terça-feira, 27 de setembro de 2011

A Divina Tragédia 2

- Matou-o? Descobriu alguma coisa? – Peguei em sua mão.
- Vou contar: Nossas canelas estouraram dentro da ilusão, você desmaiou com a dor extremamente realista, eu suportei e então acordei para a realidade, agarrei Monteiro e então disse:
- Quem é você? O que é você? Como sabe sobre mim? Apenas leu nossas mentes? Conte-me,me conte, eu quero saber quem você realmente é por trás dessa marionete.
- Peça principal da filosofia desse mundo injusto, isto sou eu, deves temer-me, deves respeitar-me, e nunca me ter com teu inimigo. Adeus Luna.
E então o corpo astral dele se tornou imóvel, era um espírito sem alma, uma alma sem espírito! Um espírito vazio, uma carcaça, uma visão muito rara de se ter, praguejei bastante e o absorvi, sem, com isso, estar fazendo qualquer coisa de errado, e então me preocupei em cuidar de você até que acordasse.
- Então ele apenas soltou o marionete, acabamos sem nenhuma informação nova dessa vez.


Capítulo 18 – Os Desaparecidos

S surgiu próximo a nós, e pela primeira vez parecia preocupado, suava frio e começou a falar livre de qualquer forma de serenidade ou calma: -
- Não era um escritor. Quem era?
- O “corpo” era de Monteiro Lobato, mas outra pessoa o controlava, uma pessoa de extrema astúcia e difícil de localizar. O procuraria, esta seria a minha prioridade se eu fosse menos prudente! E juro vingança contra esse manipulador de espíritos, mas apenas mais tarde, por hora só devemos exterminar os Sete Escritores, depois Belzebu, aí depois prestamos as contas.
- Luna, não me disse se absorveu o corpo astral dele. – Adicionei.
- Sem perguntas retóricas. Você viu algum corpo perto da gente? – Ela me calou.
- Não sei como não estão mortos! Ouvi dizer de meu amigo Kemal Ataturk que há atualmente há um espírito a solta que tem gerado pânico nos planos entre o Céu e o Inferno.Houve alguns desaparecimentos de espíritos antigos e poderoso: Tétis, deusa do mar que reinava no Círculo dos Marinheiros, Garuda que era um dos espíritos mais conhecidos do Círculo dos Aviadores, e Satã, que havia sido presidente da Cidade dos Acusadores, mas que recentemente teve o cargo tomado por Abigail Williams.
- Bem, e o que isso tem a ver com aquela criatura que enfrentamos?
- Luna, não consegue enxergar? Você tem o que chamam de Dom, uma maldição única compartilhada apenas com a grande deusa Nyx. Já esteve em companhia de Nyx? É uma presença intensa, assim como a sua, mas tantas vezes mais pesada, que te faz parecer um bebê no carrinho de tão insignificante. Espíritos com dons semelhantes possuem a natureza de sua energia um tanto parecidas, às vezes cheiram. Você sabe que cheira, não é? Artur não pode sentir facilmente seu odor, a percepção de um vivo não é tão forte quanto a de um morto, mas seu odor de ferrugem velha é indisfarçável.
- Entendo, e ele tem um cheiro parecido com o meu, o cheiro de ferrugem.
- Claro que eu não pude sentir o cheiro dele, mas senti uma energia parecida com a sua quando a ilusão foi quebrada, eu estava rastreando de bem longe, vocês sabem como é meu costume. Aquela energia terrível, muito parecida com a de Luna, densa, rancorosa, destrutiva, mas extremamente intensa e poderosa.
- Então sugere que ele tivesse o dom?
O diálogo dos dois era muito interessante e explicativo, apenas os escutava enquanto acompanhava os interlocutores com o olhar. S ainda estava nervoso, Luna calma.
- Sim. Sua perversa habilidade de absorver outras almas e transformá-las em meras extensões de sua consciência coletiva. É a mesma coisa que ele fez, de acordo com suas palavras “mas outro o controlava.” Todos conhecemos a sua história, mas se alguém que tem a habilidade de controlar outros espíritos à distância e tem ligação ao seu dom, esse alguém só pode ser mais poderoso que você, pois nem você, nem Nyx, podem controlar “suas partes” à distância, é alguém em um nível mais avançado do Dom, um nível fora da simples imaginação. Tendo semelhante habilidade, essa pessoa seria o perfeito suspeito para causador do desaparecimento dos grandes espíritos! Ele está reunindo partes para obter várias habilidades diversas, e várias ferramentas para várias finalidades. Um criminoso espiritual! Só me estranha que não tenham matado a vocês dois, Luna seria uma grande adição.
- Todos conhecem minha história? Qual é? E quem te contou? E afinal, como sabe tanto de mim? – A chateação tomou conta.
- Sabe como te chamam por aí? “Lady Blood”. Você anda em locais comuns, mas você não é comum, todos sabem o que você fez por muito tempo, está estampado no seu rosto, seus olhos. Mas acho melhor que eu mostre melhor a fonte para você. Espere. – Desapareceu e pouco tempo depois retornou com um papel. – Pegue. – E o entregou para que lêssemos.

Capítulo 19 - Lady Blood

Caso Lady Blood

Ouviam-se gritos, mais gritos que o normal, era um dia comum no Abismo dos Condenados. Como pude sobreviver a resistir a tamanhos tormentos? Nenhum maior do que aquele que surgiu diante de meus olhos, uma abominação para qual nenhuma descrição seria digna de seu profundo horror sobrenatural, um ser imenso, disforme, formado de muitos, uma massa de tormento e rancor que exalava um terrível odor de sangue. Esse ser indigno atacava a todos com tentáculos de cor clara que atingiam como o mais pesado concreto, cada vítima era puxada, como se cada tentáculo tivesse uma boca faminta por carne e espírito, e então a presa era literalmente “devorada” pelo corpo do monstro. Ele repetia o processo muitas e muitas vezes, e todos os demais eram indefesos, sem nenhuma chance de reação, fuga, defesa, eu assistia a tudo atemorizado até meus ossos tremerem, e ele, ela, de alguma forma aquilo era uma menina, se aproximava de mim, com os olhos vermelhos, muito vermelhos e profundos, a mais terrível visão dos mundos, nem minha Medéia seria tão maligna. Mas a criatura cessou , quando já havia devastado pelo menos quarenta vidas, muito próxima de mim, e aquela ira bestial pareceu desaparecer em sua maior parte, não por inteiro, e o monstro se transformou em uma criança vestida com trapos e com a mais clara face da miséria em suas feições doentes. Ela chorou e saiu correndo para além de mim, e felizmente não a vi mais.
Testemunho de Eurípedes sobre Lady Blood

Essa foi a primeira notícia registrada que se tem sobre o demônio conhecido como Lady Blood. Depois dos caos causado por Nyx na antiguidade antes de assumir seu posto no Inferno, esse é o segundo caso em que o Dom é identificado. Luna de Arezzo viveu por tempo desconhecido no Abismo dos Condenados, seus crimes lá cometidos foram contados pelo poeta Eurípedes, que fazia um tour de mau gosto pelo local. Após sua saída do Abismo, o terror apenas cresceu, pois passou a matar indiscriminadamente pessoas em todos os círculos, chegando a um total calculado em pelo menos novecentos pelo matemático Bhaskara, sobreviventes e testemunhas descrevem que sempre ataca usando mesmo a forma de menina, e ainda assim a descrevem como “ódio em pessoa” e nomes semelhantes. A assassina ficou conhecida como Lady Blood devido a cor vermelha de seus olhos e o forte cheiro de sangue que todos declaram exalar. O dom que carrega foi primeiro identificado por Nyx, que entrevistada para dizer sua opinião sobre o caso, disse: - Oh, pela descrição, pelo modo como ela age, é minha irmã! Compartilhamos do mesmo dom, isso é fascinante, a segunda em um universo inteiro, espero que ela se desenvolva e venha me desafiar, não quero existam duas de nós, mas a quero bem forte para que nosso combate seja digno, esperarei ansiosamente. O Dom, com letra maiúscula, é como se chama a habilidade raríssima e impronunciável de Nyx, e agora, também de Luna de Arezzo, que torna possível a transformação de outros espíritos em partes do próprio, tornando-os partes de seu corpo, consciência, adquirindo seus dons, conhecimentos e poderes, o Dom é considerado hoje, o segundo dom mais poderoso do universo, ficando atrás apenas do Poder de Criação, de Seth. Nos dias de hoje, Luna cessou seus crimes, age como se nada jamais tivesse acontecido. Estaria arrependida de verdade e tentando se redimir? Mas o medo que se tem dela não é menor, mas nenhum espírito em sã consciência jamais agirá contra ela, do mesmo modo que não agiam quando Lady Blood ainda era assassina. Não há muitos com poder para enfrentá-la ou desafiá-la, e os que tem, não têm porque fazê-lo, ou só o fariam por legítima defesa.

Matéria por Deusa Ísis

- Artur, você sabe por que tenho cheiro de ferrugem? – Desviou o olhar com ódio pra mim, ela não sabia de tudo aquilo, e agora mudava de assunto rispidamente.
- Não. – Os meus pensamentos me perturbavam. Lady Blood?
- Sangue tem hemáceas, hemáceas têm ferro, eu tenho sangue, pois o sangue é a vida de todo espírito, e eu carrego vidas em excesso em mim, porém, essas vidas são escondidas quando estou em minha forma humana, e o cheiro é parcial. Você só sente o cheiro do ferro do sangue, você e qualquer um, mas você em especial, que por ter baixa percepção de vivo, só o sente de muito perto. Quando estou na minha forma monstruosa, aquela que vocês chamam de Lady Blood, desperto essas almas enterradas nas profundezas do meu Inferno interior e o odor de vida, de morte, se revela. Cheiro de sangue, a vida de tudo, tenho excesso de vida, e essa vida toda se torna visível e sensível quando me transformo no monstro que sou, bem mais do que o ferro das hemáceas vem à tona.
- Como você mesmo se denominaria na sua forma monstruosa?
- Lady Blood que não seria, esses títulos são ridículos, coisa de gente de mau gosto e estúpida, no minimo, descomprometidas com a verdade, e que, portanto, precisam inventar tais nomes para dar um ar de glamour ou exagero para algo que não conhecem bem. Vou matar ambos, Ísis e Eurípedes. Primeiro Eurípedes, me enoja saber que um poeta grego escreveu contra mim de uma forma tão grosseira. Unir o útil ao agradável, um escritor a menos.
Enquanto ela falava, peças de raciocínio se encaixavam em minha cabeça, a mais pura lógica de Eurípedes temer Luna quando ela ainda começava a sua jornada. Mais forte. Quem era?
- Porcaria, Luna! Agora que fui perceber! Se você é tão temida, tão temida em todo o plano espiritual, você não tem poder o bastante para matar Belzebu? Não poderia fazê-lo agora mesmo? E o mesmo quanto aos escritores que nos deram tanto trabalho?
-Faz sentido, não é? - Falava impetuosa. - Não, não, e não. Aquela pseudojornalista Ísis tem razão ao dizer que poucos têm força pra lidar comigo. Mas você não faz ideia do que é esse "pouco"! É proporcional. Quantos vivos existem? Sete bilhões? Aqui há pelo menos mil vezes mais! Sete trilhões de pessoas, se existirem um milhão delas mais poderosas que eu, você acharia que serão poucas? Belzebu não é um espírito comum, ele é um dos Presidentes do Inferno? Você é novato, você deveria me ouvir, confiar em mim, não sou páreo para ele ainda. - Parou, respirando fundo, deu a entender que falaria mais, só que Samael a interrompeu:
- E claro que tem o grande motivo que leva Belzebu a ser tão temido mesmo por espíritos mais poderosos ou evoluídos que ele. Ilusões são um mal diferente de todos os outros, pois mesmo a alma mais superior, se não for treinada para discenir real de ilusão, pode se tornar uma vítima de um ilusionista. Eu sou treinado não apenas em quebrar, mas também em criar ilusões, aprendi um pouco no tempo que estive com Belzebu, e aprendi mais ainda no Céu, depois que fui elevado ao nível de anjo. E como é bom ser anjo, o mal não compensa. Ainda assim, aqueles pobres Byron e Goethe não tinham classe o bastante para iludir Luna, não, fracos demais pra isso, os mais fortes, mas nem tanto, podem prendê-los em um mundo alternativo ilusório, mas precisam ir junto e permitir formas de defesa, de se quebrar a ilusão, contudo, tendo a morte como resultado no fracasso nesse objetivo. Já um grande ilusionista como Eurípedes pode mudar tanto suas percepções de realidade, que, enquanto ele corta suas cabeças, vocês pensarão que estão o atacando, quando na verdade não estão saindo do lugar.
- Sim. E para mim é mais difícil ainda aprender a lidar com ilusões, pois sou irasciva, emotiva, impulsiva. Não é? Se eu for contra Eurípedes agora, morrerei. Não é? Ser emocional agora seria estupidez, e a declaração dele sobre mim, como tudo que o um dos Setes Escritores faz, é falso. Não é? Não é? - Repetiu "não é" diversas vezes, impetuosa, arrogante, irritadiça, descontando sua raiva em palavras, e nada mais, para não ter que mostrar aqueles seus olhos vermelhos e m ações.
- Não, não é. Pare, isso está ficando chato. Vamos, vocês dois devem treinar arduamente para se tornarem imunes a ilusões, não creio que cheguem ao ponto de poderem se defender de alguém como Malbas, mas da grande maioria, talvez. Existe um famoso demônio de coração razoável que reside na Cidade das Brincadeiras, ele é conhecido por ser imune a qualquer ilusão, mesmo as criadas pelos mais superiores anjos! Seu nome é Mefistófeles, ele aceita ensinar e treinar outras pessoas quando passam por um certo teste, que desconheço, porém.
- O que esperamos? -Luna pegou consigo o guia do Mundo Espiritual, e buscou pela localização da Cidade das Brincadeiras. Não combinava com ela. Segurei sua mão, e lá estava a informação.
- Tanta sorte, talvez seja nosso dia. Astarte é a governante da Cidade das Brincadeiras, eu a conheço. - Sorriu com demasiada satisfação.
- Astarte? De onde a conhece? - Samael perguntou, e eu já cansava de ficar calado. O que fazer? Como já dizia o filósofo: Não fale do que não sabe, melhor ficar calado do que dizer asneiras.
- Aquela menina e incrível, quero falar disso quando estiver na companhai dela. Vamos. - Fechou os olhos ao meu e estávamos lá no segundo seguinte, S chegou tão rápido quanto nós.
A visão era contrária a qualquer outra vista antes, todas as mais infantis cores por todos os lados, era como uma imensa creche, cheio de brinquedos, crianças e adultos, carrinhos, formas geométricas e blocos, bonecas e bonecos, jogos de tabuleiro, e mais passagens, local fechado e de paredes e teto coloridos com quadradinhos que repetiam mais cores sem demonstrar nenhum padrão, aleatoriamente, chegava a ser enjoativo. Pedimos informação a uma menina que brincava de Barbie, não soube nos indicar onde encontrar Mefistófeles, mas nos orientou muito bem quanto a Astarte.
Muitas portas depois e estávamos na maior das salas de lazer, um trono de legos coloridos apoiava o corpo de uma criança, de no máximo dez anos, cabelo enrolado, altura média, média em tudo, menos nos olhos pretos muito puxados e o cabelo da mesma cor do de Luna, se limpo, só que enrolado, e literalmente branca.
- Luna! - Ao vê-la, desceu do trono e foi abraçá-la, tive que soltar a mão de minha companheira para não ser empurrado.
- Astarte! Você se tornou rainha desse local em tão pouco tempo, você é fantástica! - Sorria muito, agarrada aos braços da amiga. Ela tinha uma boa amiga, não imaginava isso, mas ficava feliz em saber, nesse caso não sentia ciúmes, embora sempre a quisesse como "só minha".
- De onde vocês se conhecem? - Antecipei a pergunta que S faria mais cedo ou mais tarde.
- Cidadela dos Leitores, estávamos em umas da imensas bibliotecas da dimensão, eu queria pegar A Divina Comédia, fui até a prateleira onde o livro estava, e Luna acabava de pegá-lo, pedi que me entregasse depois que lesse, pois o desejava, ela foi gentil e acabamos conversando. Tínhamos, e ainda temos muito, em comum. Ela assim com eu sofre de uma doença rara, eu sofri quando viva, por isso morri com apenas oito anos. Tinha porfiria, a doença me deixou louca e fez com que minha família me sacrificasse, tipo um caõzinho com raiva. Entendemos uma outra, conhecemos as dores uma da outra, ambas morremos abandonadas por nossas famílias. E aqui no mundo espiritual descobri mais uma doença. - Soltou-se de Luna e ficou olhando para mim, eu podia ver suas veias da testa de tão pálida que era. Seus olhos afundaram discretamente, como se fossem empurrados, e os vasos visíveis por toda a sua pele se dilataram, azuis, seus cabelos voaram na minha direção, cresceram tanto, e repentinamente, que de repente me via completamente enrolado em seus fios negros, e eram tão duros quanto cabelos de aço, ou muito mais. Inquebráveis.
- Seu cabelo é uma doença? Que tipo de doença é essa? - Perguntei, um pouco assustado, evitando demonstrar. Ela me soltou e retornou seus fios de cabelo para o tamanho normal.
- Isso mesmo, eu tenho a habilidade de transformar meu corpo em qualquer coisa, aumentá-lo um número de vezes muito alto, principalmente o cabelo, porém a aparência sempre é de osso, pele, cabelo, ainda que a consistência se transforme em diamante, isopor, aço. Mas mesmo útil é uma doença, minha pele é duro, tenho a consistência de um pedaço de pedra.
- Entendo, mas com todo respeito que devo a um espírito superior, agora vamos ao assunto que realmente me interessa: Onde podemos encontrar Mefistófeles? - Perguntei, e abracei Luna.
- Fácil,passa a porta pela esquerda, atravessa mais oito, depois vira à esquerda e vira a frente.
- Entendido, vamos. - Samael saiu da sala, decorou as intruções facilmente, fomos atrás dele, Luna se despediu com um beijo no rosto de Astarte. Seguindo o caminho chegamos a uma sala muito parecida com toda as outras, um salão, na verdade, a melhor palavra para definir as separações daquela cidada extraordinária. A diferença é que esta era um pouco menor que a grande maioria, o que não a tornava de fato pequena. Um homem alto e elegante, de terno, cabelo negro bem aparado, cavanhaque e olhos amendoados brincava com algumas crianças.
- Mefistófeles, aqui falam Samael, Lady Blood, e uma alma que ainda está entre os vivos mas que também caminha entre os mortos, Artur. - S anunciou.
- E o que procuram? - Mefistófeles perguntou, sem deixar de brincar, mas desviando um de seus olhos para nós.
- Eu nada, esses dois que querem. - E desapareceu, deixando todo o trabalho para nós, tomei a frente:
- Queremos ser treinados contra ilusões para combatermos o injusto Belzebu, que muito mal fez contra minha gentil companheira, e que agora pretende tirar a minha vida.
- Sua companheira pode ser reconhecida pelo cheiro, não a ameaço, mas também não ajudo. Lady Blood, por que a ajudaria? Para preparar melhor uma criminosa a espalhar terror de forma facilitada? Seria um crime meu, mesmo que para poupar a vida de um inocente. - Sua voz era gentil e agradável, ainda que as palavras fossem duras.
- Faz parte da vida. Só que ficamos sabendo que o senhor. - Fui forçadamente respeitoso para conquistar sua simpatia, tentativa ingênua, talvez. - Só gostaríamos pelo menos de passar por esse teste, ainda que quase certamente a gente falhe.
- Claro, eu aceito o desafio que fazem à minha vaidade. Você, menino, não terá que fazer nada, todo o trabalho ficará com a Lady Blood aí, porque, por mais que eu saiba de seus males, não deixo de vê-la com uma criatura fascinante, divina por natureza, superior.
- Não me chamo de Lady Blood. Chame-me de Luna de Arezzo, por favor, a deusa Ísis é uma vadia e Eurípedes é um poeta morto prometido de morte. - Ela o interrompeu, ríspida, porém sem grosserias.
- Leu a matéria que ela escreveu e o depoimento que ele deu? Mais um motivo para não te ensinar nada, mas como já disse, você me fascina, ouvi suas histórias com especial interesse, pois não foram jornalistas idiotas que me contaram, mas sim a doce Astarte, e ela sim gosta de você, então sei mais sobre você realmente do que aqueles que acreditam nas palavras das massas. De fato, violenta criminosa, incorrigível assassina, mas tenta se corrigir, evita voltar ao crime, à violência e à crueldade. É muito difícil abandonar os hábitos de demônio, e eu sei disso porque sou um, mas estou melhorando cada vez mais. É justo que você faça o mesmo, é justo que eu dê a oportunidade de ser ajudada, mas também é justo que essa oportunidade exija força e determinação de você, é, pois, um teste de controle. O mesmo controle que você terá para superar a minha ilusão, é aquele que você precisa para superar os maus sentimentos em seu coração, seu estado de demônio, e caminhar em direção ao anjo, ou ao espírito equilibrado, pelo menos. Se você for aprovada, treino vocês dois, se não, os dois somem daqui. Podemos começar?
- Já começamos, me desculpe, estou muito atenta pra cair em um truque simples, e você sequer está se esforçando. - Ela disse com um sorriso maldoso, e quando vi, Mefistófeles estava atrás de nós, com os braços em nossos ombros, e onde eu o via, não havia nada, nem crianças.
- Minha primeira ilusão é muito fraca, me esforço muito pouco para que muitos possam quebrá-la, esse é mais como um pré-teste, alguém que não vê uma ilusão tão óbvia, se indigna a passar pelo outro teste. Mas vamos afinal para o que importa?
- Agora mesmo, senhor Mefistófeles. - Sorridente, parecia simpatizar com o demônio.

Nenhum comentário:

Postar um comentário