescoço, gritava sem parar, ele estava nu e sem nenhum ferimento, mas não era isso que sua voz desesperada demonstra. Quando viram o chefe chegando, os homens se curvaram e um deles disse:
- Mestre Morten, que bom vê-lo aqui, ainda não descobrimos nada dele, não conseguimos abrir a mente, fazê-lo confessar, e nem mesmo fazer lavagem cerebral.
- Estão usando a tortura com energia? – O general olhava sério, o torturado suava frio, mas não demonstrava que iria ceder ao que queriam.
- Sim. – O mesmo homem respondeu, com a expressão um pouco decepcionada.
- Chefe, o que está acontecendo aqui? – Juvenal não tinha conhecimento do que estava acontecendo, mas era totalmente visível que era algo importante.
- Eu explicarei. – Morten se sentou na barriga do homem preso, que gritou bem alto um xingamento qualquer, o vampiro apertou com as mãos um lugar entre a orelha e o pescoço do prisioneiro, que desmaiou na hora, assim, ele ficaria calado e não atrapalharia sua explicação. – Assim está melhor, Juvenal, o que acontece é que este homem aqui é um sobrevivente, e ele será muito útil para nós quando nos contar seus segredos.
- Sobrevivente de que?
- O nome dele é Tom Maier, ele escreveu o livro “O Homem do Boneco”, mas o mais correto seria chamá-lo de Tom Drachen, ele é um neto bastardo de Varg Drachen, o pai de Arius Drachen.
- Peraí, você está querendo dizer que ele é sobrinho do Arius? – Era inacreditável.
- Exatamente, ele tem aquele sangue sujo nas veias, e pode ser muito útil para nós, se conhecermos as armas de nossos mais poderosos inimigos históricos, não haverá o mínimo de dificuldade para massacrar um exército qualquer, como o do general Ferraço.
- Como o senhor conseguiu descobrir que ele era um Drachen?
- Foi muita sorte, quando Arius me atacou, na luta contra Will, pude sentir sua energia, não tem como esquecer, um vampiro psíquico avançado como eu tem bastante sensibilidade à energia. Quando estávamos fazendo lavagens cerebrais em massa, eles me trouxeram este aqui, eles não conseguiram lavar cerebralmente ele, e muito menos fazer ele se subordinar, acharam que poderia ser do meu interesse ver vivo alguém que cuja mente era imune a nossas técnicas. Também disseram que deu muito trabalho capturá-lo, e que a telecinésia dele era realmente impressionante, era capaz de fazer os corpos dos vampiros voarem como bolas de tênis, mas conseguiram pegá-lo por estarem em maior número, drenando a energia dele até um estado de quase morte, essa foi a tentativa de lavagem cerebral, aí doaram a energia manipulada para obter controle sobre a mente dele, mas ele apenas despertou e voltou a lutar contra eles, dois morreram, mas eles fizeram ele cair de novo, e levaram para mim, aqui, na sala de tortura subterrânea. Foi aqui que senti a energia dele, era parecida com a de Arius e de Will, foi quando percebi que ele era um maldito Drachen, eu tentei a lavagem nele por mim mesmo, mas também não funcionou, não consegui tirar nenhuma informação da mente dele com nenhuma de nossas técnicas mentais, é como se qualquer informação na mente dele fosse codificada para apenas ele entender. Nós só conseguimos descobrir o nome dele, indo em um cartório e conferindo as fotos, já que ele mesmo não confessava nem isso, mesmo que o torturássemos, queríamos segredos de família, segredos que apenas um Drachen vivo nas minhas mãos pudesse contar. Acabamos descobrindo que ele era o escritor do livro “O Homem do Boneco”, o que fazia total sentido, um Drachen escrevendo sobre transferência de mente, era realmente muita sorte, poderíamos fazer ele contar os segredos das técnicas de família e ainda como funcionaria a transferência de mente. O único problema é que já fizemos todo tipo de barbaridade com ele, e ele não abre a boca.
- Estão o torturando 24 horas por dia desde o dia em que o capturaram? Como pode saber que ele é neto do Varg? Por que não pode ser filho de Arius ou qualquer outro Drachen?
- Não, primeiro tentamos fazer lavagem cerebral pra que ele nos contasse de bom grado, mas após todas as falhas, começamos a torturar, aí sim, 24 por dia todos os dias, todas as horas, com soldados revezando suas posições de torturados, o alimentamos com energia doada para garantir a não morte, mas ele nem sem quer demonstrar pensar em desistir. Se ele fosse filho da Das Extremer, ele não estaria solto por aí. Você não viu Will? Ele estava sob o controle do pai, eu suponho que ele seja descendente de Varg, porque o cartório constava alguns dados da vida pessoal dele, tinha pai e mãe, que morreram de velhice, e os avôs eram originários de Umi, mas se mudaram pra cá, a avó já trabalhou como prostituta. Só juntar as peças, uma das poucas coisas que se sabe sobre Varg Drachen é que ele era dono de um prostíbulo, se a avó do Tom era uma vadia de Umi, e o Tom é um Drachen, ela só pode ter sido engravidada pelo Varg, muito simples.
- É impressionante como o sistema de imigração aqui em Sogen é bem feito, mas também, quando alguém quer entrar no país, tem que responder às perguntas com sinceridade, porque os entrevistadores treinados sabem identificar o que é mentira e o que é verdade com suas telepáticas. Mas se ele é um Drachen, como fizeram para garantir que ele não consiga facilmente escapar usando telecinese? – Juvenal ainda parecia surpreendido com a história. Como um homem poderia agüentar tanto sofrimento tão bravamente?
- Casulo de energia, claro, eu mesmo tratei de prendê-lo em um casulo de energia, o mesmo método que serve para prender permanentemente um vampiro psíquico também serve para acabar com um irritante TK. Mas você com certeza sabe que não te trouxe aqui apenas para mostrar, eu quero que você ajude. – O general foi até o canto da sala, onde havia um pequeno armário, o abriu, tinha algumas ferramentas de tortura bem pequeninas e um exemplar do livro “O Homem do Boneco”, ele abriu na página 9 e leu em voz alta:
- “Um ser humano é formado de corpo, mente e alma, muitos dão nomes diferentes a esses componentes, mas é basicamente isso, se você souber o conceito de cada um, você saberá compreender mesmo que outros nomes sejam usados:
Corpo físico: É o seu corpo de carne e osso, é sua parte física, que se move, pode ser tocada, e é comanda pela mente.
Mente: É formada por toda a informação que você tem, sua inteligência, sua personalidade, sua parte racional e funcional, ela que comanda o corpo e a alma, ela é o seu núcleo, a parte mais importante do ser humano, é capaz de gerar imagens, sons, palavras, idéias, é criativa, e permite uma infinidade de funções, incluindo o psionismo. É uma parte não física do humano.
Alma/Corpo astral: Seria como se fosse o coração da parte não física, ela não é inteligente, ela não pensa, a alma nada mais é que sua existência, ela não possui memória, conhecimento ou personalidade, apenas é o que faz com que você exista, e também, é o que liga sua mente ao corpo, se sua alma se desliga do corpo, sua mente também se desliga, e se ela se liga a outro corpo, a mente também se liga.” Sabe o que eu quis dizer lendo tudo isso?
- Sim chefe, eu sei, se queremos descobrir o segredo da transferência de mente, temos que ter controle sobre a projeção astral, que exterioriza a nossa alma. Mas se o senhor leu o livro todo, por que ainda precisa da ajuda do autor vivo?
- Eu li, você não leu, veja, esse livro não ensina realmente como transferir sua mente, ensina os princípios, o funcionamento, mas não diz que é possível para pessoas comuns, nós não somos comuns, mas nosso dom não tem nada a ver com isso. Se quisermos fazer isso, precisamos que o Drachen aqui colabore, seja contando alguma coisa, sendo abrindo a mente dele ou qualquer coisa possível.
- Se quer minha ajuda. Acho que o sangue dele literalmente tem ligação com as habilidades de Drachen, se roubássemos o sangue dele e injetássemos nos nossos, quem sabe, pudesse gerar algum resultado.
- Misturar sangue Drachen com sangue Daemon? Isso é grotesco. – Morten olhou com nojo, suas sobrancelhas pareciam as de um homem com raiva, mas logo sua expressão ficou feliz, como a de um maníaco feliz. – É uma idéia interessante, como você teve a idéia, você será o primeiro a ter o privilégio de se tornar um “Cordeiro Lobo”.
- Sim senhor. – O coronel sentiu seu coração gelar, era corajoso, mas aquela experiência era insana, tinha sugerido como algo totalmente experimental, mas seria experimentado nele, se não desse certo ele com certeza morreria, e ele tinha certeza de que não daria certo, pelo menos não da primeira vez.
- Ahahaha, eu sou a melhor. – Daisy acertou o centro do alvo no seu primeiro tiro, ela foi uma das últimas a pegaram em uma das armas, mas teve uma precisão impressionante no disparo, muito animada, chegava a saltar, estavam a uma bela distância do alvo, mas não tanto quanto o que Prabhu havia atingido, senão a dificuldade seria exagerada para os iniciantes.
- Ótimo. Próximo. – O supervisor daquele grupo em treino não dava a mínima para a felicidades de quem era treinado, tinham que ser rápido, Daisy voltou para o final da fila, e o próximo, Cirus foi atirar, segurou a arma direitinho, disparou, mas foi longe de acertar, atingiu o último círculo, o mais distante do centro.
- Que merda. – Reclamou decepcionado com a mira, e foi pro final da fila, o supervisor nem teve que falar “próximo”, mas mesmo assim falou:
- Péssimo. Próximo.
19/06/1915, Zandor
- Essa coisa não morre, o que é isso? Como uma cobra pode ser tão grande? – O homem era um pescador, tinha visto 4 amigos serem mortos, atacavam Venom com paus, facas, ferros, pyrocinese, hydrocinese, aerocinese, aquela criatura atingia qualquer um que se aproximasse, alguns foram engolidos, eram cenas de terror extremo, um ser que era capaz de engolir pessoas como se fossem ratos, e continuar se movendo, rapidamente, atacando, e sobrevivendo a todos os ataques. Era como se fosse feito de aço, de blindagem, um ser vivo indestrutível, não estava certo aquilo, não era normal, quando estava com Will, ele já era extremamente resistente, mas não daquele jeito, mesmo sendo uma incrível abominação criada por mãos humanas, manipulada geneticamente.
- Ora Venom, é incrível, como um animal pode ter aprendido a arte do vampirismo psíquico? – Morten doava energia para a serpente, imóvel e enrolada na sala do general, em um espaço livre em que ainda sim ficava apertada. – Estou colocando em você,parte de minha mente, a arma suprema, é você, uma criatura monstruosamente gigantesca, com uma pele incrivelmente rígida, uma força descomunal já que nem é uma humana, a capacidade de literalmente absorver seus oponentes, e o que com o vampirismo psíquico, você será indestrutível, poderá regenerar os danos poderá entrar no continente por de dentro de água, agora que te transferi parte de mim, você terá parte de meu talento para o vampirismo psíquico, e ainda tem a vantagem de ser maior e ter mais superfície corporal para drenar energia.
- Não, não, por favor, não. – O homem encurralado já estava entre as rochas de Zandor, não havia para onde ir, preso em uma pequena abertura entre as pedras, a gigantesca criatura se aproximava rapidamente, com a boca descomunal aberta, ele podia sentir o cheiro de sua própria morte, enquanto o coração batia como um boxeador enfurecido, ele usava toda a habilidade que havia adquirido em anos de treinamento de telecinese, a cryocinese capaz de solidificar a água no ar e transformá-la em armas de gelos, uma chuva de lâminas de gelo, mas ele não tinha força o bastante para atravessar a pele da criatura, sua esperança se desvaneceu assim como a espuma das ondas no mar se desfaziam ao tocar na areia. O último grito do último sobrevivente daquele vilarejo praieiro foi certamente o mais alto de todos. De fato não havia saída, havia uma escada de cordas que permitia que as pessoas da praia saíssem, ou as pessoas de fora entrassem, se comunicassem com o resto do continente sem ter que utilizar o mar, mas ela foi arrancada pela cobra quando um homem tentou fugir a subindo, a criatura puxou, rasgou as cordas, e ainda fez um grande rachadura na rocha, assim, ninguém mais poderia sequer tentar escapar.
A criatura procurou um modo de subir as pedras, suas incomuns habilidades em biocinese obtidas com a manipulação genética feita por seu “criador”, Will, permitiam que ele rapidamente digerisse qualquer coisa que comesse, isso não havia funcionado com Archie, mas ele era uma infeliz exceção, esses materiais digeridos eram reduzidos a uma massinha extremamente rala, ou à puro líquido, na maioria das vezes, coisas que podia ser facilmente excretadas a partir de vômitos, o que explicava toda aquela gosma repugnante por toda a praia, cujo odor impregnava o ar.
- Alô? – O delegado Alceu atendeu ao seu telefone celular, enquanto assistia a alguns soldados sendo treinados no uso de armas de fogo, o que ouviu quando foi respondido o assustou:
- Alô, alô, tem uma cobra gigante aqui, ela comeu todo mundo na praia, aqui na praia, ela tá tentando subir nas rochas, tá dando pra derrubar, mas não tem como matar, parece que ela é feita de aço. – Ele estava em cima dos rochedos, a serpente tentava subir, mas não conseguia, não tinha escada, não tinha nada, e além de tudo, dois homens do lado do que ligava ao general atiravam lâminas de gelo e correntes fortes de vento contra o animal, praticantes de cryocinese e aerocinese, mas o couro dele era grosso demais pra ser atravessado por meras lâminas de gelo.
- Uma cobra? É sério isso?
- Eu pareço estar brincando, essa merda tá na praia, ela não tá conseguindo subir, mas se subir, nós já éramos, o povo lá em baixo todo morreu. – Ele gritou, sua voz parecia totalmente assustada, realmente não parecia o tipo de pessoa que está brincando.
- Uma cobra, o que fazer com ela? Você acha que ela consegue subir em quanto tempo?
- Não sei, não sei, mas ela vai conseguir se pararmos de atacar, disso tenho certeza.
- Com o que estão atacando?
- Ataques combinados de ar e gelo pra derrubar, como é difícil escalar as rochas, eles servem pra derrubar essa coisa, mas não tá fácil, não tá nada fácil, por favor, vem pra cá.
- Estarei indo, e levarei alguns homens. – O delegado bateu o telefone, se levantou na sua sala e gritou bem alto. – Vamos, Valença, Elba, pra praia agora, tem uma coisa estranha acontecendo lá. Agora!
O delegado Alceu era um homem de 1,73 de altura, gordo, de olhos puxados e cabelo longo e cacheado, formando conchinhas castanhas. Era um homem forte, conseguiu o cargo de delegado enquanto era um mero soldado, e descobriu um esquema de corrupção do delegado atual de sua cidade, foi capaz de investigar o homem, provar sua culpa, e matá-lo em um combate, o respeito que conseguiu por desmascarar e matar o militar desonesto foi o bastante para ficar com seu posto, era um habilidoso hidrocinético, capaz de remover água da atmosfera e criar vários objetos de gelo, ondas, solidificar coisas e pessoas, mas ainda com várias limitações. Ele e mais dois policiais especialmente selecionados, um praticante de eletrocinese, e outro de telecinese pura, que utilizava duas facas no bolso para usar como arma a ser lançada pela própria energia. O continente estava em treinamento, mas não podia deixar de haver segurança em cada cidade, por isso, os delegados eram treinados em suas delegacias, cada cidade tinha uma delegacia, e cada delegacia teria que ter pelo menos três policiais em ação, incluindo o delegado, aqueles três eram os responsáveis pela vigilância da cidade inteira, aquele período de guerra era ótimo para os bandidos, já que a maioria dos policiais eram mandados para os campos de treinamento, isso poderia ser considerado um erro, pois a mesma facilidade que criminosos teriam, invasores vindos de Sogen também teriam.
- Rápido. – O homem que fez o telefonema gritou bem alto, ao ver os três policiais que chegavam em uma carruagem, ele lançava fogo contra a criatura, em rajadas não muito grandes. Os oficiais logo saíram, o cavalo parou na hora, embora tenha ainda dado 4 passos e chegado bem perto das pedras que levavam à grande queda, à praia, a cidade ficava acima das rochas, acima da praia, que ficava abaixo do precipício, sem escadas, se tornava praticamente inacessível. Alceu se apoiou na última pedra, um passo a mais e cairia no precipício e disse algumas palavras tentando acalmar os civis, Venom mordia as o rochedo e usava a cauda como alavanca, tentando escalar, usando os dentes como se fosse uma picareta, e realmente eram tão duros quanto uma, a praia estava cheia daquela gosma nojenta, resultado da estranha digestão do monstro, o cheiro era péssimo, mas odores seriam as últimas coisas em que os policiais ali prestariam atenção. O delegado se concentrou a muitos metros, no mar, podia sentir as ondas que batiam na praia como se tocassem em seu corpo, e fizesse parte dele, puxou a água com sua hidrocinese, lançando uma grande onda sobre a praia, cobrindo parte dela, e caiu sobre a cobra, que e foi arrastada, mas usou o atrito da areia para evitar ser lançada no mar, quando as águas deixaram a praia, a serpente estava congelada, naturalmente o ar naquela praia era bem úmido, o que ajudava na hidrocinese e criocinese. A gosma foi lançada no oceano com a onda, deixando a praia relativamente, mas o mau cheiro permanecia intacto, talvez viesse da própria cobra, e não de seus desejos.
- Pronto. – Alceu sorriu, passando a mão na testa aliviado, mas logo sua expressão mudou para a de desespero, quando viu que o gelo que envolvia a serpente rapidamente derretia.
- Ele vai voltar, esse desgraçado. – O homem que ligou disse o óbvio, suas pernas já estavam bambas de tanto medo, era um homem oriental moreno de meia idade, careca, com várias rugas e um corpo bastante musculoso, suava bastante, o sol brilhava bem quente naquele dia.
- Jó, eletrocute. – O delegado deu um tapinha nas costas do policial mais alto, que tinha cabelos dourados como os raios de sol, praticante de eletrocinese, o outro, especializado em telecinese, era careca, ambos eram mulatos de pele.
- Sim senhor. – O homem chamado Jó esfregou as mãos, gerando algumas faíscas e um som de eletricidade, logo esticou a mão direita, e atirou uma forte e contínua descarga elétrica, era como um pequeno relâmpago, que atingia o bloco de gelo que envolvia a cobra, que derretia rapidamente, o choque parecia não fazer diferença na velocidade com o qual o gelo derretia, mas era estranho que derretesse tão rápido, mesmo em uma praia, tanto que logo a serpente já estava livre, mas não se moveu, estava na mira do choque.
- Por que ela não morre? Como ela derreteu o gelo? – Alceu perguntava a si mesmo em voz alta, enquanto moldava lâminas de gelo, movendo as mãos e retirando água da atmosfera.
- Não sei, temos que atacar juntos. – O homem de idade gritou, não demonstrava mais auto-controle, a visão de Venom, aquele réptil colossal, indestrutível e antropófago era absolutamente perturbadora, parecia a cena de algum livro de terror de Samantha Abschteulich, um monstro impiedoso e indestrutível, a pior combinação possível para qualquer monstro.
- Espere, já sei, vamos jogar essa coisa no mar, eu jogo a onda, você eletrocutada a água. – Deu um tapa no ombro de Jó. – E você empurra com eletrocinese. – Cutucou a cabeça do outro militar, o careca, ambos acenaram que sim com a cabeça.
Os civis trocavam palavras de preocupação, não se intrometiam o plano do militar, porém permaneciam ali, cada um deles ainda achava que poderia ser útil de algum modo, principalmente se os policiais falhassem. Alceu concentrou-se com toda a energia que tinha e puxou uma gigantesca onda no mar, que acertou a serpente, que novamente tentava subir os rochedos, Jó atirou um raio de eletricidade na água, a serpente podia sentir uma dor profunda, mas mesmo sendo torrada viva, regenerava os danos sem muita dificuldade, até que foi jogada no mar, tentou usar a areia como freio novamente, mas dessa vez, além de enfraquecida pelo violento choque, foi empurrada por alguma coisa invisível, a telecinese do policial de cabeça pelada, logo, afundou no mar.
- Chefe, ela vai voltar. – O loiro pisou forte no chão, sem deixar de eletrocutar a água, a intensidade da descarga aumento discretamente, o corpo dele tremia com o esforço que tinha que fazer.
Venom saiu da água, com a boca bem aberta, parecia bravo, faminto, o delegado fez um movimento com as mãos, em forma de arco, dando um grito bem alto “Agora!”, atirou um abundante jato de água dentro da boca do monstro, rapidamente, o bastante para encher seu corpo todo, água tirada do mar, um movimento muito habilidoso, e congelou o líquido no interior dele, isso já foi mais difícil, sentia dor de cabeça e suava muito, mais podia ver que o corpo da criatura começava a se dilatar, e ela não mais se movia, controlar aquela quantidade de água exigia uma grande sincronia com o mar, ele tinha que realmente sentir o mar como se fosse parte de seu corpo, uma extensão, um pedaço seu, mas mesmo tendo esse controle, não era fácil ter energia o bastante até mesmo para simplesmente manter o movimento de hidrocinese. A água é o material que ao se tornar sólido, ao invés de perder volume, ganha, e fica maior, como Venom já estava cheio de água, e ela ainda foi congelada, sua pressão interna estava altíssima, era como uma bomba prestes a explodir, não podia se mover, estava sentindo muita dor, antes que pudesse fazer alguma coisa, o policial fez com que o gelo dentro da serpente fizesse algumas formas pontudas, nessa altura, a criatura se rasgou por dentro, e partiu ao meio, morrendo na hora, em uma explosão que lançou vários pedaços de gelo, muita água, sangue e suco gástrico para todos os lados. A carcaça aberta daquela coisa era uma visão a se admirar, gigantesca, grandiosa, temível, e morta, a quantidade de fluídos que saíram de dentro daquela coisa era absurda, inundando parte da praia, e impregnando ainda mais com o terrível odor. Vendo que ela estava morta, todo o grupo começou a comemorar, entre pulos, abraços, cumprimentos ao delegado, mas ele caiu no chão, desmaiado, como se tivesse tido sua energia esvaziada, e não tivesse mais forças para se manter de pé, os outros não tiveram outra reação além de ajudá-lo, aquele herói que matou a grande cobra negra indestrutível.
Madrugada 20/06/1915, Cidade do Cobre, Umi.
- Muito bem garotos, não esperava que fossem aprender tão rápido, mesmo sendo tão fácil. – A criatura astral com a aparência de Alexiel Drachen flutuava sobre a cidade, seguido por uma tropa de lobos que saltavam sobre o nada, algumas luzes ainda estavam ligadas, de pessoas que quase nunca dormiam, mas a maioria estava imersa na escuridão, no céu, a lua minguante brilhava fraca, e muitas estrelas complementavam sua decadente beleza. – Agora mostrarei como se entra em um sonho, tentem vir comigo, e tenham certeza de que estão mantendo a aparência de lobo, é a única coisa que tornaria a aparição de Drachen mais convincente. – Olhou para trás, atravessando o teto de uma grande casa, não caberia todos ali dentro, mas todos entraram, ficaram amontoados, felizmente, para criaturas astrais, espaço não era problema. Era um quarto de criança, uma garota de uns 6 anos, de olhos puxados e cabelo castanho, “Drachen” colocou sua mão sobre a testa da garotinha, que no momento, deu um movimento brusco com o corpo, como se sentisse um arrepio. – Agora, meus amigos, eu estou imaginando que estou abrindo um portal para a mente dela, e que estou entrando nela, eu não poderei fazer nada contra ela, mas poderei falar e gerar imagens. – Disse, enquanto uma pequena luz se abria na sua frente, fazendo com que na hora, sumisse.
Era um local escuro, absolutamente escuro, a garota vagava no vazio, sabia que era um sonho, mas se sentia incomodada, era um sonho estranho, não é normal que um sonho não tenha nada além da própria pessoa. Ela andou, perdida, até encontrar um homem alto de cabelos brancos e olhos cinzas, ele a olhava com ternura, e quando abriu a boca, sua voz demonstrava a pura bondade.
- Eu sou Drachen, estou aqui porque preciso que todos saibam da verdade.
- Drachen? Alexiel Drachen? O cara que o papai adora? – Ela não era uma grande apreciadora de história, mas claro que sabia quem era Drachen, todos sabiam.
- Sim, o Drachen que manteve o mundo em paz por anos. Eu preciso revelar que a verdade sobre o tirano Ferraço Ferraz, e a verdade sobre o bondoso general Morten. Escute tudo com atenção, e não vá se esquecer quando acordar, conte para seus pais, conte para todos, esse continente precisava saber da verdade. Ferraço parece um bom general porque ele mata quem discorda, ele mata qualquer pessoa que se opõe ao seu governo, ele comete atrocidades para o próprio deleite em áreas reservadas ou afastadas, ele desvia a maior parte do dinheiro arrecado com impostos para consumo próprio, e o pior, ele manipula totalmente a imprensa e a opinião pública, e ninguém fica sabendo de nada, o general Morten de Sogen apenas declarou guerra porque sabe do que está acontecendo aqui, e quer libertar este continente da tirania, mas o cruel Ferraço mente e diz que o general de Sogen é um ditador, sendo que na verdade ele apenas luta pela igualdade entre as raças, querendo a paz entre pessoas normais e vampiros.
- Senhor Drachen, eu não entendi nada que você disse. – A garota era muita nova para compreender perfeitamente o que ele dizia, mal entendia o sistema de arrecadação de impostos.
- Mas diga a eles que Drachen esteve aqui, e que ele avisou que o General Ferraço é um monstro. Isso você poderia dizer? – Ele sorriu agradavelmente.
- Sim. – A menina também sorriu, mas nesse momento, se viu no corpo, acordada, ansiosa, correu para o quarto dos pais, antes que se esquecesse do que sonhou, entrou gritando:
- Pai, mãe, Drachen veio me visitar e falar que o general Ferraço é um monstro! – Ela falou com a maior naturalidade, não entendia o que estava acontecendo, não fazia idéia do que estava acontecendo, os pais acordaram na hora, mas nem entenderam o que a filha estava falando.
- O que? Clô? Que é? – A mãe coçava os olhos.
- Drachen veio no meu sonho e disse pra eu falar pra todo mundo que o general Ferraço é um monstro!
- O que? Drachen? – O pai que perguntou dessa vez, as pupila chega se dilatou, era um milagre, mas era assustador, inacreditável, absurdo, a mãe estava no mesmo estado, achavam testemunhar um milagre, mas podia ser perigoso, pelo menos eles achavam que podia ser.
- Sim, era um homem grande de cabelo branco, o olho dele era cinza, era muito estranho, ele disse que era Drachen, e que Ferraço é um monstro, e um monte de outras coisas, só lembro disso.
- Era Drachen mesmo. Como é possível? – Ele se virou para a esposa, nervoso, mas acreditando que sua filha ia ter um destino grandioso, afinal, ela tinha sido a mensageira de Drachen.
- Não sei, mas o mundo precisa saber do que Ferraço é, se Drachen falou, então é verdade. – O Drachenismo podia não ser uma religião deísta, mas qualquer Drachenista que se encontrasse com o herói histórico iria confiar nele, por ser considerado um verdadeiro sábio, e sabendo dos poderes surpreendentes que o homem tinha, não era realmente dubitável que ele poderia ter se mantido vivo durante todos esses séculos e agora aparecesse em sonho.
- É, eles caíram direitinho. – Osten observava na sua forma astral no mesmo quarto em que se encontrava a família escolhida, os seus lobos estavam acima do teto, não queria que suas presenças fossem sentidas, apenas a dele, embora corpos astrais sejam invisíveis, é possível sentir suas presenças, às vezes realmente vê-los, mas em qualquer caso, seria impossível que a presença de 200 corpos astrais em um único quarto não fosse sentida por uma pessoa. Ele voou para fora novamente. – Incompetentes, não conseguiram entrar no sonho dela, não é? O tempo foi pouco, mas agora vocês terão outra chance, se organizem em fila indiana. – Dizia com um tom autoritário, os espíritos flutuantes se organizaram como ele disse, a fila ficou gigantesca, uma gigantesca fila de corpos astrais transformados na forma de lobos. – Agora cada um entra em uma casa, na ordem em que estão, para garantir que nenhuma pessoa será visitada mais de uma vez, vocês irão entrar no sonho da primeira pessoa que encontrarem dormindo na casa, se não tiver nenhuma, esperem alguém dormir, só voltem depois que conseguirem entrar no sonho da pessoa, na forma de um lobo, se transformar lá dentro na forma de Drachen, com a qual estou agora, e falar que vocês são Drachen, e que estão querendo avisar as pessoas de que Ferraço é um ditador cruel que distorce todas as informações no continente, e o bem, vocês já sabem o que é para falar, já expliquei antes. Agora vão! – Osten ergueu seus dois braços para a frente, apontando, deu um grande sorriso, tinha certeza de que agora ia dar certo, aos poucos, os lobos iam entrando nas casas, e em cada uma delas, havia um psyvamp tentando invadir um sonho com a técnica ensinada, imaginar um portal se abrindo pra dentro da mente da pessoa adormecida.
Madrugada 21/06/1915, Cidade do Cobre, Umi.
Zandor
Era um laboratório, um homem e uma mulher, ambos vestidos com jaleco, touca e máscara brancas, lavavam suas mãos em uma sala de uns 10 metros quadrados, em duas torneiras presas à armários na parede, do tipo que se encontra em banheiros de casas ricas. Havia cinco camas portáteis com rodas enfileiradas lado à lado, cobertas por um gigantesco pano, em baixo, havia um volume gigantesco, o local não tinha uma grande variedade de objetos à mostra, se encontravam vários móveis com gavetas de todos os tamanhos, na verdade, 2 armários, 2 pias e 2 mesas, todos com gavetas com suporte metálico, embora o resto fosse feito de plástico, sem contar com as camas, que também contavam com colchões macios feitos com espuma sintética, uma das melhores descobertas dos últimos tempos, antes, os colchões eram recheados de penas ou de feno, na pior das hipóteses. Todos os móveis eram brancos, assim como as paredes, aquele local tinha uma aparência absolutamente anti-séptica, não havia sujeira em nenhum lugar, tudo totalmente limpo e brilhando, dava a impressão de qualquer mancha no chão seria o bastante para quebrar todo o equilíbrio higiênico e esterilizado.
- Iele, será que esse negócio não vai sujar nosso laboratório? – O homem terminou de lavar suas mãos, usou um sabonete líquido vermelho, em um pote transparente escrito “Sci-limpeza” em letras douradas, era o nome da marca utilizada em laboratórios, com um grande poder de esterilização, mas mesmo assim, tinha um agradável odor artificial de cereja, uma fruta bastante popular em Umi.
- Israel, se sujar, nós limpamos. Não é todo dia que recebemos uma coisa dessa, estamos tendo a chance de analisar os restos de um monstro de origem inexplicável, e então, explicar sua origem. – Ela já enxugava a mão com lenços de papel descartável, ficava em um pequeno mecanismo preso à parede, do tipo em que basta puxar e usar, a lata de lixo ficava entre os dois armarinhos de banheiro com pia, ela jogou lá dentro o papel molhado, foi até um dos armários sem pia e pegou luvas de borracha descartáveis na primeira gaveta de cima para baixo, depois foi até de frente às camas cobertas, com um sorriso curioso no rosto.
- Uma grande oportunidade, mas vai ser desafiador, essa coisa possivelmente tem veneno, é tóxico, se nos descuidarmos, somos infectados e morremos. – Terminando de enxugar a mão, foi até a mesma gaveta, que ela não se preocupou em fechar, e pegou suas luvas de borracha, era uma material bastante fino, mas que isolava qualquer tipo de micróbio ou até mesmo gotas de suor, apesar de descartáveis, eles costumavam reutilizar as luvas, exceto quando mexiam com algo mais perigoso, como seria com o corpo de Venom, altamente venenoso.
- Aqui está. – Retirou o pano que cobria o corpo, e com um sorriso no rosto atrás da máscara de proteção, ela iniciou o procedimento, cortando um pequeno pedaço de pele da serpente, aquilo ainda demoraria muitos dias, uma lenta e detalhadas análise de um corpo morto, com diversas experiências, testes entre outros processos. Após exatamente três dias com o trabalho, descobriram que a criatura tinha células que pareciam ter propriedades de drenagem de energia, foi quando descobriram que aquele animal era capaz de praticar o vampirismo psíquico, foi a primeira vez que um psyvamp foi capturado para análise por Uminianos, a célula responsável pelo vampirismo foi chamada de “Vampirócito” pelos especialistas, e foi utilizada para detalhadas pesquisas sobre o funcionamento, essas pesquisas já foram bem mais demoradas, e levaram a ajuda de outros cientistas, aquele conhecimento sobre o funcionamento do Vampirócito seria definitivamente útil para combater a técnica, na verdade, conseguiram resultados bons e convincentes após 3 semanas de longa pesquisa, resultados que poderiam ser determinantes para o resultado da guerra iminente.
Relatório sobre o funcionamento dos vampirócitos baseado nas células de uma serpente
Células de pequeno porte com rápido ciclo celular, capazes de se reproduzir em pouquíssimo tempo, possuem a propriedade de drenar energia presente no meio ou por contato. Só se duplicam quando conseguem uma quantidade X de energia, como tendem a naturalmente absorver energia do meio, essa duplicação é constante e rápida. Outra função impressionante visível é a capacidade de converter energia em massa, garantindo assim a reprodução celular mesmo sem a existência de alimento ou matéria para o processo. Nem todo praticante do vampirismo psíquico possui vampirócitos, apenas os já nascidos vampiros psíquicos, ou transformados em um, o vampirócito faz com que o vampirismo psíquico seja inconsciente e constante, uma propriedade natural da célula. Mas essa célula é o que define definitivamente um psyvamp, se uma pessoa tem vampirócitos, então é um vampiro, uma pessoa pode ser transformada em vampiro. Essa celular parece ter surgido no meio da evolução humana, como um modo de seleção natural, de adaptação ao meio, as células capazes de drenar energia do meio, fortalecendo o possuidor, provavelmente surgiram como uma ferramenta evolutiva entre pessoas em péssimas condições, que tiveram que obter a capacidade de se alimentar de energia pura para sobreviver, assim, os vampiros psíquicos podem ser considerados como uma evolução do humano comum. Para um não nascido vampiro, ele pode virar um de dois modos, praticando o vampirismo até criar a função em suas células e elas se tornarem vampirócitos, forçando a evolução, ou então recebendo as células de outro vampiro, através de doação de energia, que transmite as propriedades vampíricas sem nenhuma dificuldade, ou por biocinese, que transforma as células diretamente. Resumindo, os vampiros são de extrema periculosidade, altamente capazes de se reproduzir, transformando humanos nos seus, e muito fortes, por serem capaz de regenerarem danos com maior rapidez do que os humanos comuns.
Parte II
O treinamento em Umi foi intenso, as etapas se tornavam cada vez mais duros para os soldados e militares
Ao mesmo tempo, em Sogen, Morten continuava com seu sistema de “pente fino“, mas menos severo, já haviam eliminado a população fraca que poderia fazer mal para o seu “grande rebanho” de vampiros psíquicos poderosos. A técnica de projeção astral já era conhecida pela maior parte da população continental (lê-se toda a população), Osten evoluiu muito nesse tempo, se tornando mais forte do que já era, o próprio Morten não melhorou muito, é como se diz, quando se está no limite, é difícil aumentar mais.
Os dois continentes se preparavam de algum modo incomum para a guerra iminente, mas nenhum dos dois ousava fazer seu primeiro ataque, mesmo quando Sogen mandou Archie, Pandora e Venom, era para ter sido uma infiltração, e não um ataque, mas falhou miseravelmente, e não recebeu nenhum contra-ataque como reação. Passaram-se 3 meses de tensão entre os continentes, e muitas coisas aconteciam. Primeiramente, Rukaso entrou em ataque de fúria quando recebeu a mensagem falsa de Morten, e ligou de volta, declarando guerra de volta, sendo na verdade, atendido por um homem de Ferraço se fazendo pelo general de Sogen. O general preparou um grande ataque preventivo contra Sogen, e mandou numerosos soldados em barcos para uma guerra, que na verdade não havia sido declarada, na realidade, um devastador ataque surpresa que pretendia devastar os vampiros, e dominar suas terras. O exército de Rukaso era poderoso, conhecido como “Lâmina Vermelha”, tendo esse nome por causa da estratégia de guerra utilizada pelo general, se baseava em dilacerar totalmente os exércitos inimigos utilizando aerocinese, armas cortantes, geocinese e biocinese, o que geralmente deixava o campo absolutamente “vermelho”, com o estilo de guerra cortante nada limpo. Os soldados da aerocinese se juntavam em fileiras e lançavam suas rajadas cortantes coletivas, que partiam os inimigos sem nenhuma misericórdia, os da geocinese e biocinese davam apoio, mas basicamente, a “Lâmina Vermelha” se baseava em aerocinese cortante, mas isso para não citar as cineses especiais conhecidas por alguns poucos soldados, como era o caso do próprio general Rukaso. A invasão foi feita de uma só vez, os soldados de Houkaiser chegaram cortando tudo, casas foram partidas, vampiros foram despedaçados, um massacre total dos Sogenianos no litoral, e dominação nas mãos dos Houkaiser. Mas Morten, sabendo da invasão com contatos na área invadida, preparou uma reação, mandou vários soldados, dessa vez preparados, e não desprevenidos como os que foram mortos de guarda baixa pela Lâmina Vermelha, e então a verdadeira batalha ocorreu. As rajadas de vento podiam ser mortais, rápidas e poderosas, mas eram dissipadas no caminho pela violenta técnica do enxágüe psíquico coletivo dos psyvamps de Sogen, alguns pontos do ataque ainda conseguiam acertar e matar os vampiros, mas a maioria sumia antes, e ao mesmo tempo, a simples presença daquela tropa de possuidores de vampirócitos já era um problema, assim, naquelas duras batalhas, a cada instante que se passava sem que um dos lados estivesse totalmente exterminado, os vampiros se tornavam mais fortes, roubando energia, e os humanos eram enfraquecidos, tendo a energia roubada. Quando, carentes de energia, os soldados de Houkaiser já não conseguiam usar sua mortal aerocinese, foram incinerados por uma verdadeira tempestade de fogo produzida pelos impiedosos vampiros, que em grande quantidade, tinham um ataque definitivamente assustador de pyrocinese, a invasão foi rapidamente detida, e todos morreram queimados, um massacre rápido e eficaz, os que sobreviveram sofreram lavagem cerebral e foram convertidos em parte do exército de psyvamps, mesmo os estrangeiros que se escondiam eram encontrados por rastreamento de energia. Após vencer a batalha, o general ligou para Houkaiser.
- Alô, Rukaso, seu imbecil, que idéia foi essa de atacar meu continente? Já matei todos eles. Sabe que agora nós vamos exterminar seu povo, não sabe?
- Filho da mãe, você me mandou aquela mensagem declarando guerra ainda pergunta? Vai se ferrar. Como conseguiu vencer? – Falou com raiva ao saber da derrota do seu exército, estava andando no corredor do quartel quando recebeu a ligação, obviamente não tinha ido junto com seus homens para lutar e morrer na guerra.
- Do que está falando? Que mensagem de celular? – Morten apertava o telefone, impaciente.
- Cala boca, você me mandou a carta, tá aqui, falando que sou incompetente e que vai me tirar do poder e colocar um representante seu.
- Eu nunca te mandei isso. Você deve... – Interrompeu o que ia dizer, chegando a uma rápida conclusão silenciosa. – Deve ser armação, não fui eu, Rukaso, imbecil.
- Armação, como pode ser armação?
- Eu não mandei essa carta, isso é um fato, mas pode ter sido alguém de Umi querendo te deixar com vontade de entrar na guerra, só pode ser isso, dar um motivo pra você entrar na guerra e ajudar.
- Mas era um número de Sogen, e você me atendeu quando eu liguei de volta.
- Imbecil! Não vê? Eles devem ter usado algum tipo de tecnologia para criar um número falso e uma voz falsa, ou até mesmo é um traidor daqui do continente.
- Então esses filhos da mãe me enganaram? – Rukaso deu um forte soco na parede, que rachou, ele havia caído como um patinho, já que havia se comunicado com o Morten impostor que encheu sua cabeça de convincentes mentiras, e não teve a chance de falar com o verdadeiro general até que o próprio ligasse.
- Sim, e você não deveria estar do lado deles.
- Ninguém me engana e fica livre. Houkaiser está na guerra contra Umi ao lado de Sogen. – Ele acreditou rapidamente, por “algum motivo”, o general de Sogen tinha um grande poder de persuasão, mesmo por telefone.
- Esperava que fosse falar isso, aliado, nós acabaremos com esses imbecis mentirosos, um povo que é capaz de forjar uma mensagem pra enganar um general honesto não deve ser respeitado, mas exterminado ou dominado.
Em Tsuchin, Cyrus e Daisy desenvolveram juntos aos cientistas nacionais um dirigível dirigido remotamente, sem a necessidade de um piloto real, usando um sistema de eletrocinese remota refletida por meios de altíssima tecnologia, uma ferramenta brilhante criada pelos gênios, eles o carregaram de explosivos de vários tipos, e atacaram o continente, o dirigível tinha uma pintura da bandeira de Sogen na sua parte externa, uma estrela branca de 4 pontas dentro de um retângulo verde que simulava a superfície de um gramado, tentando reproduzir os famoso campos de Sogen, aquele símbolo havia sido escolhido pro continente muitos séculos atrás, pelo general Alvares de Azevedo, que dizia “Sogen tem os mais belos campos do mundo, a bandeira desse continente não poderia mostrar outra coisa”. Ele atacou na cidade Nunzia, ao extremo sudoeste do continente, o dirigível foi atingido por soldados, que perceberam a invasão, então ele explodiu na cidade, e matou dezenas de pessoas, essa tragédia supostamente causada por Morten, devido à bandeira sogeniana. Chester entrou em contato com Sogen, Morten desmentiu a invasão, mas o general de Tsuchin não acreditou, e declarou guerra contra o outro continente, o vampiro não insistiu, e aceitou o desafio, ainda mais tendo Houkaiser ao seu lado, então, a guerra estava formada.
Os efeitos dos planos do “Cordeiro” quanto a fazer o povo se voltar contra Ferraço foram altos, mas o general conseguiu convencer todos de que todos aqueles sonhos eram ataques dos vampiros psíquicos em projeção astral, e com a ajuda de Prabhu, ensinou a toda a população, utilizando os veículos de mídia como rádio e a recentemente inventada televisão, o método se tratava de dormir com sal grosso na testa, técnica inventada por Prabhu, que conhecia as propriedades anti-espirituais do sal grosso.
Uma das armas secretas de Sogen era o coronel Gabriel Víboro Chagas, um jovem e brilhante militar de apenas 19 anos que ascendeu na vida militar rapidamente após lutar em várias batalhas internas contra rebeldes e criminosos, tendo aprendido cryocinese com 6 anos, e com 12, ingressado no exército, indo para sua primeira batalha, no norte, contra um grupo de rebeldes Kinetistas. Nesta batalha, o belo garoto utilizou a capacidade de criar consideráveis objetos de gelo usando a umidade do ar para atravessar seus inimigos. Com a ajuda de seus companheiros, praticantes de várias cineses, batalhou excelentemente, porém os Kinetistas também eram uma força bastante considerável, capazes de mover grandes objetos com telecinese e também de criar raios destrutivos feitos de energia, se não fosse pela capacidade defensiva do gelo de Gabriel, sua tropa teria sido morta. Voltou do combate como um herói, e ficou conhecido como o “Príncipe de Gelo”, nos anos seguintes, apenas cresceria dentro do exército, e teria lugar como estrategista, criando sua própria técnica para neutralizar ou destruir inimigos em grande quantidade, a Tempestadade Branca, em que utilizava hydrocinese e cryocinese combinadas para congelar todos os adversários, partes de seu corpo e seus ataques, algo que funcionava maravilhosamente quando a intenção era prender bandidos vivos.
- Pandora, acorde. – A menina dormia na sua cama quando o pai a acordou gritando, na verdade, não estava lá há mais de 2 horas, tinha 4 anos nessa época, sua infância não estava sendo muito boa, na verdade, era criada à pão e água por seu pai, e tinha permissão pra dormir pouquíssimas horas por semana, na sua cama de madeira sem cobertor, travesseiro e nem mesmo colchão, uma ofensa à saúde da coluna. Ela se assustou, e caiu da precária cama, começando, gritando.
- Não, por favor, me deixa dormir um pouco. – Ela estava com os olhos terrivelmente vermelhos, inchados e fundos, o sono era terrível, não descansava o bastante, e isso a deixava péssima, estando na fase de crescimento, era pior ainda, e se levantou do chão.
- Não demonstre fraqueza, você acha que em uma guerra você vai ter chance de dormir? Não, você tem que estar preparada para qualquer coisa desde cedo. – Não dava pra ver a boca dele, sempre coberta com aquela ameaçadora máscara de couro, mas seus olhos já eram o bastante para revelar sua assustadora expressão, ele sempre parecia estar com raiva de um modo frio, uma raiva pouco emotiva extremamente egoísta. Ele era o general mascarado de Sogen Norte, e os dois viviam em um castelo de pedra bastante antigo, datado de 1000 anos antes que sempre foi a moradia dos soberanos do continente, mas que agora, era abençoado pelos bens da modernidade, como luz elétrica e água encanada, Morten podia negar sono à filha, mas não negava saneamento básico.
A menina olhava com medo, o pai vinha fazendo isso a duas semanas, mas ela já estava enlouquecendo, não entendia realmente porque não poderia dormir decentemente, mas isso não era o pior, já que a severidade do general não se limitava a isso.
- Desculpa pai. – Ela fechou a expressão, olhando séria para ele com seus olhos negros fundos e inchados pelo sono, tentando se manter calma, teria que fazer isso, por mais que fosse difícil.
- Um pouco melhor agora, venha, minha filha, você tem que começar a treinar. – Pegou a menina pela mão e a guiou para do quarto, pelo corredor.
- Mas eu não tomei café da manhã. – Ela manteve sua voz inexpressiva, não conseguiria fingir alegria, mas pelo menos conseguia esconder o pânico.
- Filha, se você quiser sobreviver, você tem que se virar, em uma guerra, você só poderá comer depois de lutar, não vai cair comida do céu.
- Mas eu não estou em uma guerra. – Ela insistia na sua lógica normal de uma criança, e tentar rejeitar a lógica de um pai severo e obcecado por guerra e poder.
Morten não respondeu dessa vez, em silêncio levantou a mão como se fosse dar um tapa muito violento na minha, a criança tampou o rosto tendo certeza de que apanharia, coisa que acontecia com freqüência quando insistia em desobedecer ou questionar, mas não levou nenhum golpe, pois o pai ficou com a mão parada, olhando-a repreensivamente, quando a menina descobriu o rosto e teve coragem de olhar para o pai.
- Vamos logo, você não quer que eu desça a mão em você, sabe que dói muito. – Mudou a postura da mão, posicionando com a palma para cima, para que ela a pegasse e fosse com ele, foi o que a criança fez, pegando amedrontada na mão do pai, que a guiou escadas abaixo, com passos silenciosos pelo chão de madeira da enorme casa de 3 andares, apenas os dois moravam lá. Era um local vazio de vida, uma casa com histórias infelizes para contar, uma casa onde havia ocorrido o covarde e cruel massacre da família principal do clã Daemon pelas mãos de Morten, cheio de móveis velhos e empoeirados, já que ninguém fazia faxina, por total indiferença do patriarca, que não acreditava que “um pouco” de pó fosse um incômodo ou uma ameaça, e que um vampiro forte deveria lidar com aquilo bem. Morten e Pandora eram os únicos da família principal do clã Daemon que ainda estavam vivos, carregando em suas veias a mais pura linhagem da raça dos psyvamps. Embora a garota tivesse apenas 4 anos, os outros psyvamps do clã a temiam profundamente pelo simples fato de ser a única filha de seu pai Morten, acreditavam que todo o talento acima da média, e a cruel e violenta brutalidade do pai estariam presentes na filha também, como dizem os ditados, “Filho do demônio, demônio é”, um pensamento realmente injusto, já que na história já havia tantos exemplos de bons filhos de maus pais, como o próprio Alexiel Drachen, filho de Alexander Nunziati, um cruel e sádico tirano.
Tsuchin e Umi X Houkaiser e Sogen
Zandor
- Senhor Ferraço, temos que dizer uma coisa muito importante. – O homem de cabelo grisalho abriu a porta da sala do chefe, que escrevia em um mapa, fazendo alguns planejamentos finais para a grande batalha. O longo e duro treino de um poderoso exército já havia terminado, e os soldados eram considerados como preparados, prontos para uma grandiosa guerra contra os psyvamps de Sogen, sabiam como parar o vampirismo psíquico, mas ainda faltava saber se realmente conseguiriam aplicar a técnica aprendida em treinos, no campo de batalha. Quando a porta foi aberta, pôde-se perceber dentro da sala que vozes vinham do lado de fora, e era possível ouvir de dentro, por mais que os muros fosse grossos e o campo de treinamento fosse grande, os gritos eram muito altos, em coro:
- Fora Ferraço, fora Ferraço, fora Ferraço!
- O que é isso? – O general mostrou uma expressão enojada ao ouvir os gritos, olhando para o homem que chegava com várias folhas de papel grampeadas juntas
- Esse é um abaixo assinado por exatamente 12.000 pessoas, querem que você saia do poder. – O homem que trazia más novas deixou as folhas sobre a mesa do general, parecia um pouco amedrontado, afinal, estava levando péssimas notícias para o homem mais poderoso do continente.
- Entendo, vou ter que resolver isso. – Olhou para baixo, com ódio no olhar, logo levantando a face e sorrindo, o mensageiro esperava ansioso para ver o que o chefe faria. Ele se levantou, bateu palmas e caminhou até a janela, deu uma olhada, só dava para ver os muros, então ele saiu pela porta, e exibiu todo o seu poder, fazendo uma gigantesca coluna de terra sair do loca onde estava pisando, ela o levou na diagonal até fora da área de treinamento, passando do muro, era como uma grande escada de terra em que ele podia se locomover a incríveis distâncias, na velocidade da energia que manipulava para controlar a terra. De lá ele podia ver todo o povo que reclamava, quando eles o viram naquela posição de superioridade, começaram a vaiar em voz alta, exibindo plaquinhas ofensivas como “Fora Ferraço”, “Qual é a diferença entre Ferraço e cocô? Cocô pode ser usado como adubo” e “O general Ferraço é que nem Psyvamp, um parasita”. O general olhava com a expressão bastante séria, tentava não demonstrar raiva ou desprezo, mas estava irado por dentro, pensava no que aqueles idiotas estavam fazendo e por que, então perguntou em um grito, o único modo de ser ouvido naquela barulheira.
- Do que estão reclamando? – Cruzou os braços e se sentou na ponta da coluna de terra que havia feito com a maior facilidade.
- Ficamos sabendo a verdade, o senhor é um farsante, que tortura e oprime em segredo tão bem que quase não ficamos sabendo, que quase continuamos sendo enganados por essa ditadura hipócrita e cruel, se não fosse Drachen, ainda estaríamos abaixo de sua tirania. – Um homem careca de idade que carregava uma placa com alguns escritos impublicáveis sobre Ferraço parecia ser o líder da manifestação, falava como orador político profissional, em voz alta, deixando todos os outros manifestantes calados durante seu antipático discurso.
- Do que estão falando? Estão usando ópio? Como Drachen? De onde vocês tiraram? Eu só mando matar criminosos, eu nunca escondi o desprezo que tenho por assassinos e ladrões. Do que estão falando? – O general estava irritado de verdade, não fazia ideia do que o povo estava pensando. Como, logicamente, um homem morto há milênios, que havia sido o maior exemplo de decência e generosidade, poderia estar relacionado uma mentira daquele tipo?
- Drachen apareceu para nós em sonho, e nos falou que deveríamos nos revoltar contra o senhor, contando a verdade sobre seu governo, sobre seus vis crimes e mentiras. – O líder acreditava cegamente nas próprias palavras.
- Vocês são estúpidos? Como Drachen poderia ter aparecido em sonho? Desde quando eu sou um tirano? Vocês ouvem falar de alguém desaparecendo? Vocês sentem fome? Vocês acham mesmo que esse governo é ruim e cruel? Vão todos... – Ferraço falou algumas palavras impublicáveis e ofensivas aos opositores. – Deixem de ser estúpidos, logo estaremos em guerra, é óbvio que esse sonho foi uma das armas do inimigo de nosso continente, o general psyvamp de Sogen, Morten Daemon, os psyvamps são conhecidos por suas habilidades astrais, alguns são capazes de entrar em sonhos e influenciá-los, deveriam saber disso, seus ignorantes, deveriam se informar sobre o inimigo da nação.
- O senhor mente e é habilidoso com as palavras, não impressionaria se convencesse alguns dos manifestantes com suas palavras bem articuladas de demagogo, mas como um demagogo, sabe que não são nada além de mentiras usadas para manipular o povo, assim, o senhor poderá cometer todos os tipos de barbaridade e abuso sem que ninguém o questione ou sequer saiba dos acontecimentos. Talvez até mesmo os motivos dessa guerra sejam uma farsa, já que nem um civil deste continente recebeu provas das supostas ações do general Morten de Sogen, e como general, não deveria insultar seu povo deste modo.
- Mas que homem estúpido, vá se alimentar em fezes que é o que parece estar no seu cérebro. Como uma notícia poderia ser falsificada pelo mundo todo? É óbvio que Morten deu um golpe de estado, instalou um império de terror e declarou guerra ao nosso continente, além de estar fazendo uma lavagem cerebral no continente todo para criar um perfeito exército para a guerra? Vocês acham mesmo que tudo isso é mentira?
Era um deserto no leste de Sogen, o Sol batia com toda a força, e os raios incidiam na areia, ao mesmo tempo que o forte vento batia e deformava as gigantescas dunas, um dia de extremo calor, os únicos animais que conseguiam sobreviver naquela região sogeniana eram alguns escorpiões do deserto. Não era uma paisagem digna de grande descrição, apresentando areia em várias dunas, e nada mais, só o céu aberto e azul, sem nenhuma nuvem, com a luz solar brilhando sem nenhuma limitação, mas havia uma energia pesada no ar, presenças em grande número, era como um grande buraco negro, e
nem mesmo a energia nos menores grãos de areia poderia ser poupada. Eram mais de vinte mil vampiros reunidos no deserto na forma astral, flutuando a poucos metros da superfície, em fileiras milimetricamente organizadas, em volta dos montes de pó, acima, na frente, e no alto da maior das dunas naquela parte do deserto, podia-se ver a grande figura luminosa vestida em uma túnica negra e com muitas partes douradas feitas em fios de ouro, era incrustada com safiras e rubis, usava um chapéu de mesma cor, com a parte dourada formando um triângulo, e o resto feito com aquele refinado tecido negro, o chapéu tinha uma imagem respeitosa e imponente da cabeça de um cordeiro de chifres, a cabeça era de diamante, o rosto de safira, o focinho de ônix, assustadores olhos de rubi, e os chifres de ouro, e vestia uma máscara de couro que escondia a boca e o nariz, e nela havia escrito com letras bordadas em ouro:
Netrom.
A grandiosidade da imagem do líder podia ser sentida mesmo para os seres vivos limitados ao plano físico, naquele momento, sua voz extra-corpórea se lançou sobre o deserto, e até os aracnídeos debaixo da areia puderam sentir sua temível presença, enquanto os vampiros ouviam atentamente diante da iluminada existência de seu senhor
- Vagando condenados na escuridão da noite, nos escondendo na obscura floresta maldita, onde a luz do Sol nunca bate. Em um mundo governado pelos medíocres, nós, os vampiros, forçados a fugir como uma minoria superior, precisamos nos ocultar. Ser vampiro, é ser a pérola entre os porcos, aquele sábio que em um mundo de ignorantes não tem o seu lugar, é o forte temido e odiado pelos fracos, é ser o monstro para aquele que não compreende o verdadeiro poder. Obrigados a nos submeter às leis dos idiotas humanos, cuja tolice governa permanentemente, nos prendendo a limitações desprezíveis, nos obrigando a nos disfarçar, agindo como os fracos, e escondendo com a máscara a ignorância, a nossa natureza superior de vampiro. Ser vampiro,é ser temido e odiado por ser aquele em que o poder reside, e aquele onde a inteligência friamente está fixada. Somos o mal, o mal para o bem mentiroso do homens, que chamam sua cultura involuída de bem e certo, presos a valores descartáveis, a leis miseráveis, somos o mal que se opõe a toda a mediocridade humana, somos vampiros, os adversários, os evoluídos, os fortes, os sábios, o superior entre os inferiores, que não pode ser compreendido por sua desprezível companhia humana, por seu bem descartável.
Não é justo que a Ditadura da Ignorância controle este mundo de mortais, não é justo que uma minoria forte se submeta a uma maioria fraca. Se nós somos o mal, o mal nós seremos, contra os fracos que dominam o mundo, contra os numerosos tolos que povoam a terra, e infestam o solo com sua maligna ignorância. Ignorância, é essa a palavra desgraçada que não desejamos, que iremos banir de nosso mundo. Nós, vampiros, temos a força, temos a inteligência, temos o talento e temos o poder, eles, os humanos comuns, têm o maior número, a cada 100 deles, há 1 de nós, mas cada um de nós vale por qualquer número deles, nós somos deuses, eles são animais, animais que em sua maioria acreditam estar certos, que não têm a capacidade de alcançar novos horizontes. Um miserável Império da Ignorância, de medíocres seres que acham que estão certos apenas por verem outros com a mesma visão. Se todos cometem um erro, isso não significa que este erro esteja certo. Os homens, os cães sem visão, eles não podem ver além do que está diante dos próprios olhos, e às vezes, nem mesmo o que está debaixo de suas vistas sem potencial, seres sem imaginação ou criatividade, limitados a regras, preconceitos e dogmas arcaicos, limitados à ignorância, a um estado de atraso geral em todas as naturezas existentes. Incapazes de pensar por si próprios, incapazes de duvidar, vermes que acreditam cegamente em qualquer coisa que é tida pelos outros como certa ou verdadeira, é isso que os humanos são, diferentes de nós vampiros, donos de liberdade intelectual, capazes de duvidar, de imaginar, de raciocinar, de idealizar, de criar, nós somos os verdadeiros fortes, os donos desse mundo. E no Quinto Império, derramaremos o sangue dos fracos, para que finalmente, nós, os fortes possamos viver com perfeição, sobre a tranqüilizante sombra do vampirismo, obscuridade condena os fracos, com a total dominação de nosso “mal”, os vampiros desejam viver, tomando o lugar dos fracos homens viventes. Nós tomaremos o lugar deles! E eles irão cair para todo o sempre no abismo da morte! – Sua voz era como um trovão, e todos os seus “filhos” ouviam em total silêncio, Morten erguia seus braços e gesticulava com total empolgação, embora seus olhos não pudessem expressar nada, pois estavam obscurecidos, ao contrário do resto do corpo, envolvido por uma poderosa luz espiritual.
cO primeiro Império, o Império do conhecimento, onde a telecinese foi revelada aos homens pelo grande Hiroshi O Criador, onde a humanidade teve a oportunidade de evoluir para um nível mais alto, deixando de ser simplesmente um animal racional, para ser uma criatura com o dom da criação. Foi o berço da telecinese do psionismo, foi justo, mas não perfeito, um período de grande evolução para toda a humanidade.
O Segundo Império, o Império da ignorância, da injustiça, da desigualdade, onde o conhecimento foi privado às pessoas mergulhadas em desinformação, onde o mal e a crueldade foram as únicas regras, e os de sorte pisaram sobre a tolice dos desventurados ou desinformados, o maligno e iníquo Império de LeFanu
O Terceiro Império, o império dos fortes, com livre circulação de conhecimento, ciência, o império da telecinese militar, onde os fracos caíam, mas em que cada pessoa tinha a chance de chegar ao seu extremo, o duro Império de Harudo Kinesis
O quarto Império, o maior Império que este mundo já teve, o império da paz, da fraternidade e da amizade, onde não houve conflito, violência ou mal, uma utopia de boa convivência e conhecimento livre, felicidade e igualdade, um paraíso real criado pelas mãos de Alexiel Drachen. – Me fez uma pequena pausa no discurso, olhando em volta para todos presentes, e então, terminou, com um tom de voz ainda mais alto e firme, que encantou todos os seus seguidores, tomados por admiração e fervorosa devoção ao general:
- E este é o quinto Império, o Império de Morten Daemon, que vai superar todos os outros juntos, e se confirmará como a utopia definitiva dos vampiros!
Todos levantaram os braços e gritaram o nome de Morten diversas vezes, em um verdadeiro louvor de guerra, naquele momento não haveria nada que pudesse pará-los, não se dependesse do desejo de cada psyvamp naquele deserto, em projeção astral. Definitivamente, o general era mais do que brilhante, tendo sido capaz de criar um impressionante exército de psyvamps fortes capazes de facilmente fazer projeção astral, o que também ajudava bastante nas horas dos discursos, já que podiam se reunir longe do mundo físico.
- De acordo com o Manual da Honra Drachenista feita em 1300 pelo general Alan Medeiros, os vampiros psíquicos são o veneno da sociedade, está escrito com as exatas palavras:
“É estritamente proibida a prática do vampirismo psíquico em qualquer condição em pessoas ou animais. Qualquer vampiro psíquico identificado deve ser condenado à morte, os vampiros psíquicos ou psyvamps são o maior mal dentro da sociedade, são parasitas que fazem mal a todas as pessoas ao seu redor, que sugam energia indiscriminadamente, adoecendo a humanidade a sociedade, são vermes que devem ser extirpados da face da terra, para nunca mais contaminarem o mundo com seu mal.” – Prabhu conversava com seus companheiros Aníbal e Ferraço, enquanto jantavam em uma sala de refeições especiais no quartel, uma grande mesa redonda com três pratos cheios de comida, incluindo arroz, feijão e peixe, algumas taças cheias de vinho de Zandor envelhecido de 12 anos, nas paredes, alguns quadros de famosos generais, como Felipe e Kinesis, pintados por grandes pintores que fizeram suas próprias interpretações dos heróis históricos. O grande TK magnético estava vestido com uma nova roupa de general desenhada por Cyrus, uma roupa feita com uma fibra sintética metálica, isto é, um tecido feito de aço, que ajudava na condução de eletricidade e fazia com que o general pudesse voar utilizando a própria eletrocinese magnética, que faria efeito na própria vestimenta, e consequentemente, no próprio corpo.
- Mas nós extirparemos eles do mundo exatamente como Alan disse, não sei se os psyvamps sempre foram o mal da humanidade, mas pelo que nossos espiões têm informado, eles são demônios bárbaros e cruéis, obcecados por poder e sádicos por natureza, Morten tem que pagar, ele deve morrer. – Aníbal tinha certeza do que falava, os poucos homens fiéis a ele ainda não descobertos ou cerebralmente l
- Com suas asas de fogo, como o Sol descendente no crepúsculo, incinerará os corpos de nossos inimigos, e esmagará o mal que suja nossa nação.
- Daisy, eu te amo muito.
- Cyrus, um homem da ciência tomado pelo amor é um homem perdido.
- O que quer dizer com isso?
- Um homem da ciência é um homem racional e não emocional, e o amor é coisa mais emotiva e irracional que existe, se um homem é tomado por amor, então a racionalidade some, e ele perde tudo que tem, afogado em amor e sentimento, sem raciocinar mais.
- Não exagera, Daisy, a gente sempre se amou tanto e sempre fomos tão inteligentes.
- Cyrus, você não sabe o que eu já quis fazer por sua causa, começando com o Archie. Eu queria fazer ele sofrer tanto.
- Mas não poderia, ele nem sequer sentia dor ou tinha sentimentos.
Pandora estava na imensa praia da cidade, na frente de um pequeno exército de homens e mulheres vestidos de fardas, cerca de 400 pessoas naquela praia, elas usavam fardas verdes, da cor da folhas escuras da árvores de Sogen, com vários bolsos e a bandeira do continente no peito, todos iguais, exceto o de Pandora. A filha de Morten era uma visão gloriosa naquela noite fria e escura, vestia um casaco feito com couro de boi negro, bastante brilhante, o casaco tinha golas altas levantadas na altura do queixo e ia até a altura das canelas, mas totalmente aberto, era do tipo com botões, botões brancos que contrastavam com a cor do resto do casaco. Na parte de baixo do casaco havia detalhes de lã branca, bastante elegante, por baixo, ela usava roupas de lã azul, e levava na mão uma grande vara de ferro.
Um imenso navio surgia no horizonte, cheio de homens até não caber mais, e logo atrás vinha uma imensa frota, centenas, quem sabe milhares de soldados chegavam, e à frente havia um homem vestido com uma roupa especial, diferente dos uniformes militares de Umi, ele usava óculos escuros, uma jaqueta de couro marrom aberta e sem mangas, que deixavam seus braços fortes de fora, calças de couro e camiseta preta, tinha seu cabelo preto balançado ao vento, e sorria com desdém enquanto o navio chegava.
- Lord Gabriel, o que devemos fazer assim que chegarmos? – Um homem de tapa olho perguntou ao loiro, com uma expressão de agonia.
- Precisaremos do meu poder, não é tão grande assim, mas servirá, nós iremos congelar o mar. Tropa Branca, hora de atacar de verdade o inimigo, mãos ao alto e já. – Levantou o braço e soltou uma espécie de rajada de minúsculas partículas brancas no mar, uma forma visível de total ausência de calor, os os outros fizeram o mesmo, todos os ataques eram feitos em direção à água à frente do navio, e a medida que faziam isso, a água do mar se congelava rapidamente, formou-se um gigantesco relevo de gelo na frente do navio, o mar parecia ter congelado até certa profundidade, e aquela ponte gelada chegava até terra firme, chegando até mesmo a congelar um pedaço da praia.
- O que esses imbecis estão pensando? Acham que a gente vai subir nesse ringue de patinação gigante? Acham que somos idiotas? – Pandora falava com a voz sempre alta, para que toda a tropa que liderava ouvisse, sua expressão era imperturbável e serena, recebeu várias respostas ofensivas dos seus soldados, todos fazendo pouco caso e desdenhando dos inimigos.
Com ordens do coronel Gabriel, os soldados do primeiro navio evacuaram e foram correndo em direção ao continente.
- Agora os outros, desçam! – Gabriel falou em um baixo tom de voz enquanto corria, e fez um gesto com a mão levantada, movendo e dobrando dois dedos, os navios que estavam atrás do primeiro, onde o coronel comandava, foram esvaziados, os homens se jogavam ao mar, e nadavam desesperadamente para a placa de gelo, o que não era tão difícil por não estarem muito distantes.
- Caia fogo do céu! Tempestade dourada! Afoguem-os! – Pandora ergueu sua vara, gritando muito alto o nome do ataque que tinha arquitetado para usar em guerras junto com suas tropas, se tratava de um ataque combinado de pyrocinese, mas com uma característica especial, com suas habilidades, ela conseguia praticamente “fundir” as chamas do ataque deixando-as mais quentes, poderosas, a uma temperatura absurdamente alta e difícil de apagar ou defender, chamas tão brilhantes que ficavam fortemente douradas. Ela e todos os vampiros atiraram bolas de fogo para frente, os ataques não foram direcionados aos soldados que vinham, mais à “ponte” de gelo, que atingida, derreteu inteira de uma vez, fazendo absolutamente todos os soldados uminianos caírem na água, tendo que nadar pro continente. Logo em seguida vieram mais ataques, e dessa vez estavam realmente dirigidos ao exército uminiano.
- Defender! – Gabriel gritou, levantando sua mão, erguendo muita água rapidamente, os outros soldados fizeram o mesmo, formaram um grosso escudo de gelo sobre suas cabeças, protegendo –os totalmente, mas bloqueando qualquer visibilidade do inimigo. A técnica era tão potente quanto a dos vampiros, e o gelo reduzia sua temperatura tão rápido quanto as chamas devastadoras aqueciam, evitando qualquer dano ao escudo, assim, mantinham os ataques e a proteção, gastando energia de ambos os lados, sem resultados.
- O que causará uma morte mais dolorosa? A mortal chama dourada de um Sol cruel, ou o frio gelo de uma lua sem alma? – O capitão falava com tom poético e bom humorado, sem parar com o grande esforço que fazia pra sobreviver.
Um dos soldados que estavam mais próximos dele perguntou com um pouco de receio sobre o que ele estava falando, e teve uma resposta educada e gentil:
- Entoando uma poesia que escrevi no navio, só pra passar o tempo.
Ele sorria com ironia, era impressionante como um homem no meio de uma batalha intensa podia se divertir em fantasias poéticas sem sequer se desconcentrar do trabalho.
- Hoje nós todos dançaremos bêbados como borboletas. – Suas palavras voavam realmente como borboletas, sem direção. Pouco antes de chegarem ao alcance do inimigo, alguns soldados haviam visto o coronel bebendo um líquido em pequeno copo de barro, pouco depois de o virem pegando alguns cogumelos não comestíveis guardados na dispensa do navio para fins “supostamente” medicinais.
- Coronel, o senhor está drogado? – Um novato de uniforme sujo perguntou, em um momento de perigo e combate como aquele, uma pequena ousadia talvez não valesse um ou dois membros.
- Estou, agora se concentre. – O coronel ria muito, concentrando-se ao mesmo tempo todo o seu imenso poder de cryocinese para parar a esmagadora chuva de chamas mortais que caíam do céu, estavam sob um verdadeiro Inferno artificial, e Pandora atacava firme, junto de todos os seus subordinados, em um ataque coletivo extremamente efetivo e bem orquestrado, porém, a parede gelada de proteção formada pela tropa de Umi era tão bem elaborada quanto, naquela batalha, venceria o time que conseguisse se manter de pé por mais tempo, e levando em conta o dom do vampirismo psíquico, o grupo de Sogen era o mais provável de sobreviver.
- Senhores, queimem com força, se esforcem, se eles sobreviverem ou nós morrermos, eu juro que mato todos vocês pessoalmente. – Os olhos da líder ardiam de um modo totalmente oposto do que tinha quando perto do pai, quando se tornavam submissos e assustados, agora eles eram tomados por uma grande sensação de poder, com a possibilidade de líder, aterrorizar, submeter os outros à sua vontade, por mais que seu corpo suasse torrencialmente diante das chamas que ela mesma e sua tropa atiravam, sentia-se livre e feliz, muito feliz, seu sangue geralmente se esquentava como uma erupção vulcânica, com a adrenalina pulsando velozmente por suas veias, lhe proporcionando um prazer que nunca havia sentido antes.
Agora eu sou a chefe, esses porcos, eles devem conhecer a dor.
Lembrava-se agora de trágicas cenas do seu passado, via Morten a machucando. Mas agora? Agora parecia ainda mais claro, podia se ver afundando no mar depois de ser atingida por Aníbal. Não devia estar morta? Agora se confundia, deixando o mais profundo desespero tomar conta de sua mente. O que havia acontecido? Se lembrava de ter afundado na água profunda e fria, se lembrava da sensação de deixar de existir, e de por um momento se ver fora do corpo. Tinha que se lembrar, mas não podia se distrair, não agora, tinha que queimar o inimigo.
- Me foi dada uma segunda chance?
- Foi mesmo, essa é sua chance, minha criança, faça de novo e honre sua existência, honre seu pai e sua família, honre seus irmãos, e honre a mim. – A voz veio em sua cabeça como uma brisa suave, refrescante e agradável, vinha de dentro, ou de algum lugar que não conseguia identificar.
- Mas quem é você?
- Eu sou aquela que salvou sua vida.
- Sou Samantha Abschteulich, e eu te salvei quando estava se afogando.
- Como? Não sei quem é você.
- Ah, o cínico do seu pai nunca te falou de mim, não é? Também, como se poderia esperar outra coisa de um tirano que chega ao nível de proibir os filhos de dormir?
- Nunca falou, ele realmente não era muito de conversar comigo, exceto sobre “força”, “guerra”, “vampirismo” e “domínio do mais forte”, esse tipo de coisa.
- Ele te tornou uma tola bitolada. Então vou precisar explicar tudo pra você: Eu era uma criança que assim como você, sofreu muito, não porque eu tinha um pai cruel, mas porque eu era extremamente doente, eu sentia dor, vomitava, e cada instante acordada era de profundo sofrimento. Com o tempo, acabei aprendendo a lidar com toda a dor, o sofrimento e a falta de esperança, foi quando eu percebi que todas essas desventuras poderiam ter um lado bom, eu percebi que a dor nos torna fortes, e que o sacrifício é a melhor forma de se obter coisas boas, de se alcançar objetivos, por isso, assim, descobri também o meu dom, toda aquele meu sofrimento não seria de graça, em troca de suportar aquelas sensações terríveis, eu seria recompensada com a habilidade impressionante de transferir sensações. Enquanto a telecinese se limita a transportar energia, e a telepatia se limita a transportar pensamentos e informação, o meu dom era, na verdade ainda é, capaz de transferir sensações, percepções e emoções, e é isso que fez de mim extremamente especial, pois meu dom poderia ser usado para acabar com a dor do mundo, ou mesmo pra destruir a humanidade
- Não adianta o que vocês vampiros venham a fazer, podem, sob a sombra de Morten, criar um império perfeito, em que todos vivem felizes e em paz, com muito alimento, saúde, tecnologia, trabalhos dignos e lazer, mas assim que ele morrer, tudo voltará a ser como era, pois sem um grande líder, pessoas comuns e medíocres não consegue manter uma boa obra, pois as boas obras são as feitas pelos grandes homens, e não creio que haja muitos homens grandes como Morten, e que apoiem a sua raça maldita. – Gabriel tinha certeza disso, Umi venceria essa batalha, e a guerra também, e o desprezo era visível em seus olhos como o Sol em dias claros, ódio racial, ódio aos vampiros psíquicos.
- Como você conseguiu me salvar?
- Como eu disse, eu posso transferir dor e sofrimento. Meu espírito tem vagado por muito tempo buscando uma mente ideal para eu me juntar, uma mente que tenha passado por tanto sofrimento quanto eu passei, ou mais. Eu sou capaz de sentir o sofrimento à distância, como se tivesse um radar que detecta dor, foi com esse radar que eu busquei pela minha tão desejada "alma gêmea". Foi difícil, eu vaguei em campos de guerra, em hospícios, hospitais, prisões, em todo tipo de lugar infernal onde se pode encontrar as pessoas mais infelizes do mundo, mas nada, não achei ninguém que satisfizesse meus requisitos. Até eu te sentir, eu podia sentir uma dor tão imensa, vinda de algum lugar no meio do mar, se aproximando, que eu tive certeza de que aquela pessoa que logo chegaria ao continente de Umi, era a pessoa que eu procurava. Eu não cheguei a sair de Umi, Tsuchin e Houkaiser, não compensaria atravessar o mar, ainda mais com a fama que Sogen tem de ser um continente onde as pessoas são felizes, bem, até seu pai conquistá-lo, mas eu vagava desde antes do seu pai nascer. Eu esperei você chegar, na praia, e quando estava mais perto, percebi o que estava acontecendo, o general desse continente apareceu e afundou o seu navio, e você afundou junto, indefesa, pronta pra morrer, e sofrendo ainda mais, estando ainda melhor preparada para mim. Mergulhei no mar azul, iluminado pelos fracos raios de um sol decadente em seu caminho para a noite, afundei em direção ao seu corpo, que descia como uma âncora em direção ao fundo do mar, eu fui até você... e entrei no seu corpo, como um visitante entra na casa de seu anfitrião quando é convidado, eu não fui convidada por palavras, mas a dor que eu podia sentir emanar das profundezas da sua alma era tão grande, que serviu como um convite para mim, uma conhecedora da dor permitindo que outra conhecedora da dor adentre em sua moradia corpórea e mental. Habitando na sua mente e corpo, me tornei a sua segunda mente, como uma pessoa que toma conta da sua existência quando sua consciência está desligada, pude usar o seu corpo pra usar telecinese e te levar pra fora da água, foi muito difícil te levitar até fora da água... E bem, o que aconteceu é inacreditável, por você já estava morta quando estávamos próximos da superfície.
- Quer dizer que eu morri? Então como ainda estou aqui?
- Você podia estar morta fisicamente, mas sua alma ainda estava ligada ao seu corpo, e eu pude mantê-la lá com meus dons. Eu pensei que talvez fosse possível boiar com seu corpo até encontrar terra, mas não seria um bom plano, então usei a única opção restante: Peguei um atalho no plano astral e transferi nossos espíritos diretamente pra Sogen.
- Mas se você podia se teletransportar instantaneamente de um lugar do mundo pra outro, por que não atravessou o mar? Por que ficou vagando ao invés de rapidamente se transferir de um lugar pro outro?
- Porque eu não tenho essa habilidade.
- Então como conseguiu usá-la?
- Você tem, e a partir do momento que tive o seu convite, eu pude usar sua habilidade como se fosse minha. Pandora, agora somos uma só alma e corpo, só que com consciências independentes.
- E... - Ela tinha muitas perguntas, estava confusa, e até mesmo suspeitava que pudesse estar louca, mas foi nesse momento de confusão que percebeu que por mais concentrada que estivesse na sua conversa mental, ela ainda atacava os inimigos com poder total, e não demonstrava nenhuma dificuldade pra isso, embora o exército de Sogen se defendesse com o todo o esforço que se usa quando é a própria vida que está em jogo.
- Haha, eles são muito fortes, hora de mudar plano, meus pequenos amiguinhos. - O coronel Gabriel gritava as ordens aos seus subordinados, os psyvamps não poderiam escutar as ordens que daria, apenas os seus aliados, devido ao som forte da colisão entre os ataques de ambos os lados, e cada lado dificilmente ouviria qualquer coisa vinda do outro, e mesmo só ouviria sons próximos se estes mesmos fossem altos o bastante, em meio aos ruídos de guerra, até os piores gritos se tornam aparentemente silenciosos. O coronel sentia o calor infernal que vinha de cima, a chuva de chamas vindas dos psyvamps, mas demonstrava sempre um sorriso um rosto, sabia que aqueles inimigos eram provavelmente os mais poderosos que já enfrentou, mas isso apenas tornava tudo mais divertido. Batalhas brutais são diversão. - Todos mergulhem, afundaremos e congelaremos a água à medida que descermos, quando mais fundo, mais difícil será de nos alcançar com o fogo, e mais difícil será derreter o gelo. E pararemos de afundar a cerca de 15 metros de profundidade, se nós fizermos isso, vamos ter que prender a respiração, e não poderemos subir de novo a menos que queiramos virar churrasco, é ai que entra o plano, quando estivermos a 15 metros, vocês nadarão até mais próximo do continente, e congelarão as rochas ou qualquer coisa do tipo que sustentam o solo onde aqueles ratos estão apoiados, isso o tornará quebradiço, então vocês o quebrarão sem dó para causar um grande desmoronamento que vai levar afundá-los na água junto com a terra, e vocês precisam ser rápidos, porque se eles perceberem o que estão fazendo, vão sair da ponta do continente e não estarão na área desmoronada. Vai ser necessário um fôlego monstruoso pra fazer isso tudo debaixo da água sem respirar, e com certeza os mais fracos não resistirão e morrerão afogados, mas se não fizermos isso, todos nós vamos acabar queimados. Entenderam? Só parem quando perceberem que eles caíram, e então a batalha será cara à cara, e nós teremos a vantagem de campo: Água. Eu irei segurar a atenção deles enquanto vocês pôem o plano em prático, eu, a 15 metros da superfície, tenho força o bastante para segurar os ataques, mas eles são fortes o bastante pra queimar dentro d’água, então pelo amor de Drachen, sejam rápidos e efetivos, e estejam prontos pra uma batalha selvagem, ou melhor, estejam prontos para congelar todos eles quando estiverem na água. - Ele riu e estalou os dedos, sem parar de manter o escudo de gelo. - Agora, descendo. - E mergulhou de uma só vez, sendo seguindo por todas as suas tropas.
Congelaram a água acima de onde desciam, deixando a camada de gelo cada vez mais grossa, mas as chamas ardentes os seguiam, mergulhando no mar como se fossem impermeáveis. Quando estavam na profundidade estipulada, começaram a nadar em direção do solo, enquanto Gabriel ficou parado, mantendo uma barreira de gelo que rapidamente se derretia, e mais rapidamente se regenerava, calor contra frio, mas dessa vez, ele tinha uma grossa camada de água fria que tornava as chamas mais intensas em pequenas labaredas, mas mesmo assim, era impressionante que os ataques chegassem àquela profundidade dentro da água.
"Haha, esses vampiros são muito bons, se eu não morrer hoje eu vou merecer um aumento de salário, com certeza."A tropa de Gabriel era formada por exímios praticantes da cryocinese, e a grande maioria também tinha grande habilidade em natação e mergulho, por terem sua habilidade melhor aproveitada nas proximidades de grande quantidade de água, eles já eram especialmente preparados pra combater nesses terrenos, ou melhor, aguaçais. Prendendo a respiração, congelaram as superfície rochosa submarina , fazendo ela rachar, rachar, e logo depois, quebradiça, rachar, sem poder suportar o peso do solo continental. Rachou como um copo de vidro e tampa, cheio de água que é colocado no congelador e se faz em pedaços. Eles continuaram a onda de frio, destruindo mais da composição do relevo, destruindo de vez o apoio continental, que causou o total desmoronamento do chão em que os vampiros pisavam, afundou na água junto com seus corpos. O desabamento foi instantâneo, eles caíram no mar como meteoros incandescentes, muitos se machucaram com o impacto na água junto com pedras, areia e terra, e também com as colisões um no corpo do outro, cessaram os ataques, pois na confusão acabariam queimando uns aos outros. No momento de pararam de queimar, sentiram seus corpos congelados, não foi necessário muito esforço da Tropa Branca para congelar os psyvamps na hora que despencaram no mar, e também congelarem parte da água por cima de suas cabeças, fazendo uma barreira que impediu que fossem soterrados pelo deslizamento de terra causado pelos mesmos. Gabriel voltou a superfície e viu os corpos congelados apenas com a cabeça de fora, aparentemente toda a tropa inimiga havia sido capturada, a maioria morta instantaneamente por hipotermia, por não conseguirem manter suas funções vitais naquela baixíssima temperatura causada pelos Uminianos, os que talvez ainda estivesse vivos, no mínimo estavam "desligados", como corpos preservados sem consciência em uma câmara de criogenia.
- 1 a 0 para o grande Coronel Gabriel. - Sorriu debochado com a aparente vitória, e estalou os dedos, fez com que todos o gelo rachasse de uma vez, fazendo os corpos, quebradiços com a temperatura mínima, racharam ainda mais facilmente que as rochas no desmoronamento, veias se dilataram e estouraram, pele rachou, orgãos foram feitos em pedaços, ossos transformados em migalhas, e o resultado de tal movimento fatal pintou de vermelho as águas do mar, tanto sangue derramado que por um momento, pareceu que o oceano inteiro viria a mudar de cor, de azul para vermelho. O coronel assistia com prazer ao espetáculo de guerra, se deleitava em ver os corpos terrivelmente danificados, alguns partidos como carne de açougue, outros abertos, com os órgãos saindo pelo corpo, basicamente, uma verdadeira cena de guerra. Uma guerra não é uma guerra sem um mar de sangue, e assim Gabriel pensava, e desse modo aproveitava o cenário grotesco da vitória. - Agora é só esperar a tropa e invadir o continente.
Ele aguardou pelos seus homens, aguardou, e muitos segundos se passaram até uma ideia vir em sua cabeça.
Eles se afogaram.
Mergulhou para procurar por seus homens, tudo que viu foi vermelho, o sangue dos mortos se espalhou de tal modo pela água que era difícil enxergar algo além de, no máximo, vultos embaçados em meio ao vermelho. Teve que usar hidrocinese para afastar o sangue, espalhar para longe de onde tentava ver, fazendo igual a Moisés quando abriu o mar vermelho, mas dessa vez era literalmente. Quando conseguiu ver algo, percebeu a tragédia, não era possível enxergar seus bravos soldados, porque tudo que havia diante de seus olhos era terra, pedras e escombros. Gabriel sentiu um aperto no coração quando viu, estava tão claro, eles foram soterrados pelo material que despencou sobre suas cabeças quando derrubaram os inimigos, isso era uma possibilidade que tinha vindo em sua mente no momento em que preparou o plano, mas era muito pouco protável, pensou que os soldados fossem capaz de evitarem um soterramento subaquático, congelarem e sustentarem todo o solo que poderia esmagá-los por baixo da água, e depois nadarem de volta à superfície. E isso estava garantido, sim, a Tropa Branca era treinada para ter um fôlego excelente, pra poderem prender a respiração por muito mais tempo do que o que já havia se passado, algo tinha que ter acontecido, não poderia haver a mínima duvida de que algo tinha acontecido. Volto a superfície, agora tinha certeza de que estavam todos mortos, mas algo estava errado, e ele não sabia o que, mas ao invés de sentir receio da ameaça desconhecida que havia destruído seu exército, sentiu apenas uma grande empolgação, como se fosse uma criança com um brinquedo novo, um brinquedo novo com o qual ele teria que lidar, sim, com certeza ainda havia algum Sogeniano vivo. Mas onde? Olhou em volta, e não acho nada, mergulhou e procurou novamente, dessa vez foi fundo o bastante pra ver o que havia debaixo dos escombros congelados que flutuavam vários metros abaixo da superfície, todos os seus soldados mortos, tudo naquele combate havia sido grandioso, chuvas de fogo que pareciam cobrir o céu, vindas de incontáveis inimigos, uma verdadeira calota polar criada pelos seus homens, uma mudança de relevo feita por soldados, mas agora a única grandiosidade que ele via com os olhos cheios de desgosto era o seu exército morto, todos os soldados boiando debaixo do túmulo de gelo, sem vida, tantos soldados que ocupariam um cemitério inteiro se fossem enterrados devidamente. Não precisava mais ver aquilo, já sabia o destino da Tropa Branca, volto a superfície e nadou até terra firme, provavelmente morreria se adentrasse no continente sozinho, mas isso não é importante, a vida não é importante.
"Quem liga se me matarem? Pelo menos morrerei de um modo divertido, morrer de velhice deve ser um tédio."
- Eu não posso vencer ele? - Pandora corria por uma floresta próxima ao ponto onde ocorreu a sangrenta e breve batalha, seus pensamentos ecoavam como vozes dentro da sua cabeça, e fugia com medo, por algum motivo sentia um medo dilacerante dentro do peito, que doía como uma faca afiada rasgando de dentro pra fora.
- Aquele é Gabriel, ele não tem nenhuma linhagem sanguínea especial, ele é descendente de nenhum grande TK, e nem tem um espírito que o ajuda, mas o poder dele supera muito o seu, eu pude transferir dor para aqueles que estavam no fundo da água, a dor foi tão devastadora que eles não conseguiram se controlar e se afogaram. Mas o chefe deles, eu não consegui transferir dor pra ele.
- Se você podia fazer isso, por que não usou logo pra nós matarmos logo todos eles? Meus homens não precisavam ter morrido. E como você sabe o nome do comandante deles?
- Eu sei o nome dele porque eu o vi quando vaguei em Sogen, e foi uma das personalidades que mais me atraíram. Sabe, ele exala dor e sofrimento por todos os poros, as pessoas vivas não percebem, ele parece sempre bem humorado, feliz, e esse era o problema, depois de você, das pessoas que já vi, foi a pessoa no qual eu mais pude sentir sofrimento. Mas eu também senti algo incomum, ele gosta de sofrer, e este sofrimento devastador se converte em uma alegria irreal, quando eu o vi, ele ria, se divertia, e ali no campo de batalha, eu também pude sentir... ele estava ótimo, se divertindo com a batalha, com a sensação de quase ser queimado, de sofrer na batalha...
- O que o faz sofrer?
- Não é um masoquismo sexual, e nem físico, ele gosta de sofrimento emocional, mental, espiritual, e eu suponho que essa dor se baseia na culpa, sim, eu tenho certeza de que o que dá prazer a ele é a culpa das, suponho que inúmeras, vítimas que ele fez na carreira militar, porque você viu com seus olhos que o que Gabriel sabe fazer é matar. E acho que esse estranho masoquismo espiritual fez com que ele criasse uma proteção astral contra o meu dom, e é isso que me faz acreditar que você não tem chances em uma batalha 1 x 1 contra ele, tudo em um raio de 14 metros do corpo dele é imune a penetração astral ou mental, não dá pra invadir uma mente se você for um Drachen, não dá transferir sensações se você for eu. E eu não creio que ele tenha criado essa proteção incoscientemente, não, ao contrário, tenho certeza de que ele quis se preparar tão bem para ser um grande guerreiro que desenvolveu uma proteção contra ataques mentais. Isso é coisa de monge, apenas monges muito habilidosos conseguem fazer isso, portanto, se esse rapaz realmente criou essa proteção, é porque ele é um gênio, um gênio completo. Mas felizmente, ele acabou se afastando dos amigos quando foi a superfície, e eles continuaram lá no fundo, então, foi só dar uma descarga de dor e... mortos.
Pandora parou de correr, já havia atravessado uma extensa área de mata, se sentou sobre as raízes de uma árvore de tronco grosso e cujas folhas se elevavam até além de sua visão. Encostou a cabeça na madeira e fechou os olhos.
- Você vai mesmo parar pra descansar?
- Você pode senti-lo, não pode? É só avisar se ele se aproximar. Mas agora eu quero que termine de me explicar como você me teletransportou ao continente, e que me revele todos os seus poderes.
- Falar de todos os meus poderes é algo um pouco difícil e demorado, sabe, eu tenho tantas habilidades que você ficaria cansada de ouvir todas, por isso, direi primeiro como salvei sua vida: Eu não tenho a habilidade de me teletransportar, mas tenho a habilidade de explorar profundamente a mente o subconsciente de uma pessoa na qual eu estou ligada, no caso, você, a única pessoa à qual estive apta a me ligar foi você, portanto tive acesso às profundezas do seu subconsciente, às suas habilidades mais ocultas, e encontrei em você a raríssima habilidade de se teletransportar. O teletransporte é um dos dons mais raros desse mundo, o teletransporte se torna ainda mais raro de ser ver em prática, pois a pessoa que tem a capacidade de usá-lo não consegue desenvolvê-lo naturalmente, ele deve treinar pra trazer esse poder à tona, difilmente alguém tem essa habilidade, e mais dificilmente ainda esse alguéma desenvolverá. Na minha época mesmo não havia um único TK conhecido que fosse capaz de se teletransportar, mas agora eu descobri você, você carrega esse dom incrível guardado tão profundamente que você nunca sonharia em imaginar que o tinha. O teletransporte se baseia no uso de um atalho por uma dimensão diferente para se mover de um lugar para o outro no nosso mundo, a pessoa que consegue fazê-lo pode abrir um portal que leva à outra dimensão de freqüência mais alta, um plano superior onde não há vida, pelo menos não como a conhecemos, e através desse plano onde os movimentos são facilitados como se seus habitantes fossem deuses de transporte fácil, a pessoa chega quase instantaneamente ao local desejado, e então volta à nossa dimensão, usando o local da outra dimensão equivalente ao local desejado na nossa. E tudo isso ocorre de uma maneira extremamente rápida, a pessoa escolhe o local no momento que abre o portal, e geralmente ela terá a ilusão de que já foi direito ao ponto desejado, mas não, ela sempre passará pela outra dimensão, mas geralmente será tão rápido que ela nem perceberá, será como um piscar de olhos, era basicamente irá abrir o portal, entrar, e se mover sem inconscientemente até o portal de volta, só que no local alvo, esse movimento será rápido como a luz, instantâneo, rápido e eficaz, então será como se ele tivesse entrado em um portal e entrado em outro. Infelizmente essa habilidade tem um preço, o movimento na outra dimensão pode ser rápido e inconsciente, mas exige energia, após o teletransporte a pessoa estará totalmente exausta e desenergizada, fraca, bem, pelo menos se tiver atravessado uma grande distância, alguém que usa teletransporte para lutar contra um inimigo e não se deixar acertar, apenas mudando de posição, não irá ter esse problema, mas alguém que sai do meio do mar e chega no continente de Sogen... fica como um morto vivo de tão pouca energia, e se a pessoa não descansar ou comer, ela pode morrer como uma vítima de vampirismo psíquico violento. Mas no nosso caso isso não foi assim, isso porque o que eu teletransportei almas, e não corpos, nós tivemos nossos corpos astrais movimentados, e não os nossos corpos físicos, que já estão mortos, e isso exige uma quantidade de energia realmente menor, na verdade, quase nula, a energia gasta é equivalente à massa do que é transportado, e almas não têm quase nenhuma massa, por não ser algo físico, portanto, não precisamos gastar quase nenhuma energia pra transportar-nos espiritualmente pela outra dimensão, a única energia gasta é para abrir, fechar e encontrar os portais. Mas agora vem a parte mais inacreditável e impressionante deste meu relato, estando o meu e o seu espírito aqui em Sogen, mas sem um corpo, portanto ainda faltava arranjar um corpo para nós. E isso não é fácil, mas também não é impossível, felizmente eu li muito em vida e tenho uma grande carga de conhecimento dentro de minha mente, eu li um livro chamado o Homem do Boneco, já ouvi falar?
- Não, eu nunca ouvi falar, você está dentro da minha mente, não pode simplesmente acessar minha memória ao invés de perguntar? E o que tem esse livro?
- Não pense que é assim, eu posso ler os pensamentos que você está tendo agora, cada pensamento íntimo em sua mente é como uma frase dita em voz alta aos meus ouvidos, mas só posso ouvir o que está sendo pensado no momento quando estou ligada à sua consciência. Bem, deixe-me explicar, nossas mentes estão ligadas, e há dois lugares nos quais eu posso me alojar: no seu consciente ou no seu subconsciente, jamais nos dois ao mesmo tempo. A sua conciência é quando eu estou como uma segunda mente, uma voz na sua cabeça, eu praticamente funciono como "sua consciência interior", nesse estado eu fico um pouco ligada à seu corpo, e ao nível menos profundo da sua mente, que são os pensamentos imediatos, mas não a memória. Quando estou no subconsciente é como se eu mergulhasse na sua mente, tendo acesso a memórias, pensamentos do passado, habilidades desconhecidas e conhecidas, traumas, desejos, sonhos e tudo que há de mais puro e profundo em uma pessoa, o subconsciente estará totalmente desligado do corpo da pessoa, mas está ligado à sua mão, quando eu estou nele, eu não posso me comunicar com você e nem ouvir seus pensamentos imediatos, é como se eu realmente viajassem por dentro de sua mente, como se fosse um lugar, um labirinto ou coisa parecida, um lugar, realmente um lugar. O subconsciente garante que você vai existir, ele é sua natureza e parte da sua alma, e ele vincula seu corpo à consciência, e fica adormecida o tempo todo, mas mesmo assim é ela que define o que você é de verdade. O que eu fiz para recuperar a sua existência foi pôr sua consciência dentro de um novo corpo, e é por isso que você está viva.
- Como assim um novo corpo? Eu me vi, eu tenho a mesma aparência que sempre tive! É impossível. – Ela abaixou a cabeça entre os joelhos, pressionando de olhos fechados, estava nervosa, não conseguia acreditar em tal idéia. Mudar de corpo? Isso é algo que um maldito Drachen faria.
- Eu sei o que você pensa, mas não tenha medo, eu vou explicar. Transferir mentes para outros corpos é a habilidade de Drachens, não de Abschteulich, e isso até você sabe. Quem não sabe? Veja, eu superei todos os grandes TKs talentosos anteriores, eu sou capaz de manipular a mente como Drachen, sou capaz de manipular com o espírito como Kinesis, e sou capaz de roubar, drenar e sugar a energia e usar as habilidades alheias assim como Daemon fazia, não sou tão poderoso quanto qualquer um deles em suas especialidades, mas posso fazer tudo que eles faziam, mesmo que nem de perto tão bem quanto faziam. Tudo isso devido ao longo tempo que tive pra treinar minhas habilidades enquanto estive sem um corpo, essa é a grande vantagem de se estar morto, você não tem que perder tempo comendo ou dormindo, e pode se dedicar exclusivamente à própria evolução. O livro o Homem do Boneco é uma publicação antiga praticamente lendária por seu conteúdo, eu cheguei a lê-lo em vida, e ele ensina tudo sobre ligar uma alma à um corpo, ou até mesmo a um objeto. Você se surpreenderia com as coisas que os estúpidos TKs ocidentais ignoram, você se surpreenderia em saber o quanto o seu pai é ignorante, por mais poderoso que ele seja, ele não sabe 10 por cento do que a mente humana pode fazer, ninguém sabe, mas eu sei um pouco mais. Precisávamos de um corpo sem alma, e de preferência, de alguém muito hábil em biocinese, achei que seria bom pra você ter o corpo de sempre. Um corpo sem alma ao qual me refiro não é um corpo morto, mas sim um corpo vivo vazio, ou porque a mente foi destruída, como o que aconteceu com Arius Drachen, ou porque
- Espere. Me fale, meu pai sempre me disse que não há vida após a morte. Se há, como é? Se nossos corpos morrem, nós podemos simplesmente procurar outro corpo e voltar à vida como se nada tivesse acontecido?
- Não, não há vida após a morte, exceto para os felizardos que têm o dom. As mentes e almas comuns morrem junto com o corpo, assim que o corpo morre, a alma se separa dele na forma de energia, e essa energia aos poucos vai como se “degradando”, se tornando parte de outras coisas, se dissipando aos poucos, acabando de vez com a existência do morto. É isso que acontece com as pessoas normais, suas existências são reduzidas a pura energia após a morte, mas esse processo de mort. Mas isso com as pessoas comuns, as especiais como eu não têm esse problema, quando eu morri, minha alma não virou energia pura e sem vida, não morreu com o corpo, ela apenas se separou do corpo, como em uma projeção astral, e daí em diante pude vagar pelo mundo. Você é uma pessoa comum, sem nenhum grande dom, sua mente teria morrido eternamente se eu tivesse demorado um pouco mais, mas pude te salvar antes que sua alma se separasse do corpo, e a protegi de se tornar energia sem vida, mantendo sua mente e alma intactas com meus poderes, e com a nossa união, que te forneceu a minha habilidade de manter seu corpo astral e sua mente vivos mesmo após a morte física. Você entende isso?
- Mas se é assim, grandes espíritos poderosos devem estar por toda parte. Drachen por exemplo, você chegou a encontrá-lo, ele ainda vive? E meu ancestral Netrom Daemon, ele vive também?
- Eu sou uma TK excepcional, não o lendário deus onisciente Involeth. Não sei o que aconteceu com Drachen nem Daemon, eu sou velha, mas não sou de 2 mil anos atrás, eu não os encontrei jamais, no outro plano eu raramente encontrava outras pessoas, acho que em todos esse séculos eu só estive em contato com 28 delas, e mais algumas em projeção astral, que não fazem parte da contagem, sempre que eu encontrava uma espírito sem corpo eu o abordava e tentava conversar, falando quem sou e perguntando quem era, quase todos eram boas pessoas e me trataram bem, exceto uns 2 que tentaram me matar, loucos poderosos, bem, eles conheceram a morte espiritual por mim mão. Se você quiser saber de alguém famoso que estava entre esses espíritos poderosos, posso te falar sobre um dos que matei, o famoso assassino Jack Espancador, ele tinha um pouco de sangue Kinesis na veia, e matava pessoas desprevenidas à pauladas, depois usando a energia de suas almas sem vida para se fortalecer, morreu nas mãos do famoso General Rafael, herói que reinou por muito tempo em Tsuchin, usuário de teletransporte, assim como você. Também me encontrei com o General Rafael Frujeri, conversamos sobre nossas jornadas de vida, oh, um homem fascinante, um verdadeiro sábio, creio que se todos os generais fossem como ele esse mundo seria um lugar muito melhor. Também conversei com o General Alan Medeiros, poderoso TK, o mais poderoso usuário de geocinese que esse mundo já viu, era capaz de rachar uma montanha ao meio usando seu poder, venceu diversas guerras, mas não foi cruel com os povos dominados, um homem duro, mas bom, fez um grande reinado em que dava liberdade e boas condições de vida para o seu povo e também para os dominados.
- Quem mais? Essa parte está até divertida. – Pandora levantou a cabeça e sorriu, coisa que não fazia há tempos, na verdade, que nunca costumou fazer.
- Há almas que normalmente teriam sobrevivido à morte física, mas isso pode ser evitado, por exemplo, você com certeza conhece Dante Hamachi, o protagonista do Livro dos Tenshikyus, eu tenho observado as coisas acontecendo desde que morri, eu o vi ainda em vida, eu o vi uma vez quando matou um mendigo, e eu via o espírito superior que o acompanhava, a criatura que escreveu o livro, Catarina Kinesis, irmã do lendário general. As pessoas que ele matava não tinha a oportunidade de ter sua vida após a morte, pois suas almas eram automaticamente convertidas em energia sem vida e drenadas, não era vampirismo psíquico, era mais algo como “devorar almas”, por isso sempre que matava ficava mais forte. Creio que isso não tenha funcionado com Arius por ele ser superior demais pra ser drenado tão facilmente, uma exceção, Arius era mais do que uma exceção, eu tive a honra de falar com ele uma vez, em um dia em que fez projeção astral, quando ainda era uma criança, devia ter uns 8 anos. Mas que criança era aquela? Eu podia sentir o poder de mil homens comuns dentro daquela criança, chega me fazia tremer, foi a único momento em que eu tive medo de ter minha morte espiritual, aquela criança tinha poder o bastante pra me reduzir à nada, ele tinha um olhar tão ingênuo, tão inocente, era só uma criança, e nem tinha uma natureza ruim. Ele me contou sobre sua vida, sobre seus poderes excepcionais, e sobre os seus sonhos, me contou que seu maior desejo era se tornar general de Umi e, no poder, fazer do continente um lugar melhor para se viver para todos. Me contou sobre o pai que o maltratava, e sobre o quanto queria provar pra ele que poderia ser um ótimo filho, por isso Arius sempre procurava ser o melhor no que fazia, especialmente na escola de telecinese, onde sempre foi de longe o melhor aluno. Eu lhe contei minha história, e ele ficou empolgado por conhecer Samantha Abschteulich, um garoto tão culto como aquele sabia quem eu sou, já tinha lido um de meus livros, embora eu já não lembre exatamente qual a criança leu. Eu podia sentir suas emoções, não era mau, apenas sofria e guardava um grande rancor contra o pai, depois desse dia eu nunca mais o vi, mas creio que esse rancor contra o pai tenha crescido, e, combinado com a arrogância gerada pela seu talento incomum, se transformado em um cruel desprezo pelas outras pessoas, que o transformou no monstro que vocês conhecem nos livros de história e psicologia.
Mas por mais que meu encontro com Arius tenha sido surpreendente, nada foi mais magnífico do que o meu encontro com o mais importante homem da história do mundo: Harudo Kinesis.
- Você se encontrou com o General? Ele não ceifava almas pra se tornar mais poderoso? Por que não te ceifou?
- O General Kinesis é uma verdadeira divindade, uma criatura acima dos padrões humanos e também da imaginação das pessoas comuns. O encontrei-o junto com 3 de seus anjos, um dia, vagando, eu podia sentir uma energia inimaginável vindo de todos eles, mas o General era maior do que de todos os outros reunida. Lembro me exatamente de suas palavras quando me viu: “Não irá se reunir a nós, viajante?”. Por mais poderosa que fosse sua presença, eu não conseguia sentir medo, me aproximei do grupo, me sentando de frente ao General. Ele gesticulou para que os outros se afastassem, e eles obedeceram. Até aí eu não tinha dito nada, não sabia o que dizer, e também não sentia necessidade de palavras. Ele me perguntou meu nome, eu respondi e perguntei o dele, que me respondeu com certo orgulho: Harudo Kinesis, senhor da pós vida. Ele comentou que pôde sentir um grande potencial em mim, e que eu seria uma ótima adição ao seus anjos, que eu deveria me tornar um deles e ajudar no serviço de purificação do mundo espiritual. Eles, os Tenshikyu, são responsáveis pela morte espiritual e definitiva, eles drenam a energia sem vida que sai de um morto, a alma vazia, e também matam espíritos conscientes para drenar a sua energia, quando eles conseguissem uma certa quantidade gigantesca de energia, poderiam materializar seus corpos e voltar à vida como humanos incrivelmente poderosos. Esse era o dom de General Kinesis, controle sobre a vida e a morte, e com o objetivo de viver novamente, ceifou milhares de almas através dos anos, ele era um dos principais motivos para eu quase nunca ver uma alma vagando fora do corpo. Quando encontrava um espírito poderoso e digno, o transformava em Tenshikyu, com todos os poderes de ceifador. Perguntei com um pouco de receio se ele não me ceifaria se eu recusasse, ele respondeu com as exatas palavras: - Minha precipitada juventudade já passou há muitos séculos, nos primeiros anos no plano astral ou eu absorvia, ou adiciona no meu grupo, mas depois adquiri censo de decência. Das almas conscientes eu só destruo as que julgo merecedoras de tal destino, e você, se não quiser ser uma de nós, não será obrigada, Samantha Abschteulich, a escritora, e também não será destruída, pois toda alma é livre pra ir e vir. Conversamos, perguntei mais sobre sua história, eu me sentia diante de Deus realmente, tamanho era o poder que emanava. Harudo me falou sobre o julgamento feito para absorver ou não uma alma consciente, se não é consciente, é absorvida sem dúvida alguma, mas se for, será absorvida se tiver cometido um dos seguintes crimes: fazer mal àquele que te estendeu a mão, fazer mal sem ter sofrido nenhum mal como justificação, e ameaçar a organização dos tenshikyus. Só pra comentar, todos os crimes foram cometidos por Arius Drachen, que morreu junto com o General. Essa lógica explica porque Jack o Espancador não foi absorvido, pois podia ser um serial killer, mas tinha traumas de infância que explicavam sua extrema crueldade. Outra coisa muito interessante nesse homem que eu facilmente chamaria de mestre é que ele só considerava como “vida”, aqueles que são evoluídos o bastante pra manter a mente viva após a morte, ele não se importava de mandar seus enviados matarem pessoas físicas para que suas almas sem consciência fossem ceifadas e aumentassem seu poder, mas não era capaz de ceifar a alma de alguém que fosse superior e não tivesse um “crime” pesado o bastante nas costas, mesmo se tivesse sido morto fisicamente por um enviado seu. E eu vejo o mundo de modo parecido, os fracos devem morrer e os fortes, os evoluídos viverem, por isso a dor é o mais importante dos caminhos, é ela a prova que mostra quem é forte, quem deve viver, e quem é morto, quem deve ser ceifado.
Zandor
Era um dia claro, duas amigas conversavam na praça, sentadas em um banco de frente a uma bela fonte na forma de um lobo jorrando água, o animal mais simbólico de Umi, por ser o animal relacionado a Drachen, maior herói da história do continente. El
- Ah amiga, e como é esse tal coronel?
- Ah, ele é lindo, ele é o cara mais bonito do mundo. Começamos pelos cabelos longos lisos cheirosos, corte reto atrás e uma franja longa na frente, cabelos batem no meio das costas, usa shampoo Pentine, e, lógico, cabelos negros como uma pantera negra Uminiana, lindos e maravilhosos olhos azul piscina, de um olhar totalmente sedutor, dominador, que demonstra a sua brutalidade de militar de alta patente em conjunção com a boca, labios normais, não muito carnudos, bochechas com covinhas leves que dão um charme ainda mais especial no seu rosto perfeito. Sobrancelha bem desenhada, acho que ele deve ir no salão de beleza, mas hoje em dia, quem não vai, né? Um brinco do lado direito, um brinco de prata de argolinha pequena com uma cruz
Também de prata só de um lado, eu não sei se significam algo ou são um adorno, mas deve significar, pois além de lindo, ele é brilhante. Braços sem quase cabelo nenhum,
peitoral não muito malhado, apenas uma definição de músculos, é um pouco "bombadinho", até inesperadamente simples pra um militar sem cabelos na barriga ou peito. Cintura normal, nem fina nem grossa, não muito gordinho nem magrinho, ah, tipo, ele é perfeitinho, todo equilibrado, proporcional, maravilhoso. – Os olhos dela brilhavam totalmente enquanto falava, e gesticulava de vários modos, como uma menininha que se apaixona pela primeira vez. – Mãos razoavelmente grande e macias, ele deve passar muito creme pra conseguir deixá-las daquele jeito, tão vaidoso, ele tem unhas sem cutículas, deve ter 1,75 de altura, mais ou menos. Nossa, e as pernas sem cabelos, o que não fica bem em todo mundo, mas nele é sexy, tem coxas um pouco grossas, panturrilha definida da vida dura que tem. Tatuagem nas costas, de uma carpa que tem o rabo enorme que desse na barriga, mais só a pontinha, é um pouco estranho, mas misteriosa, e claro, como tudo nele, muito sexy. – A mulher chegava a olhar para cima, lembrando do seu adorado. - Bem, o resto eu prefiro não contar. – Riu e se calou, pensava nele com empolgação e o coração acelerado, ele não era bem o tipo de homem mais fácil de se conquistar, mas era sem dúvida, o melhor que se poderia conquistar.
- Espera, amiga, e a personalidade dele?
- Ah, claro, você não tem a desculpa de falar que eu só o amo porque ele é lindo. Bem, ele é um perfeito cavalheiro, muito educado, muito gentil, trata mulheres como princesas, faz aquelas coisas que ninguém hoje em dia faz, como dar rosas, falar coisas poéticas românticas, puxa a cadeira no restaurante pra você sentar, fala corretamente, além de ter uma voz grossa maravilhosa. Ele é muito inteligente e culto também, ele tem assuntos totalmente inesperados para conversar, ele conhece ciências, política, literatura, música, um verdadeiro intelectual, e mesmo assim nunca demonstra arrogância ou superioridade, ele é legal e compreensivo, mas bem, mesmo assim, quando você está com o coronel, você se sente dominada, você deseja que ele te domine e te agarre, não sei nem como explicar, é como se fosse mágica. – Ela sorriu, colocando o dedo na boca e roendo a unha de nervosismo, coisa que não costumava fazer. – Hum, deixa eu ver se tem mais alguma coisa... tem algo que ele contou, mas não vi, o coronel me disse que ele tem que ser um homem duro quando está no trabalho, que tem um grande sonho dentro do exército que é um dia ser general de Umi, ele é um praticante avançadíssimo de cryocinese, e um dos principais estrategistas do exército, liderando grandes operações e sendo a melhor opção para prender bandidos sem ter que matá-los, e também para cumprir missões sem nenhum baixa, e nem mesmo um machucado em algum de seus homens. Ah, ele é perfeito. – Olhou para baixo e suspirou.
Você tem o resto da história? Eu simplesmente amei
ResponderExcluir